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Recente pesquisa divulgada por uma rede nacional de televisão levou
ao público a mensagem da Homeopatia. Para muita gente deve ter
constituído surpresa verificar que, se o sonho de Hahnemann ainda
não é uma realidade universal, como seria desejável, os fundamentos
da sua filosofia médica mostram-se perfeitamente consolidados e sua
técnica de curar permanece viva, podendo mesmo a qualquer momento
explodir num movimento de verdadeira renascença.
Eis
a esperança para a humanidade que, na ânsia de minorar suas mazelas
físicas, muitas vezes as agrava com a ingestão indiscriminada de
drogas potentes que, em lugar de combater as causas do mal,
limitam-se a mascarar os efeitos e a acarretar complicações
funcionais.
Ao
que tudo indica, Hahenemann-Espirito não deve estar preocupado com a
temporária desatenção a que foi relegada a sua doutrina. Era de
esperar-se que assim acontecesse, dado que em todo impulso rumo à
verdade é preciso levar em conta as imperfeições humanas e as
dificuldades que o bem precisa vencer para impor-se. Ele sabe que
essa fase é transitória e, na escala dos séculos, efêmera.
Hahenemann integrou a plêiade de Espíritos luminosos que se
incumbiram de transmitir a Kardec a síntese de sabedoria que
constitui o Espiritismo. Na verdade, foi quem confirmou ao Prof.
Rivail sua posição no esquema da Terceira Revelação.
Em
mensagem mediúnica recebida pela Senhora W. Krell, Hahnemann, que
informa ter sido a reencarnação de Paracelso, lamenta alguns desvios
que então se praticavam na Homeopatia, mas deixa bem claro que sua
visão se projeta muito mais longe, ao informar que a medicina do
futuro será essencialmente espiritual.
Não
há como contestá-lo. Com toda a sua carga materialista, as mais
esclarecidas correntes da medicina moderna admitem hoje a origem
psicossomática de inúmeras doenças, como se pode evidenciar, aliás,
pela ampla disseminação de tranqüilizantes e psicotrópicos em geral.
Já há muito a Homeopatia vem alcançando curas do corpo físico
atuando através do perispírito. Para isso, os medicamentos são
praticamente “desmaterializados” e convertidos em energia pelas
sucessivas e numerosas dinamizações.
Mas
não é para discutir técnicas homeopáticas ou médicas que aqui
estamos a conversar. Mesmo porque não temos para isso as necessárias
credenciais. É que no silêncio interior da meditação - esse diálogo
sem palavras com o nosso próprio eu - ocorreu-nos que a lei da cura
pelo semelhante, o célebre princípio Hahnemaniano do similia
similibus curantur, parece operar tanto nos males físicos como nos
espirituais. Pois não é quase sempre a dor que nos livra das nossas
dores? Não é o amor dinamizado, transubstanciado em energia pura que
nos cura dos males que o amor-paixão causou em nós? Não é, tantas
vezes, o ódio alheio, ao atingir-nos de maneira inexplicável, que
nos redime do ódio que outrora espalhamos? Não é a invalidez de hoje
que elimina da nossa ficha cármica o estigma das mutilações que
infligimos em irmãos nossos em tempos outros? Não são as carências
de agora que nos compensam das penúrias materiais e emocionais que
impusemos a criaturas como nós?
Assim como a doença orgânica resulta de abusos que geram desarmonias
ou desafinamentos no sistema biológico, assim também as dissonâncias
e desarmonias espirituais criam doenças mentais e emocionais
gravíssimas resultantes de abusos de natureza ética. Num e noutro
caso, o reajuste ou, melhor, a cura deve ser buscada por meio de um
remédio que, sem intoxicar a criatura, a leve a provocar em si mesma
os sintomas do mal que a infelicitou.
