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Não te deitarás com um homem como se fosse mulher, isso é abominação.
Levítico, 18:22
O homossexualismo é tido
como desejo de contato sexual com indivíduos do mesmo sexo. A primeira
dificuldade que se encontra em estudar esse assunto é a diversidade de
opiniões no campo científico e filosófico, as quais se estendem do
campo da patologia à simples opção de vida no que concerne ao uso da
sexualidade. Considerada como uma variante da função sexual por Freud,
que a desvincula da conotação de doença, vício, degradação ou pecado,
a homossexualidade é inserida no conceito de enfermidade através dos
trabalhos de Irving Bieber, Josef Rattner, Samuel Hadden, Carlos
Pacheco e outros, que não vacilam em apontá-la como processo
patológico a exigir tratamento e esforço de sublimação por parte dos
pacientes. Embora o homossexualismo tenha sido excluído do quadro de
doenças por parte da Associação Americana de Psiquiatria, que em 1974
pronunciou-se publicamente contrária a essa interpretação, o
presidente Bill Clinton não conseguiu incluir os homossexuais no
exército americano, conforme houvera prometido antes de ser eleito. Os
motivos são inúmeros e variam desde os preconceitos até a pressão
religiosa, que vendo a homossexualidade condenada pela Bíblia (Se um
homem se deitar com outro como se fosse mulher, ambos devem ser
executados por esse ato abominável. Levítico: 20) não admite liberar
para o cotidiano práticas amorais, em um país cuja maioria é
protestante. Por outro lado, não havendo uma teoria conclusiva sobre a
causa do homossexualismo, sua discussão filosófica está impregnada de
preconceitos e equívocos, que resultam em repressões e condenações por
pessoas de postura tradicional.
Vítimas desse estigma
marginalizante, os homossexuais com freqüência absorvem tais
rejeições, no que se sentem inferiorizados como pessoas e desprezados
como grupo portador de aberrações. Esse tipo de comportamento
desenvolve angústias e depressões, aprofundando o complexo de
inferioridade, iniciando neuroses e perturbações várias. Muitos
homossexuais procuram as clínicas, em luta com eles mesmos (sentem
prazer no homossexualismo, mas sofrem com a rejeição no ambiente em
que vivem), neurotizados pela pressão social, familiar, cultural e
religiosa, e nesses consultórios ficam em dúvida entre assumir a
homossexualidade ou erradicar o comportamento invertido. Optam às
vezes por viverem duas personalidades diferentes e conflitantes, ou
seja, esconderem o homossexualismo na vida social e profissional e, às
ocultas, liberarem suas tendências sexuais. Acumulam pressão e
angústia durante o dia e dão vazão à noite com seus parceiros. Essa
alternância de estilo (pressão angustiante – prazer vigiado) submete
seus nervos a constantes sobressaltos, enfermando-os.
A sociedade, pródiga em
repressões a grupos minoritários, sejam raciais, religiosos ou
políticos, acompanha a tendência e injeta fogo contra o grupo
homossexual, provocando sensacionalismo e acirrando ânimos sem
aprofundamento crítico em busca das causas. É comum ver manchetes
como: “Homossexual é preso portando drogas”, mas ninguém se depara com
o texto: “Heterossexual é preso portando drogas”, numa evidência clara
ao preconceito existente contra os homossexuais.
Como variante
complicadora para o entendimento do assunto, observa-se que alguns
animais de diferentes espécies também apresentam comportamentos
homossexuais, o que desvincula o tema da angulação
livre-arbítrio/carma, neste caso, como causa e conseqüência dessa
prática. Não apresentando os animais livre-arbítrio, também não têm
carma a ressarcir; no entanto, são princípios inteligentes, com
inteligências restritas às suas necessidades. O que determinaria nos
animais uma necessidade de busca sexual pelo seu oposto? Essa
necessidade nasceria do atributo fisiológico ou do próprio princípio
inteligente? Está provado que a indução de hormônios masculinos em
fêmeas de ratos fazem com que elas tenham aversão aos machos, e quando
postas na presença de fêmeas no cio exibam comportamento tipicamente
masculino com toda a encenação do ato sexual, que não se consuma,
diante da impossibilidade gerada pela ausência de órgãos adequados. A
fêmea, nesse caso, não mostra nenhuma tendência homossexual no sentido
de se deixar montar, evidenciando-se apenas atração pelo mesmo sexo.
