O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 

Título :
Ante o Futuro

Autor:
Martins Peralva

Fonte:
"Estudando o Evangelho"

ARTIGOS

         

“Nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis”

O mundo contemporâneo vive uma fase das mais periclitantes, confirmando, assim, a palavra inspirada do enérgico Apóstolo da Gentilidade, na sua carta a Timóteo.

O clima apreensivo em que se debate a Humanidade confirma, de forma clara e insuspeita, o asserto paulino.

Nuvens sombrias, prenunciadoras de violentos temporais, desfilam no espaço infinito.

Nos profundos oceanos da vida, agitadas procelas indicam a subversão dos valores morais, em que se assentam a virtude e o bem, avassalados, a cada instante, no impetuoso turbilhão das torrentes do mal.

As paixões humanas, os entrechoques de idéias e a impetuosa avalancha do egoísmo tendem a mudar a facies planetária.

Todas essas forças espalham, nesta fase de transições, as sementes da desconfiança e do rancor, da ambição e das vinditas seculares.

Por toda parte, evolam-se clamores para o Alto...

De um lado – a prece sincera daqueles que, neste momento decisivo da História humana, recordam, envolvidos em sublimes eflúvios de esperança e amor, a mensagem de paz trazida à Terra e legada aos homens pelo admirável Pastor Galileu – Jesus, o Cristo de Deus.

Do outro – a angústia dos que desconhecem a lei de Causa e Efeito, que rege, justa e sabiamente, os destinos das humanidades, a estrutura moral, social e cultural das civilizações.

O homem contemporâneo, inacessível, em sua esmagadora maioria, às Eternas Verdades, pousa placidamente o olhar entristecido sobre os longos caminhos da vida, e vê somente o que lhe permite o seu limitado poder visual: o sombrio espetáculo de sombrias paisagens.

Interroga, então, o espaço imensurável...

Mas o “pisca-pisca” das estrelas não dá resposta às suas conjeturas e indagações atribuladas.

O lençol alvinitente da Via-Láctea, pontilhado de milhões e milhões de astros, representa, todavia, uma fagulha de suave e doce esperança, como se fora o Olhar Divino envolvendo a Terra inteira.

Nas noites de plenilúnio, quando a alma dos seres e das coisas vibra ante o sublime convite à meditação e à prece fervorosa, o coração da Humanidade repleta-se de esperança.

No cenário deslumbrante da Natureza adormecida e embalada pelos reflexos do luar, sente o homem, no mais profundo do seu Espírito, a realidade grandiosa, incomparável, da Presença Divina.

O Universo em silêncio é todo um poema de exaltação ao Criador.

Na exuberância magnífica do seu Poder e Justiça, Sabedoria e Amor, o Sublime Arquiteto faz sentir, através da sua portentosa obra, o inesgotável carinho pelos que lutam e sofrem, trabalham e se aperfeiçoam na forja dos avatares purificadores.

A mente humana, porém, esquiva como a própria Lua, vacila e estremece em face das manchas que, de espaço a espaço, envolve, a superfície terrestre, em alternativas de luz e sombra.

O homem moderno pensa e medita...

E, meditando e pensando, emaranha-se no abismo das cogitações filosóficas e religiosas.

E nesse labirinto especulativo, onde a ausência do Cristo gerou dogmas e preconceitos, começa, inelutavelmente, a descrer de tudo, a desconfiar de todos.

Nos resplandecentes solios da Espiritualidade, o Mestre, todavia, ante o futuro, ora e trabalha.

A sua meta é a felicidade humana.

Aqui embaixo, na Terra, religiões centenárias e milenárias, infensas ao processo evolutivo da Vida, em todas as suas manifestações, agrilhoadas a perecíveis dogmas de fé, respondem, sem dúvida, por essa tendência céptica que se vai infiltrando na consciência dos homens, especialmente dos homens que estudam e meditam, analisam e observam.

A velha teoria do crer por ouvir dizer está, evidentemente, fora das cogitações do homem moderno.