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O
livro "A Grande Síntese" de Pietro Ubaldi nos atordoa com
seus elevados conceitos de tempo, espaço e evolução das dimensões.
Os leitores menos atentos preferem passar por eles sem o esforço de
compreendê-los, desperdiçando o alcance precioso de suas
informações. Afinal, não temos, habitualmente, habilidade para
acomodar raciocínios pertinentes à teoria da Relatividade de
Einstein, que nos fala da curvatura do espaço, da elasticidade do
tempo e outros conceitos que parecem muito distantes de nossa
realidade imediata. São informações ainda muito avançadas para nós e
inacessíveis à nossa formal maneira de pensar e de ver o mundo. Por
isso nos surpreendemos com a antecipação da Grande Síntese,
que já discorria sobre eles de forma clara, numa época, em 1932, em
que ainda eram incipientes e muito distantes do conhecimento comum.
Hoje, no entanto, esses conceitos se popularizaram e com a ajuda de
artigos em revista e livros escritos para o público leigo, a
Relatividade ganhou lugar no pensamento vulgar, deixando os
restritos ambientes acadêmicos das Universidades. Ao compreendê-los,
um pouco que seja, eis-nos maravilhados com os brilhantes e modernos
conceitos desenvolvidos em "A Grande Síntese", que tão
antecipadamente já os esclarecia de forma tão surpreendente. Isso
nos atesta que o pensamento orientador da mensagem de Ubaldi
procedia de esferas elevadíssimas, muito distantes de nosso acanhado
mundo.
De todas as
informações contidas no livro, uma delas nos atordoa de modo muito
especial, aquela em que a Grande Síntese nos afirma
categoricamente que o espaço tem um fim. Podemos ler no capítulo 33:
“No sentido espacial, vosso universo estelar, considerado
isoladamente, é sistema finito; é imenso, mas pode ser medido, e
tudo que se pode medir é finito”. E mais adiante: “Vosso
universo é finito como vórtice sideral”. E no capítulo 35: “Se
me perguntais onde termina o espaço, eu vos respondo: num ponto em
que o “onde” se transforma no “quando”.
Então o espaço que nos
rodeia não é infinito? Como pode ser isso? A impossibilidade de
imaginarmos o que vem depois de qualquer barreira que se coloque no
espaço, deixa-nos completamente atordoados e incapacitados de
aceitar tal possibilidade. A mentalidade reinante em nosso mundo,
ainda afeita ao pensamento concreto, só pode considerar isso coisa
de loucos, daquelas espécies de loucuras benignas que acometem os
que se dedicam em demasia aos estudos. E o conselho de Festo,
dirigido a Paulo de Tarso, diante do rei Agripas, parece ainda
perfeitamente aplicável a esta circunstância: “Estás louco,
Paulo; as muitas letras te fazem delirar”. (Atos, 26).
No entanto, não faz
muito tempo, nos deparamos, no noticiário, com uma revelação
exótica. Um artigo publicado na revista Veja, de 08 de julho de
1999, dizia resumidamente: “graças a telescópios capazes de enxergar
estrelas 1 bilhão de vezes menos brilhante do que as descobertas
pela arcaica luneta de Galileu, estão nascendo entre os cientistas
novas idéias, tão revolucionárias quanto as que outrora poderiam ter
levado à fogueira o gênio italiano. Ao contrário do que se pensava,
o Universo pode não ser infinito” (as marcas são nossas).
Perscrutando distâncias incomensuráveis, além de 13-14 bilhões de
anos-luz, onde estão os quasares, deparam-se os astrônomos com um
vazio assustador. Nada há além. Os limites do inconcebível parecem
estar ali bem diante de seus atônitos olhos. Começam a se dar conta
de que estamos fechados num espaço finito. Se de fato esse fosse
infinito e existisse de toda a eternidade, encontrariam, expostos às
suas observações, novas multidões de corpos celestes. Não teriam
tido todo o infinito do tempo passado para nos enviar suas imagens
luminosas? Portanto só lhes cabe a paradoxal e exótica conclusão: o
espaço termina, o universo tem fim! Isso quer dizer então que as
antecipadas afirmativas da Grande Síntese não eram coisas de
loucos e realmente correspondem à realidade.
