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"Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo: eis
aí a Lei e os profetas."
Jesus Cristo
"Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai a não ser
por Mim."
Jesus Cristo
"Nascer, renascer, progredir sempre: tal é a Lei."
Allan Kardec
DEDICATÓRIA
a Terezinha, minha esposa
a Jaqueline Mara e Tereza Cristina, minhas filhas
a Divaldo Pereira Franco
a Francisco Cândido Xavier (in memoriam)
a Yvonne do Amaral Pereira (in memoriam)
AGRADECIMENTOS
a Elaine Civinelli Tornel da Silveira
a Ronaldo Tornel da Silveira
a Suely Caldas Schubert
ÍNDICE
Introdução
1 - As Leis Morais
1.1 - A Lei Divina ou Natural
1.2 - Adoração
1.3 - Trabalho
1.4 - Reprodução
1.5 - Conservação
1.6 - Destruição
1.7 - Sociedade
1.8 - Progresso
1.9 - Igualdade
1.10 - Liberdade
1.11 - Justiça, Amor e Caridade
1.12 - Perfeição Moral
Conclusão
Bibliografia Recomendada
INTRODUÇÃO
Os juristas, por força do seu ofício, dedicam-se, desde a
antigüidade, ao estudo das Leis humanas, o mesmo acontecendo com
alguns filósofos, dentre os quais Sócrates e Platão.
Entretanto, há outras Leis de interesse dos estudiosos, que são as
Leis Divinas, estas que são objeto de pesquisas e afirmações dos
religiosos das diferentes correntes.
O
conhecimento é libertador, tendo Jesus assim afirmado: Conhecereis a
Verdade, e a Verdade vos libertará. E, depois de conhecer, muda-se
nossa a vida, que passa a seguir um rumo definido, com reais
benefícios para a vida presente e, seguramente, para a vida post
mortem.
O
objetivo deste estudo são as Leis Divinas segundo a concepção
espírita, ou seja, segundo a Doutrina codificada por Allan Kardec.
Nosso estudo é feito com base no O Livro dos Espíritos, escrito por
Kardec e publicado em 1857.
Infelizmente, poucos são os autores, além de Kardec, que tratam
especificamente das Leis Morais, destacando-se algumas obras de
outros estudiosos: Leis Morais da Vida, de Joanna de Ângelis
(psicografada por Divaldo Pereira Franco), As Leis Morais, de
Rodolfo Calligaris, e Das Leis Morais, de Roque Jacintho. São esses
os autores a que tivemos acesso na nossa pesquisa.
De
O Livro dos Espíritos pinçamos os tópicos que acreditamos mais
atuais e de maior interesse para o Leitor espírita brasileiro,
dispensando as citações eruditas e numerosas, que avolumariam o
texto sem maior proveito.
A
cada um desses excertos acrescentamos pequenos comentários nossos
para elucidação de pontos em que a compreensão é mais difícil.
A
escolha desses pontos não significa que o prezado Leitor não deva
ler os demais, que devem ser consultados em O Livro dos Espíritos.
Sigamos, então, juntos, caro Leitor, nessa viagem pelo mundo da
verdade espiritual, que, infelizmente, a maioria prefere ignorar,
com prejuízos evidentes para si própria.
O
autor
1 - AS LEIS MORAIS
O
conceito de Leis Morais encontra-se na questão 617 de O Livro dos
Espíritos, ali constando que são regras que dizem respeito
especialmente ao homem considerado em si mesmo e nas suas relações
com Deus e com seus semelhantes, quer dizer, todos os tipos de
situações possíveis, ou também, em todos e quaisquer instantes de
sua vida tudo é regido por essas Leis de origem divina.
O
Livro dos Espíritos, em que nos fundamentamos, está dividido em
quatro partes, ali denominadas Livros, dos quais o Terceiro trata
das Leis Morais.
A
importância desse tema foi reputada das mais importantes. Tanto
assim que foi tratado já na primeira e mais relevante obra da
Codificação, que é O Livro dos Espíritos.
Esse Livro Terceiro está subdividido em doze Capítulos: A LEI DIVINA
OU NATURAL; LEI DE ADORAÇÃO; LEI DO TRABALHO; LEI DE REPRODUÇÃO; LEI
DE CONSERVAÇÃO; LEI DE DESTRUIÇÃO; LEI DE SOCIEDADE; LEI DO
PROGRESSO; LEI DE IGUALDADE; LEI DE LIBERDADE; LEI DE JUSTIÇA, DE
AMOR E DE CARIDADE; e PERFEIÇÃO MORAL.
1.1 - A LEI DIVINA OU NATURAL
Na
questão 619 fala-se sobre a possibilidade do conhecimento da Lei
Divina por todas as pessoas:
"Todos podem conhecê-la, mas nem todos a compreendem. Os homens de
bem e os que se decidem a investigá-la são os que melhor a
compreendem. Todos, entretanto, a compreenderão um dia, porquanto
forçoso é que o progresso se efetue."
O
texto diferencia os que conhecem a Lei Divina dos que a compreendem.
Conhecer é apenas ter notícia, ter tomado ciência, mesmo que sem
ter-se interessado pelo assunto, enquanto que compreender é
apreender-lhe o significado, penetrar-lhe a essência.
Quem a compreende são tanto os homens de bem, ou seja, as pessoas
dedicadas à virtude, quanto todas as outras pessoas, mesmo que
portadoras de menor quantidade e qualidade de virtudes mas que se
dispuseram a aprendê-la, havendo, assim, oportunidade para todos,
sem exclusão de ninguém, ao contrário de certas religiões, que
impedem o conhecimento de sua doutrina aos crentes que são tipos
como inferiores e que são castigados se pretenderem acesso aos
estudos mais aprofundados.
Fica a certeza de que todos, sem exceção, cedo ou tarde, a
compreenderão, pois é da vontade de Deus que todos os Seus filhos
cheguem à perfeição, através da compreensão e prática das Leis
Divinas.
Na
questão 621 responde-se sobre onde está escrita a Lei Divina:
"Na
consciência."
Deus deixou no ponto mais luminoso e sublimado de cada uma de Suas
criaturas o conduto de contato com Ele, através do qual recebem os
influxos da reflexão para analisar a melhor forma de conduta e
escolher sempre o que mais convém ao seu desenvolvimento rumo à
perfeição.
Supremamente consoladora essa resposta simples e direta, pois
assegura que todas as criaturas de Deus terão sempre dentro de si
esse árbitro que nunca se equivoca, bastando cada um silenciar suas
inquietações para ouvi-lo.
Ninguém fica sem rumo, perdido entre dúvidas insolúveis, pois basta
ter a intenção sincera de saber qual é a opção correta de conduta,
que ela se mostra clara à nossa frente.
Nossa consciência nos ocasiona o remorso se agimos incorretamente
tanto quanto a paz interior se agimos de acordo com a Lei Divina.
Na
questão 622 esclarece-se que Deus delega a certos homens a missão de
revelar à humanidade Suas Leis:
"Indubitavelmente. Em todos os tempos houve homens que tiveram essa
missão. São Espíritos superiores, que encarnam com o fim de fazer
progredir a Humanidade."
A
Lei divina chega ao conhecimento das criaturas gradativamente, em
aproximações sucessivas, à medida que estas se mostram amadurecidas
para conhecê-la e compreendê-la.
E,
como intermediários, Deus utiliza Seus filhos mais evoluídos.
Os
encarregados dessas revelações são Espíritos de grande evolução,
que, de tempos em tempos, encarnam para esse tipo de missão ou,
permanecendo no mundo espiritual, utilizam os canais mediúnicos.
A
Doutrina Espírita aponta três Revelações principais:
- a primeira, realizada através de Moisés, que encarnou com a missão
de trazer ao conhecimento das massas o que antes era acessível
apenas aos iniciados, numa época em que a humanidade vivia explorada
por um clero inescrupuloso. Moisés escreveu as obras do Pentateuco,
onde desponta o Decálogo, com suas luzes imarcescíveis, no entanto
cingindo sua doutrina à Lei da Justiça;
- a
Segunda, realizada por Jesus Cristo, o Sublime Governador da Terra,
que pessoalmente veio pregar pelo exemplo a grande Lei do Amor, até
então desconhecida, sem a qual a Justiça se faz fria e desumana.
Apresentou também ao povo a doutrina da reencarnação, que se
tornaria compreensível muitos séculos depois, com a Terceira
Revelação;
- a
Terceira, realizada pelos Espíritos Superiores que Jesus Cristo
prometeu enviar na época própria como o Consolador, a fim de
explicar às populações em geral o que até então era conhecido de
poucos estudiosos e abordar com mais profundidade os ensinamentos
que o Divino Pastor tinha dado mas que foram deturpados pelo
Cristianismo oficial.
Observa-se em todas essas Revelações o mesmo propósito claro de
veicular para as pessoas do povo as grandes verdades espirituais, ao
invés de mantê-las circunscritas ao conhecimento de uns poucos.
Na
questão 625 afirma-se qual o ser humano mais perfeito, que deve
servir de guia e modelo para nossa humanidade:
"Jesus."
Kardec acrescentou uma nota significativa sobre essa questão:
Para o homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a
Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais
perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura da
lei do Senhor, porque, sendo ele o mais puro de quantos têm
aparecido na Terra, o Espírito Divino o animava.
Quanto aos que, pretendendo instruir o homem na lei de Deus, o têm
transviado, ensinando-lhes falsos princípios, isso aconteceu por
haverem deixado que os dominassem sentimentos demasiado terrenos e
por terem confundido as leis que regulam as condições da vida da
alma, com as que regem a vida do corpo. Muitos hão apresentado como
leis divinas simples leis humanas estatuídas para servir às paixões
e dominar os homens.
A
afirmativa acima faz-se necessária para não deixar dúvida de que
todos os surtos evolutivos do planeta estão enfeixados nas mãos
misericordiosas e sábias de Jesus, sendo todos os outros
missionários atuais e antigos simplesmente Seus mandatários.
Esse Ser Perfeito, acima de ter ensinado como fizeram filósofos e
profetas antigos e atuais, pregou o Amor pelo exemplo cotidiano, até
o sacrifício extremo, como nenhum outro fez antes ou depois, daí
decorrendo a credibilidade da Sua Doutrina, mudando os conceitos
humanos e inaugurando a era da humanização das instituições através
do Amor Universal, num programa de irmanização de todos os homens.
Depois da Sua passagem pela Terra a evolução acelerou-se em
progressão geométrica, verificando-se que os últimos dois milênios
foram mais frutuosos que os milhares de anos anteriores.
Na
questão 627 esclarece-se sobre se o ensinamento de Jesus não seria
bastante para a humanidade e se o ensino dos Espíritos, através da
Doutrina Espírita, é ou não necessário:
"Jesus empregava amiúde, na sua linguagem, alegorias e parábolas,
porque falava de conformidade com os tempos e os lugares. Faz-se
mister agora que a verdade se torne inteligível para todo mundo.