Mas ratos não são humanos. Nestes, a complexidade vai além da nossa
compreensão.
As teorias
psicanalíticas que tentam explicar o homossexualismo são várias, sem
contudo nenhuma delas receber o apoio universal.
1 – Fatores
constitucionais: Essa teoria menciona todos os indivíduos como
portadores de componentes homo e heterossexuais, ou seja, toda pessoa
é bissexual, embora um dos componentes seja mais ostensivo e o outro
velado. Depende de cada pessoa dar vazão ao comportamento
correspondente à sua condição física (macho ou fêmea) e inibir ou
sublimar a outra através de amizades, esportes, música, dança, etc...
2 – Teoria
psicanalista: Aqui temos os conceitos de ansiedade, de castração e
do complexo de Édipo. A primeira refere-se aos sentimentos que se
desenvolvem na criança na fase edipiana, ou seja, quando ela acredita
que a sua atração erótica pela mãe, gerando o desejo de possuí-la com
exclusividade, está ameaçada pela represália do pai, a quem considera
rival.
A criança desenvolve
enérgica ansiedade por acreditar que terá o pênis cortado, caso
persevere em seu desejo pela mãe. A resolução desse problema vem com a
renúncia ao amor edipiano pela mãe e conseqüente identificação com o
pai, incorporando os ideais deste em sua personalidade.
Freud vai além em sua
teoria, ao explicar a fixação do individuo na fase psicossexual
pregenital oral ou anal. Nos homossexuais masculinos, a identificação
com a mãe geralmente está presente.
Com seus conflitos
edipianos não solucionados ele procura alguém que substitua a figura
da mãe e, de um modo narcisista, dedica a homens efeminados os
adolescentes o carinho que recebeu ou gostaria de ter recebido de sua
mãe. Alguém com essa problemática pode ser atraído por uma mulher, mas
não aceita o contato sexual com ela. Como conseqüência da
identificação da mãe, pode surgir o amor pelo pai poderoso, e com ele
o desejo de receber a gratificação sexual como a mãe o faz, através da
submissão passiva ao pai. Nesses indivíduos, os caracteres femininos
são ostensivos e a escolha do objeto amado recai na maioria das vezes
sobre um homem mais velho. Pode ainda (e queimem-se neurônios para
entender tantas variantes) um individuo que foi criado apenas pelo pai
reagir à frustração de não ter tido mãe, regressando à fase acima
citada, com perda de interesse por mulheres e preferência por homens,
como objetivo de amor primário.
No caso do homossexual
feminino o processo é idêntico. A insistência do complexo de
castração, fruto do complexo edipiano não resolvido, resulta na
identificação com o pai. Como conseqüência a mulher desenvolve um amor
masculino dirigido à pessoa que lembra a mãe.
3 – Teorias
ambientais: Essas teorias surgiram pela análise do relacionamento
familiar, confirmando-se a repetição na sua incidência, no que foram
consideradas importantes para a compreensão da temática.
Bibier apresenta um tipo
padrão de caso, cuja repetência o levou a considerá-lo relevante na
determinação da homossexualidade. A mãe era via de regra
superprotetora, possessiva, sedutora e dominadora, desprezando os
interesses masculinos do menino, especialmente durante a adolescência.
Ela mesma era em geral fria, procurando uma aliança com o filho contra
o pai. O filho admirava a mãe (podendo também temê-la), voltando-se
para ela em busca de proteção. O pai era geralmente desligado, não
afetivo, ausente ou hostil, reduzindo o valor do filho como pessoa;
assim, o filho, ou não respeitava seu pai, ou nada sentia, a não ser
medo ou ódio por ele. O pai, por seu lado, nunca manteve um
relacionamento íntimo com seu filho. No homossexualismo feminino o
papel da mãe é também um fator etiológico importante. A mãe era
hostil, competitiva, desfeminilizante, favorecendo os filhos do sexo
masculino. O pai era freqüentemente submisso à mãe e distante da
filha.