Tentemos compreender
um pouco isso, com a ajuda de Ubaldi. Antes, porém, vamos percorrer
um pouco da História e conhecer o que se pensava em tempos passados
sobre este controvertido tema. Na Grécia antiga se dizia que, se
alguém caminhasse muito longe, chegaria à borda do mundo. Arquitas,
um filósofo pitagórico que viveu no século IV a.C., questionava, no
entanto, o que aconteceria se na borda do mundo alguém atirasse uma
lança. Para onde ela iria? Este questionamento, conhecido como “desafio
de Arquitas”, atravessou os séculos e não pode ser respondido
com certeza por nenhum pensador da antiguidade. Os atomistas,
representados por Demócrito, acreditavam que o universo era infinito
e a lança de Arquitas poderia ser atirada indefinidamente. Lucrécio,
pensador e poeta romano, também afirmou que sua lança, onde quer que
caísse, poderia ser atirada novamente, pois o universo era infinito
em todas as direções. Esses pensadores ensaiaram as primeiras noções
de infinito que hoje são naturais em nossas concepções. O pensamento
do mundo antigo, no entanto, necessitava de limites e o infinito
parecia não corresponder às suas expectativas. A idéia de universo
que prevaleceu então foi a de Aristóteles, corroborada mais tarde
por Ptolomeu, em que o cosmos, com a Terra no seu centro, era
limitado e contido pelas esferas celestes, aquelas que estavam além
das esferas que sustentavam as estrelas. Nelas habitavam os deuses,
sendo confeccionada de quinta essência – aquela essência
desconhecida que não era nem a água, nem a terra, nem o fogo ou o
ar, os quatros elementos conhecidos e que formavam o mundo dos
mortais. O universo aristotélico foi perfeitamente admitido pelo
pensamento cristão, pois nele a divindade encontrava o “Seu lugar”,
comodamente estabelecido, além das esferas das estrelas. Deus tinha
o “Seu justo trono” lá no “céu”, de onde podia comandar a Sua
criação. O universo era uma obra estática, pronta e em perfeito
acordo com as revelações sagradas da tradição cristã. Embora
Aristarco de Samos já houvesse estabelecido as bases do sistema
heliocêntrico no século III a.C., somente no renascimento pôde
Copérnico, com suas criteriosas observações, comprová-lo,
encontrando porém enormes resistências em destituir o geocentrismo,
o que quase levou Galileu à fogueira da Inquisição, não tivesse este
capitulado no último minuto, proferindo o seu famoso “Eppur si
muove” (no entanto, ela se move).
Foi preciso que
Giordano Bruno sacrificasse sua vida para nos fornecer a idéia de
infinito. Por ter afirmado que o universo não tinha fim, que as
estrelas eram outros sóis como o nosso e a que Terra não era o
centro da criação, foi ele queimado na fogueira com todos os
requintes da inquisição. Mas a verdade logo prevalecia e com Kepler
estava definitivamente enterrado o universo geocêntrico do mundo
antigo. A astronomia pós-Galileu estendeu a dimensão espacial até o
infinito e as esferas celestes se romperam pela fragilidade em que
se sustentavam. Deus perdeu o “Seu trono” no espaço. Nas mentes
afeitas a uma realidade concreta, incapazes de imaginar o que
extrapolasse as dimensões físicas, não havia mais lugar para a
divindade, e a Astronomia se separou definitivamente da Teologia. O
universo newtoniano, chamado de clássico, estabelece-se sem
fronteiras até o infinito, abrangendo a eternidade. Embora Newton se
mostrasse aficionado pela crença em um Deus criador e mantenedor do
Universo, ele não convenceu o pensamento contemporâneo da
necessidade de se acreditar Nele para explicar a Criação. As
gerações seguintes simplesmente O eliminaram, substituindo-O por
leis e princípios que, embora exatos e responsáveis por equilíbrios
e ordens, foram tidos como obras do acaso. Estava assim estabelecido
o pensamento que nos sustentou na jornada do infinito até aqui,
apoiado no mais perfeito racionalismo materialista.
Com a comprovação de
que a Terra era redonda, o desafio de Arquitas pode em parte
ser respondido. A sua lança poderia ser atirada indefinidamente,
pois o mundo não tem bordas. Sua superfície esférica é ilimitada e
por ela poderemos caminhar indefinidamente e em todas as direções.