Muito necessário é que aquelas leis sejam explicadas e
desenvolvidas, tão poucos são os que as compreendem e ainda menos os
que as praticam. A nossa missão consiste em abrir os olhos e os
ouvidos a todos, confundindo os orgulhosos e desmascarando os
hipócritas: os que vestem a capa da virtude e da religião, a fim de
ocultarem suas torpezas. O ensino dos Espíritos tem que ser claro e
sem equívocos, para que ninguém possa pretextar ignorância e para
que todos o possam julgar e apreciar com a razão. Estamos incumbidos
de preparar o reino do bem que Jesus anunciou. Daí a necessidade de
que a ninguém seja possível interpretar a lei de Deus ao sabor de
suas paixões, nem falsear o sentido de uma lei toda de amor e de
caridade."
Há
realmente quem julgue desnecessária a Doutrina Espírita ao argumento
de que as religiões cristãs tradicionais são bastantes por ensinarem
a regra do Amor como o caminho para a salvação.
Entretanto, mesmo não se considerando as deturpações mais ou menos
propositais e os abusos cometidos por sacerdotes ambiciosos, era
necessário que se abordasse com mais firmeza e profundidade um ponto
que o Cristo apontou mas que ficou praticamente sepultado no meio
dos dogmas rigorosos, que é a doutrina da reencarnação, chave sem a
qual muitas perguntas ficam sem resposta, gerando a descrença
principalmente dos mais intelectualizados, que não encontram
explicação para as desigualdades sociais, a pobreza de uns e a
riqueza de outros, a idiotia em uns e a genialidade em outros, a
bondade em uns e a maldade em outros etc.
Era
necessário que se cumprisse a promessa do Cristo de enviar o
Consolador quando a humanidade tivesse desenvolvido principalmente a
Ciência, que comprovaria essas verdades e propiciaria condições para
o raciocínio analisar as afirmações da Religião, fazendo tudo passar
pelo crivo da razão e recusando aquilo que a lógica não admite.
A
Doutrina Espírita surgiu na época em que a Ciência do século XIX
estava no auge e seu objetivo é o de irmanar a Religião e a Ciência,
que devem formar uma unidade e não duas instituições antagônicas.
Quem procurar estudar aquele século verá que grandes sábios desse
período tornaram-se espíritas depois que estudaram e experimentaram
com rigores científicos a tese da sobrevivência e comunicabilidade
dos Espíritos com os encarnados.
O
mestre lionês Allan Kardec nasceu com a missão de, após estudar
cientificamente a realidade espiritual, resumir e organizar as
informações que os Espíritos dariam sobre a realidade espiritual.
Trabalho gigantesco, que somente uma inteligência enciclopédica e
extremamente organizadora poderia levar a cabo.
Acresça-se a isso que o Codificador deveria ter um estilo didático,
para explicar às massas as grandes afirmações da Ciência e da
Religião, permitindo que a Verdade chegasse ao conhecimento e à
compreensão de todos os homens de boa vontade, tal como o Cristo
sempre fizera.
Na
questão 629 dá-se o conceito de Moral:
"A
moral é a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal.
Funda-se na observância da lei de Deus. O homem procede bem quando
tudo faz pelo bem de todos, porque então cumpre a lei de Deus."
Esse conceito de Moral tem tudo a ver com a Religião, quando se sabe
que existe um conceito materialista de Moral, que ignora a Lei de
Deus.
A
Moral materialista caminha às cegas por não Ter um ponto de
referência seguro, o que não acontece com a Moral baseada nas Leis
Divinas.
Outro detalhe interessante no conceito da Moral Divina é a
valorização do lado social, mostrando que se deve priorizar o bem de
todos e não a moralidade egoísta, em que cada um visa apenas seus
próprios interesses, ao contrário do que pregam as Religiões
exclusivistas e elitistas.
É
uma das características da filosofia cristã, que não admite como
sadia a preocupação do aperfeiçoamento individual sem integração na
comunidade onde se vive.
Na
questão 630 faz-se a distinção entre o bem e o mal:
"O
bem é tudo o que é conforme à lei de Deus; o mal, tudo o que lhe é
contrário. Assim, fazer o bem é proceder de acordo com a lei de
Deus. Fazer o mal é infringi-la."
Eis
aí a distinção segura entre o bem e o mal, que tem confundido
cérebros abarrotados de teorias materialistas e avessos às noções
das Leis Divinas.
A Lei de Deus é o divisor de águas entre as duas realidades: o que
lhe é conforme é o bem, o que lhe é contrário é o mal.
Destaca-se a conduta no meio social, e não apenas o sentimento
interiorizado do indivíduo isolado numa atitude egoísta.
O
bem é agir na coletividade em benefício de todos.
Não
há o bem agindo-se egoisticamente.
Na
questão 631 responde-se se o homem tem capacidade para distinguir o
bem e o mal:
"Sim, quando crê em Deus e o quer saber. Deus lhe deu inteligência
para distinguir um do outro."
O
homem consegue saber qual das atitudes possíveis representa o bem.
Dois requisitos se exigem: a crença em Deus e o desejo sincero de
saber.
Conclui-se então que a descrença dificulta a distinção entre o bem e
o mal, o mesmo acontecendo quando não se procura sinceramente a
Verdade.
A
inteligência é o instrumento para essa compreensão: não a mera
cultura livresca, mas a inteligência bem intencionada e disposta a
acatar a Verdade seja ela qual for.
Na
questão 632 dá-se a regra segura para não se equivocar na apreciação
entre o bem e o mal:
"Jesus disse: vede o que queríeis que vos fizessem ou não vos
fizessem. Tudo se resume nisso. Não vos enganareis."
Quando temos de agir em relação a outras pessoas, a regra de ouro é
colocarmo-nos na posição não de agente mas de paciente, ou seja,
imaginarmos que outrem é quem estivesse fazendo ou deixando de fazer
o que nos atinge.
Assim fazendo, nunca erramos na distinção entre o bem e o mal.
O
que queremos que outros façam a nós devemos fazer aos outros e o que
não queremos que façam a nós não devemos fazer aos outros: não há
nada mais simples de entender.
Na
questão 633 explica-se como proceder na distinção entre o bem e o
mal quando se trata de conduta que envolva apenas a própria pessoa:
"Quando comeis em excesso, verificais que isso vos faz mal. Pois
bem, é Deus quem vos dá a medida daquilo de que necessitais. Quando
excedeis dessa medida, sois punidos. Em tudo é assim. A lei natural
traça para o homem o limite das suas necessidades. Se ele ultrapassa
esse limite, é punido pelo sofrimento. Se atendesse sempre à voz que
lhe diz - basta, evitaria a maior parte dos males, cuja culpa lança
à Natureza."
Nesta outra hipótese, quando se trata de situação em que somente a
própria pessoa esteja em jogo e não haja terceiros prejudicados ou
beneficiados, a regra para a distinção entre o bem e o mal é
verificar o resultado em nós mesmos.
Os
excessos são punidos pela Lei Divina com o sofrimento físico ou
moral.
Há sempre um limite que o bom senso reconhece e, que, ultrapassado,
gera o sofrimento.
A
Lei Divina age sempre, nas mínimas situações, provocando bem ou
mal-estar em nós mesmos.
A
paz interior depende do íntimo de cada um: quem age bem encontra a
tranqüilidade e quem age mal vive em desalinho interno.
Para quem age bem as circunstâncias exteriores são suportáveis,
mesmo que à custa de sacrifícios; para quem age mal, mesmo as
circunstâncias externas tranqüilizadoras não são suficientes.
Na
questão 634 fala-se sobre porque Deus permite a existência do mal e
porque não criou perfeitos os seres:
"Já
te dissemos: os Espíritos foram criados simples e ignorantes. Deus
deixa que o homem escolha o caminho. Tanto pior para ele, se toma o
caminho mau: mais longa será sua peregrinação. Se não existissem
montanhas, não compreenderia o homem que se pode subir e descer; se
não existissem rochas, não compreenderia que há corpos duros. É
preciso que o Espírito ganhe experiência; é preciso, portanto, que
conheça o bem e o mau. Eis por que se une ao corpo."
ANDRÉ LUIZ. no livro Evolução em Dois Mundos, psicografado por
Francisco Cândido Xavier, fala que para o vírus ou a bactéria
chegarem ao grau de humanidade primitiva gasta por volta de um
bilhão e meio de anos.
A
grande maravilha da Criação Divina é que Deus dotou cada criatura
com o dom da liberdade de escolha, a ninguém obrigando a agir de
qualquer forma que seja.
Entretanto, se a semeadura é espontânea, a colheita é obrigatória,
ou seja, se a escolha é livre, cada um de nós deve suportar os
resultados bons ou ruins de suas próprias ações ou omissões.
Se
adotamos a forma correta de viver, os resultados são bons; se
preferimos a rebeldia, as conseqüências são o sofrimento e a demora
em chegar à meta da perfeição.
As
criaturas vão ganhando maturidade com a vivência.
Para a aquisição dessa maturidade o meio que Deus utiliza são as
inúmeras encarnações sucessivas.
Se
cada um tivesse vivido sempre no mundo espiritual não evoluiria,
pois somente quando vivendo no corpo físico o ser, testa realmente
seu valor, por conta das limitações e dificuldades que o corpo
impõe.
Também se cada um vivesse uma única encarnação (como querem certos
crentes), não atingiria nunca a perfeição, pois o tempo de uma
encarnação é sempre muito curto para a aquisição de todas as
virtudes e conhecimento.
A
reencarnação, não admitida pelas Religiões cristãs tradicionais, é o
grande instrumento do progresso moral e intelectual das criaturas,
desde os estágios mais primários até os superiores.
É
preciso muito estudarmos sobre esse tema para compreendermos a nós
próprios, aos outros e como fazermos em benefício do nosso
aperfeiçoamento.
Na
questão 636 diz-se se o bem e o mal são absolutos:
"A
lei de Deus é a mesma para todos; porém, o mal depende
principalmente da vontade que se tenha de o praticar. O bem é sempre
o bem e o mal sempre o mal, qualquer que seja a posição do homem.
Diferença só há quanto ao grau da responsabilidade."
A
Lei de Deus é a mesma para todos os seres, todos tendo iguais
direitos e deveres e tendo o mesmo ponto de partida e a mesma
destinação.
O
bem e o mal são sempre, em qualquer situação, o bem e o mal, não se
confundindo. No entanto, em relação a quem pratica o ato há
diferença, pois cada ser responde perante Deus de acordo com o nível
de conhecimento e compreensão que adquiriu.
O
conhecimento gera e aumenta a responsabilidade.
Somente conhecer as verdades espirituais não é suficiente, mas sim
agir quotidianamente de acordo com esse conhecimento, melhorar sua
conduta em relação a si, a Deus e aos demais seres.
A
Religião do Cristo não admite a vida contemplativa, mas comente a
ação cotidiana no bem.
Conforme disse o Espírito Emmanuel em uma de suas afirmações
memoráveis: com uma semana de Evangelho, o cristão já tem a
obrigação de realizar no bem.