4 – Teorias culturais:
Em virtude de sua prática usada em culturas passadas, tais como na
Grécia, onde entre os guerreiros havia pares homossexuais que eram
capazes de bravura suicida para defender seu parceiro, e em Roma, onde
o homossexualismo era tolerado e praticado sem repressão, tal hábito
era encarado por algumas pessoas como dentro dos limites da
normalidade biológica, constituindo-se em desvio sexual aceitável.
Algumas situações ocasionais podem provocar o homossexualismo
transitório, tais como falta de parceiros do sexo oposto (prisões,
internatos), experiências durante a adolescência, desafio às
convenções sociais... etc. Existe ainda nos dias atuais um certo
modismo relacionado com este assunto, o que explica o grande número de
experiências homossexuais por desejo de aventura ou fuga à rotina,
praticadas por heterossexuais.
Angulações
Espirituais
Pelo prisma espiritual
podemos considerar determinadas situações que se repetem
rotineiramente, como eventos que podem compor as causas dessa inversão
sexual.
1 – O Espírito exercendo
determinada sexualidade em uma ou mais encarnações, descompromissado
com a ética, pode encarnar em corpo do sexo oposto ao anterior,
conservando em seu psiquismo os mesmos desejos sexuais passados, ou
seja: muda de sexo, mas não altera o apetite; troca de corpo, mas não
renova a mente. Apresso-me em esclarecer que tal situação não se
constitui regra geral e que a problemática não se liga diretamente ao
tema reencarnação, mas às leis de causa e efeito.
2 – Obsessão: A obsessão
pode ser a causa de certos comportamentos sexuais invertidos. No livro
de Philomeno de Miranda (Nos Bastidores da Obsessão) observa-se um
caso onde o obsessor, aliado a uma falange trevosa que o assiste,
destaca um hipnotizador para modificar o interesse sexual de um jovem
a quem persegue, inclinando-lhe a libido em sentido oposto ao da lei
natural, induzindo-o ao homossexualismo. Este jovem busca o auxílio de
um psicanalista, que o aconselha a assumir suas tendências, pois no
seu entender de terapeuta o certo era “viver a vida”, tudo o mais eram
tabus a serem quebrados. Claro que a nobre figura médica recebia
sugestões do obsessor, que o comandava com habilidade. Neste exemplo,
o obsessor as condições favoráveis ao seu intento, o que lhe garantiu
o sucesso almejado, embora que temporariamente. Observamos pois que o
processo hipnótico dos Espíritos obsessores atua fortemente na área da
sexualidade, desde que o obsidiado traga na essência do ser a
predisposição para a homossexualidade, o que geralmente tem como causa
os desregramentos sexuais. As existências passadas falam mais alto e,
pela persistência da idéias obsessiva, despertam da semi-sonolência,
aflorando em forma de inversões. Já no reencarnante com tendências,
mas sem atuação obsessiva a ele direcionadas, a atuação do meio sobre
ele (e dele sobre o meio) determinam a força com que essas idéias
emergem, sendo em última análise o seu livre-arbítrio o poder decisivo
no comportamento a ser seguido.
Entra nesse jogo a
educação intelectual, filosófica e moral que ele recebeu, forças
poderosas que se opõem a uma conduta antiética. Caso esse reencarnante
opte pelo exercício sexual desarmônico com a lei natural, ele
provocará em si uma desorganização hormonal a nível de perispírito a
refletir-se no corpo somático, pois a organização perispiritual é
amoldável às condições mentais neste como em outros casos. Se a
tendência de inversão for muito forte, atuante mesmo antes do
esquecimento, que a amortece, a sexualidade invertida poderá provocar
um atrofiamento nos órgãos genitais com conseqüente disfunção
hormonal, estimulando a procura do mesmo sexo. Isto ocorre porque a
matriz perispiritual do ser que se avilta na área da sexualidade, ao
longo das existências, por ocasião do seu processo reencarnatório,
absorve a complexidade desequilibrante da mente. Sobrepõe-se a uma
programação traçada, caso não haja o esforço para o equilíbrio. Nesse
contexto a libido segue o direcionamento anterior, gerando conflitos
existências até que o equilíbrio da mente na área da sexualidade venha
a imprimir no novo físico a condição psicofísica de homem ou de
mulher. Em sentido oposto, se o reencarnante procura sublimar suas
tendências, sua atuação mental induzirá seu perispírito a uma
normalidade anátomo-fisiológica comandada pelo esforço de harmonização
psicológica.