Podemos assim concluir que, embora limitada, a superfície de nosso
orbe é infinita, pois não tem limites em seu plano de manifestação.
Eis uma informação que, conquanto esteja correta, não é
perfeitamente coerente, pois a sua infinitude está contida apenas em
uma de suas dimensões, a dimensão do plano. Na dimensão volumétrica,
a Terra é um finito, pois encontra seu término no limite com o
espaço ao seu derredor. Naturalmente compreendemos que, se a lança
de Arquitas for atirada com força suficiente para sair da
estratosfera, entrará em órbita e girará eternamente em volta do
globo terrestre. E se for atirada com maior força ainda, capaz de
vencer a gravitação do planeta, se dirigirá para o espaço
interestelar e intergaláctico. E então, até onde irá? Até o
infinito? Sua viagem jamais terminará? Eis então que o desafio de
Arquitas não está totalmente respondido, encontrando-se ainda
bem atualizado com nossos questionamentos modernos.
Heinrich Olbers, um
médico e astrônomo alemão, que viveu no século XIX, lançou um outro
desafio ao pensamento contemporâneo. Sua indagação, semelhante à de
Arquitas, ficou conhecido como paradoxo de Olbers ou
paradoxo da noite escura, que não encontrou solução na física
clássica. O paradoxo de Olbers nos diz que, considerando-se que o
Universo é infinito e existe de toda a eternidade, infinitas luzes,
de infinitas estrelas, teriam tido todo o tempo possível, no
passado, para chegarem até a Terra e, neste caso, a noite não seria
escura, mas completamente iluminada pelas suas luzes. Por que não é
assim? O Universo não é infinito nem existe de toda eternidade?
Ninguém pôde responder ao paradoxo de Olbers.
Einstein com suas
novas concepções da gravitação universal, encurvou o espaço e o
tempo, fundiu-os em uma mesma dimensão, remodelando o Universo, que
passou a ser uma unidade elástica, arqueada sobre si mesmo, capaz de
mudar o próprio comportamento de suas leis, dependendo das relações
de velocidades entre os seus diversos fenômenos. E logo a seguir,
quase no mesmo instante que Ubaldi dava forma à mensagem de “Sua
Voz”, que afirmava: “vosso universo físico move-se todo em
velocidade vertiginosa, em relação a outros longínquos universos”,
Hubble estava fotografando suas distantes galáxias e se intrigava
com o desvio para o infravermelho de suas luzes, compreendendo mais
tarde que isto se devia ao efeito Doppler – todas estavam se
afastando a grandes velocidades. Descobriu assim que o nosso
universo está em vertiginosa expansão. A teoria do Big-Bang surgiu
como uma tentativa de se explicar então a gênese cósmica, diante do
fato inquestionável. Compreendeu-se, enfim, que o Universo foi
criado um dia e não existe de toda a eternidade, embora não se saiba
de onde ele tenha vindo. Entendeu-se ainda que o espaço e o tempo
não existem de todo o sempre, mas que surgiram com a expansão do
universo físico, após o Big-Bang, e que continuam a se expandir. O
infinito e o eterno encontraram certos limites em nossa mente, mas
continuam a nos ameaçar com a impossibilidade de se lhes
estabelecerem barreiras. Amadurecemos um pouco na escola das
reencarnações sucessivas, mas ainda somos incapazes de extrapolar os
limites dimensionais de nossa acanhada realidade conceptual. O
desafio de Arquitas e o paradoxo de Olbers ainda nos incomodam e nos
instigam a razão, que não é potente o bastante para solucioná-los.
Em "A Grande
Síntese" encontramos subsídios para enfrentar o desafio do
infinito. Aproximemo-nos de seus elevados conceitos para
compreendê-lo, dentro do que nos permite hoje nossa acanhada razão.