Na
questão 639 trata-se da culpabilidade das pessoas que agem premidas
por determinadas circunstâncias:
"O
mal recai sobre quem lhe foi o causador. Nessas condições, aquele
que é levado a praticar o mal pela posição em que seus semelhantes o
colocam tem menos culpa do que os que, assim procedendo, o
ocasionaram. Porque, cada um será punido, não só pelo mal que haja
feito, mas também pelo mal a que tenha dado lugar."
Cada um de nós responde pelo que praticou pessoalmente como também
pelo que ocasionou indiretamente.
Não
basta, portanto, deixarmos de praticar o mal, sendo necessário
agirmos para que o bem aconteça.
A
questão 641 trata da culpabilidade de pensar-se em fazer o mal:
"[...] Há virtude em resistir-se voluntariamente ao mal que se
deseja praticar, sobretudo quando há possibilidade de satisfazer-se
a esse desejo. Se apenas não o pratica por falta de ocasião, é
culpado quem o deseja."
Não
só as atitudes ou omissões externas contam, mas também o que
cogitamos interiormente.
Dentro do conceito de ação podemos incluir nossos pensamentos e
desejos para todos os efeitos, pois o pensamento cria e atua.
Se,
por circunstâncias alheias à nossa vontade, deixamos de fazer o mal,
nossa consciência nos cobrará como se o tivéssemos efetivamente
feito, uma vez que a Lei de Deus analisa em profundidade a situação
de cada um de nós.
A
questão 642 esclarece se há valor em simplesmente não se praticar o
mal sem praticar também o bem:
"Não; cumpre-lhe fazer o bem no limite de suas forças, porquanto
responderá por todo mal que haja resultado de não haver praticado o
bem."
É
necessário não só não fazer o mal como principalmente fazer o bem.
Não
há mérito no isolamento.
O
Cristo pregou uma religião atuante, de ação em favor de todos e não
meramente centrada cada criatura em si mesma, ao contrário de certas
Religiões.
A
questão 646 explica que uma mesma atitude é considerada mais ou
menos meritória de acordo com o grau de dificuldade em agirmos bem:
"O
mérito do bem está na dificuldade em praticá-lo. Nenhum merecimento
há em fazê-lo sem esforço e quando nada custe. Em melhor conta tem
Deus o pobre que divide com outro o seu único pedaço de pão, do que
o rico que apenas dá do que lhe sobra, disse-o Jesus, a propósito do
óbolo da viúva."
Se
a prática de uma boa ação é facilitada pelas circunstâncias, o
mérito é menor; se, ao contrário, a prática do bem exige sacrifício,
o mérito é muito maior.
A Lei Divina avalia em profundidade cada uma das nossas atitudes e
concede recompensas justas.
A
questão 647 diz da necessidade do esclarecimento maior da máxima do
amor ao próximo ensinada por Jesus:
"Certamente esse preceito encerra todos os deveres dos homens uns
para com os outros. Cumpre, porém, se lhes mostre a aplicação que
comporta, do contrário deixarão de cumpri-lo, como o fazem
presentemente. Demais, a lei natural abrange todas as circunstâncias
da vida e esse preceito compreende só uma parte da lei. Aos homens
são necessárias regras precisas; os preceitos gerais e muito vagos
deixam grande número de portas abertas à interpretação."
A
regra do amor ao próximo não resume toda a Lei Divina, que é mais
ampla, mas, mesmo essa regra fica mais clara com explicações justas
e o foi realmente pela Doutrina Espírita para não haver dúvidas
quanto ao seu entendimento.
Os
Emissários Espirituais, normalmente concisos, prestam
esclarecimentos mais minuciosos quanto tal se faz necessário.
A
questão 648 esclarece a divisão das Leis Morais em dez Leis,
aceitando o critério adotado por Kardec:
"Essa divisão da lei de Deus em dez partes é a de Moisés e de
natureza a abranger todas as circunstâncias da vida, o que é
essencial. Podes, pois, adotá-la, sem que, por isso, tenha qualquer
coisa de absoluta, como não o tem nenhum dos outros sistemas de
classificação, que todos dependem do prisma pelo qual se considere o
que quer que seja. A última lei é a mais importante, por ser a que
faculta ao homem adiantar-se mais na vida espiritual, visto que
resume todas as outras."
Quando Kardec propôs aos Espíritos Superiores a divisão das Leis
Morais em dez tópicos (dez Leis), eles admitiram essa divisão como
aceitável para fins didáticos, no entanto esclareceram que a última,
a Lei da Justiça, do Amor e da Caridade, é a mais importante por
conduzir o homem mais depressa à perfeição, além de conter todas as
demais.
1.2 - ADORAÇÃO
Na
questão 649 vemos o conceito de adoração:
"Na
elevação do pensamento a Deus. Deste, pela adoração, aproxima o
homem sua alma."
Somente por falsa superioridade alguém afirma-se ateu, pois a
própria razão conduz à certeza de que Deus é o Criador de todas as
coisas e seres.
Uma
forma de demonstrar a crença em Deus é a oração, meio pelo qual
encontramos em contato com Ele.
Através da prece retemperamos nosso ânimo e encontramos a paz
interior.
Na
questão 651 vê-se a afirmação de que:
"... nunca houve povos de ateus. Todos compreendem que acima de tudo
há um Ente Supremo."
Se
há isoladamente criaturas que se dizem atéias (pobres criaturas, que
vivem em desespero no seu deserto interior), nunca existiu um povo
ateu, conforme registra a História mundial.
Quer monoteístas, quer politeístas, os povos acreditam sempre em um
Ser Supremo ou mais de um.
A
crença em Deus, mesmo entre os povos que procuram abafá-la e impedir
que frutifique, sempre ressurge, até com mais força que antes, pois
é da essência humana a fé na paternidade divina.
Na
questão 654 vê-se como deve ser feita a adoração:
"Deus prefere os que O adoram do fundo do coração, com sinceridade,
fazendo o bem e evitando o mal, aos que julgam honrá-Lo com
cerimônias que os não tornam melhores para com os seus semelhantes.
"Todos os homens são irmãos e filhos de Deus. Ele atrai a Si todos
os que lhe obedecem às leis, qualquer que seja a forma sob que as
exprimam.
"É
hipócrita aquele cuja piedade se cifra nos atos exteriores. Mau
exemplo dá todo aquele cuja adoração é afetada e contradiz o seu
procedimento.
"Declaro-vos que somente nos lábios e não na alma tem religião
aquele que professa adorar o Cristo, mas que é orgulhoso, invejoso e
cioso, duro e implacável para com outrem, ou ambicioso dos bens
deste mundo. Deus, que tudo vê, dirá: o que conhece a verdade é cem
vezes mais culpado do mal que faz, do que o selvagem ignorante que
vive no deserto. E como tal será tratado no dia da justiça. Se um
cego, ao passar, vos derriba, perdoá-lo-eis; se for um homem que
enxerga perfeitamente bem, queixar-vos-eis e com razão.
"Não pergunteis, pois, se alguma forma de adoração há que mais
convenha, porque eqüivaleria a perguntardes se mais agrada a Deus
ser adorado num idioma do que noutro. Ainda uma vez vos digo: até
Ele não chegam os cânticos, senão quando passam pela porta do
coração."
Deus ouve todas as orações, mas prioriza a dos que cumprem a Lei de
Justiça, de Amor e de Caridade, não se podendo admitir que o Pai
fique satisfeito com o filho que hostiliza os irmãos ou os despreza.
Como Pai amoroso e justo que é, Deus quer que Seus filhos sejam
unidos.
Na
questão 657 pergunta-se se tem mérito a vida contemplativa:
"Não, porquanto, se é certo que não fazem o mal, também o é que não
fazem o bem e são inúteis. Demais, não fazer o bem já é um mal. Deus
quer que o homem pense Nele, mas não quer que só Nele pense, pois
que lhe impôs deveres a cumprir na Terra. Quem passa todo o tempo na
meditação e na contemplação nada faz de meritório aos olhos de Deus,
porque vive uma vida toda pessoal e inútil à Humanidade e Deus lhe
pedirá contas do bem que não houver feito."
A
religião cristã é eminentemente social, dando valor às virtudes
exercitadas em benefício da coletividade e não isoladamente.
A
exemplificação do Cristo sempre foi marcada pela aproximação em
relação aos semelhantes, interagindo com eles e auxiliando-os como o
único caminho para a realização humana.
Na
questão 661 fala-se sobre o perdão das nossas faltas:
"Deus sabe discernir o bem do mal; a prece não esconde as faltas.
Aquele que a Deus pede perdão de suas faltas só o obtém mudando de
proceder. As boas ações são a melhor prece, por isso que os atos
valem mais que as palavras."
A
prece não apaga as faltas que cometemos, mas nos dá forças para
mudarmos nossa conduta.
Outro tópico importante do texto acima é aquele em que afirma que as
ações valem mais que as palavras e que as boas obras são a melhor
oração.
Deus quer que ajamos em benefício dos nossos semelhantes antes que
estejamos a orar sobretudo quando vivemos a pedir em benefício nosso
e de nossos familiares e amigos.
1.3 - TRABALHO
Na
questão 674 fala-se da necessidade do trabalho:
"O
trabalho é lei da Natureza, por isso mesmo que constitui uma
necessidade, e a civilização obriga o homem a trabalhar mais, porque
lhe aumenta as necessidades e os gozos."
Para alguns o trabalho é considerado um verdadeiro castigo, no
entanto representa uma fonte de alegria e realização pessoal, pois,
além de desenvolver a inteligência, propicia oportunidades de ser
útil aos outros, gerando a paz interior.
Devemos trabalhar com entusiasmo e alegria interior qualquer que
seja nosso trabalho, pois, mais do que o salário, a recompensa é
toda moral.
A
preocupação excessiva com a remuneração vem causando enormes
problemas, gerando o desemprego e as greves.
Na
questão 675 dá-se o conceito de trabalho:
"... o Espírito trabalha, assim como o corpo. Toda ocupação útil é
trabalho."
O
trabalho intelectual e o trabalho físico são importantes, pois que
são complementares.
Ninguém deve se envergonhar de ocupar-se de trabalhos mais humildes,
pois a dignidade do trabalho sempre depende da boa ou má-vontade
como se trabalha e não do prestígio social do mesmo.
Grandes homens e mulheres trabalharam em profissões humildes com
imenso proveito para todos, enquanto que verdadeiras nulidades
ocuparam posições de comando da forma mais desastrada possível.
É
saudável que cada um de nós desenvolva, além do trabalho
intelectual, algum trabalho físico, como fonte de saúde e para
conquista da humildade.
O desapreço ao trabalho físico pode significa preguiça, punida com
as doenças geradoras do envelhecimento precoce e a morte antes mesmo
de se alcançar a velhice.
Na
questão 681 fala-se da obrigação dos filhos de sustentar seus pais:
"Certamente, do mesmo modo que os pais têm que trabalhar para seus
filhos. Foi por isso que Deus fez do amor filial e do amor paterno
um sentimento natural. Foi para que, por essa afeição recíproca, os
membros de uma família se sentissem impelidos a ajudarem-se
mutuamente, o que, aliás, com muita freqüência se esquece na vossa
sociedade atual."