No
caso das doenças orgânicas, Hahenemann descobriu que os remédios que
curavam eram precisamente aqueles que, tomados por indivíduo sadio,
provocavam os sintomas da doença a ser combatida. No caso das
mazelas espirituais, o “tratamento”, às vezes um tanto rude, mas
justo que as leis divinas nos prescrevem, consiste em nos fazer
experimentar dores, angústias, aflições e carências que impusemos ao
semelhante. Somente assim estaremos em condições de avaliar com
lucidez a extensão e profundidade do sofrimento que causamos ao
nosso irmão, ou seja, sentindo-o na “própria pele”. E por isso, quem
destruiu lares, tem seu lar desfeito; quem se apossou de fortunas
alheias, renasce com as matrizes da miséria material; quem abusou do
poder, volta nas mais ínfimas camadas da escala social.
Operando, porém, em nível infinitamente mais elevado do que os
mecanismos meramente bioquímicos, os dispositivos das leis
espirituais não exigem o sofrimento a qualquer preço, implacável e
inexorável, para compensar o sofrimento. O objetivo delas é levar o
ser humano à compreensão do erro, à conscientização do bem e,
portanto, ao exercício equilibrado do livre-arbítrio. Se por um
processo espontâneo, resultante de um esforço individual, a criatura
é despertada para essa realidade e se entrega com firmeza ao
trabalho regenerador, passa a dispor de opções e alternativas
marcadas com sinal positivo. Nesse caso, em vez de ter que destruir
algo em si mesmo - como a sua visão ou a sua família -, o devedor
pode dedicar-se a construir situações semelhantes àquelas que
destroçou no passado. Desmantelou lares? Por que não organizá-los
agora e sustentá-los para recolher os que vagam sem rumo e sem
agasalho pelas ruas? Sacrificou vidas às suas ambições
desgovernadas? Pode agora salvá-las, curando como médico devotado ou
como médium de benfeitores espirituais que por ele operam e dão
passes ou consolam e orientam.
-
Livre-me Deus de aconselhar-te igual processo terapêutico - escreve
Samuel Maia. - Não procures na ação dos contrários alívio para as
tuas queixas. Hás de sarar com o emprego dos semelhantes. Alguma vez
serei homeopata na minha vida de médico.
Inúmeras vezes as nossas vítimas já seguiram à frente e até mesmo
voltam sobre seus passos para ajudarem a servir àquele que as feriu.
Não estão mais interessados em se vingarem, em receber a restituição
na dura lei do “olho por olho”, em assistir ao funcionamento do
retorno. Mas o que errou, deve à lei a reparação, porque ao fazê-lo
criou automaticamente a matriz do resgate. Se não pode desfazer o
que fez, poderá sempre refazer a caminhada sem tornar a cair na
mesma falha.
Sem
dúvida alguma essa reparação será exigida, um dia, na sua forma
corretiva, através da dor, ou na sua forma construtiva, na dinâmica
do amor ao próximo. “Não sairás de lá enquanto não pagares até o
último ceitil”, advertiu o Cristo. Deus não deseja que a criatura
sofra, mas que se redima, pois aquele que erra é escravo do erro.
Ele ensinou que o Pai é um Deus de amor e de misericórdia. Nós é que
custamos muito a entender isso. Por séculos incontáveis nossos
espíritos somente tomaram conhecimento da dor quando a
experimentavam em si mesmos e nunca quando a infligiam aos outros.
Mas, como estamos todos em Deus, somos participes de um universo
totalmente solidário e, portanto, o sofrimento que impomos ao
semelhante tem que retornar um dia sobre nós. A não ser que, antes
disso, resolvamos dissolvê-lo, com todas as sombras que traz no seu
bojo, com a pequena lamparina do amor irradiante que conseguirmos
acender em nosso espírito.
De
repente, a gente irá descobrir, algo perplexo, que a lamparina, com
a sua tímida luzinha bruxuleante, com a qual tateávamos nas sombras,
virou uma estrela em nossas mãos... Como foi que isso aconteceu? E
quando? E onde? Teria sido coincidência, ou foi porque resolvemos,
afinal, experimentar a prática da sabedoria intemporal que o Cristo
nos ensinou?
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