Para isso “Sua voz” nos prepara com as noções de Unidades
coletivas e a Evolução das dimensões. Ela nos esclarece
que o Universo, desde as diminutas unidades subatômicas até as
galáxias e seus aglomerados, está estruturado em base ao
princípio de unidades coletivas, onde uma unidade é feita de
unidades menores, sendo parte constitutiva de outras unidades
maiores. Habitamos uma unidade imensa, incomensurável e
aparentemente sem limites, mas que pode ser contida e dominada pela
nossa mente, nos diz a Grande Síntese. De fato, facilmente
podemos enxergar, na tela de nossa imaginação, estas estruturas
dinâmicas e progressivas, sustentando todo o cosmos; as partículas
subatômicas constituindo a unidade atômica, que por sua vez formam
sociedades de moléculas, que estruturam organismos diminutos e que
são sustentáculos de outros ainda maiores; as organelas reunidas nas
células, permitindo a confecção de seres mais complexos; as espécies
reunidas em famílias e as famílias em sociedades; as sociedades
organizando humanidades; as humanidades povoando mundos; os mundos
orbitando em sistemas solares; as estrelas reunidas em constelações,
no seio de gigantescas galáxias. Estas, por sua vez, são poderosos
núcleos atrativos e geradores de sóis, que reúnem em torno de si
cerca de 100 milhões a 200 bilhões de estrelas. Mesmo sendo tão
imensas, elas, por sua vez, agrupam-se em aglomerados contendo de 20
a 30 galáxias, aglomerados que ainda se reúnem em superaglomerados,
verdadeiros arquipélagos galácticos imensos, contendo milhares de
galáxias. E se contam aos milhares os superaglomerados! Embora
incomensuráveis, podemos divisá-los bailando no fundo negro do
cosmos.
Mas será que as
unidades coletivas terminam nos superaglomerados? E toda essa
imensidão seria apenas um ínfimo componente de um outro universo
ainda muito maior? Onde se deterá esta organização de unidades
coletivas? Qual o limite para o infinito? Onde estancarmos essa
viagem da imaginação? Podemos caminhar do mundo subatômico ao
astronômico, mas não podemos sair das fronteiras de nosso universo
físico. Nossa razão é inadequada para lhe estabelecer limites, pois
o que virá depois, ou o que vem antes dele nos escapa totalmente à
compreensão. Nossa mente se perde nestes intricados redemoinhos
feitos de infinito e de eternidade. Sem conseguir impor-lhes
barreiras, deixamo-nos simplesmente extasiar, inebriados e aturdidos
pela visão do incomensurável. Um sentimento de admiração e pequenez
nos invade a alma, diante da inquestionável potência da criação.
Continuemos a
examinar a "A Grande Síntese" esclarecendo-nos com sua
sabedoria. Com ela compreendemos que cada nível de manifestação da
substância, em cada unidade coletiva, ou seja, cada criação, possui,
além de suas peculiares formas de apresentação, seu ambiente
conceptual e suas medidas próprias, a que chamamos de dimensões.
Ao mudar de nível, muda-se também este ambiente e suas medidas
dimensionais. Portanto, as dimensões evoluem juntamente com a
evolução da substância e colocam limites em cada plano de sua
manifestação. As unidades coletivas não são, portanto, unidades
estanques mas também não progridem infinita e linearmente em ambas
as direções. Elas desaparecem em um nível para ressurgir em outro,
de modo que, aos nossos olhos não podemos identificar a sua perfeita
continuidade.
Deste modo cada
universo é limitado e fechado dentro de um campo conceptual de
manifestação, sendo portanto uma unidade finita. As barreiras
do transformismo impõem limites à progressão linear do infinito, de
modo que este não vai além de todos os limites, encontrando
fronteiras que somente podem ser ultrapassadas pela evolução. Eis
os limites do Universo. Eles são conceptuais e não espaciais ou
temporais. Assim, compreendemos a interessante lei dos
limites dimensionais, formulada pela Grande Síntese, lei
esta que, em outras palavras, poderia ser assim anunciada: as
dimensões não são unidades absolutas, mas limitadas ao universo em
que se manifestam e se transmutam em outras unidades dimensionais, à
medida que a substância, evoluindo, faz evoluir o universo de suas
manifestações.
As dimensões,
portanto, assim como as unidades da criação, não são medidas
estanques, mas elásticas e mutáveis, sendo fechadas apenas em cada
nível em que se expressem. As dimensões são evolutivas e sucessivas,
uma idéia estupenda, trazida pelo brilhantismo da Grande Síntese.
