O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 

Título :
Sexualidade e Sensualidade

Autor:
Luiz Cláudio de Pinho

Fonte:
O Mensageiro

ARTIGOS

                           

Espanta-nos de sobremaneira, como muitos dirigentes, palestrantes ,escritores e até mesmo espíritos desencarnados evadem-se,por omissão ou receio de certos “temas palpitantes”, como no caso das drogas,do sexo e da sensualidade ,abordando-os de maneira hesitante como se “ essas coisas materiais ”, não fizessem parte do dia-a-dia tanto dos encarnados quanto dos desencarnados. Não dizemos que os desencarnados usem drogas ou façam sexo, mas que se ressintam desses condicionamentos,(Sensações dos Espíritos - cap.VI de O Livro dos Espíritos) o que na Teogonia deu origem a crença nos SÚCUBUS e ÍNCUBUS que simbolizam os “demônios” fêmea e macho.

De qualquer maneira, é notório que enormes problemas tem pululado as tarefas de evangelização e atividades assistenciais em grupo, em função das gestações juvenis e das paixões entre coroas que às vezes afirmam terem reencontrado suas “almas gêmeas”... são comuns, seja nos meios religiosos ou não, a carência emocional, as erupções hormonais e sobretudo os processos de influência espiritual inferior, ou seja, as OBSESSÕES de espíritos que necessitam reencarnar rapidamente, ou daqueles que passaram para o “lado de lá” mas ainda continuam , o que é NATURAL, desejosos dos prazeres sexuais e por isso estimulam certas fantasias em quem lhes dê guarida fisiopsiquica.

Sexo é bom e nobre. E apesar de possuir como principal função a geração de outras vidas, NÃO se pode circunscrevê-lo a mera procriação da espécie, nesta tese ultrapassada do “crescei-vos e multiplicai-vos”,  ao qual muitos adeptos igreijeiros do Espiritismo ainda se ambientam.

O sexo nas espécies é mecanismo antiqüíssimo cuja energia é a motriz criadora de todo o universo.

A bactéria para transferir seu código de vida, desenvolve uma estrutura chamada plasmideo que funciona como um órgão sexual perpetuador da resistência. O bebê ao sugar o mamilo materno, inicia sua sensibilidade sexual através da oralidade e a própria mãe também possui prazer glandular. As chamadas estrelas, com suas explosões cósmicas, inoculam vida em outros corpos e num mecanismo semelhante a ejaculação humana fecundam espaços ínfimos que mais tarde ,como num útero materno, gerarão novas vidas e formas...

A energia sexual, se assim pudermos nos expressar, está em tudo, represá-la simplesmente , como dizemos aos nosso alunos, é produzir um efeito coca-cola que um dia explodirá em vigoroso desperdício . Teorizar sobre a canalização dessa força, às vezes é imprudência, pois cada qual tem seu próprio histórico de vidas pregressas. Vulgarizá-la, é suicídio. Educá-la de maneira personalizada é a solução.

Penso que o que deveríamos fazer, é evitarmos a maldita omissão que pulula nos meios religiosos, onde muitos pensam estar vivendo nos CAMPOS ELÍSEOS, assexuados e volitivos. Outros inconseqüentes acham que sexo e religião “não tem nada a ver ”, ou seja, “liberou geral”.

Sexo não é sensualidade. Sexo é vida e sensualidade é a inversão de valores de beleza ou bioquímicos, na busca do poder, da manipulação e do destaque pessoal.

Jamais esqueceremos ,quando ainda jovens de mocidade espírita nos anos oitenta, ouvimos o “tio” Di, Divaldo, de maneira direta e corajosa responder no Centro Espírita Leôncio de Albuquerque em Niterói, a pergunta que lhe formulamos, referente a sexo e virgindade, que erroneamente sempre impomos às mulheres. Respondeu Divaldo: * “ não é uma película, que dá a mulher maior ou menor dignidade.”

* “sexo meu irmão, é com quem, quando, onde e porquê”

Realmente, nunca vimos Emmanuel, Joanna, Vianna, Bezerra ou estes maiores da espiritualidade ditando regras em conduta alheia ou rotulando a virtuosidade de alguém, por parâmetros funestos de moral- imoral.

Também a homossexualidade, é tema tabú na maioria dos grupos e órgãos de divulgação espíritas. Já chegaram até a criar um “gueto” homossexual na chamada Colônia Nosso Lar, além do absurdo do preconceito, ainda segregam os outros. Muitos pensam que todos os homossexuais são “alminhas” decaídas, obsedadas e infelizes... Não negamos que tanto a conduta HOMO quanto a HETERO de maneira desequilibrada, geram VAMPIRIZAÇÃO das forças energéticas e sexuais, mas certamente não será nossa opção ou aptidão sexual que fará Jesus dar-nos o título de “bem-aventurado” ou de “escolhido”.

Desta feita, pedimos a Deus que de alguma forma tenhamos sido veículo de reflexão positiva pois há alguns anos já estamos cônscios que para nós, “os pretinhos da Joanna”, só nos resta trabalhar muito para resgatarmos um pouco e nem sempre sermos bem compreendidos.