O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 

Título :
Ser Espírita

Autor:
Simone Nardi

Fonte:
O Mensageiro

ARTIGOS

         

Noutro dia, entre um grupo de amigos, ouvi uma discussão, no bom sentido, sobre o que é, realmente, ser espírita. Um amigo insistia que ser espírita é apenas acreditar em reencarnação e pronto, você era espírita.

Outro que ser espírita era tentar mudar, melhorar a si mesmo. Um outro ainda dizia que não era, mas tentava ser.

E o que seria realmente ser espírita? Haveria uma fórmula ou uma oração?

Ser espírita para alguns espíritas se torna uma verdadeira obsessão. Sim porque ele vive se cobrando sobre como ser espírita.

Não pode falar alto, não pode perder o controle, não pode ser enérgico. Precisa aceitar tudo.Tudo? E como fica o livre arbítrio e a fé raciocinada?

Não estariam alguns espíritas se apegando demais a palavra e se esquecendo de sua verdadeira obrigação?

Não há livros nem cadernetas que tornem uma pessoa espírita, há sim bom senso e fé, aliás fé e trabalho, muito trabalho, pois sem ele não se atinge os verdadeiros objetivos da vida.

Caridade e amor. Sim, acho que essa deveria ser a verdadeira discussão dos espíritas. Como praticar, do melhor modo, o amor em forma de caridade.

Ser espírita, por si só, não é amor e nem caridade.

Ser espírita é ser ação. E qual a melhor forma de agir senão amando ao próximo?

Mas para amar precisa ser espírita? De forma alguma. Para amar basta existirmos. E existimos.

Deixemos de lado a discussão e as afirmações de que ser espírita é isso ou aquilo. Amemos. Trabalhemos. Descortinemos o coração para o verdadeiro amor que Jesus ensinou. Não há regras, apenas amor. Seremos todos espíritas quando descobrirmos esse amor.

Não nos preocupemos em dizer que somos dessa ou daquela religião, vamos apenas sentir, apenas amar, apenas servir.

Alguns espíritas se preocupam muito em “Ser Espírita” e se esquecem do principal: o trabalho, o amor, a caridade.

Muito mais importante que ser espírita é ser caridoso. E tem muita gente por aí que não é espírita e é mais caridoso do que aqueles que discutem se são ou não espíritas.

Alguns espíritas se cobram muito e fazem pouco, quando deviam fazer muito, assim não lhes restaria tempo para ficarem se cobrando, já que estão servindo.

Como disse Gandhi: “Que a nossa mensagem seja a nossa própria vida.”

Assim eu acho que deveriam ser os espíritas, calados e praticantes, reconhecidos pelas obras e não por sua religião, que sinceramente para Deus não importa qual seja.

Acho que quando ele compreender isso, o espiritismo vai realmente romper fronteiras, mas as fronteiras do coração, não a das religiões.

O espírita se cobra porque é cobrado, e é cobrado porque não faz muitas vezes o que deveria fazer, embora saiba o que deva ser feito.

Quando ele for trabalho, amor e caridade, e não vai ser cobrado e vai ser reconhecido como espírita, aí sim ele vai poder dizer a si mesmo e a mais ninguém :

“Eu sou espírita.”

Sejamos pois espíritas nas vinhas de Deus, onde o trabalho urge e é tão necessário.