O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
Caridade Moral

Autor:
Nelson Oliveira e Souza
Presidente do CETJ

Fonte:
O Mensageiro

ARTIGOS

  

O homem vive em sociedade e, assim, não pode ignorar a existência dos seus semelhantes, com os quais precisa se relacionar, estabelecendo até mesmo graus de independência. O isolamento de tudo e de todos, provoca a estagnação e não favorece o crescimento espiritual, o progresso, para o qual fomos criados.

Para a vida feliz em sociedade, Jesus nos ensinou a regra áurea: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

A caridade é, justamente, um dos caminhos seguros para concretizarmos o amor ao próximo e sermos felizes, visto que a caridade é a virtude que acende dentro de nós a chama da redenção espiritual. Quem exercita a caridade, com sinceridade, sem nenhum interesse em receber retribuições, coloca-se na posição de quem consegue amar o seu semelhante. Na verdadeira caridade, o homem pensa no bem-estar dos outros antes de pensar em si próprio, o que aniquila o egoísmo, que é a mãe de todos os vícios.

Há dois tipos básicos de caridade: a caridade material e a caridade moral. A caridade material é fundamental e necessária para socorrer os que precisam, principalmente os que se encontram na pobreza extrema, no limiar da miséria, mas nem todos podem praticá-la, porque nem todos dispõem de recursos materiais suficientes para ajudar aos seus semelhantes. A propósito, vamos esclarecer que Esmola e Caridade nem sempre são sinônimos, pois, às vezes, a esmola pode se tornar humilhante e, nestas condições, a caridade material esmaece o seu brilho.

Já a caridade moral todos podem e devem praticá-la, sejam ricos ou pobres, porque nada de material custa. No entanto, a caridade moral é muito mais difícil de ser executada, porque exige renúncia e doação espiritual. Allan Kardec nos fala da caridade moral no livro O Evangelho Segundo o Espiritismo (Cap. XIII).  Convém notar que a prática da caridade moral não quer dizer que estejamos desobrigados do exercício da caridade material, porque ambas são necessárias e se complementam como expressão sublime do amor. Aqueles que passam por duras provações, atingidos pelas desgraças do cotidiano ( na realidade, conseqüências dos desatinos do passado ) e, por exemplo, sofrem fome e frio, primeiramente precisam ser alimentados e aquecidos materialmente, para em seguida receberem o alimento e o calor espirituais.

Mas, em que consiste a caridade moral? A caridade moral consiste em aceitarmos as pessoas como elas são e não como gostaríamos que elas fossem. Daí resulta que há uma infinidade de formas para praticarmos a caridade moral.

A caridade moral consiste, por exemplo, em as pessoas se suportarem, se tolerarem umas às outras, relevando os seus defeitos. Não se trata de aprovar as atitudes erradas e infelizes dos nossos semelhantes, mas entender que todos somos Irmãos em processo evolutivo e, assim sendo, todos apresentamos imperfeições e carecemos de compreensão.

Podemos exercitar a caridade moral por pensamentos, orando em benefício dos nossos semelhantes sofredores e infelizes; por palavras ofertando bons conselhos, boas orientações, através de uma conversa amena, que conforta e enxuga as lágrimas de irmãos aflitos; e por ações, não dando atenção ao mau proceder de outrem, evitando ressaltar seus erros, procurando não ver o sorriso de desdém com que algumas pessoas possam nos receber, julgando-se superiores a nós e tornando-nos surdos às palavras grosseiras, irônicas, de escárnio ou de zombaria, lançadas em nossa direção.

A caridade moral consiste em não tratar com desprezo nenhum dos nossos semelhantes, mesmo porque ao repelirmos hoje um pobre, um mendigo, um chagoso ou um aleijado, pode ser que estejamos repelindo um Espírito que outrora, em outras vidas, nos foi muito caro, como um pai, um filho, um irmão, uma mãe, um amigo, visto que eles não estão atravessados no nosso caminho à toa, por acaso.

Portanto, a maior caridade moral, que podemos praticar, é o controle das nossas próprias imperfeições e más tendências, e o exemplo que possamos dar de dignidade, honestidade, humildade, perdão, compreensão, tolerância e, acima de tudo, de muito amor, puro e sublime, para com todos os nossos semelhantes, indistintamente. Em assim fazendo, começaremos a nos sentir mais felizes, apesar das dificuldades do caminho.