É
dever dos filhos retribuir aos pais a vida e as atenções que estes
lhes deram principalmente na infância.
De
nada vale ser idealista no meio social sendo ingrato em relação aos
próprios pais.
Mesmo quando os pais foram maus para seus filhos, é erro grave
desampará-los e negar-lhes assistência, pois, se pouco fizeram,
deram pelo menos a vida.
Na
questão 682 pergunta-se se o repouso é uma lei natural:
"Sem dúvida. O repouso serve para a reparação das forças do corpo e
também é necessário para dar um pouco mais de liberdade à
inteligência, a fim de que se eleve acima da matéria."
Houve época em que o tempo de repouso era mínimo, no entanto,
atualmente tem sido aumentado com duas finalidades: a restauração
das energias corporais e a oportunidade para o lazer bem
direcionado.
O
tempo destinado ao lazer deve ser utilizado de forma construtiva,
através da recreação instrutiva.
O
que não é conveniente é perder-se tempo com o lazer absolutamente
vazio de utilidade ou, pior ainda, a distração nociva, que conduz
aos desvios morais.
Na
questão 685 pergunta-se se o homem tem direito ao repouso na
velhice:
"Sim, que a nada é obrigado, senão de acordo com as suas forças."
a) - Mas, que há de fazer o velho que precisa trabalhar para viver e
não pode?
"O
forte deve trabalhar para o fraco. Não tendo este família, a
sociedade deve fazer as vezes desta. É a lei de caridade."
Kardec acrescenta uma nota explicativa:
Não
basta se diga ao homem que lhe corre o dever de trabalhar. É preciso
que aquele que tem de prover à sua existência por meio do trabalho
encontre em que se ocupar, o que nem sempre acontece. Quando se
generaliza, a suspensão do trabalho assume as proporções de um
flagelo, qual a miséria. A ciência econômica procura remédio para
isso no equilíbrio entre a produção e o consumo. Mas, esse
equilíbrio, dado seja possível estabelecer-se, sofrerá sempre
intermitências, durante as quais não deixa o trabalhador de ter que
viver. Há um elemento, que se não costuma fazer pesar na balança e
sem o qual a ciência econômica não passa de simples teoria. Esse
elemento é a educação, não a educação intelectual, mas a educação
moral. Não nos referimos, porém, à educação moral pelos livros e sim
à que consiste na arte de formar os caracteres, à que incute
hábitos, porquanto a educação é o conjunto dos hábitos adquiridos.
Considerando-se a aluvião de indivíduos que todos os dias são
lançados na torrente da população, sem princípios, sem freio e
entregues a seus próprios instintos, serão de espantar as
conseqüências desastrosas que daí decorrem? Quando essa arte for
conhecida, compreendida e praticada, o homem terá no mundo hábitos
de ordem e de previdência para consigo mesmo e para com os seus, de
respeito a tudo o que é respeitável, hábitos que lhe permitirão
atravessar menos penosamente os maus dias inevitáveis. A desordem e
a imprevidência são duas chagas que só uma educação bem entendida
pode curar. Esse o ponto de partida, o elemento real do bem-estar, o
penhor da segurança de todos.
Se
o trabalho é importante, tem-se que reconhecer que cada um deve
exercer atividade compatível com sua capacidade física ou
intelectual para que produza realizando-se pessoalmente e
contribuindo para o meio social.
As
pessoas doentes ou idosas, com reduzida capacidade de trabalho,
devem ser sustentadas pelos parentes ou pela sociedade, no entanto
todos devem fazer sempre alguma coisa de útil, por mínima que seja,
até em benefício de sua satisfação pessoal, para não se sentir
inútil.
Somente estão absolutamente dispensadas de trabalhar as pessoas
cujas condições são de total impossibilidade.
Quanto à atividade que cada um deve exercer, deve o próprio
interessado aceitar realizar trabalho menos graduado enquanto não
surge uma atividade mais conforme sua habilitação.
Não
é correto que aceitemos a situação de desempregado simplesmente
porque nos recusamos a trabalhar numa área menos graduada que a
nossa.
A nota de Kardec encarece a necessidade da educação como forma de
enfrentar as situações difíceis, esclarecendo ainda que a desordem e
a imprevidência são duas causadoras de dificuldades que a educação
cuida de extinguir.
Os
motivos mais freqüentes das dificuldades que nos atingem devem ser
debitados à nossa própria incúria e má-vontade.
Normalmente, se somos trabalhadores dedicados e obedientes, o nosso
desemprego não dura tanto tempo quanto ocorre com os rebeldes e
desidiosos, que estão sempre na mira dos patrões e chefes.
Atualmente observa-se a supervalorização dos direitos sem os
correspondentes deveres, gerando muito desemprego e substituição do
homem pela máquina.
1.4 - REPRODUÇÃO
Na
questão 695 fala-se do casamento:
"É
um progresso na marcha da Humanidade."
O
casamento não existe desde sempre e, consagrado como instituição
humana, represou um grande progresso, principalmente quando
monogâmico e vigora a igualdade de direitos entre os cônjuges.
Atualmente, o casamento acha-se em franca modificação, trazendo a
valorização da mulher, que não existia antes.
Afinal, como dizem os Espíritos Superiores, não há espíritos
masculinos ou femininos, sendo os os mesmos que encarnam ora num ora
noutro sexo visando a perfeição.
Na
questão 697 analisa-se a indissolubilidade do casamento, que
vigorava na época:
"É
uma lei humana muito contrária à da Natureza. Mas os homens podem
modificar suas leis; só as da Natureza são imutáveis."
Hoje em dia a idéia da indissolubilidade do casamento está superada
na maioria dos povos civilizados.
Entretanto, como cada um responde perante sua consciência pelas boas
e más atitudes, se o rompimento do casamento se dá por má intenção,
os resultados são desastrosos para o cônjuge irresponsável.
1.5 - CONSERVAÇÃO
Na
questão 705 trata-se da racionalização dos hábitos:
"É
que, ingrato, o homem a despreza! Ela, no entanto, é excelente mãe.
Muitas vezes, também, ele acusa a Natureza do que só é resultado da
sua imperícia ou da sua imprevidência. A terra produziria sempre o
necessário, se com o necessário soubesse o homem contentar-se. Se o
que ela produz não lhe basta a todas as necessidades, é que ela
emprega no supérfluo o que poderia ser aplicado no necessário. Olha
o árabe no deserto. Acha sempre de que viver, porque não cria para
si necessidades factícias. Desde que haja desperdiçado a metade dos
produtos em satisfazer a fantasias, que motivos tem o homem para se
espantar de nada encontrar no dia seguinte e para se queixar de
estar desprovido de tudo, quando chegam os dias de penúria? Em
verdade vos digo, imprevidente não é a Natureza, é o homem, que não
sabe regrar o seu viver."
Hoje em dia, com as preocupações ecológicas, verifica-se a
necessidade de realizar o progresso sem degradar o meio ambiente.
Importantes inteligências têm-se dedicado a essa nobre causa,
procurando conscientizar a humanidade de que a preservação da
Natureza é uma questão de sobrevivência para esta geração e as
futuras.
O
conhecimento da Doutrina Espírita dá uma compreensão melhor da
Ecologia.
Os
seres dos reinos animal e vegetal são criaturas tão filhas de Deus
como nós humanos e somos responsáveis pelas influências que
exercemos sobre elas.
1.6 - DESTRUIÇÃO
Na
questão 728 afirma-se a lei de destruição:
"Preciso é que tudo se destrua para renascer e se regenerar. Porque,
o que chamais destruição não passa de uma transformação, que tem por
fim a renovação e melhoria dos seres vivos."
a)
- O instinto de destruição teria sido dado aos seres vivos por
desígnios providencias?
"As
criaturas são instrumentos de que Deus se serve para chegar aos fins
que objetiva. Para se alimentarem, os seres vivos reciprocamente se
destroem, destruição esta que obedece a um duplo fim: manutenção do
equilíbrio na reprodução, que poderia tornar-se excessiva, e
utilização dos despojos do invólucro exterior que sofre a
destruição. Esse invólucro é simples acessório e não a parte
essencial do ser pensante. A parte essencial é o princípio
inteligente, que não se pode destruir e se elabora nas metamorfoses
diversas por que passa."
A
destruição dos corpos faz parte da evolução geral, para que os seres
reencarnem posteriormente em situações evolutivas gradativamente
mais importantes.
A
vida no corpo físico não pode durar indefinidamente, além de que a
morte, sendo um choque, chama a atenção para a necessidade de
evoluir.
Com a destruição opera-se também o aperfeiçoamento físico dos seres.
O que não pode ocorrer é a destruição indiscriminada, que faz
periclitar as espécies.
A
ganância tem gerado a devastação comum em nossa época.
Na
questão 746 fala-se sobre o crime de homicídio:
"Grande crime, pois que aquele que tira a vida ao seu semelhante
corta o fio de uma existência de expiação ou de missão. Aí é que
está o mal."
Homicídio é a causa da morte de alguém, o que retira da vítima a
oportunidade continuar sua carreira evolutiva no corpo.
Somente Deus pode decidir sobre a interrupção da vida de suas
criaturas.
Mesmo a eutanásia, qualquer que seja a motivação, não é admitida
pela Lei Divina, pois representa um crime grave.
Na
questão 747 trata-se da graduação da culpa:
"Já
o temos dito: Deus é justo, julga mais pela intenção do que pelo
fato."
A
Justiça Divina é perfeita, analisando cada infrator em profundidade.
Na
questão 748 aborda-se a legítima defesa:
"Só
a necessidade o pode escusar. Mas, desde que o agredido possa
preservar sua vida, sem atentar contra a de seu agressor, deve
fazê-lo."
Aqui também se tem a dizer que a Justiça de Deus não ignora detalhe
algum da ação e da intenção dos envolvidos, tratando cada um de
acordo com seu merecimento.
Na
questão 751 fala-se do descompasso entre o desenvolvimento
intelectual e o moral:
"O
desenvolvimento intelectual não implica a necessidade do bem. Um
Espírito, superior em inteligência, pode ser mau. Isso se dá com
aquele que muito tem vivido sem se melhorar: apenas sabe."
O
desenvolvimento intelectual de um Espírito é resultante da sua
antigüidade, mas entre os Espíritos da mesma antigüidade uns são
mais moralizados que outros, pois, se o desenvolvimento intelectual
depende só do decurso do tempo, o desenvolvimento moral está ligado
ao esforço de cada um em aperfeiçoar-se moralmente.
O
grande diferencial entre os Espíritos é a sua moralidade e não a sua
intelectualidade.
A
moralidade é a aplicação da Lei de Justiça, de Amor e de Caridade.
Na
questão 760 esclarece-se sobre a abolição da pena de morte:
"Incontestavelmente desaparecerá e a sua supressão assinalará um
progresso da Humanidade. Quando os homens estiverem mais
esclarecidos, a pena de morte será completamente abolida na Terra.
Não mais precisarão os homens de ser julgados pelos homens.
Refiro-me a uma época ainda muito distante de vós."
