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Não
podemos esquecer que, nos dias de hoje, as drogas constituem o
grande mal da sociedade. Assolam o mundo e o nosso país de maneira
brutal. Podemos dizer que diversos crimes atrozes como o latrocínio,
o homicídio, o estupro, e outros menos graves como o roubo e o
furto, são praticados em conseqüência direta do tráfico ilícito de
entorpecentes. Atualmente, dependentes químicos roubam, furtam e até
mesmo matam para poder sustentar o seu vício. Crimes sexuais são
praticados por indivíduos alucinados e que se encontram sob o efeito
nocivo da droga. Bandos e quadrilhas extremamente organizados
formando coalizões impenetráveis e na disputa pela mercancia da
droga, cometem barbáries de proporções alarmantes e as chacinas
constituem notícias de primeira página nas publicações periódicas e
na rede televisiva. O mercado da prostituição e as contravenções dos
jogos de azar, relativamente aceitos pelo meio social em que
vivemos, acobertam o mercado das drogas e o enriquecimento por
intermédio da mazela alheia.
Diante desse alarmante panorama e frente à inércia do Poder Público,
nos deparamos com um tipo de revolta e indignação no pensamento de
todos os brasileiros. Por que não matar esses traficantes, deixando
que os grupos de extermínio procedam a eliminação desses bandidos?
Por que não editar leis mais duras e mais severas como a prisão
perpétua ou a pena de morte?
Esses tipos de questionamentos nos deixam perplexos e apreensivos.
É
preciso deixar claro que a solução para o problema não está na
matança de traficantes e nem mesmo no rigor da lei.
Exterminando pessoas não estaremos erradicando o tráfico ilícito de
entorpecentes do planeta. Muito pelo contrário. Estamos em um
processo vicioso como ocorre no Oriente Médio. Matando dez
terroristas, outros vinte ou trinta virão ainda mais revoltados e
mais dispostos a aterrorizar seus supostos inimigos. Trata-se de uma
vã cultura arraigada e presa aos conceitos étnicos e religiosos
daquela região onde, como uma epidemia, adultos, crianças e
adolescentes são ensinados a matar, aterrorizar, nem que para isso
se exija o sacrifício de sua própria vida, por uma “causa maior”.
Com a mercancia das drogas não é diferente: o tráfico hoje sustenta
pessoas, famílias, mulheres e crianças. O dinheiro que é ganho,
proveniente do comércio das drogas, é muito superior a qualquer
emprego honesto e decente que o chefe da família poderia arrumar.
Simples intermediário da organização, o pai de família que vende
drogas e que muitas vezes também é viciado, quando preso, é
imediatamente substituído pela sua esposa e até mesmo seus filhos.
Mães separando e pesando a cocaína; filhos embalando-a para que seja
vendida ao seu destinatário final. Indubitavelmente, a eliminação de
pessoas não é a solução para conter esse quadro alarmante.
O
endurecimento das leis também não constitui remédio para o quadro
atual. Em 1976 foi editada uma lei efetivamente capaz de punir tanto
o usuário como o traficante de drogas. A lei está em vigor até hoje,
entretanto, sofreu algumas alterações. Com o avanço da
criminalidade, em 1990 o tráfico ilícito de entorpecentes foi
equiparado aos crimes hediondos, onde o cumprimento da sanção
imposta se dá em regime integralmente fechado, e são insuscetíveis
de anistia, graça, indulto, fiança ou liberdade provisória. Todavia,
apesar do gravame legal, de 1990 para cá os índices de criminalidade
cresceram de forma assustadora, principalmente as prisões pelo
comércio de tóxicos. Portanto, tornar a punição mais severa também
não se mostra meio eficaz à superação do conflito.
Esquecemo-nos de nossas bases espirituais. Nas lições trazidas pelo
Evangelho, aprendemos que Jesus curava os “endemoninhados”. O poder
soberano de nosso Cristo Planetário está no interior da cada homem e
de cada mulher de boa vontade. Devemos entregar livros escolares nas
mãos de uma criança, antes que algum infrator lhe entregue um
revólver. Devemos antecipar-mo-nos na conversa edificante com um
adolescente, antes que ele seja alvo da discriminação e do
preconceito. Devemos dar oportunidade ao pai de família
desempregado, antes que ele faça do comércio de drogas o seu meio de
vida, o seu sustento.
Basta de reclamar do descaso de nossas autoridades. Todos nós somos
espíritos comprometidos com nossas ações e a colheita daquilo que
plantamos na atual encarnação é inevitável. Façamos a nossa parte, e
muito há que ser feito. Enquanto espíritas e cristãos, devemos
elucidar as pessoas para que a demanda das drogas seja cada vez mais
escassa.
É
imperioso esclarecer mentes, elucidar o espírito encarnado, que
desempenha um papel importantíssimo na face do planeta Terra. Nesse
particular, saindo da esfera material e jurídica, e adentrando no
aspecto espiritual, principalmente no que se refere ao vício e à
dependência química, devemos atentar para as Leis de Conservação e
Destruição, previstas respectivamente nos capítulos V e VI do Livro
dos Espíritos.
