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“... o entusiasmo não esclarece, ofusca.” Allan Kardec, Cap.III
,item 28, Livro dos Médiuns
Um
dos maiores indícios de indolência percebida em muitos adeptos
espíritas repletos de “boa vontade” e prenhes de bom senso é o da
prática mediúnica de “ouvir dizer”. Desconhecedores da mecânica do
Fenômeno Medianímico e da real proposta da medianimidade aos moldes
kardecianos, dirigentes e dirigidos se unem em práticas obsoletas e
arriscadas envoltas em crendices e aceitação frente às orientações de
supostos “guias”.
“Esta espécie de adeptos é mais nociva do que útil à causa do
Espiritismo.” (idem)
Muitas vezes, por conta do fanatismo bem intencionado, Distúrbios do
Comportamento, com quadros de alucinações visuais e auditivas, são
rotulados de “manifestações mediúnicas”. Estudassem mais profundamente
algumas obras subsidiárias que abordam tais assuntos, ou procurassem
confrades mais gabaritados a esse respeito, dirigentes e dirigidos não
sobrecarregariam muitos benfeitores, encarnados e desencarnados
evitando, com isso, as obsessões pessoais e coletivas que também
superlotam os consultórios médicos e psicológicos.
Assim, temos visto pessoas verborréicas e ansiosas tidas como “psicofônicas”,
anêmicas cridas “sonambúlicas”, trêmulas rotuladas de “psicógrafas” e
muitos imaturos, desorientados, emocionalmente inconstantes colocados
para “desenvolverem mediunidade” engrossando a fileira dos obsedados,
angustiados e futuros doentes do corpo e da alma.
“Pode um cego, guiar outro cego, não cairão ambos na cova?” Jesus.
Quem
desejar amadurecer a mediunidade, educando-a aos moldes kardecianos,
evite os que só possuem “boa vontade”, os rastreadores de
“características mediúnicas” e as orientações impositivas de “guias” e
dirigentes. O principal adjetivo para qualquer bom serviço é a
competência e, só mais adiante, a boa vontade.
.Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, traça um roteiro seguro para a
teoria e a prática medianímica pautado no bom senso, na opção pessoal
de exercer ou não a mediunidade, responsabilizando-se o adepto pelo
auxílio gratuito e desinteressado.
A
prática mediúnica, em sua essência, não possui efeito colateral. Não
requer misticismos e xamanismo (evocações de guias) e somente após um
criterioso estudo,de tempo indeterminado,deve o candidato participar
da reunião de esclarecimento e reeducação(reunião mediúnica).
Reeducação ante seu próprio passado, haja vista que os temidos
“obsessores”constantemente são comparsas e paixões do próprio “médium
de incorporação”, descrição equivocada, pois o intercâmbio mediúnico é
mente a mente.
“A
aquisição de qualquer ciência (conhecimento) exige tempo de estudo”.
Item 13, LM
Afeiçoando-se a disciplina equilibrada, geralmente no que tange ao
período (às vezes dias que antecedem a reunião) e o entendimento de
que, para fins proveitosos, o corpo de trabalhadores deve primar pela
camaradagem e o respeito mútuo, sem autoritarismos, estrelismos,
achismos e todas essas brechas que facilitam o ataque dos servidores
da maldade, uma reunião de esclarecimento mediúnico pode ser bem
direcionada com sinceros princípios espiritistas cristãos.
Conhecendo a si mesmo, reciclando seus conhecimentos, compreendendo os
mecanismos perispiríticos dos fenômenos de comunicação e, se possível,
realizar o que Eurípedes Barsanulpho ensinava, ou seja, antes de
“tratar” do doente espiritual, pernoitar e prestar assistência física
e moral a um doente encarnado, em plantão de renúncia, gabarita-se o
sensitivo candidato a médium cristão, se tornar “Carta Viva”.
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