Em
nota Allan Kardec aduz:
Sem
dúvida, o progresso social ainda muito deixa a desejar. Mas, seria
injusto para com a sociedade moderna quem não visse um progresso nas
restrições postas à pena de morte, no seio dos povos mais
adiantados, e à natureza dos crimes a que a sua aplicação se acha
limitada. Se compararmos as garantias de que, entre esses mesmos
povos, a justiça procura cercar o acusado, a humanidade de que usa
para com ele, mesmo quando o reconhece culpado, com o que se
praticava em tempos que ainda não vão muito longe, não poderemos
negar o avanço do gênero humano na senda do progresso.
A
abolição da pena de morte é coisa que acontecerá fatalmente com a
evolução da humanidade, pois, com a generalização da crença na
imortalidade, ver-se-á que os infratores têm de ser educados e não
expulsos do corpo e permanecendo desajustados no mundo espiritual.
A
abolição da figura do juiz num futuro remoto é outro dado
interessante desta questão 760.
Na
questão 764 explica-se sobre a lei de talião:
"Tomai cuidado! Muito vos tendes enganado a respeito dessas
palavras, como acerca de outras. A pena de talião é a justiça de
Deus. É Deus quem a aplica. Todos vós sofreis essa pena a cada
instante, pois que sois punidos naquilo em que haveis pecado, nesta
existência ou em outra. Aquele que foi causa do sofrimento para seus
semelhantes virá a achar-se numa condição em que sofrerá o que tenha
feito sofrer. Este o sentido das palavras de Jesus. Mas, não vos
disse ele também: Perdoai aos vossos inimigos? E não vos ensinou a
pedir a Deus que vos perdoe as ofensas como houverdes vós mesmos
perdoado, isto é, na mesma proporção em que houverdes perdoado,
compreendei-o bem?"
A
explicação sobre o significado da lei talião não poderia ser mais
clara: somente Deus pode punir Suas criaturas na medida exata da
culpabilidade de cada um.
Quanto às criaturas não podem penalizar seus ofensores, e, se o
fazem, incidem em culpa.
Como irmãos que somos uns dos outros, Deus nos quer unidos pela
fraternidade e não querendo castigar uns aos outros.
1.7 - SOCIEDADE
Na
questão 766 afirma-se que a vida social está na Natureza:
"Certamente. Deus fez o homem para viver em sociedade. Não lhe deu
inutilmente a palavra e todas as outras faculdades necessárias à
vida de relação."
A
Religião cristã é eminentemente social e prega a irmanização das
criaturas numa fraternidade acima das idéias de nacionalidade, raça,
idioma etc.
As
barreiras do preconceito vão sendo derrubadas gradativamente à
medida que se entende que ninguém deve ser desprezado e tratado de
forma degradante.
1.8 - PROGRESSO
Na
questão 779 esclarece-se que o instinto do progresso está ínsito em
cada ser:
"O
homem se desenvolve por si mesmo, naturalmente. Mas, nem todos
progridem simultaneamente e do mesmo modo. Dá-se então que os mais
adiantados auxiliam o progresso dos outros, por meio do contato
social."
Deus coloca no íntimo de cada criatura o instinto do progresso, como
verdadeiro tropismo rumo à luz espiritual.
O
progresso varia de criatura para criatura tanto na intensidade
quanto na qualidade.
A
convivência faz com que todos aprendam uns com os outros.
As
religiões cristãs tradicionais admitem o progresso, mas
circunscrevem-no a uma única encarnação.
Somente o Espiritismo, dentre as doutrinas cristãs, admite a
reencarnação, mostrando-a como instrumento do progresso.
A
reencarnação, ocorrendo desde as fases mais rudimentares do ser
espiritual, faz com que este evolua até a perfeição.
Na
questão 780 diz-se que o progresso moral nem sempre acompanha o
progresso intelectual:
"Decorre deste, mas nem sempre o segue imediatamente."
a)
- Como pode o progresso intelectual engendrar o progresso moral?
"Fazendo compreensíveis o bem e o mal. O homem, desde então, pode
escolher. O desenvolvimento do livre-arbítrio acompanha o da
inteligência e aumenta a responsabilidade dos atos."
b)
- Como é, nesse caso, que, muitas vezes, sucede serem os povos mais
instruídos os mais pervertidos também?
"O progresso completo constitui o objetivo. Os povos, porém, como os
indivíduos, só passo a passo o atingem. Enquanto não se lhes haja
desenvolvido o senso moral, pode mesmo acontecer que se sirvam da
inteligência para a prática do mal. O moral e a inteligência são
duas forças que só com o tempo chegam a equilibrar-se."
O
equilíbrio entre a inteligência e a moralidade representa a
perfeição do Espírito.
Entende-se que dos Espíritos que já habitaram a Terra Jesus é o
único que percorreu a escalada evolutiva sempre obediente às regras
divinas, representando o ideal de perfeição para o nosso planeta.
Na
questão 781 afirma-se que ninguém pode paralisar a marcha do
progresso:
"Não, mas tem, às vezes, o de embaraçá-la."
a)
- Que se deve pensar dos que tentam deter a marcha do progresso e
fazer que a Humanidade retrograde?
"Pobres seres, que Deus castigará! Serão levados de roldão pela
torrente que procuram deter."
Kardec acrescenta uma nota:
Sendo o progresso uma condição da natureza humana, não está no poder
do homem opor-se-lhe. É uma força viva, cuja ação pode ser
retardada, porém não anulada, por leis humanas más. Quando estas se
tornam incompatíveis com ele, despedaça-as juntamente com os que se
esforcem por mantê-las. Assim será, até que o homem tenha posto suas
leis em concordância com a justiça divina, que quer que todos
participem do bem e não a vigência de leis feitas pelo forte em
detrimento do fraco.
Vêem-se efetivamente homens e mulheres que afrontam as regras
divinas tentando paralisar a marcha evolutiva ao pregarem doutrinas
desastrosas para o progresso individual e coletivo.
No
entanto, a direção do orbe repousa nas mãos amoráveis do seu Divino
Governador, Jesus Cristo, que, se permite o exercício da liberdade
individual, faz respeitar sempre o plano divino da evolução,
impedindo que os rebeldes extrapolem certos limites.
Com
essa crença, podemos ter certeza de que, mesmo nas situações de
aparente predomínio do mal, o progresso surgirá dos escombros como
fênix eterna.
Na
questão 783 explica-se que o progresso é lento e regular:
"Há
o progresso regular e lento, que resulta da força das coisas.
Quando, porém, um povo não progride tão depressa quanto devera, Deus
o sujeita, de tempos a tempos, a um abalo físico ou moral que o
transforma."
Kardec acrescenta uma nota:
O
homem não pode conservar-se indefinidamente na ignorância, porque
tem de atingir a finalidade que a Providência lhe assinou. Ele se
instrui pela força das coisas. As revoluções morais, como as
revoluções sociais, se infiltram nas idéias pouco a pouco; germinam
durante séculos; depois, irrompem subitamente e produzem o
desmoronamento do carunchoso edifício do passado, que deixou de
estar em harmonia com as necessidades novas e com as novas
aspirações.
Nessas comoções, o homem quase nunca percebe senão a desordem e a
confusão momentâneas que o ferem nos seus interesses materiais.
Aquele, porém, que eleva o pensamento acima da sua própria
personalidade, admira os desígnios da Providência, que do mal faz
sair o bem. São a procela, a tempestade que saneiam a atmosfera,
depois de a terem agitado violentamente.
Veja-se a propagação do Cristianismo, aproveitando a facilidade de
comunicação do mundo romano da época e, atualmente, a propagação da
Doutrina Espírita, graças aos recursos do livro e, recentemente, da
Internet.
Dia
virá, é certo, em que com o nome de espíritas ou de outras correntes
semelhantes, a humanidade toda admitirá a reencarnação e, a partir
desse momento, tudo estará modificado para melhor, desfeitas então
as fronteiras entre nações e as separações entre raças, cor da pele,
grau de poderio material e intelectual e todas as demais formas de
desunião entre as criaturas.
A
realidade da reencarnação é a grande verdade que o Espiritismo veio
explicar, pois, se Jesus Cristo falou nela, não pôde desenvolvê-la
por causa do despreparo intelectual da humanidade naquele momento
histórico.
Foi
necessário que a Ciência evoluísse para demonstrar a realidade do
Espírito e sua comunicabilidade.
Veio por terra a aparente separação entre vivos e mortos, com todas
as conseqüências que isso acarreta.
Na
questão 785 esclarece-se o que entrava o progresso moral:
"O
orgulho e o egoísmo. Refiro-me ao progresso moral, porquanto o
intelectual se efetua sempre. À primeira vista, parece mesmo que o
progresso intelectual reduplica a atividade daqueles vícios,
desenvolvendo a ambição e o gosto das riquezas, que, a seu turno,
incitam o homem a empreender pesquisas que lhe esclarecem o
Espírito. Assim é que tudo se prende, no mundo moral, como no mundo
físico, e que do próprio mal pode nascer o bem. Curta, porém, é a
duração desse estado de coisas, que mudará à proporção que o homem
compreender melhor que, além da que o gozo dos bens terrenos
proporciona, uma felicidade existe maior e infinitamente mais
duradoura."
Em
nota Allan Kardec aduz:
Há
duas espécies de progresso, que uma a outra se prestam mútuo apoio,
mas que, no entanto, não marcham lado a lado: o progresso
intelectual e o progresso moral. Entre os povos civilizados, o
primeiro tem recebido, no correr deste século, todos os incentivos.
Por isso mesmo atingiu um grau a que ainda não chegara antes da
época atual. Muito falta para que o segundo se ache no mesmo nível.
Entretanto, comparando-se os costumes sociais de hoje com os de
alguns séculos atrás, só um cego negaria o progresso realizado. Ora,
sendo assim, por que haveria essa marcha ascendente de parar, com
relação, de preferência, ao moral, do que com relação ao
intelectual? Por que será impossível que entre o dezenove e o
vigésimo quarto século haja, a esse respeito, tanta diferença quanta
entre o décimo quarto século e o século dezenove? Duvidar fôra
pretender que a Humanidade está no apogeu da perfeição, o que seria
absurdo, ou que ela não é perfectível moralmente, o que a
experiência desmente.
O
orgulho e o egoísmo são duas chagas morais, causadoras dos demais
vícios.
Trabalhar pelo esclarecimento das pessoas é uma importante tarefa,
mas devemos lembrar-nos de que, se a palavra convence, o exemplo
arrasta.
Devemos preocupar-nos com a nossa reforma interior antes de querer
obrigar os outros a se modificarem, pois, superados nossos defeitos,
os outros aceitarão espontaneamente nossa influência por
reconhecer-nos a superioridade.
O
proselitismo desordenado é desaconselhado, criando adesões de
superfície, enquanto que a divulgação através dos bons exemplos
conquista adeptos convictos e definitivos.