Reta, superfície e volume são as medidas da matéria, mas somente
enquanto existe a expansão do espaço. Tempo é a medida do
transformismo da substância, impulsionada pela energia, mas
unicamente no período da existência de sua trajetória evolutiva. A
consciência é a dimensão do ser, mas apenas enquanto este se
expressa sob o império da razão. Uma vez que a substância extrapola,
por lei de evolução, o plano em que se manifesta, ela supera também
suas próprias medidas, passando a viver em outras dimensões.
Cada unidade coletiva é movida por um impetuoso anseio rumo à sua
próxima realização. Por isso nosso universo físico está em expansão,
nos diz a "A Grande Síntese", “movendo-se em vertiginosa
velocidade, rumo a outros universos longínquos a fim de fazer parte
deles”. Ao atingir um plano subseqüente, desaparece naquele em
que existia, para prosseguir em outra unidade dimensional. Portanto,
a evolução não é uma progressão contínua, mas consiste em saltos
dimensionais à medida que a substância muda de nível conceptual.
Assim, vemos a matéria desaparecer aos nossos olhos, para se
manifestar em outro nível, o energético, imperceptível para aquela.
Como energia, a substância supera as dimensões espaciais e vai além,
desaparece, mas para buscar o nível dimensional superior, que é o da
consciência. Eis a dimensão em que vivemos, outra realidade além das
dimensões da matéria e da energia, com suas medidas conceptuais
próprias. Mas com a evolução passaremos à um próximo nível
dimensional, que Ubaldi chama de Super-consciência, onde a intuição,
e não a estreita razão, dominará nossa forma de ver o mundo.
A Grande
Síntese nos diz: “no sentido espacial, vosso universo
estelar, considerado isoladamente, é um sistema finito; é imenso,
mas pode ser medido, e tudo que se pode medir é finito. Para se
compreender isso é preciso transformar a física em metafísica”.
Para se entender isso é preciso sair das acanhadas medidas de nosso
mundo. O limite do espaço não está no plano físico, mas no ponto em
que o vórtice físico se converte no vórtice dinâmico (g
®
b).
Neste ponto a dimensão volume se move no espaço, gerando a
trajetória e, com ela, a medida do seu transformismo, que é o tempo.
Este, enquanto exista, é ilimitado, assim como o espaço, onde se
manifeste, não tem fim. Mas estas duas dimensões são fechadas dentro
de seu universo de manifestação e não são as medidas do eterno. A
eternidade não é uma sucessão ilimitada do tempo, mas simplesmente a
sua ausência. O infinito não é uma sucessão sem fim do espaço, mas
apenas a sua não existência. Nossas acanhadas mentes não podem ainda
conceber com clareza a existência de uma realidade onde não exista o
tempo e o espaço, pois tais possibilidades pertencem à um outro
plano que ainda não conquistamos.
A finitude do tempo e
do espaço somente poderá ser compreendida, se conseguirmos imaginar
que a nossa realidade pode ser comparada à superfície de uma esfera,
que não tem limites em sua extensão, e por ela poderemos caminhar
infinitamente no tempo e no espaço, mas estaremos sempre fechados e
contidos nela mesma. A dificuldade de compreendermos esta realidade
consiste no fato de que a esfera que habitamos não é bidimensional
como é a superfície de uma bola, mas sim, tridimensional, e não
conseguimos vislumbrar uma esfera tridimensional. Mas aprendemos,
com Einstein, que habitamos um universo curvo e fechado em si mesmo
na dimensão espaço e tempo. Portanto, enquanto existirmos no tempo e
no espaço, observaremos estas unidades como infinitas e estaremos
encerrados em seus limites, mas estes deixarão de existir assim que
ultrapassarmos as suas barreiras, impulsionados pela evolução.
