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O
homem vive em sociedade e, assim, não pode ignorar a existência dos
seus semelhantes, com os quais precisa se relacionar, estabelecendo até
mesmo graus de independência. O isolamento de tudo e de todos,
provoca a estagnação e não favorece o crescimento espiritual, o
progresso, para o qual fomos criados.
Para
a vida feliz em sociedade, Jesus nos ensinou a regra áurea: Amar a
Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.
A
caridade é, justamente, um dos caminhos seguros para concretizarmos o
amor ao próximo e sermos felizes, visto que a caridade é a virtude
que acende dentro de nós a chama da redenção espiritual. Quem
exercita a caridade, com sinceridade, sem nenhum interesse em receber
retribuições, coloca-se na posição de quem consegue amar o seu
semelhante. Na verdadeira caridade, o homem pensa no bem-estar dos
outros antes de pensar em si próprio, o que aniquila o egoísmo, que
é a mãe de todos os vícios.
Há
dois tipos básicos de caridade: a caridade material e a caridade
moral. A caridade material é fundamental e necessária para socorrer
os que precisam, principalmente os que se encontram na pobreza
extrema, no limiar da miséria, mas nem todos podem praticá-la,
porque nem todos dispõem de recursos materiais suficientes para
ajudar aos seus semelhantes. A propósito, vamos esclarecer que Esmola
e Caridade nem sempre são sinônimos, pois, às vezes, a esmola pode
se tornar humilhante e, nestas condições, a caridade material
esmaece o seu brilho.
Já
a caridade moral todos podem e devem praticá-la, sejam ricos ou
pobres, porque nada de material custa. No entanto, a caridade moral é
muito mais difícil de ser executada, porque exige renúncia e doação
espiritual. Allan Kardec nos fala da caridade moral no livro O
Evangelho Segundo o Espiritismo (Cap. XIII).
Convém notar que a prática da caridade moral não quer dizer
que estejamos desobrigados do exercício da caridade material, porque
ambas são necessárias e se complementam como expressão sublime do
amor. Aqueles que passam por duras provações, atingidos pelas desgraças
do cotidiano ( na realidade, conseqüências dos desatinos do passado
) e, por exemplo, sofrem fome e frio, primeiramente precisam ser
alimentados e aquecidos materialmente, para em seguida receberem o
alimento e o calor espirituais.
Mas,
em que consiste a caridade moral? A caridade moral consiste em
aceitarmos as pessoas como elas são e não como gostaríamos que elas
fossem. Daí resulta que há uma infinidade de formas para praticarmos
a caridade moral.
A
caridade moral consiste, por exemplo, em as pessoas se suportarem, se
tolerarem umas às outras, relevando os seus defeitos. Não se trata
de aprovar as atitudes erradas e infelizes dos nossos semelhantes, mas
entender que todos somos Irmãos em processo evolutivo e, assim sendo,
todos apresentamos imperfeições e carecemos de compreensão.
Podemos
exercitar a caridade moral por pensamentos, orando em benefício dos
nossos semelhantes sofredores e infelizes; por palavras ofertando bons
conselhos, boas orientações, através de uma conversa amena, que
conforta e enxuga as lágrimas de irmãos aflitos; e por ações, não
dando atenção ao mau proceder de outrem, evitando ressaltar seus
erros, procurando não ver o sorriso de desdém com que algumas
pessoas possam nos receber, julgando-se superiores a nós e
tornando-nos surdos às palavras grosseiras, irônicas, de escárnio
ou de zombaria, lançadas em nossa direção.
A
caridade moral consiste em não tratar com desprezo nenhum dos nossos
semelhantes, mesmo porque ao repelirmos hoje um pobre, um mendigo, um
chagoso ou um aleijado, pode ser que estejamos repelindo um Espírito
que outrora, em outras vidas, nos foi muito caro, como um pai, um
filho, um irmão, uma mãe, um amigo, visto que eles não estão
atravessados no nosso caminho à toa, por acaso.
Portanto,
a maior caridade moral, que podemos praticar, é o controle das nossas
próprias imperfeições e más tendências, e o exemplo que possamos
dar de dignidade, honestidade, humildade, perdão, compreensão, tolerância
e, acima de tudo, de muito amor, puro e sublime, para com todos os
nossos semelhantes, indistintamente. Em assim fazendo, começaremos a
nos sentir mais felizes, apesar das dificuldades do caminho.
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