O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 

Título :
Nosso Lugar Depois da Morte

Autor:
Nelson C. Viana

Fonte:
O Mensageiro

ARTIGOS

     

Uma das maiores questões a serem resolvidas pelo ser humano é compreender exatamente o que ocorre após a sua morte física. Todos as noites, a Casa Espírita enche de pessoas em busca de respostas para suas perguntas mais intimas, e uma delas, com certeza é essa: onde e como vou estar quando fechar os olhos para este mundo? Claro, que ninguém fala sobre isso. É assunto pesado e ninguém gosta de ficar falando na morte, afinal ela traz-nos a lembrança, situações de tristeza, de saudade, de perda, enfim, uma gama de sentimentos aflora e não gostamos de falar nisso, com todo respeito, vamos trocar de assunto, é a recomendação imediata.

Entretanto, é assunto dos mais atuais e necessários. De alguma forma é preciso rever os nossos pontos de vista a respeito, para que nossas atitudes sejam tomadas de acordo com um plano que envolva uma nova direção para nossa vida, e consequentemente, para nossa “morte”.

Pensar na vida e vivê-la bem e em conformidade com as recomendações do Evangelho é um grande passo para a libertação. Emmanuel, querido benfeitor espiritual, em reunião pública de 25/09/1961, através do Chico, no livro Justiça Divina, confirma estas afirmações quando diz que “muitas vezes perguntas, na Terra, para onde seguirás, quando a morte venha a surgir... [...] sonhas o acesso à felicidade, a maneira de criança que suspira pelo colo materno...”. Isto é fato comum, todos querem o seu bem estar, a sua felicidade, mas porque só dificuldades são encontradas em nossos caminhos e estas são questões que o Benfeitor continua resumindo ao dizer que “toda pessoa humana é aprendiz na escola da evolução, sob o uniforme da carne, constrangida ao cumprimento de certas obrigações: nos compromissos do plano familiar; nas responsabilidades da vida pública; no campo dos negócios materiais; na luta pelo próprio sustento [...] e o dever [...] é impositivo da educação que nos obriga a parecer o que ainda não somos, para sermos, em liberdade, aquilo que realmente devemos ser”. Sem esquecer a oportunidade de iluminar-se, a educação da personalidade é de significativa importância, conforme se pode notar, porque, dia virá que estes aspectos da aparência cederão lugar para a verdade, e a verdade está no aproveitamento que se faz do aprendizado diário. Desse modo, nosso lugar depois da morte pode ser comparado, de forma simplória, a um cavalo que esteja atrelado a uma carroça e que fez uma longa viagem. Chegando ao ponto de descanso, é desatrelado do carro e entregue à liberdade. Ao perceber que está liberto das grades que o prendiam procura imediatamente uma pastagem verde onde manifesta toda a sua felicidade por estar entregue ao ambiente propício à manifestação dos seus impulsos. Ali ele pasta, corre, refocila, sem qualquer preocupação. Está feliz. É o seu mundo. Um outro exemplo é o da serpente, que presa para cooperar na fabricação do soro antiofídico, se for libertada corre para a toca e se esconde, reconstituindo o próprio veneno. O corvo, se preso para observações, quando solto voltará, com certeza, para a imundície que é o seu habitat e onde se resfolega. A andorinha quando engaiolada para estudos, caso seja solta, volta para o seu mundo de liberdade e vôos perfeitos chamando a primavera. Portanto, se é nosso desejo saber quem somos, observemos o que pensamos quando estamos sozinhos, e se queremos conhecer o lugar que vamos habitar depois da morte, examinemos o que estamos fazendo nas horas livres. Estas recomendações são daqueles que passaram pela experiência da morte e voltaram para nos ensinar o caminho da vida. Que prestemos atenção nisso e depois não aleguemos que não sabíamos. Muita Paz em Cristo!