Assim como a
superfície da Terra que nos prende em sua dimensão, essa bolha de
espaço que habitamos nos cerceia, impondo-nos suas barreiras, que
são fechadas, curvas e relativas. Por isso em nosso cosmos, a curva
é o caminho mais curto entre dois pontos, e a geodésica é nossa
trajetória natural onde a reta é uma utopia. Assim a luz, após
irradiar-se de um ponto, retornará a ele, depois de 200 bilhões de
anos, como se calcula, percorrendo a superfície de uma imensa esfera
de 1023 km de diâmetro. Eis o tamanho do nosso universo,
suas medidas são finitas! Tampouco ele é eterno no tempo, pois a
ciência calcula para ele a idade de 15 bilhões de anos, portanto o
seu raio necessariamente tem a distância que a luz percorreu até
hoje, ou seja, limitados 15 bilhões de anos-luz. E a cosmologia já
questiona a possibilidade de que ele venha um dia ter o seu fim, em
um tempo ainda não determinado. Portanto nosso cosmos está encerrado
dentro de seus próprios limites dimensionais, somente superáveis
pela evolução, como nos ensina Ubaldi.
Nossa dimensão
volumétrica, embora fechada e curva, não está estanque, pois o
espaço está em contínua expansão. Nosso Universo é, assim, uma
esfera de espaço que se infla em vertiginosa velocidade, fazendo
inflar todo o cosmos. Uma expansão, no entanto, que não se dirige ao
infinito e que encontrará um fim – à medida que se expande ela se
transforma e evolui, superando assim seus próprios limites. Esses
limites se transmutarão e serão absorvidos pelo universo que lhe é
superior e contíguo – o reino do absoluto. Irá desaparecer, mas para
continuar existindo em outra realidade dimensional, em outro nível
de criação. Suas medidas dimensionais serão superadas e
desaparecerão, mas apenas aos olhos daqueles que não puderem
acompanhá-lo. O relativo será absorvido pelo absoluto e viveremos em
outra realidade. Eis porque tudo que vive no relativo teve um
princípio e terá um fim. Podemos identificar o fim do universo
material e o término de suas dimensões, com o “fim dos tempos”,
preconizado por Jesus. Esta expressão, encontrada ainda no
Apocalipse, não se refere portanto ao fim de um período, dentro da
realidade atual, como se entendeu em outras épocas, mas sim ao
término, pela superação evolutiva, da dimensão temporal, quando o
ser, migrando para outro universo, passará a viver dentro de outra
realidade, onde as medidas do relativo não mais existirão. Este
verdadeiramente é o “reino de Deus”, o reino do absoluto.
Com a morte da
matéria, desaparecerá a sua dimensão, o espaço. Da mesma forma, com
a absorção do nível energia transubstanciada em espírito, o tempo
deixará de medir o transformismo evolutivo e também se extinguirá,
quando então o ser migrará definitivamente para o universo
superdimensional. Podemos, dessa forma, considerar o nascimento e a
morte do espaço e do tempo. Tudo que nasce deve morrer, tudo que
existe no relativo teve um princípio e terá um fim. O espaço e o
tempo tiveram um início e por isso terão um fim. O espaço não é
infinito! O tempo é eterno somente enquanto existe.
Surpreendente! Eis uma revelação consoladora. Se eles têm limites,
estes poderão ser ultrapassados e não estaremos eternamente presos
nele. De fato, um espaço ilimitado e um tempo eterno, embora sejam
conceitos naturalmente aceitos pela nossa mentalidade atual, são um
absurdo do ponto de vista da divindade. Eles pressupõem a eternidade
do universo físico e suas dimensões, o que não seria conveniente
para o espírito ao atingir o plano da perfeição. O plano do
perfeito, que é o Absoluto, de fato não poderia estar confeccionado
nas mesmas dimensões que habitamos, com graves prejuízos para a sua
arquitetura conceptual. Eis uma informação que nos alenta e está
contida nas obras subseqüentes de Ubaldi.
Dessa forma podemos
compreender quando a A Grande Síntese nos afirma: “o
espaço termina onde o “onde” se transforma em quando”. O espaço,
o “onde”, como dimensão da matéria, termina onde esta se
transmuta em energia, unidade medida pelo tempo, o “quando”.
E o tempo termina onde o “quando” se transforma no “como”,
onde o ser, despertando plenamente sua consciência, interroga a
criação e esta lhe responde integralmente, elevando-o à realidade do
Absoluto, onde o tempo morre, o presente é permanente, não mais
flui, sem passado e sem futuro.