3 – Missão: Um Espírito,
preocupado com a questão do preconceito, marginalização e sofrimento
dos homossexuais, pode pedir como missão nascer entre eles, com suas
tendências, para atuar como líder, pesquisador, defensor,
moralizador... pois ninguém melhor que um do próprio meio para atuar
na libertação dos demais. Nesse caso singular, o homossexual
missionário sublimaria os seus anseios internos de buscar prazer,
canalizando-os para a luta e defesa de seus irmãos.
Como o assunto se abria
em leque, dando margem a que várias vertentes se manifestassem num
emaranhado de teorias, solicitamos aos amigos espirituais que nos
colocassem em contato com grupos que estudassem esse assunto, a fim de
promovermos um intercâmbio de informações.
O Plano Espiritual
Não Se Fez Esperar
A princípio dialogamos
com um grupo de doze companheiros que pesquisam este tema, ocasião em
que escutamos testemunhos valiosos de homossexuais em processo de
superação de suas tendências. Eis as opiniões de alguns:
1 – No princípio criou
Deus os Espíritos simples, ignorantes e bissexuais. Sendo a mente
criadora bissexual ou bipolar, e criando o homem à sua imagem e
semelhança, o criou bissexual. Digo bipolar não no que se refere ao
prazer do sexo, mas à psique. Isso pode gerar tendências, que não se
constituem em pecado quando não praticadas.
2 – Quando criança,
minha mãe sempre falava que não queria ter tido um filho homem. Ela
sonhava em ter uma filha. Vestia-me com roupas femininas, fazia
penteados, dava-me bonecas... e eu me tornei afeminado. Quando cresci
usei silicone, depilações, maquilagem... enfim, tornei-me homossexual.
3 – Quando era ainda bem
pequeno eu já tinha uma paixão louca pela minha mãe. Como meu pai
desfrutava os carinhos dela, passei a odiá-lo por este motivo. Certa
vez eu surpreendi meu pai fazendo sexo com minha mãe e então eu o
agredi e passei a odiá-lo mais ainda. Quando minha mãe morreu, ainda
jovem, eu passei a procurar a sua figura em outras mulheres. Não sei
bem ao certo por que me tornei homossexual.
4 – Eu passei nesta
última encarnação por uma prova relacionada com o sexo. Eu tinha a
tendência homossexual e a sublimei. Foi uma prova, porque ela me foi
imposta sem que eu soubesse ou participasse do planejamento
reencarnatório. Os Espíritos superiores inverteram a minha psicologia
masculina, para que eu sentisse o que uma mulher sente. As minhas
tendências foram geradas devido ao meu comportamento em encarnações
passadas, onde eu me fartei demais com as mulheres e passei a procurar
algo diferente. Como eu, graças à Deus, soube me comportar dignamente
nesta última encarnação, obtive méritos para uma possível harmonização
mental.
5 – Sobre o ontem, o
hoje é longínquo.
