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Deus
nos fala por todas as vozes do Infinito. E fala, não em uma Bíblia
escrita há séculos, mas em uma bíblia que se escreve todos os dias,
com esses caracteres majestosos que se chamam oceanos, montanhas, os
astros do céu; por todas as harmonias doces e graves, que sobem do
imo da Terra ou descem dos espaços etéreos. Fala ainda no santuário
do ser, nas horas de silêncio e de meditação. Quando os ruídos
discordantes da vida material se calam, então a voz interior, a
grande voz, desperta e se faz ouvir. Leon Denis.
O
despertar da voz interior, da voz divina que existe dentro de todo o
ser e que dirige sua vida para o Bem se faz através da quietude
terrena, quando as ansiedades se calam, os medos ficam emudecidos. O
silêncio é a arte de gerenciar a alma e domar a língua, é um
conhecimento e uma forma de comunicação.
Há
vários tipos de silêncio:
Naturais / culturais;
Voluntários / forçados / espontâneos / estratégicos;
Cálidos / frios (silêncio de pedra);
Normais / patológicos.
O
silêncio pode expressar:
discrição / humildade
desdém / insolência
assombro / embaraço / raiva / medo.
O
ato de silenciar está sempre acompanhado de expressões faciais,
movimentos de cabeça, piscada de olhos, dedo nos lábios ou gestos e
sempre têm um sentido consciente ou inconsciente e significações.
Transitar do ruído material, do medo, para a quietude espiritual,
para a coragem de SER, sem a inquietude do TER é uma ciência e uma
arte, que combinadas nos dão um caminho seguro.
Toda criatura em que o estado mental é turbulento, ruidoso tem seus
canais de percepção bloqueados e as sinalizações que a vida lhe der
não serão percebidas, sentidas ou ouvidas.
O
silêncio da mente é curativo, permitindo que flua do universo
cósmico o prana, a energia máxima que regenera células e equilibra
os chacras.
A
criatura que trabalha o silêncio interior acumula mais energia e
transfere mais expressão aos seus pensamentos e atos.
O
silêncio tem sua geografia, sociologia e história. Cada povo é
portador de uma característica peculiar. Julgam-se os ingleses
silenciosos e estes acham os suecos e há ainda aqueles que afirmam
ser os finlandeses, os mais quietos.
Os
apaches do Oeste americano, que moram no Arizona, ficam em silêncio
ao encontrar uma pessoa desconhecida ou nas fases iniciais do
namoro. Eles dizem, que diante de uma situação desconhecida ou
inusitada, preferem desistir das palavras, até se acostumarem com o
novo estado, a nova situação.
A
mulher e a criança, por um longo tempo foram oprimidas e não tinham
o direito da comunicação, vivendo ao lado dos companheiros e pais,
em silêncio.
Os
presos utilizam o silêncio como um recurso de resistência e
compartilhação.
O
silêncio nos templos é um processo criado pela crença de que as
verdades religiosas ou o mistério dos deuses são inefáveis,
impronunciáveis pela linguagem humana.
A
estratégia do silêncio pode ser uma defesa. Os talentosos realizam o
silêncio para indicar limites.
O
excesso de palavras desconcentra / desfibra e desvenda projetos e a
intimidade, permitindo a invasão das forças contrárias. Por isso se
diz que os frágeis verbalizam demais.
Para se estabelecer a calma interior e para que a criatura possa
fazer com que a sua voz interior, divina, transite de dentro para
fora e lhe dê, no cotidiano da vida, opções existenciais melhores,
indico o seguinte exercício:
Inicie realizando realize exercício respiratório. Mentalmente
sinta-se no útero da sua mãe. Experimente realizar esse processo e
ouvir o som do coração materno, da água da bolsa amniótica, da
circulação sangüínea e sinta todo o calor e carinho que flui deste
momento primário de nossa vida.
O
grande benefício da mentalização regressiva para a vida uterina está
principalmente no encontro com o silêncio primário, quando então o
ser humano resgata em seu Universo interior, simbolicamente, o
paraíso perdido.
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