Segundo a Lei de Conservação é dado ao homem, através da natureza,
todos os meios necessários à sua subsistência. Deus, em sua infinita
bondade e sabedoria, faz a terra produzir o necessário a todos os
seus habitantes, porque só o necessário é útil, o supérfluo não o é
jamais.[1]
Mas, a imprevidência do ser humano faz com que se destrua tudo que
há de bom e necessário na natureza. As riquezas naturais
provenientes de nosso planeta são mais escassas a cada dia: as águas
são contaminadas, o solo cada vez menos fértil, o ar cada vez menos
respirável. Se não fosse o bastante, homens inescrupulosos ainda
manipulam substâncias, tornando-as nocivas e viciosas, e vendendo-as
a um número infinitamente grande de destinatários, destruindo
crianças, jovens e suas respectivas famílias.
É
nosso dever enquanto encarnados conservar o veículo físico que nos
fora emprestado para o aprimoramento das habilidades do nosso
espírito. Nosso corpo é o instrumento eficaz ao amadurecimento e
aprendizado do espírito, onde, retornando à vida corporal é
submetido a desafios e provas que, bem suportadas, o levam
diretamente ao caminho da evolução.
Prazeres momentâneos e ilusórios como as drogas, além de destruírem
e contaminarem nosso organismo físico e perispiritual, prejudicam a
evolução dos seres, afastando a criatura do seu Criador. E não
podemos nos olvidar ainda dos gravíssimos processos obsessivos que
são instalados quando do consumo de drogas.
Quanto à Lei de Destruição, esta pode ser necessária ou abusiva. É
necessária quando se destrói para renascer e regenerar, objetivando
a renovação e melhoramento dos seres vivos.[2]
Entretanto, a destruição deve sempre chegar na época necessária,
porque toda destruição antecipada entrava o desenvolvimento do
princípio inteligente, e é exatamente por isso que a natureza nos
cerca de meios de preservação e conservação.[3]
No
que concerne à destruição abusiva, temos que é a predominância da
bestialidade sobre a natureza espiritual. Toda destruição que
ultrapasse os limites da necessidade, é uma violação da lei de Deus.
Os animais não destroem senão por suas necessidades; mas o homem,
que tem o livre arbítrio, destrói sem nenhuma necessidade aparente.
Ele prestará contas do abuso da liberdade que lhe foi concedida,
porque é aos maus instintos que ele cede.[4]
As
drogas constituem um dos maiores flagelos da humanidade. Destroem
abusivamente todo o organismo físico e espiritual de um indivíduo.
Disseminam relacionamentos e famílias. Causam dor e sofrimento a
inúmeras pessoas e afastam o espírito de seu objetivo encarnatório.
Elucidar mentes, eis o remédio. Lutemos como verdadeiros irmãos em
Cristo para o combate às drogas. Esclarecendo jovens e crianças, a
começar pela nossa família, estaremos contribuindo para erradicar
essa problemática do convívio social. O mais forte deve trabalhar
pelo mais fraco e, na falta da família, a sociedade deve tomar-lhe o
lugar. Esta, é a verdadeira lei da caridade.
Como bem explica o Livro dos Espíritos, “há um elemento que
comumente, não entra na balança e sem o qual a ciência econômica não
é mais que uma teoria: a educação. Não a educação intelectual, mas a
educação moral, e não, ainda, a educação moral pelos livros, mas
aquela que consiste na arte de formar os caracteres, a que dá os
hábitos, porque a educação é o conjunto de hábitos adquiridos.
Quando se pensa na massa de indivíduos jogados cada dia na torrente
da população, sem princípios, sem freios e entregues aos seus
próprios instintos, deve-se espantar das conseqüências desastrosas
que resultam? Quando essa arte for conhecida, cumprida e praticada,
o homem ocasionará no mundo hábitos de ordem e de previdência para
si mesmo e os seus, de respeito por tudo o que é respeitável,
hábitos que lhe permitirão atravessar, menos penosamente, os maus
dias inevitáveis. A desordem e a imprevidência são duas chagas que
só uma educação bem entendida pode curar. Esse é o ponto de partida,
o elemento real do bem-estar, a garantia da segurança de todos”
(comentários à questão 685).
Tomando por base os ensinamentos acima traduzidos, estaremos mais
preparados para solucionar o problema da dependência de drogas em
nosso âmbito familiar. Reputamos de suma importância o entendimento
dessas lições de educação, convívio e relacionamento para que
possamos ajudar aquele que necessita deixar o vício. Estaremos
curando não só o corpo, mas também o espírito, que traz com ele toda
espécie de tendências e inclinações que devem ser corrigidas na
atual existência.
Que
o Mestre Jesus seja o nosso grande médico, o amparo de todas as
horas, e o braço forte a nos apoiar nos momentos difíceis de nossa
vida!
[1]
LE, questão 704
[2] LE, questão 728
[3] LE, questão 729
[4] LE, questão 735
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