Um companheiro
espiritual, pesquisador do assunto, fez a seguinte divisão: O
homossexualismo não é uma doença, mas deve ser superado pela
sublimação (Esta é uma palavra bastante usada entre eles). Podemos
estudar o homossexualismo através de três vertentes:
1 – O hoje: Quando o
problema surge na encarnação atual, com crianças que passam por
traumas graves e registram na memória o acontecido, fazendo-as mudar
mentalmente de sexo. Esse caso é simples e pode ser tratado em
clínicas especializadas. Exemplo (Testemunho): Eu via quando criança
meu pai bater constantemente em minha mãe e dizer que o homem tinha
que ser macho. Minha mãe nunca reagiu e em sua ternura apenas chorava
indefesa. Então eu me recusei a ser aquele macho que meu pai falava e
optei pela ternura de minha mãe. Se ser macho era bater nas pessoas eu
não queria sê-lo. Acho que foi a revolta contra meu pai que me fez
escolher essa condição feminina que apresento, mesmo tendo um corpo
masculino.
2 – O ontem: O ontem
liga-se a reencarnações passadas. Não que alguém sendo homem ou mulher
por várias encarnações venha com o destino comprometido ou determinado
a uma inversão em sua sexualidade. Mas quando o Espírito se
desequilibra em sua área sexual, esse desequilíbrio vem com ele na
encarnação seguinte a exigir reparo, retorno às leis harmônicas do
Criador. Exemplo (Testemunho): Não última encarnação eu fui um homem
apenas externamente, pois meu psiquismo era feminino. Isso me gerou
grandes conflitos e sofrimentos. Como não cedi às tentações sexuais,
recebi grande ajuda dos amigos que agora me educam no esclarecimento
desse tema. Durante muito tempo eu julguei que a mulher era um ser
inferior, motivo pelo qual sempre encarnei como homem. Vocês podem
estar perguntando: Como é que sempre quis ser homem e teve tendências
homossexuais? Eu respondo: como eu considerava a mulher inferior,
comecei a deturpar a minha sexualidade relacionando-me sexualmente com
homens e com animais. Então eu deveria nascer como mulher para sentir
na pele a condição feminina e desmistificar a falsa superioridade
masculina. Mas ainda assim pedi para não nascer com o corpo de mulher,
pois não toleraria aquela condição. Resultado: nasci homem, mas com o
psiquismo de mulher.
Exemplo (testemunho): Eu
fui uma menina muito rica, que não teve carinho nem a atenção dos
pais. Sofria com aquela condição de ter conforto, mas sem contar com a
assistência amiga e o aconselhamento dos meus pais. Eles só pensavam
em trabalho e festas nos finais de semana. Então aos 13 anos, fui
convidada para uma festa; lá chegando, notei que só havia meninas
presentes. Então dancei com uma delas, nos tocamos... e eu fui
repetindo aquelas experiências, mais para agredir meus pais que para
satisfazer-me. Depois de algum tempo notei que meus pais não ligavam
para as minhas saídas e, o que é pior, eu estava gostando daquelas
aventuras. Para complicar mais ainda a minha vida, passei a sentir
forte atração sexual pelo meu pai, que era uma figura muito bonita.
Cresci lésbica e fui morta pela minha amante, em uma cena de ciúme.
Aqui no mundo dos Espíritos, despertei com o perispírito transformado,
e o mais estranho é que ele parecia com a figura do meu pai. Hoje eu
sei as causas do meu desvio sexual: fui estuprador e fiz muito mal aos
que hoje são meus familiares.
Comunicação
(doutrinação): Este Espírito dizia ser uma mulher linda e feliz, mas
levado a uma regressão de memória chegou ao ponto traumático em que
desencarnou em uma festa de drogados. Portava grande conflito e entrou
em pânico quando a regressão o trouxe de volta à condição homossexual,
pois por força de sua atuação mental modificara seu perispírito, que
apresentava características femininas. (Você me modificou! Eu quero
ser mulher!). Confidenciou-nos que enquanto encarnado resistiu o
quanto pôde às tendências de atração pelo mesmo sexo, até que,
entregando-se, gostou da situação prazerosa, embora seguida de nojo de
si mesmo ao término do ato. Esse companheiro foi levado para
tratamento.
