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No
dia 6 de dezembro de 1883, próximo aos cedros milenares, em uma
montanha no Líbano, nascia Gibran Khalil Gibran. Ele teve
oportunidade de ir aos Estados Unidos e lá exteriorizar toda a
beleza que jazia em sua alma em forma de pinturas místicas e de uma
literatura comovente e atual.
Ele
escreveu obras notáveis. Em uma delas encontramos o poema “Os
filhos” 1
, que transcrevemos abaixo:
E
uma mulher que carregava o filho nos braços disse: “Fala-nos dos
filhos.”
E
ele disse:
“Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Poderei outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis
visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los
como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias
passados.
Vós
sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas
vivas.
O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a
Sua força para que Suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como Ele ama a flecha que voa, ama também o arco que
permanece estável.”
Interessante, profundo e atual o pensamento desse homem que
desconhecia os ensinamentos espíritas. E nos força a seguinte
pergunta: Como estão os pais da atualidade?
-
Os pais estão preocupadíssimos em darem coisas do que em darem-se.
Dar a coisa é uma forma de se ver livre, dar-se é uma oportunidade
de oferecer e exercitar o amor. O que não ocorre na atual
conjuntura. Então, é preferível dar o vídeo game para a criança e
não orientá-la e acompanhá-la em seu desenvolvimento; é melhor dar a
motocicleta para o adolescente e não guiá-lo em seus conflitos; é
mais cômodo dar o automóvel para o filho, para ele matar os outros e
matar-se. Porque os pais da modernidade não têm tempo, ou chegam em
casa cansados, enfim, há milhares de desculpas para não educar o ser
reencarnante;
-
Os pais obrigam seus filhos a pensarem como eles. Mas, esquecem-se
de que seus filhos têm os próprios pensamentos, pois são espíritos
milenares. Assim, encontramos conflitos na relação pais e filhos,
porque os primeiros querem impor uma forma de pensamento ou a
profissão a ser seguida etc. Sendo que a única coisa que de fato se
pode outorgar é o amor, os pensamentos podem ser apresentados, nunca
impostos!;
-
Há, também, os pais que tiveram grande satisfação em trazer os
filhos ao mundo, mas não têm a mesma alegria para cuidar deles.
Deste modo, embora tenham pais biológicos, temos dentro de um mesmo
lar jovens que são órfãos porque seus pais não cuidam deles, não
dialogam, nem querem saber como os filhos estão... Os filhos são
seres estranhos que apenas se alimentam e dormem no lar, mas
desconhecem os pais e estes aos filhos;
-
Há os pais excessivamente liberais, que deixam seus filhos fazerem o
que bem entenderem. Ou ainda aqueles pais extremamente opressores,
que agridem de várias maneiras seus filhos criando um ódio interior
nesses, ao invés do respeito e do amor que deveriam ter. Existem
também os pais que mimam os filhos e não deixam que eles evoluam, os
protegem excessivamente impedindo que eles criem asas para
emanciparem-se.
Diante do exposto, percebemos que no palco das reencarnações nós
assumimos infinitos personagens. Podemos ser filhos, irmãos,
maridos, esposas, pais... tudo isso de um modo temporário, porque
somos em realidade irmãos, oriundos do Sempiterno.
Quando os pais se esquecem de que os filhos reencarnados são seres
milenares e que carecem de uma boa base para a evolução, o grande
“Arqueiro” pergunta-lhes: “Que fizestes do filho confiado à vossa
guarda?” e os pais que tiverem falhado, quais arcos serão encurvados
pelo Arqueiro e deverão retornar para que a tarefa seja realizada
com êxito.
“A
tarefa não é tão difícil quanto vos possa parecer. Não exige o saber
do mundo. Podem desempenhá-la assim o ignorante como o sábio, e o
Espiritismo lhe facilita o desempenho, dando a conhecer a causa das
imperfeições da alma humana.”
2
Por
outro lado, os pais que tudo tiverem feito (tudo mesmo) para a
melhoria dos filhos e estes não conseguirem seguir uma trajetória
ética e cristã, os pais nada temerão. Pelo contrário, deverão
permanecer com suas consciências tranqüilas porque o Onipotente tudo
sabe e reconhecerá, certamente, o trabalho hercúleo desses pais
abnegados.
Os
pais do mundo atual devem compreender que o ato de educar os filhos
é de extrema importância e no cadinho doméstico se iniciam essas
etapas educativas.
“Ó
espíritas! compreendei agora o grande papel da Humanidade;
compreendei que, quando produzis um corpo, a alma que nele encarna
vem do espaço para progredir; inteirai-vos dos vossos deveres e
ponde todo o vosso amor em aproximar de Deus essa alma; tal a missão
que vos está confiada e cuja recompensa recebereis, se fielmente a
cumprirdes. Os vossos cuidados e a educação que lhe dareis
auxiliarão o seu aperfeiçoamento e o seu bem-estar futuro.”
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GIBRAN, Khalil Gibran. Os filhos. In: O Profeta. Rio
de Janeiro. ACIGI
Idem, 2002. |