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Em janeiro de 2002, a
Organização Mundial de Saúde publicava, em Bruxelas, dados
estatísticos verdadeiramente preocupantes, demonstrando que, no
mundo inteiro, durante o ano 2000, cerca de 815.000 seres humanos
haviam aniquilado a própria vida: um suicídio a cada 40 segundos
(!!!).
Mais terrível ainda é
constatar um aumento estrondoso desses índices na faixa etária de 15
a 34 anos, em que o suicídio mostrou-se como a terceira causa de
mortalidade mundial.
E a situação poderia
ser ainda mais lastimável, já que, para cada ato concretizado,
existem dez tentativas, ou seja, de cada dez pessoas que tentam se
matar, somente uma logra êxito.
Tentemos compreender
as causas de tão desesperada iniciativa.
Urge, primeiramente,
diferenciarmos fatores desencadeantes (causas secundárias) de causas
propriamente ditas (causas primárias).
Consideram-se fatores
desencadeantes do suicídio, as provas e expiações pelas quais
passamos na Terra, tais quais: desemprego, fracassos profissionais,
dificuldades financeiras, desilusões amorosas, perda de entes
queridos, mutilações, doenças orgânicas, processos depressivos
organogênicos (depressão pós-parto, por exemplo), depressões
psicogênicas (presente nos usuários de drogas e alcoólatras), além
das doenças mentais, é claro, com a ressalva de que somente 10 a 20%
das pessoas que se mataram sofriam de algum tipo de patologia
mental.
Estudiosos apontam,
ainda, as baixas temperaturas como elementos predisponentes ao
suicídio, em decorrência da depressão orgânica a que ele pode dar
causa, além do abatimento psíquico, suscitado pela ausência
prolongada do calor e da luz solar, condições típicas de muitos
países europeus.
Entretanto, certamente
não são todos os seres humanos que passam pelas situações acima
elencadas que atentam contra suas vidas, o que prova que as
verdadeiras causas do suicídio (causas primárias) residem em cada um
de nós, na forma de insuficiências espirituais.
Na questão 943, de O
Livro dos Espíritos, Kardec indagava qual seria a causa do desgosto
pela vida que se apoderava de certas pessoas sem causa aparente. Ao
que os Espíritos responderam: “Efeito da ociosidade, da falta de fé,
e, às vezes, da saciedade (...).” Analisemos individualmente cada
fator:
Ociosidade: A
ociosidade começa pela atitude mental invigilante, uma vez que, ao
mantermos a mente vazia de pensamentos nobres, estaremos oferecendo
vasto campo a expressões mentais intrusas de baixo teor, mormente
aquelas que sinalizam para o desprezo pelo maravilhoso dom da vida.
Ociosidade no campo mental que se transforma facilmente em inércia
física, tornando a vida um campo infértil tomado por ervas daninhas.
Eis a razão pela qual as estatísticas demonstram que a incidência do
suicídio é maior entre pessoas desempregadas ou voluntariamente
entregues a inação.
Falta de fé: A fé num
poder maior, que rege todo o Universo, nos dá segurança para
sobrepujar as vicissitudes da vida, robustecendo-nos a esperança,
que é a expectativa de felicidade. Sem ela, entretanto, tudo se
torna mais grave; as nuvens se acumulam ante nossos olhos, tornando
a existência amarga e desprovida de beleza. Surgem, então, os
processos depressivos; daí ao suicídio é um passo que muitos têm
dado. Estatísticas também comprovaram que as taxas de suicídio são
sensivelmente maiores em pessoas afastadas de uma crença religiosa
qualquer.
E é exatamente pelo
desconhecimento espiritual, a que a ausência de fé conduz os seres
incautos, que homens dotados de expressiva inteligência, mas isentos
de sensibilidade espiritual, fizeram legalizar, na Suiça, o suicídio
assistido, que consiste no seguinte: alguém que sofre de um mal
irreversível qualquer solicita o auxílio de um médico, que, então,
lhe prescreve determinado medicamento, em expressiva dosagem, que
lhe permita desencarnar “suavemente” em alguns poucos minutos.
A única condição que a
lei impõe para esse tipo de suicídio é que o próprio paciente
ministre em si mesmo o medicamento letal. Ou seja, o médico deve se
limitar a assistir passivamente a morte lenta e gradual daquele cuja
vida ele deveria preservar. Dados estatísticos demonstram que, em
dez anos dessa prática vergonhosa, o número de suicídios
simplesmente triplicou naquele país, já que pessoas de nações
vizinhas têm se deslocado até a Suiça para se matarem em “grande
estilo”.
Saciedade: A ONU
publicou recentemente um documento em que situou a Suécia (seguida
da Noruega e da Finlândia) como o país que oferece a melhor
qualidade de vida da Terra, já que, por lá, questões como desemprego,
fome e miséria são praticamente inexistentes. Contudo, aqueles três
países registram, na ordem referida, os maiores índices de suicídio
do planeta.
Mas por que razão?
Vejamos: A revista Isto É, edição de 28/01/2004, publicou uma
reportagem bastante interessante sobre uma norueguesa de nome Clara
Karoliussem que, após viver por mais de cinco anos em Santos (SP),
preparava-se para retornar ao seu país de origem, curiosamente,
contra sua vontade, pois afirmava que, no Brasil, ela comemorava
cada vitória, fruto de muito trabalho, o que não ocorria em seu país
de origem, onde, em suas palavras, tudo vêm de mãos beijadas, razão
pela qual não existe a satisfação íntima da conquista.
Pode-se dizer, então,
que as altas taxas de suicídio verificadas naquele país decorrem da
saciedade mal vivenciada de alguém que, tendo conquistado tudo que a
vida pode lhe oferecer, no sentido material, passa a sentir um
desconcertante vazio, decorrente da falta de perspectivas para o
futuro. De fato, a saciedade material, destituída de um certo
respaldo espiritual, é uma das grandes causas do desgosto pela vida.
Ressalte-se que o
Brasil, com tantas mazelas sociais, surge no cenário mundial das
estatísticas do suicídio apenas na 71ª (septuagésima primeira)
posição, certamente em decorrência do profundo sentimento de
religiosidade dos brasileiros.
E a Doutrina Espírita,
na condição de Consolador Prometido por Jesus, nos alerta sobre as
gravíssimas conseqüências do suicídio, no plano espiritual e nas
vidas sucessivas, auxiliando-nos a repelir sugestões infelizes, tão
logo se apresentem em nossa tela mental. Oferece-nos, ainda,
depoimentos mediúnicos dos próprios suicidas, que nos atestam a
grande frustração pela qual passaram ao se defrontarem, no além, com
uma realidade muito mais terrível do que aquela que vivenciavam na
Terra, justamente por terem cometido o grande engano de julgar que,
ao darem fim às suas vidas carnais, estariam, também, eliminando a
inextinguível essência divina que somos todos nós.
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