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É
com carinho especial que dedicamos esse artigo ao sábio lionês,
filho da senhora Duhamel e do magistrado Antoinne Rivail.
“O
Espiritismo estava no ar” - Nuvens borrascosas haviam se
insinuado na consciência coletiva no velho continente durante o
século 19 e com isso acirrava-se o gládio entre a igreja romana que
estertorava em sua faina absolutista e as inteligências fantásticas
dos filósofos e cientistas que na condição de opositores cruentos ao
domínio apocalíptico da “grande dama da Babilônia”, desenvolviam as
malditas teses materialistas que estimulavam a sensualidade, o
suicídio e a desesperança...
A
missão de Napoleão Bonaparte Antecedendo o período Kardeciano,
Napoleão, o corso, cumpria sua missão de conter a influência do
catolicismo e seu santo oficio em terras francesas e com isso,
possibilitou um momento menos intolerante para o retorno do
inigualável defensor da liberdade cristã do século 15, o “pato” Jan
Huss. Jan Huss, outrora nascido em Hussinec, Tchecoslováquia agora
reencarnava como Allan Kardec, o celebre professor Rivail discípulo
do magnífico Pestalozzi.
Rivail, um polemista cristão - Muito infeliz é vermos
estudantes antigos do Espiritismo criarem anticorpos contra a
palavra polêmica. Por deficiência no vernáculo ou falta de
boa-vontade, assemelham a POLÊMICA a celeuma. No entanto, JESUS foi
o maior de todos os polêmicos e polemistas, pois ninguém que
adentrasse o SINEDRIN há dois mil anos e dissertasse sobre a TORATH
e o TALMUD, em arameu e hebraico dando à letra uma configuração
menos tradicional, poderia ser entendido como não sendo uma criatura
polêmica, ademais disse o raboni: “não vim trazer a paz, mas a
espada”. A espada para o kabalismo judeu, não é apenas instrumento
cortante, mas a própria oratória que divide e se impõe. A espada
também representa o falo (pênis) simbolizando a masculinidade e a
liderança daqueles que se fazem na Terra representantes do Deus
imanifesto, EHIEH.
Primeiros contatos com o além Após desenvolver parcial cegueira no
ano de 1852, Rivail recebe de uma médium sonambúlica, o parecer de
que seu problema era passageiro e no ano seguinte “abre os olhos”,
para os fenômenos das mesas que giravam no ar.
Almas Afins Poucos sabem, e isso se encontra em muitas anotações do
próprio Rivail, que toda sua conduta de escritor e observador era,
antes de qualquer editoração, passada pelo crivo da sensibilidade e
inteligência superior de sua esposa AMÈLIE GABRIELE BOUDET a quem
ele se referia como “Gabi”.
Um
homem acima de sua própria missão - A altivez do polimático Allan
Kardec é, realmente, aspecto marcante nas almas que já cresceram em
outras vidas, no entanto, ele mesmo teve apreensão de fracassar e
através da médium Aline, questiona aos seus amigos espirituais se,
caso o fracasso viesse a ocorrer seria por causa da insuficiência de
suas aptidões . A resposta foi sucinta: NÃO. Não seria sua
“incompetência” intelectual ou moral, ou sua falta de coragem, ou
seu psiquismo frágil, mas se a missão não fosse a efeito, alertam os
do além, seria por causa do peso da própria missão que levantaria e
levantou terríveis inimigos dos dois lados da vida. Apesar de tudo,
intimorato em sua proposta de educar os Homens através dos
princípios científicos, filosóficos e religiosos, não por intermédio
de uma doutrina paternalista e personalista, mas de um verdadeiro
monolito de razão e emoção , muito diferente do que vemos por aí,
Kardec prosseguiu.
“Tende bom animo” - Contra Rivail insurgiram-se inimigos esfaimados,
dentro das religiões tradicionalistas e da dialética cientificista.
A Sociedade Espírita de Paris por ele edificada, tornou-se um ninho
de víboras. As traições e dissensões eram constantes e até Amèlie
Boudet, após a morte do esposo, foi alvo de acusações de ladroagem.
Foi em meio a este mar de pusilanimidades é que o paracleto veio a
falecer em conseqüência de um aneurisma dissecante da aorta, em 31
de março de 1869.
E
se não bastasse todas as dificuldades que passou em vida física,
surge em Paris um certo gaiato que se intitulava Maurice Kardec,
filho bastardo de Kardec. De maneira sui generis, alguns opositores
coerentes de Kardec, foram aos jornais defender que “o professor
falecido, apesar de ser um pseudo cientista, “um poltrão que nunca
se defendia”, ”um simplório” que não entendia a teoria dos “cascões
mentais” e por isso acreditava nelas como sendo manifestações
mediúnicas, era um Homem de Bem. O “ pobre e tolo Rivail ”era um
homem de conduta ilibada, que nunca se soube “ter sido dado aos
desvarios da moral“, portanto, este embusteiro, chamado Maurice,
deveria ser preso e condenado. “
O
tal sujeito da mesma maneira como “apareceu”, “sumiu” nunca mais
sendo visto em Paris.
Conclusão - Ainda teríamos muito a falar sobre Kardec e seus
colaboradores e também a refletir em quantos daqueles que estiveram
na Europa daqueles dias, já se encontram reencarnados e atuantes no
movimento espírita, exaltando a figura daquele que um dia
perseguiram e zombaram.
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