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Teceremos alguns comentários sobre a alimentação carnívora e para
tanto nos apoiaremos em algumas citações dos espíritos.
Na
obra “Cartas e Crônicas”, ditada pelo espírito Irmão X e
psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier, encontramos um
texto intitulado “Treino para a morte” que muito nos chamou atenção
e, por isso, citamos a parte abaixo referente a temática que ora
apresentamos:
“Comece a renovação de seus costumes pelo prato de cada dia. Diminua
gradativamente a volúpia de comer a carne dos animais. O cemitério
na barriga é um tormento, depois da grande transição. O lombo de
porco ou o bife de vitela, temperados com sal e pimenta, não nos
situam muito longe dos nossos antepassados, os tamoios e os ciapós,
que se devoravam uns aos outros.”
Inferimos que a viciação alimentar muito nos aflige além túmulo. E,
outrossim, o autor nos compara de forma, talvez eufêmica, aos
antropófagos de outrora, pois “não nos situamos muito longe” deles.
Continuando a nossa breve busca por informações sobre esse assunto,
veremos que Emmanuel, na obra “O Consolador”, na questão 129, que
pergunta se é um erro o homem se alimentar dos animais, ele
responde:
“A
ingestão das vísceras dos animais é um erro de enormes
conseqüências, do qual derivaram numerosos vícios da nutrição
humana. É de lastimar semelhante situação, mesmo porque, se o estado
de materialidade da criatura exige a cooperação de determinadas
vitaminas, esses valores nutritivos podem ser encontrados nos
produtos de origem vegetal, sem a necessidade absoluta dos
matadouros e frigoríficos.”
Notamos a clareza das idéias desse espírito. Chamamos atenção para a
afirmativa dele ao dizer que podemos encontrar recursos nutritivos
de origem vegetal, sem a “necessidade absoluta” de sacrificarmos
nossos irmãos inferiores.
Mais a frente Emmanuel nos diz que não podemos olvidar a máquina
econômica que está por trás de tudo isso e que, de certa forma,
auxilia muitas famílias que sobrevivem da matança dos animais. E ele
bondoso como é, repousa suas esperanças no porvir. Já que lá, o
homem estará mais purificado e será mais amoroso para com todas as
criaturas. De qualquer forma, pela sua resposta vimos que ele é
totalmente contrário.
O
cidadão de “Nosso Lar”, André Luiz, assim nos fala em “Conduta
Espírita” a respeito dos animais:
“Esquivar-se de qualquer tirania sobre a vida animal, não agindo com
exigências descabidas para a satisfação de caprichos alimentares nem
com requintes condenáveis em pesquisas laboratoriais,
restringindo-se tão-somente às necessidades naturais da vida e aos
impositivos justos do bem. O uso edifica, o abuso destrói.”
A
clareza de André Luiz também é forte. O fato é que no momento do
sacrifício o animal com medo, efeito natural do instinto de
conservação, torna a “matança” dolorosa e árdua. E, por isso, é
difícil não encontrar um local onde os animais não sejam mortos com
tirania e crueldade para satisfazerem os caprichos humanos. Vejamos
o que nos diz Eurípedes Kühl na obra “Animais nosso irmãos” a
respeito de como eram executados os animais (e talvez ainda o
sejam):
“-
12 horas antes do abate eram privados de água e alimento, para
amaciar a carne;
-
eram conduzidos molhados a um corredor e dali tangidos com choques
elétricos de 240 volts;
- a
seguir, uma pancada na cabeça, tonteando-os;
-
animal ainda vivo, as patas eram cortadas, com machado ou tesoura
grande, de forma a esgotar todo o sangue;
-
ainda vivo, com ferimentos terríveis, o animal era colocado em uma
estufa para suar e com isso eliminar o ‘mal educado’ cheiro de
cavalo de sua carne;”
Será que alguém em sã consciência aceitaria tais situações para com
os animais? Fazendo uma pausa por aqui, nos perguntamos como os
espíritos grupos se sentem diante de tais situações. Um exemplo
melhor ainda, como será que Francisco de Assis se sentiria vendo os
animais morrerem dessa forma brutal?
Continuando nossa jornada por mais informações, o fato é que
ocorreram várias denúncias, grupos defensores da natureza fizeram
protestos e, talvez, hoje o método de abate tenha modificado um
pouco. Quem vai saber? Talvez, a crueldade seja a mesma. A mídia e
nós que somos cegos para tal situação.
Nós
descrevemos uma das formas de abate acima, para que o leitor tenha
uma nítida noção do que esses animais sofrem para satisfazerem
nossos banquetes.
Certamente que eles no momento da morte muito dolorosa, pelo
instinto de conservação, lançam na matéria todo o pavor, angústia e
outras cargas deletérias que iremos consumir depois. E isso não é de
se estranhar, porque o animal não compreende como nós, homens
civilizados e superiores, que o trata tão bem, de modo intempestivo,
leva-o para sua própria desgraça!
Talvez por isso existam no mundo as famosas doenças como a “gripe do
frango”, “mal da vaca louca” e outras que virão. Pode ser um aviso
do mais alto para que paremos de nos alimentar grosseiramente. Os
animais não foram criados para tal.
Na
obra “Diretrizes de Segurança” de Divaldo P. Franco e Raul Teixeira,
encontramos a elucidação de Raul que diz:
“A
alimentação não define, por si só, o potencial mediúnico dos médiuns
que deverão dar muito maior validade à sua vida moral do que à
comida obviamente.
Algumas pessoas recomendam que não se comam carnes, nos dias de
tarefa mediúnica, enquanto outras recomendam que não se deve tomar
café ou chocolate, alegando problemas das toxinas, da cafeína, etc.,
esquecendo-se que deveremos manter uma alimentação mais frugal, a
partir do período em que já não tenha tempo o organismo para uma
digestão eficiente.
É
mais compreensível, e me parece mais lógico, que a pessoa coma no
almoço o seu bife, se for o caso, ou tome seu cafezinho pela manhã,
do que passar todo o dia atormentada pela vontade desses alimentos,
sem conseguir retirar da cabeça o seu uso, deixando de concentrar-se
na tarefa, em razão da ansiedade para chegar em casa, após a
reunião, e comer ou beber aquilo de que tem vontade. (...)
Lembremo-nos que o ‘médium’ Hitler era vegetariano e que o médium
Francisco Cândido Xavier se alimentava com carne.”
O
grande problema é que o nosso organismo, desde novo, é viciado pela
ingestão (muitas vezes obrigatória pelos nossos pais) de animais.
(Eles não têm culpa, porque também foram alimentados dessa maneira.
É uma verdadeira bola de neve!). Depois para sairmos de tal situação
é mais difícil. Nos assemelhamos a outros viciados que fazem
esforços hercúleos para saírem de uma situação ruim.
Fica claro segunda a resposta desse grande médium Raul, que a
alimentação carnívora não influencia na moralidade da pessoa. Fato
esse que somos de total acordo. Entretanto, não podemos olvidar as
idéias dos espíritos que aqui citamos que são contrários à ingestão
de carne. Por isso, devemos fazer um esforço contínuo para aliarmos
o útil ao agradável. Podemos ser boas pessoas (médiuns) e pararmos
de comer os despojos dos nossos animais, nossos queridos irmãos.
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