Na
questão 788 fala-se que os povos materializados terminam por
desaparecer:
"Os
povos, que apenas vivem a vida do corpo, aqueles cuja grandeza
unicamente assenta na força e na extensão territorial, nascem,
crescem e morrem, porque a força de um povo se exaure, como a de um
homem. Aqueles, cujas leis egoísticas obstam ao progresso das luzes
e da caridade, morrem, porque a luz mata as trevas e a caridade mata
o egoísmo. Mas, para os povos, como para os indivíduos, há a vida da
alma. Aqueles, cujas leis se harmonizam com as leis eternas do
Criador, viverão e servirão de farol aos outros povos."
Observa-se que tudo que não se coaduna com a plano divino da
evolução desaparece.
Assim aconteceu com muitos povos antigos e acontecerá com os que
vivem de forma contrária às Leis Divinas.
Não
há vícios que resistam à peneira seletiva do progresso e somente
passam por suas malhas aqueles povos que se distinguem pela
superioridade moral.
Na
questão 789 há fala-se se algum dia todas as nações formarão uma só:
"Uma nação única, não; seria impossível, visto que da diversidade
dos climas se originam costumes e necessidades diferentes, que
constituem as nacionalidades, tornando indispensáveis sempre leis
apropriadas a esses costumes e necessidades. A caridade, porém,
desconhece latitudes e não distingue a cor dos homens. Quando, por
toda parte, a lei de Deus servir de base à lei humana, os povos
praticarão entre si a caridade, como os indivíduos. Então, viverão
felizes e em paz, porque nenhum cuidará de causar dano ao seu
vizinho, nem de viver a expensas dele."
Kardec acrescenta uma nota:
A
Humanidade progride, por meio dos indivíduos que pouco a pouco se
melhoram e instruem. Quando estes preponderam pelo número, tomam a
dianteira e arrastam os outros. De tempos a tempos, surgem no seio
dela homens de gênio que lhe dão um impulso; vêm depois, como
instrumentos de Deus, os que têm autoridade e, nalguns anos fazem-na
adiantar-se de muitos séculos.
O
progresso dos povos também realça a justiça da reencarnação.
Louváveis esforços empregam os homens de bem para conseguir que uma
nação se adiante, moral e intelectualmente. Transformada, a nação
será mais ditosa neste mundo e no outro, concebe-se. Mas, durante a
sua marcha lenta através dos séculos, milhares de indivíduos morrem
todos os dias. Qual a sorte de todos os que sucumbem ao longo do
trajeto? Privá-los-á, a sua relativa inferioridade da felicidade
reservada aos que chegam por último? Ou também relativa será a
felicidade que lhes cabe? Não é possível que a justiça divina haja
consagrado semelhante injustiça. Com a pluralidade das existências,
é igual para todos o direito à felicidade, porque ninguém fica
privado do progresso. Podendo, os que viveram ao tempo da barbaria,
voltar, na época da civilização, a viver no seio do mesmo povo, ou
de outro, é claro que todos tiram proveito da marcha ascensional.
Outra dificuldade, no entanto, apresenta aqui o sistema da unicidade
das existências. Segundo este sistema, a alma é criada no momento em
que nasce o ser humano. Então, se um homem é mais adiantado do que
outro, é que Deus criou para ele uma alma mais adiantada. Por que
esse favor? Que merecimento tem esse homem, que não viveu mais do
que outro, que talvez haja vivido menos, para ser dotado de uma alma
superior? Esta, porém, não é a dificuldade principal. Se os homens
vivessem um milênio, conceber-se-ia que, nesse período milenar,
tivessem tempo de progredir. Mas, diariamente morrem criaturas em
todas as idades; incessantemente se renovam na face do planeta, de
tal sorte que todos os dias aparece uma multidão delas e outra
desaparece. Ao cabo de mil anos, já não há naquela nação vestígio de
seus antigos habitantes. Contudo, de bárbara, que era, ela se tornou
policiada. Que foi o que progrediu? Foram os indivíduos outrora
bárbaros? Mas, esses morreram há muito tempo. Teriam sido os
recém-chegados? Mas, se suas almas foram criadas no momento em que
eles nasceram, essas almas não existiam na época da barbaria e
forçoso será então admitir-se que os esforços que se despendem para
civilizar um povo têm o poder, não de melhorar almas imperfeitas,
porém de fazer que Deus crie almas mais perfeitas.
Comparemos esta teoria do progresso com a que os Espíritos
apresentaram. As almas vindas no tempo da civilização tiveram sua
infância, como todas as outras, mas já tinham vivido antes e vêm
adiantadas por efeito do progresso realizado anteriormente. Vêm
atraídas por meio que lhes é simpático e que se acha em relação com
o estado em que atualmente se encontram. De sorte que, os cuidados
dispensados à civilização de um povo não têm como conseqüência fazer
que, de futuro, se criem almas mais perfeitas; têm sim, o de atrair
as que já progrediram, quer tenham vivido no seio do povo que se
figura, ao tempo da sua barbaria, quer venham de outra parte. Aqui
se nos depara igualmente a chave do progresso da Humanidade inteira.
Quando todos os povos estiverem no mesmo nível, no tocante ao
sentimento do bem, a Terra será ponto de reunião exclusivamente de
bons Espíritos, que viverão fraternalmente unidos. Os maus,
sentindo-se aí repelidos e deslocados, irão procurar, em mundos
inferiores, o meio que lhes convém, até que sejam dignos de volver
ao nosso, então transformado. Da teoria vulgar ainda resulta que os
trabalhos de melhoria social só às gerações presentes e futuras
aproveitam, sendo de resultados nulos para as gerações passadas, que
cometeram o erro de vir muito cedo e que ficam sendo o que podem
ser, sobrecarregadas com o peso de seus atos de barbaria. Segundo a
doutrina dos Espíritos, os progressos ulteriores aproveitam
igualmente às gerações pretéritas, que voltam a viver em melhores
condições e podem assim aperfeiçoar-se no foco da civilização.
Admitida a reencarnação, a História ganha em clareza e passamos a
entender como se realiza o progresso da nossa humanidade.
Os
livros A Caminho da Luz, de Emmanuel, psicografado por Francisco
Cândido Xavier, e Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, de
Humberto de Campos, também psicografado por Francisco Cândido
Xavier, mostram como se processa a evolução, sob o comando seguro do
Cristo.
Sem essa noção muitas incógnitas permanecem sem solução e a História
parece um festival de casualidades.
Na
questão 793 traçam-se as diferenças entre as civilizações completas
e as incompletas:
"Reconhecê-la-eis pelo desenvolvimento moral. Credes que estais
muito adiantados, porque tendes feito grandes descobertas e obtido
maravilhosas invenções; porque vos alojais e vestis melhor do que os
selvagens. Todavia, não tereis verdadeiramente o direito de
dizer-vos civilizados, senão quando de vossa sociedade houverdes
banido os vícios que a desonram e quando viverdes como irmãos,
praticando a caridade cristã. Até então, sereis apenas povos
esclarecidos, que hão percorrido a primeira fase da civilização."
Kardec acrescenta uma nota:
A
civilização, como todas as coisas, apresenta gradações diversas. Uma
civilização incompleta é um estado transitório, que gera males
especiais, desconhecidos do homem no estado primitivo. Nem por isso,
entretanto, constitui menos um progresso natural, necessário, que
traz consigo o remédio para o mal que causa. À medida que a
civilização se aperfeiçoa, faz cessar alguns dos males que gerou,
males que desaparecerão todos com o progresso moral.
De
duas nações que tenham chegado ao ápice da escala social, somente
pode considerar-se a mais civilizada, na legítima acepção do termo,
aquela onde exista menos egoísmo, menos cobiça e menos orgulho; onde
os hábitos sejam mais intelectuais e morais do que materiais; onde a
inteligência se puder desenvolver com maior liberdade; onde haja
mais bondade, boa-fé, benevolência e generosidade recíprocas; onde
menos enraizados se mostrem os preconceitos de casta e de
nascimento, por isso que tais preconceitos são incompatíveis com o
verdadeiro amor do próximo; onde as leis nenhum privilégio consagrem
e sejam as mesmas, assim para o último, como para o primeiro; onde
com menos parcialidade se exerça a justiça; onde o fraco encontre
sempre amparo contra o forte; onde a vida do homem, suas crenças e
opiniões sejam melhormente respeitadas; onde exista menor número de
desgraçados; enfim, onde todo homem de boa-vontade esteja certo de
lhe não faltar o necessário.
Nota-se sempre a preocupação com o lado moral não só do ser humano
como das nações, pois aí reside a grande meta do progresso e sem o
qual o ser humano é apenas uma bomba relógio ambulante, pronta para
explodir destruindo a si mesmo e tudo que o cerca.
Na
questão 794 analisa-se se a sociedade teria condições de reger-se
apenas pelas Leis Morais, sem a existência de leis humanas:
"Poderia, se todos as compreendessem bem. Se os homens as quisessem
praticar, elas bastariam. A sociedade, porém, tem suas exigências.
São-lhe necessárias leis especiais."
Apesar da imperfeição das leis humanas, elas evoluem à medida que a
humanidade adquire novas luzes, aproximando-se cada vez mais das
Leis Morais.
Basta verificar como eram as leis de séculos atrás e a humanização
que vem ocorrendo principalmente nas últimas décadas.
As
Leis Morais infelizmente não são conhecidas por todos como deveria e
menos ainda são aplicadas.
Quanto às leis humanas são necessárias devido às peculiaridades da
vida terrena, que carece de regulamentação, sob pena de divergências
difíceis de resolver.
No
entanto, cabe aos nossos juristas e legisladores procurar fazer
evoluir o Direito, sobretudo com o aperfeiçoamento moral das
pessoas.
Na
questão 795 fala-se da causa da instabilidade das leis humanas:
"Nas épocas de barbaria, são os mais fortes, que fazem as leis e
eles as fizeram para si. À proporção que os homens foram
compreendendo melhor a justiça, indispensável se tornou a
modificação delas. Quanto mais se aproximam da vera justiça, tanto
menos instáveis são as leis humanas, isto é, tanto mais estáveis se
vão tornando, conforme vão sendo feitas para todos e se identificam
com a lei natural."
Kardec acrescenta uma nota:
A
civilização criou necessidades novas para o homem, necessidades
relativas à posição social que ele ocupe. Tem-se então que regular,
por meio de leis humanas, os direitos e deveres dessa posição. Mas,
influenciado pelas suas paixões, ele não raro há criado direitos e
deveres imaginários, que a lei natural condena e que os povos riscam
de seus códigos à medida que progridem. A lei natural é imutável e a
mesma para todos; a lei humana é variável e progressiva. Na infância
das sociedades, só esta pode consagrar o direito do mais forte.
As
leis humanas, para serem estáveis, devem basear-se nas Leis Morais,
que são eternas e justas.
A
trajetória das leis é uma epopéia em que grandes gênios da
humanidade traçam rumos novos, que, aos poucos, são assimilados
pelas massas e convertem-se em dias melhores para as populações.
Exemplo recente foi o do missionário Mahatma Mohandas Gandhi,
secundado sobretudo por Ambedkar, ao conduzir a gigantesca reforma
da realidade jurídica indiana na primeira metade do século XX ao dar
um fundo golpe na desigualdade social que vigora há milênios naquela
grande nação.
