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Há quem pense que o
pecado só se consuma pelo ato inferior. O ato, na verdade, é a
derradeira fase do processo pecaminoso. No coração em trevas, o
desejo de pecar nasceu. A infração da lei moral teve inicio, e,
idealmente, já se completou. O mais é apenas a concretização, num
fato ilícito, daquele desejo mau do espírito fraco.
E como surge no
coração invigilante esse desejo? Aqui verificamos, mais uma vez, a
profundeza do ensino de Jesus: A candeia do corpo são os olhos. Se
os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz. Se forem maus,
o teu corpo será tenebroso.
É, pelos nossos olhos,
portanto, que funcionam como janelas para a alma, que o mundo, nos
seus variados aspectos, é visto por nós. Eles, pela maneira com quem
fitarem os horizontes cotidianos da existência humana, iluminarão ou
escurecerão os nossos espíritos. Jesus fala em luz e em treva, para
definir a natureza dos sentimentos que abrigamos, depois que as
nossas retinas filtraram para a alma a cor e a forma externas.
Quando os olhos fitam
com simplicidade, sem malicia e sem maldade, um orvalho radioso
banha todo o ser, fazendo brotar no coração sentimentos dignos e
anseios imaculados. Quando a retina fixa homens e cousas com inveja,
com cobiça, com concupiscência, com orgulho, com vaidade, com
egoísmo, um brilho sinistro relampeja no céu interior, o coração
passa a desejar o pior, a criatura vive inquieta pelo fermento do
pecado que vai levedar toda a sua vida moral, o cérebro ensombrado
entra em desequilíbrio, para a queda fatal nos abismos da perdição e
da morte...
Será prático, no
sentido de utilidade espiritual, contemplarmos a vida de todos os
dias, na plenitude caleidoscópica, com essa visão límpida e correta,
sem os estrabismos do ódio, da avareza, da maledicência, da ironia,
a fim de que em nossas almas corram os filamentos de luz, que Deus
vê com alegria e abençoa com intenso amor.
Não olhemos com
astúcia perversa, com sagacidade criminosa, com falsidade
sorridente, com dolo escondido! Fitemos tudo com a mesma ingênua
euforia de uma criança, para que em nossos corações floresçam os
mais simples, os mais brandos desejos!
A luz que acendermos
agora será nosso archote nas veredas da eternidade, na jornada para
o infinito!
Se olharmos com pureza
e bondade, encontraremos essa luz em nosso caminho terrenal,
traduzindo-se em paz de consciência e em sensações indescritíveis,
como a encontraremos depois de nossa morte, fielmente à nossa espera
para a grande imersão no oceano da Divina Luz!
Com luz em nosso
espírito, estaremos tecendo a veste nupcial para a união
sacrossanta! Os convidados ao banquete angélico que comparecerem com
túnicas negras não lograrão permanecer na Casa Branca de Deus!
Desde hoje, amigo meu,
pensa bem como olhas tuas irmãs, teus irmãos, dentro da família
humana, e como te comportas diante das propriedades, do gado, de
todas as posses de teu próximo. Tira de teus olhos toda a
malignidade, conservando em teus dias na Terra aquele olhar de
humildade e candura de Jesus na manjedoura, ostentando aquele olhar
de amor e perdão de Jesus no Calvário!
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