Com o desdobramento da
revelação ubaldiana, nas obras subseqüentes, principalmente em
Deus e Universo, podemos avançar um pouco mais nosso estudo,
compreendendo que nosso universo físico, chamado ANTI-SISTEMA, é
fruto de uma fuga de um Universo perfeito, superior, chamado
SISTEMA. Essa fuga, cujas razões não cambem aqui maior detalhamento,
ocasionou uma contração das dimensões originais da criação, uma
retirada de poderosas forças, que a ciência convencionou chamar de
“Big-Crush” (grande concentração). Essa concentração de forcas fez
convergir toda a fabulosa potência da criação em um ponto de
nulidade, chamado pela Física de “singularidade”. Não somente as
forças originais se concentraram, mas também as dimensões
anteriormente existentes. Com o ricochete dessas forças, nasceu o
Big-Bang, as forças contidas explodiram, formando não só a matéria,
mas as suas dimensões conhecidas, ou seja, nasceram assim o espaço e
o tempo, dimensões distorcidas da realidade absoluta da criação
original. À medida que o universo se expande, o espaço também se
dilata, de modo que a melhor maneira de imaginarmos este espaço é
visualizá-lo como um balão enchendo-se. Habitamos a superfície deste
balão que, no entanto, é tridimensional e não de duas dimensões,
como anteriormente afirmamos. O tempo surge como o registro do
transformismo e da caminhada a que a substância é submetida nesse
plano de manifestações relativas. Compreendemos, dessa forma, que
espaço e tempo tiveram uma origem e terão um fim, como disse a
Grande Síntese. E poderemos reconhecer, talvez de um modo mais
fácil, que nosso universo não se expande ao infinito, pois, sendo
uma contração do Sistema, nele está contido e limitado. Podemos
reconhecer ainda que a sua expansão não se dará infinitamente, nem
será sucedida de nova contração, como perquire a ciência moderna,
mas será reabsorvida pelo Sistema. E, finalmente, podemos então
considerar que nosso universo termina onde ele se limita com o
Sistema, e que o espaço, com sua infinitude, e o tempo, com sua
eternidade, estão fechados, condicionados a um momento irreal da
existência da substância e fadados a desaparecerem. Vosso
universo é finito como vórtice sideral, nos diz a Grande
Síntese.
Com a revelação
ubaldiana, nossas idéias de Universo e de infinito encontram novas
modificações. De certa forma, resgatamos o universo aristotélico,
pois encontramo-nos novamente com um “lugar” para a esfera
divindade: não mais um lugar físico, mas superdimensional.
Situamo-lo nas fronteiras dimensionais do Anti-sistema. Poderemos,
assim, considerar que o Reino Divino está além do nosso universo e
começa onde terminam as suas medidas de espaço e tempo. Esse Reino
divino, o universo do Absoluto, restringe e limita a nossa
realidade, reduzindo-a ao espaço de suas dimensões contraídas.
Poderíamos de certo modo entender esta nova conformação da Criação,
imaginando uma imensa esfera, o Sistema, contendo uma outra menor e
fechada dentro de seus limites, o Anti-sistema, pois aprendemos, com
Ubaldi, que nada pode existir fora da criação, ou seja, fora de
Deus. Estas duas esferas, no entanto, não participam do mesmo
ambiente dimensional e, embora se interpenetrem, aparentam estar
separadas pelo infinito. Uma maneira acanhada de acomodarmos esta
idéia em nossa parca imaginação seria ainda compararmos esta
conformação com a realidade virtual criada pelos computadores
modernos. Sabemos que, com auxílio se óculos especiais, um
computador poderoso pode criar um ambiente em três dimensões ao
nosso redor, dando-nos a ilusão de que se trata de algo real. Com
ajuda de luvas especiais, podemos tocar os objetos virtuais deste
mundo irreal, e o computador nos dará a sensação correspondente de
firmeza e consistência, proporcionando-nos ainda maior realidade
para estas miragens feitas de impulsos digitais. Esta realidade
virtual é uma dimensão irreal criada dentro de nossa realidade e
pode ser infinita, se o computador que a sustenta puder confeccionar
sempre novos ambientes para a nossa exploração. Seus limites não
podem ser estabelecidos pelas nossas medidas, pois seu ambiente
