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A
compreensão desta passagem implica no estudo e conhecimento prévio
do Salmo 22. Neste Salmo, vemos o médium (Davi), descrevendo com
suas palavras e sentimentos a visão profética do evento da
Crucificação, algumas dezenas de séculos antes da ocorrência do
mesmo.
No
Salmo 22, v 1 são estas as expressões do Salmista: “Deus meu, Deus
meu, por que me desamparaste?, por que te alongas das palavras do
meu bramido, e não me auxilias.”. v 16 “….traspassaram-me as mãos e
os pés.”. v 18 “Repartem entre si os meus vestidos, e lançam sortes
sobre a minha túnica.” Aqui estão registradas as impressões do
médium diante de sua visão: o Filho de Deus enviado ao mundo para
salvar o povo de Deus, sendo morto na cruz. Deus o desamparou e em
consequência conseguiram matá-lo. Deus não conseguiu evitar e a
expressão foi a decepção de Davi em função daquilo que ele via, um
profeta sendo desamparado por Deus: “Deus meu, Deus meu, por que me
desamparaste?” Palavras de Davi procurando interpretar o sentimento
do profeta que estaria sendo crucificado.
Nos
Evangelhos de Mateus 27,v 46 e Marcos 15, v 4 temos o registro da
expressão “Meu Deus, Meu Deus, por que me desamparaste?”. Nos
Evangelhos de Lucas 23, v 46 e S.João 19,v 30 não há o registro
desta expressão. Nos quatro evangelhos, Mateus 27, v 35; Marcos 15,
v 24; Lucas 23, v 34 e S.João 19, v 24 são registradas as cenas
referentes à disputa da túnica pelos soldados romanos, confirmando a
visão profética do médium Davi.
Jesus já em outras ocasiões evocara a Escritura pois se utiliza dos
valores e referências judaicas; a Lei, a Escritura, O Tanach. Em
João 10, v 33 a 36 “Os Judeus responderam, dizendo-lhe: Não te
apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia porque sendo tu
homem, te fazes Deus a ti mesmo. Respondeu-lhes Jesus: Não esta
escrito na vossa lei: Eu disse: Sois deuses?. Pois se a lei chamou
deuses aqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (e a Escritura
não pode ser anulada). Aquele a quem o Pai santificou, e enviou ao
mundo, vós dizeis: Blasfemas porque disse: Sou Filho de Deus?,”
referindo-se ao Salmo 82,v 6.
Portanto, Jesus recitou o Salmo 22 que profetizou, descreveu o
término da sua Missão; na visão do médium Davi que interpretou a
cena que assistia e como estaria se sentindo Jesus que na sua
avaliação estaria sendo abandonado por Deus; como outras partes da
Escritura haviam previsto seu nascimento e várias passagens da sua
Missão.
Não
poderíamos deixar de lembrar ao final deste artigo segundo o
Espiritismo, as palavras de Kardec na introdução da Gênese:
“Generalidade e concordância no ensino, esse o caráter essencial da
doutrina, a condição mesma da sua existência, donde resulta que todo
o princípio que ainda não haja recebido a consagração do controle da
generalidade não pode ser considerado parte integrante dessa mesma
doutrina. Será uma simples opinião isolada, da qual não pode o
Espiritismo assumir a responsabilidade.”
Posto isto, enfatizamos; esta é a nossa visão do assunto, existem
outras. Nenhuma delas representa ainda a visão do Espiritismo sobre
o assunto, porque falta a consagração do controle da generalidade.
Nossa colaboração visa unicamente, tentar cooperar para que algum
dia haja esta consagração sobre este tema.
Bibliografia: A Bíblia Sagrada
Tradução de João Ferreira de Almeida
Imprensa Bíblica Brasileira.
1962 – 14ª Impressão.
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