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Enquanto a humanidade comemora os 150 anos do surgimento da Doutrina
Espírita, muitos carregam anseios e expectativas para intuir qual o
impacto desse formidável conjunto de conceitos no próximo século e
meio que virá.
Como
estará o planeta? Qual será o nível das relações humanas? Até onde a
tecnologia já nos terá levado? Será que a relação entre as realidades
material e espiritual terá se tornado mais admissível para a Ciência?
Reuni
um grupo de pessoas de todas as faixas etárias, que deveriam cumprir a
mesma tarefa: escrever alguma coisa para Allan Kardec. Elas decidiram
fazer perguntas, desabafos e agradecimentos. Em pauta, tudo que
aconteceu desde o nascimento da Doutrina e os desafios que chegarão,
nos próximos anos.
Vejamos:
Juliana (6 anos). Oi, seu Kardec. Acho que 150 anos é muito tempo. O
senhor até que está muito bom na foto da capa do livro pra tudo isso.
Mas se quiser, eu peço emprestado o aparelho de barbear do meu pai pro
senhor tirar esse bigode.
Pedro
(8 anos). Senhor Kardec, tem hora que não se fala em outra coisa lá em
casa, a não ser você. Acho que é porque o senhor inventou o
Espiritismo, não foi?
Amara
(8 anos). Seu Kardec, gostei da aula de evangelização do Centro,
ontem. Foi sobre vida em outros planetas. Avisei aqui em casa que se
for verdade mesmo, quero morar em Júpiter, pra ficar bem longe da
minha irmã. Ou então, mandar ela pra Saturno. Aí vou visitá-la com
meus pais, sempre que der saudade! Obrigada.
Rúbia
(9 anos). Sr. Allan Kardec, outro dia tive de dizer umas coisas na
aula de música, por sua causa. Uma menina de outra religião começou a
falar que todo mundo tinha de pagar os pecados. Aí, eu falei que na
minha religião não tinha isso, não. Ela perguntou qual era a minha
religião e o que é que tinha no lugar do pecado. Eu falei que era
espírita, e que aprendi que no Espiritismo trocamos a palavra “pecado”
por “erro”. Ela zombou de mim. Depois, perguntou por que nós trocamos
os nomes sagrados sem perguntar a Deus. Aí, eu disse que a gente
prefere falar “erro” porque fica mais fácil de consertar. Eu acho que
usar as palavras certas para as coisas é importante, o senhor não
acha?
Bruno
(14 anos). Pó, Kardec, é muito legal essa forma sua de escrever. Pego
O Livro dos Espíritos e vou entendendo tudo, ou acho que não entendo
nada, mas no fundo, eu entendo onde você quer chegar. Entendeu?
Ana
Carolina (17 anos). Kardec, acho que o Senhor chegou em minha vida na
hora certinha. Justamente quando não sabia qual vestibular prestar,
como ajudar minha irmã nova a resolver o problema da anorexia, o que
falar pro meu namorado, que começou a querer se envolver com as
drogas. Viu quanto problema? O pessoal da mocidade tem sido muito
legal comigo. Obrigado por me dar a Doutrina de presente, falou?
Patrícia (21 anos). Kardec, acabo de me formar na faculdade. A
Doutrina me acompanha desde os 14 anos. De lá para cá, descobri o que
queria fazer na vida, compreendi a importância da amizade e do amor,
conheci uma pessoa que pode ser o meu companheiro daqui para frente e
estou na batalha por um emprego. Quero te agradecer pelo apoio e dizer
que estou lendo toda a sua obra, para poder ensinar os meus filhos a
enxergar o mundo pelo filtro de suas percepções. Obrigada, por tudo.
Simone (31 anos). Kardec, te conhecer me trouxe sensibilidade,
percepção aguçada (sou médium e estudei a fundo O Livro dos Médiuns),
delicadeza no trato com os outros e noção exata da importância da
figura de Jesus para mim e para a humanidade. Pena que não colaborou o
suficiente para meu ex-marido se convencer de que valia a pena
continuar com a vida em família. Paciência, nem todos enxergam a
existência do mesmo ponto de vista, né. Mesmo assim, te agradeço por
tudo e parabéns pelos 150 anos da Doutrina.
Paulo
(42 anos). O que dizer, Kardec, de tudo que tenho aprendido por sua
causa, ao ler tantas obras e ver que a cultura do mundo já introjetou
palavras criadas por ti, para explicar tantos fenômenos da relação
entre os mundos material e espiritual? Vejo que vencemos em parte essa
batalha. A aceitação é mesmo paulatina. Daqui a 150 anos, pode esperar
que estaremos aqui, somando forças ao seu feixe de varas, para
comemorar a confirmação de que estaremos pujantes, consolidando as
conquistas de um mundo regenerado. Um grande abraço!
Fátima (50 anos). Oi, Kardec. Quando eu nasci, o Espiritismo estava
completando um século. Agora, estamos todos mais velhos. Ou melhor,
mais experientes, porque acho que estou no auge da maturação de
pensamentos e estímulos. Sinto que tenho agido com mais precisão e
menos desperdício, e acredito que uma doutrina que tem um século e
meio de existência tem tudo para seguir bem, estuante de forças e de
transformações progressivas e seguras. Quero colaborar para isso, com
tudo que me está ao alcance. Espero que aceite minha modesta
contribuição.
Pedro
(65 anos). Obrigado, Kardec, pela Doutrina. Dá um alô para os
Espíritos que atuaram contigo na Codificação. Esse pessoal é de
primeira linha!!!
Edson
(80 anos). Kardec, de tudo que nos trouxe com a codificação, quero te
agradecer em especial pela importância e respeito que me ensinou a
cultivar pela infância. Mesmo já idoso, continuo atuando na
evangelização infantil, como há 65 anos. E prossigo aprendendo muito.
Obrigado.
Marielza (87 anos). Kardec, minha vida se confunde com a Doutrina. Li
as primeiras obras ainda menina, e até agora estou aqui. Obrigada a
ti, Mestre, por me aceitar até hoje, e obrigada também a Deus, que na
verdade, não deve estar me querendo do lado de lá, porque acho que não
desencarno mais!
Kardec, também te agradeço pelos impulsos revolucionários e
renovadores que o Espiritismo trouxe pata mim, nesta caminhada.
Obrigado pela confirmação da existência de Deus, pelas explicações
acerca da imortalidade da alma, da comunicabilidade entre as
realidades material e espiritual, através da mediunidade, da
pluralidade dos mundos habitados, da reencarnação e de tantos outros
pressupostos que se tornaram fundamentais em minha vida.
Até
daqui a 150 anos, Senhor. Estaremos lá para celebrar a vitória do bem,
na vivência plena da religião cósmica do amor. Um grande abraço.
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