Na
questão 796 fala-se se a severidade das leis penais não seria uma
necessidade:
"Uma sociedade depravada certamente precisa de leis severas.
Infelizmente, essas leis mais se destinam a punir o mal depois de
feito, do que a lhe secar a fonte. Só a educação poderá reformar os
homens, que, então, não precisarão mais de leis tão rigorosas."
Afirma-se a necessidade de leis rigorosas quando se trata de uma
sociedade depravada. No entanto, o que seria uma sociedade com esse
grau de comprometimento?
Acreditamos que poucos sejam os países em que tal ocorra.
Todavia, na questão em análise logo em seguida vem a ressalva de que
as leis devem visar a educação dos desajustados e não simplesmente
sua punição, porque a única forma de solucionar o problema da
criminalidade é a educação, entendida como educação moral e não
somente a elevação do nível intelectual.
Quando essa educação se efetiva, não há mais a necessidade de leis
draconianas.
Na
questão 798 esclarece-se que o Espiritismo será crença universal:
"Certamente que se tornará crença geral e marcará nova era na
história da humanidade, porque está na Natureza e chegou o tempo em
que ocupará lugar entre os conhecimentos humanos. Terá, no entanto,
que sustentar grandes lutas, mais contra o interesse, do que contra
a convicção, porquanto não há como dissimular a existência de
pessoas interessadas em combatê-lo, umas por amor-próprio, outras
por causas inteiramente materiais. Porém, como virão a ficar
insulados, seus contraditores se sentirão forçados a pensar como os
demais, sob pena de se tornarem ridículos."
Em
nota Allan Kardec aduz:
As
idéias só com o tempo se transformam; nunca de súbito. De geração em
geração, elas se enfraquecem e acabam por desaparecer,
paulatinamente, com os que as professavam, os quais vêm a ser
substituídos por outros indivíduos imbuídos de novos princípios,
como sucede com as idéias políticas. Vede o paganismo. Não há hoje
mais quem professe as idéias religiosas dos tempos pagãos. Todavia,
muitos séculos após o advento do Cristianismo, delas ainda restavam
vestígios, que somente a completa renovação das raças conseguiu
apagar. Assim será com o Espiritismo. Ele progride muito; mas,
durante duas ou três gerações, ainda haverá um fermento de
incredulidade, que unicamente o tempo aniquilará. Sua marcha, porém,
será mais célere que a do Cristianismo, porque o próprio
Cristianismo é quem lhe abre o caminho e serve de apoio. O
Cristianismo tinha que destruir; o Espiritismo só tem que edificar.
Não
importa que as verdades pregadas pelo Espiritismo (sobretudo a da
reencarnação) sejam encampadas por credos ou filosofias, pois o que
interessa é a universalização dessas idéias e não a competição entre
as Religiões.
O
resultado pretendido é a irmanização dos homens para viverem
conscientes da sua irmandade.
Na
questão 799 mostra-se como o Espiritismo contribui para o progresso:
"Destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade, ele
faz que os homens compreendam onde se encontram seus verdadeiros
interesses. Deixando a vida futura de estar velada pela dúvida, o
homem perceberá melhor que, por meio do presente, lhe é dado
preparar o seu futuro. Abolindo os prejuízos de seitas, castas e
cores, ensina aos homens a grande solidariedade que os há de unir
como irmãos."
O
grande diferencial do Espiritismo foi fazer passar todos os seus
postulados pelo crivo da razão. Nada de crença ingênua ou fé em
coisas que a razão não aprova.
Por
isso, passou a ser acreditado por destacados homens de inteligência
contemporâneos de Allan Kardec, e daí ganhou as ruas e fez-se
acatado pelo povo em geral.
Desprezou crendices e dogmas e suas afirmativas nunca foram
desautorizadas pela Ciência exercida com imparcialidade, como o
fizeram os cientistas Charles Richet, César Lombroso, William Crooks
e mais recentemente J. B. Rhine, além de inúmeros outros.
Quem pensa que o Espiritismo é uma se confunde com as crenças
africanas está completamente enganado e o desconhece totalmente,
pois nasceu entre homens de grande envergadura intelectual do século
XIX, dentre os quais o professor francês Rivail, que, depois de
dedicar-se ao magistério até os cinqüenta anos, passou a estudar os
fenômenos espíritas, convenceu-se da sua veracidade e então
dedicou-se à divulgação das suas conclusões e descobertas sob o
pseudônimo Allan Kardec.
A
literatura científica do Espiritismo é vasta, merecendo referência
os livros de Camille Flammarion, Arthur Conan Doyle, Ian Stevenson,
J. Herculano Pires e dezenas de outros.
Na
questão 802 explica-se porque os espíritos encarregados da
divulgação da Doutrina Espírita não fazem um trabalho maciço de
propaganda visando o convencimento mais rápido das pessoas:
"Desejaríeis milagres; mas Deus os espalha a mancheias diante dos
vossos passos e, no entanto, ainda há homens que o negam. Conseguiu,
porventura, o próprio Cristo convencer os seus contemporâneos,
mediante os prodígios que operou? Não conheceis presentemente alguns
que negam os fatos mais patentes, ocorridos às suas vistas? Não há
os que dizem que não acreditariam, mesmo que vissem? Não; não é por
meio de prodígios que Deus quer encaminhar os homens. Em Sua
bondade, Ele lhes deixa o mérito de se convencerem pela razão."
O
amadurecimento é gradativo e a Natureza não dá saltos.
Assim também a aceitação das idéias mais avançadas somente se faz
paulatinamente, com a evolução humana.
Não
há porquê se precipitarem informações, porque o resultado somente
vem na época própria.
Dessa maneira, planejando o Cristo a evolução do planeta como seu
Sublime Governador, de tudo ciente, sábio representante de Deus no
nosso mundo, podemos ter certeza de que tudo vai dar certo.
Mais necessitamos de engajamento nos serviços do bem do que os
serviços do bem precisam de nós, como peças imperfeitas que ainda
somos.
1.9 - IGUALDADE
Na
questão 803 esclarece-se que perante Deus todos Seus filhos são
iguais:
"Sim, todos tendem para o mesmo fim e Deus fez Suas leis para todos.
Dizeis freqüentemente: "O Sol luz para todos" e enunciais assim uma
verdade maior e mais geral do que pensais."
Kardec acrescenta uma nota:
Todos os homens estão submetidos às mesmas leis da Natureza. Todos
nascem igualmente fracos, acham-se sujeitos às mesmas dores e o
corpo do rico se destrói como o do pobre. Deus a nenhum homem
concedeu superioridade natural, nem pelo nascimento, nem pela morte:
todos, aos Seus olhos, são iguais.
Se,
para um pai ou mãe humanos, portanto, imperfeitos, o normal é a
igual consideração e o mesmo amor por todos seus filhos, imagine-se
o que não será para Deus, perfeito e justo, quanto à Sua devoção e
interesse por Suas criaturas, da mais rudimentar ao ser mais próximo
dEle pela perfeição.
Deus não diferencia suas criaturas amando umas mais que outras.
Se
bem raciocinarmos jamais oraremos a Deus pedindo exclusividade em
favor dos nossos problemas e dos nossos familiares, nem, muito
menos, pediremos nada contra ninguém.
O
conhecimento e a compreensão da Lei de Igualdade muda nossa
mentalidade, fazendo-nos tolerantes e caridosos.
Rezemos a Deus pedindo que a compreensão dessa Lei penetre nosso
coração para sermos realmente fraternos ao reconhecer que todos os
seres são irmãos, como Francisco de Assis o fez em grau superlativo.
Na
questão 804 fala-se da diversidade de graus evolutivos entre os
seres e da diversidade das suas aptidões:
"Deus criou iguais todos os Espíritos, mas cada um destes vive há
mais ou menos tempo, e, conseguintemente, tem feito maior ou menor
soma de aquisições. A diferença entre eles está na diversidade dos
graus da experiência alcançada e da vontade com que obram, vontade
que é o livre-arbítrio. Daí o se aperfeiçoarem uns mais rapidamente
do que outros, o que lhes dá aptidões diversas. Necessária é a
variedade das aptidões, a fim de que cada um possa concorrer para a
execução dos desígnios da Providência, no limite do desenvolvimento
de suas forças físicas e intelectuais. O que um não faz, fá-lo
outro. Assim é que cada qual tem seu papel útil a desempenhar.
Demais, sendo solidários entre si todos os mundos, necessário se
torna que os habitantes dos mundos superiores, que, na sua maioria,
foram criados antes do vosso, venham habitá-lo, para vos dar o
exemplo."
O
esclarecimento deste tópico é dos mais relevantes e merece a maior
atenção, pois aqui se explicam as diferenças entre as pessoas e os
seres em geral.
Por
aqui se entende também como deve conduzir-se a Pedagogia infantil,
não transformando as crianças em produtos em série, como se todas
devessem ser absolutamente iguais.
Deve-se valorizar o que cada um tem de talento e possibilitar a cada
qual trabalhar naquilo que tem dom, multiplicando-se as profissões,
sem substituir o homem pela máquina.
Os
Espíritos evoluídos precisam dos menos adiantados, e vice-versa.
Não
há possibilidade de isolamento absoluto entre bons e maus,
intelectuais e ignorantes, ricos e pobres, pois a interdependência é
de lei.
Quem sabe mais precisa ensinar a quem sabe menos e estes últimos
carecem das lições dos primeiros.
A
árvore frutífera carece de que lhe colham os frutos maduros, como a
lactante precisa de que o filho lhe sugue o leite, tanto quanto o
faminto é constrangido pela fome a colher os frutos da árvore do
caminho e o bebê instintivamente procura o seio de sua mãe.
Jesus Cristo, como Sublime Governador da Terra, não vive encastelado
entre glórias e luzes e ignorando os seres do nosso planeta, mas sim
acompanha o esforço e as lutas de cada um de nós, mesmo os mais
primitivos unicelulares, que ensaiam os primeiros passos evolutivos.
É
preciso que compreendamos essas realidade, para não estarmos cegos à
Verdade.
Cada ser passa pelas mais variadas experiências para poder evoluir,
nascendo nas situações e meios mais variados para de tudo
conhecermos e aprendermos.
Não
devemos querer sempre ser inteligentes, ricos, saudáveis e belos,
pois as situações contrárias também ensinam, aliás, mais que as
primeiras.
A
reencarnação ajuda a compreendermos a Lei de Igualdade.
Na
questão 806 esclarece-se que a desigualdade das condições sociais
não é obra da Lei Divina:
"Não; é obra do homem e não de Deus."
a)
- Algum dia essa desigualdade desaparecerá?
"Eternas somente as leis de Deus o são. Não vês que dia-a-dia ela
gradualmente se apaga? Desaparecerá quando o egoísmo e o orgulho
deixarem de predominar. Restará apenas a desigualdade do
merecimento. Dia virá em que os membros da grande família dos filhos
de Deus deixarão de considerar-se como de sangue mais ou menos puro.
Só o Espírito é mais ou menos puro e isso não depende da posição
social."
A
distância que muitas vezes existe entre as classes sociais é
resultado do atraso das instituições humanas, ainda impregnadas pela
desinformação, atrás das quais o egoísmo e o orgulho ditam as
regras.
