O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 

Título :
Carta ao Senhor Allan Kardec

Autor:
Carlos Abranches

Fonte:
Livro: O Médium
Publicação da Aliança Espírita de Juiz de Fora

ARTIGOS

     

Enquanto a humanidade comemora os 150 anos do surgimento da Doutrina Espírita, muitos carregam anseios e expectativas para intuir qual o impacto desse formidável conjunto de conceitos no próximo século e meio que virá.

Como estará o planeta? Qual será o nível das relações humanas? Até onde a tecnologia já nos terá levado? Será que a relação entre as realidades material e espiritual terá se tornado mais admissível para a Ciência?

Reuni um grupo de pessoas de todas as faixas etárias, que deveriam cumprir a mesma tarefa: escrever alguma coisa para Allan Kardec. Elas decidiram fazer perguntas, desabafos e agradecimentos. Em pauta, tudo que aconteceu desde o nascimento da Doutrina e os desafios que chegarão, nos próximos anos.

Vejamos:

Juliana (6 anos). Oi, seu Kardec. Acho que 150 anos é muito tempo. O senhor até que está muito bom na foto da capa do livro pra tudo isso. Mas se quiser, eu peço emprestado o aparelho de barbear do meu pai pro senhor tirar esse bigode.

Pedro (8 anos). Senhor Kardec, tem hora que não se fala em outra coisa lá em casa, a não ser você. Acho que é porque o senhor inventou o Espiritismo, não foi?

Amara (8 anos). Seu Kardec, gostei da aula de evangelização do Centro, ontem. Foi sobre vida em outros planetas. Avisei aqui em casa que se for verdade mesmo, quero morar em Júpiter, pra ficar bem longe da minha irmã. Ou então, mandar ela pra Saturno. Aí vou visitá-la com meus pais, sempre que der saudade! Obrigada.

Rúbia (9 anos). Sr. Allan Kardec, outro dia tive de dizer umas coisas na aula de música, por sua causa. Uma menina de outra religião começou a falar que todo mundo tinha de pagar os pecados. Aí, eu falei que na minha religião não tinha isso, não. Ela perguntou qual era a minha religião e o que é que tinha no lugar do pecado. Eu falei que era espírita, e que aprendi que no Espiritismo trocamos a palavra “pecado” por “erro”. Ela zombou de mim. Depois, perguntou por que nós trocamos os nomes sagrados sem perguntar a Deus. Aí, eu disse que a gente prefere falar “erro” porque fica mais fácil de consertar. Eu acho que usar as palavras certas para as coisas é importante, o senhor não acha?

Bruno (14 anos). Pó, Kardec, é muito legal essa forma sua de escrever. Pego O Livro dos Espíritos e vou entendendo tudo, ou acho que não entendo nada, mas no fundo, eu entendo onde você quer chegar. Entendeu?

Ana Carolina (17 anos). Kardec, acho que o Senhor chegou em minha vida na hora certinha. Justamente quando não sabia qual vestibular prestar, como ajudar minha irmã nova a resolver o problema da anorexia, o que falar pro meu namorado, que começou a querer se envolver com as drogas. Viu quanto problema? O pessoal da mocidade tem sido muito legal comigo. Obrigado por me dar a Doutrina de presente, falou?

Patrícia (21 anos). Kardec, acabo de me formar na faculdade. A Doutrina me acompanha desde os 14 anos. De lá para cá, descobri o que queria fazer na vida, compreendi a importância da amizade e do amor, conheci uma pessoa que pode ser o meu companheiro daqui para frente e estou na batalha por um emprego. Quero te agradecer pelo apoio e dizer que estou lendo toda a sua obra, para poder ensinar os meus filhos a enxergar o mundo pelo filtro de suas percepções. Obrigada, por tudo.

Simone (31 anos). Kardec, te conhecer me trouxe sensibilidade, percepção aguçada (sou médium e estudei a fundo O Livro dos Médiuns), delicadeza no trato com os outros e noção exata da importância da figura de Jesus para mim e para a humanidade. Pena que não colaborou o suficiente para meu ex-marido se convencer de que valia a pena continuar com a vida em família. Paciência, nem todos enxergam a existência do mesmo ponto de vista, né. Mesmo assim, te agradeço por tudo e parabéns pelos 150 anos da Doutrina.

Paulo (42 anos). O que dizer, Kardec, de tudo que tenho aprendido por sua causa, ao ler tantas obras e ver que a cultura do mundo já introjetou palavras criadas por ti, para explicar tantos fenômenos da relação entre os mundos material e espiritual? Vejo que vencemos em parte essa batalha. A aceitação é mesmo paulatina. Daqui a 150 anos, pode esperar que estaremos aqui, somando forças ao seu feixe de varas, para comemorar a confirmação de que estaremos pujantes, consolidando as conquistas de um mundo regenerado. Um grande abraço!

Fátima (50 anos). Oi, Kardec. Quando eu nasci, o Espiritismo estava completando um século. Agora, estamos todos mais velhos. Ou melhor, mais experientes, porque acho que estou no auge da maturação de pensamentos e estímulos. Sinto que tenho agido com mais precisão e menos desperdício, e acredito que uma doutrina que tem um século e meio de existência tem tudo para seguir bem, estuante de forças e de transformações progressivas e seguras. Quero colaborar para isso, com tudo que me está ao alcance. Espero que aceite minha modesta contribuição.

Pedro (65 anos). Obrigado, Kardec, pela Doutrina. Dá um alô para os Espíritos que atuaram contigo na Codificação. Esse pessoal é de primeira linha!!!

Edson (80 anos). Kardec, de tudo que nos trouxe com a codificação, quero te agradecer em especial pela importância e respeito que me ensinou a cultivar pela infância. Mesmo já idoso, continuo atuando na evangelização infantil, como há 65 anos. E prossigo aprendendo muito. Obrigado.

Marielza (87 anos). Kardec, minha vida se confunde com a Doutrina. Li as primeiras obras ainda menina, e até agora estou aqui. Obrigada a ti, Mestre, por me aceitar até hoje, e obrigada também a Deus, que na verdade, não deve estar me querendo do lado de lá, porque acho que não desencarno mais!

Kardec, também te agradeço pelos impulsos revolucionários e renovadores que o Espiritismo trouxe pata mim, nesta caminhada.

Obrigado pela confirmação da existência de Deus, pelas explicações acerca da imortalidade da alma, da comunicabilidade entre as realidades material e espiritual, através da mediunidade, da pluralidade dos mundos habitados, da reencarnação e de tantos outros pressupostos que se tornaram fundamentais em minha vida.

Até daqui a 150 anos, Senhor. Estaremos lá para celebrar a vitória do bem, na vivência plena da religião cósmica do amor. Um grande abraço.