3 – O longínquo: Com
relação ao longínquo, o companheiro citou que animais ainda trazem
resquícios dos primórdios da criação, quando foi necessário que cada
indivíduo fosse bissexual, ou seja, sem demarcação ou separação das
polaridades. Ao longo do tempo essa herança vem se distanciando, mas
se conserva ainda na memória de alguns. Não seria o fascínio pelo
fogo, o jantar à luz de velas, uma lembrança do aconchego nas
cavernas? Como entre os animais não existe o livre arbítrio, o
homossexualismo está ligado, segundo esse companheiro, à memória
ancestral das espécies, conservada de um tempo em que os dois sexos
faziam parte de um só indivíduo.
Comunicação
(testemunho): Há muitas encarnações que sou homossexual. Em algumas
delas fui induzido por obsessores, que me levaram ao suicídio. Com a
repetição desse comportamento invertido, meu psiquismo ficou
fortemente impregnado dessa tendência, levando-me a lastimáveis
desregramentos na área sexual. Em algumas encarnações eu esboçava uma
reação contra aquele procedimento, mas na maioria das vezes sucumbia
sob pressões de obsessores. Cheguei a ponto de não saber mais se era
homem ou mulher. Passei séculos nesse sofrimento, motivado por faltas
que eu cometi contra as leis da harmonia, em uma época em que me
iniciei em magia negra, utilizando a sexualidade como elemento de
sedução, causando muito sofrimento e fazendo muitos inimigos. Hoje
estou no esforço de sublimação e sou consciente de que não sofri por
castigo de Deus. Apenas tive que, através da dor, restaurar a minha
mente, para que ela, pacificada me propicie paz.
Como imaginávamos,
terminamos o estudo sem uma teoria conclusiva sobre o tema, que nos
parece vasto e rico para o nosso pobre estágio intelectual. Pelo muito
que conversamos, sentimos que um amor maior deve presidir o ato
sexual, e que amando e compreendendo a sublimidade do amor, não haverá
mais confusão na área da sexualidade entre as criaturas, pois todos se
amarão independente da função sexual que exercerem.
Mesmo entre os
companheiros que estudam o assunto, tivemos idéias divergentes tais
como: a principio criou Deus os Espíritos simples, ignorantes e
bissexuais. E um outro era de opinião que Deus criou os Espíritos
simples, ignorantes e neutros quanto ao sexo. Segundo esse raciocínio,
o sexo ficou estabelecido com a encarnação, e as inversões ficaram por
conta da herança ancestral de suas vivências sexuais.
Conversando com um
companheiro que veio dar seu testemunho, disse-me ele que morava em um
lugar onde só havia homossexuais masculinos e femininos em tratamento,
e que a diversidade e a complexidade dos casos era igualmente
numerosa. Confidenciou-nos que não sabia a causa do seu desvio, nem
queria passar por uma regressão de memória por não se considerar
pronto para enfrentar o passado. Falou dos conflitos e angústias que
muitos sofrem, notadamente os aidéticos (que continuam com o aspecto
doentio), sem força mental para lutar contra a doença. Eles conversam,
ajudam-se mutuamente, mas não podem conviver com seus antigos
parceiros ou amantes. Quando ocorrem casos de envolvimento (recaídas)
por parte de algum homossexual, ele desaparece e ninguém sabe para
onde foi (certamente são afastados para isolamento ou para clínicas).
Os médicos, psicanalistas e psicólogos que cuidam deles são técnicos
na auscultação da alma, primando pela medicação do amor fraterno.
Os homossexuais, segundo
depoimento deles próprios, procuram adaptar seus perispíritos às
condições sexuais que desejam aparentar, conseguindo em parte
modificar-lhes a anatomia, sem, contudo alterar o aspecto genital,
ponto relevante do seu trauma. Somente retornando às origens do
problema e harmonizando-se com a lei, é que se desligam dessa
ambigüidade quanto ao sexo. A partir de então podem transitar pela via
sexual sem desvios ou tendências, escolhendo seus parceiros de maneira
a se completarem nom sexo e no amor que deve presidi-lo.
Apesar de nosso estudo
não revelar nenhuma teoria generalizante sobre o homossexualismo, o
que era presumível, aprendemos que aqui a diversidade é a lei, e que
só a fraternidade será capaz de, como regra única, contribuir para a
solução de tão angustiante estilo de expressar o amor e o prazer.
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