conceptual é outro bem distinto de nossa realidade. Embora infinito,
este ambiente artificial está contido, fechada pelas limitações do
computador que o sustenta. Um simples corte da energia que alimenta
o computador a fará desfazer-se subitamente, retirando-nos do sonho
de realismo. O Anti-sistema, o ambiente dimensional em que vivemos,
pode ser comparado com uma realidade virtual. Uma parte dos seres se
retirou da dimensão real, vestiu suas essências espirituais com um
escafandro, feito de matéria e energia, o qual chamamos de corpo,
para mergulhar nesta realidade exótica e irreal. Confeccionaram um
computador especial, chamado de cérebro, que converte os impulsos
desta realidade ilusória em sensações reais para o espírito,
conferindo-lhe uma existência quase perfeita. Vestes dotadas de
sensores, que chamamos de pele, nos colocam em íntimo contato com
este exótico mundo, que na verdade não existe. É feito de ilusão, de
partículas que não existem, de velocidades que constroem a ilusão de
massa e compacidade. Eis o que é nossa vida, nosso universo, nossa
matéria, nosso ambiente dimensional, restrito e reduzido, dentro da
dimensão real da criação. Eis a enorme ilusão, que o hinduísmo chama
de “grande maia”. Embora ele nos alimente com a idéia de infinito e
de eternidade, estas medidas são obras do mesmo irrealismo que nos
sustenta, pois estamos fechados e contidos pelo realismo do Sistema,
assim como a realidade virtual está contida pela nossa realidade. É
o Sistema a única realidade que o sustenta e fornece a energia para
a “brincadeira de irrealismo”, digamos assim. O pensamento divino
interfere nele em forma de leis e princípios, organizando-o,
orientando os seus seres para saírem dele, retornando ao mundo real,
onde fomos criados, o reino do Absoluto.
Munidos destes novos
conceitos estaremos mais bem preparados para enfrentar o desafio do
infinito. A lança de Arquitas retornaria ao seu ponto de partida,
depois de 200 bilhões de anos. Mas, como entendemos ainda que a
curvatura do universo não é perfeitamente fechada, mas se abre por
imposição da lei do devenir, gerando uma espiral aberta, onde
deveria existir uma esfera, o ponto não se fechará nele mesmo. A
caminhada é aberta e feita de transformismo evolutivo. A substância
constitutiva da lança evoluirá e se transubstanciará sendo
reabsorvida pelo universo contíguo e superior ao nosso. A lança
então terminará sua viagem em outro Universo dimensional.
O paradoxo de Olbers
pode ser facilmente solucionado, ao compreendermos que universo teve
um princípio e não existe de toda eternidade. Que o espaço é uma
bolha que se expande, que igualmente teve sua origem e tem seu
limite. Ao dirigirmos nosso olhar para os rincões mais longínquos do
Cosmos, estamos apenas divisando o seu passado, mirando imagens
arqueológicas trazidas por uma luz cuja fonte não mais existe. É
apenas uma imagem residual, deixada para trás no cone do tempo,
feita pela irradiação da luz, e que não corresponde mais à realidade
atual do cosmos. Traz notícias de um espaço que já morreu, para dar
lugar ao nosso espaço atual em constante dilatação, e contém
registros do passado da criação, fixados em um tempo e um espaço
finitos.
O infinito e o eterno
nos atordoam. Mas a "A Grande Síntese" nos indica o caminho
para sairmos de suas limitadas barreiras. Esse caminho consiste na
superação de nossas acanhadas dimensões e para isso basta
alimentarmos nossos espíritos de humildade e bondade genuínas,
deixando para trás os vícios seculares do egoísmo, que nos limita as
consciências nos restritos círculos da matéria e da energia. Este
exercício, preconizado por todos os gênios do passado, a quem
chamamos de santos, irá munir-nos das asas do amor e da sabedoria, a
fim de alçarmos o vôo do infinito. Ultrapassando as barreiras de
nosso universo, viveremos, enfim, o conúbio com a realidade do
Absoluto. Eis o convite máximo e a motivação maior Daquela Voz
que se dignou a nos dirigir novamente a Sua palavra, doce e
esclarecedora, unicamente para nos levar de volta aos páramos
celestiais dos quais proviemos.
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