Na
questão 807 fala-se do castigo destinado aos que oprimem aqueles que
estão em posição de inferioridade:
"Merecem anátema! Ai deles! Serão, a seu turno, oprimidos:
renascerão numa existência em que terão de sofrer tudo o que tiverem
feito sofrer aos outros."
Eis
o resultado do abuso das situações de privilégio: a necessidade de
voltar à vida corporal, através da reencarnação, para, passando
pelas humilhações que se infligiu aos outros, aprender a considerar
como irmãos aqueles que estão em posição de inferioridade aparente.
Na
questão 811 desautorizam-se a idéia de igualdade absoluta das
riquezas:
"Não; nem é possível. A isso se opõe a diversidade das faculdades e
dos caracteres."
a)
- Há, no entanto, homens que julgam ser esse o remédio aos males da
sociedade. Que pensais a respeito?
"São sistemáticos esses tais, ou ambiciosos cheios de inveja. Não
compreendem que a igualdade com que sonham seria a curto prazo
desfeita pela força das coisas. Combatei o egoísmo, que é a vossa
chaga social, e não corrais atrás de quimeras."
A
igualdade entre as pessoas deve ser conseguida, não através de
rebeliões, revoluções sangrentas, agressões, mas sim com a abolição
do egoísmo tanto dos ricos quanto dos pobres, pois, se uns procuram
explorar os mais fracos, outros são rebeldes, mas o pecado da
maioria é o egoísmo.
O grande problema não são as leis humanas, e sim a dureza do coração
humano, que, procurando fechar os olhos para as Leis Divinas, deixa
de enxergar os semelhantes para ver somente seus próprios
interesses, exigindo direitos e recusando a cumprir seus deveres.
Trabalhemos nosso íntimo e abandonemos as ideologias da violência,
que fazem parte do passado de desconhecimento das Leis Divinas.
Na
questão 812 esclarece-se se é impossível a igualdade de bem-estar:
"Não, mas o bem-estar é relativo e todos poderiam dele gozar, se se
entendessem convenientemente, porque o verdadeiro bem-estar consiste
em cada um empregar o seu tempo como lhe apraza e não na execução de
trabalhos pelos quais nenhum gosto sente. Como cada um tem aptidões
diferentes, nenhum trabalho útil ficaria por fazer. Em tudo existe o
equilíbrio; o homem é quem o perturba."
a)
- Será possível que todos se entendam?
"Os
homens se entenderão quando praticarem a lei de justiça."
Mais do que de leis novas, precisamos compreender a praticar as Leis
Divinas, principalmente a de Justiça, de Amor e de Caridade.
813. Há pessoas que, por culpa sua, caem na miséria. Nenhuma
responsabilidade caberá disso à sociedade?
"Mas, certamente. Já dissemos que a sociedade é muitas vezes a
principal culpada de semelhante coisa. Demais, não tem ela que velar
pela educação moral dos seus membros? Quase sempre, é a má educação
que lhes falseia o critério, ao invés de sufocar-lhes as tendências
perniciosas."
Cada um é responsável pelos seus acertos e erros, recebendo como
colheita exatamente o que plantou.
Todavia é responsável a coletividade pelos erros de cada membro,
pois descuidou-se de orientá-lo para o bem, preferindo puni-lo
depois de consumado o crime.
Cai
por terra a idéia egoística de que somente nos compete educar nossos
filhos.
O
resultado da mentalidade tacanha da nossa época é o aumento da
criminalidade infantil, passando as crianças desamparadas a nos
assaltar em plena via pública nos tomando à força aquilo que não lhe
demos espontaneamente.
A
responsabilidade pelos desajustes de crianças prostituídas, jovens
drogados e adultos criminosos é de cada um de nós, pelas nossas
omissões.
Na
questão 822 fala-se da igualdade das pessoas:
"O
primeiro princípio de justiça é este: Não façais aos outros o que
não quereríeis que vos fizessem."
a)
- Assim sendo, uma legislação, para ser perfeitamente justa, deve
consagrar a igualdade dos direitos do homem e da mulher?
"Dos direitos, sim; das funções, não. Preciso é que cada um esteja
no lugar que lhe compete. Ocupe-se do exterior o homem e do interior
a mulher, cada um de acordo com a sua aptidão. A lei humana, para
ser eqüitativa, deve consagrar a igualdade dos direitos do homem e
da mulher. Todo privilégio a um ou a outro concedido é contrário à
justiça. A emancipação da mulher acompanha o progresso da
civilização. Sua escravização marcha de par com a barbaria. Os
sexos, além disso, só existem na organização física. Visto que os
Espíritos podem encarnar num e noutro, sob esse aspecto nenhuma
diferença há entre eles. Devem, por conseguinte, gozar dos mesmos
direitos."
A
melhor forma de pensar em igualdade é a observância da máxima não
façais aos outros o que não quereríeis que vos fizessem.
Assim agindo sempre acertaremos para verificar se estamos sendo
justos ou não.
1.10 - LIBERDADE
Na
questão 836 fala-se que ninguém pode obstar a liberdade de
consciência de outrem:
"Falece-lhe tanto esse direito, quanto com referência à liberdade de
pensar, por isso que só a Deus cabe o de julgar a consciência. Assim
como os homens, pelas suas leis, regulam as relações de homem para
homem, Deus, pelas leis da Natureza, regula as relações entre Ele e
o homem."
Liberdade de consciência é o direito de escolher sua crença
religiosa, política, social ou filosófica.
Liberdade de pensamento é o direito de pensar e exprimir seus
pensamentos.
Em
1857 a liberdade de crença religiosa era desconsiderada e os
espíritas sofriam sérias restrições.
Somente a Deus cabe julgar o homem por sua crença ou pensamento com
base nas Leis Divinas.
Em
complemento a este tópico leia-se a questão 838.
Na
questão 838 indaga-se se toda crença, mesmo falsa, deve ser
respeitada:
"Toda crença é respeitável, quando sincera e conducente à prática do
bem. Condenáveis são as crenças que conduzam ao mal."
Deve-se diferenciar as crenças que conduzem ao bem das que conduzem
ao mal.
As
primeiras são respeitáveis enquanto que as segundas são condenáveis.
O
critério diferenciador entre essas doutrinas encontra-se na questão
842.
Entretanto, quem tem legitimidade para fazer essa diferenciação? -
Acreditamos que, mesmo em se tratando de crenças condenáveis, a
liberdade de crer é intocável e somente é julgável pela Justiça
Divina.
Na
questão 842 dá-se o critério para reconhecer se uma doutrina é a
única verdadeira:
"Será aquela que mais homens de bem e menos hipócritas fizer, isto
é, pela prática da lei de amor na sua maior pureza e na sua mais
ampla aplicação. Esse o sinal por que reconhecereis que uma doutrina
é boa, visto que toda doutrina que tiver por efeito semear a
desunião e estabelecer uma linha de separação entre os filhos de
Deus não pode deixar de ser falsa e perniciosa."
Cada crença tem sua quantidade de verdade, representando somente uma
parcela da grande Verdade.
A
forma de identificar a mais perfeita é pelo resultado que cada uma
produz na conduta dos seus adeptos: se ela os incentiva ao
cumprimento da bondade essa doutrina é boa; se os induz ao desapreço
aos demais irmãos em humanidade ela é má.
O
objetivo da crença não é estabelecer estabelecer competição para
satisfazer a vaidade de cada um, mas sim irmanar os homens.
Se
queremos mostrar o valor da nossa crença temos de exercitar a
tolerância quanto às outras. Em caso contrário estaremos repetindo
os erros dos crentes dos tempos passados, que matavam os de outras
crenças para maior glória de Deus.
Deus quer a união de Seus filhos para se aproximarem dEle através da
evolução.
1.11 - JUSTIÇA, AMOR E CARIDADE
Na
questão 873 afirma-se que o sentimento de justiça está inscrito na
alma humana:
"Está de tal modo em a Natureza, que vos revoltais à simples idéia
de uma injustiça. É fora de dúvida que o progresso moral desenvolve
esse sentimento, mas não o dá. Deus o pôs no coração do homem. Daí
vem que, freqüentemente, em homens simples e incultos se vos deparam
noções mais exatas da justiça do que nos que possuem grande cabedal
de saber."
O
sentimento de justiça faz parte da essência humana, no entanto é
necessário compreendê-lo em consonância com as Leis Divinas.
O
progresso intelectual não influi no sentimento de justiça, pois o
progresso intelectual é resultado somente da antigüidade do
Espírito, enquanto que o progresso moral, que resulta do esforço do
Espírito para agir de acordo com as Leis Divinas, desenvolve-o em
quantidade e qualidade.
É
importante estarmos sempre imbuídos do sentimento do justo, não
através da revolta e agressividade mas sim procurando soluções
pacíficas e maduras.
Jesus Cristo é o modelo perfeito de combate às injustiças: verberou
contra as injustiças apenas quando absolutamente indispensável mas
não humilhou os injustos; defendeu a mulher adúltera sem
agressividade contra os que queriam sua punição; pugnou pela
igualdade social sem provocar rebeliões; sobretudo, não incentivou
as vítimas à prática de represálias.
Devemos libertar a vítima ensinando-a viver de forma superior e, ao
mesmo tempo, libertar o agressor da mentalidade infeliz que o
aprisiona no primitivismo.
Na
questão 875 dá-se o conceito de justiça:
"A
justiça consiste em cada um respeitar os direitos dos demais."
a)
- Que é o que determina esses direitos?
"Duas coisas: a lei humana e a lei natural. Tendo os homens
formulado leis apropriadas a seus costumes e caracteres, elas
estabeleceram direitos mutáveis com o progresso das luzes. Vede se
hoje as vossas leis, aliás imperfeitas, consagram os mesmos direitos
que as da Idade Média. Entretanto, esses direitos antiquados, que
agora se vos afiguram monstruosos, pareciam justos e naturais
naquela época. Nem sempre, pois, é acorde com a justiça o direito
que os homens prescrevem. Demais, este direito regula apenas algumas
relações sociais, quando é certo que, na vida particular, há uma
imensidade de atos unicamente da alçada do tribunal da consciência."
O
conceito de justiça é simples e claro: cada um respeitar os direitos
dos demais.
Não
é difícil entender quais são os direitos dos demais, bastando apenas
analisar com imparcialidade.
Enquanto que as Leis humanas regulam algumas relações sociais
específicas, as Leis Divinas tratam da conduta do homem no trato
consigo próprio e nas suas relações com seus semelhantes e com o
Criador.
Na
questão 876 explica em que se baseia a justiça segundo as Leis
Morais:
"Disse o Cristo: Queira cada um para os outros o que quereria para
si mesmo. No coração do homem imprimiu Deus a regra da verdadeira
justiça, fazendo que cada um deseje ver respeitados os seus
direitos. Na incerteza de como deva proceder com o seu semelhante,
em dada circunstância, trate o homem de saber como quereria que com
ele procedessem, em circunstância idêntica. Guia mais seguro do que
a própria consciência não lhe podia Deus haver dado."
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