O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 

Título :
Do Estudo e da Prática Mediúnica

Autor:
Luiz Cláudio de Pinho

Fonte:
O Mensageiro

ARTIGOS

     

“... o entusiasmo não esclarece, ofusca.” Allan Kardec, Cap.III ,item 28,  Livro dos Médiuns

Um dos maiores indícios de indolência percebida em muitos adeptos espíritas repletos de “boa vontade” e prenhes de bom senso é o da prática mediúnica de “ouvir dizer”. Desconhecedores da mecânica do Fenômeno Medianímico e da real proposta da medianimidade aos moldes kardecianos, dirigentes e dirigidos se unem em práticas obsoletas e arriscadas envoltas em crendices e aceitação frente às orientações de supostos “guias”.

“Esta espécie de adeptos é mais nociva do que útil à causa do Espiritismo.” (idem)

Muitas vezes, por conta do fanatismo bem intencionado, Distúrbios do Comportamento, com quadros de alucinações visuais e auditivas, são rotulados de “manifestações mediúnicas”. Estudassem mais profundamente algumas obras subsidiárias que abordam tais assuntos, ou procurassem confrades mais gabaritados a esse respeito, dirigentes e dirigidos não sobrecarregariam muitos benfeitores, encarnados e desencarnados evitando, com isso, as obsessões pessoais e coletivas que também superlotam os consultórios médicos e psicológicos.

Assim, temos visto pessoas verborréicas e ansiosas tidas como “psicofônicas”, anêmicas cridas “sonambúlicas”, trêmulas rotuladas de “psicógrafas” e muitos imaturos, desorientados, emocionalmente inconstantes colocados para “desenvolverem mediunidade” engrossando a fileira dos obsedados, angustiados e futuros doentes do corpo e da alma.

“Pode um cego, guiar outro cego, não cairão ambos na cova?” Jesus.

Quem desejar amadurecer a mediunidade, educando-a aos moldes kardecianos, evite os que só possuem “boa vontade”, os rastreadores de “características mediúnicas” e as orientações impositivas de “guias” e dirigentes. O principal adjetivo para qualquer bom serviço é a competência e, só mais adiante, a boa vontade.

.Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, traça um roteiro seguro para a teoria e a prática medianímica pautado no bom senso, na opção pessoal de exercer ou não a mediunidade, responsabilizando-se o adepto pelo auxílio gratuito e desinteressado.

A prática mediúnica, em sua essência, não possui efeito colateral. Não requer misticismos e xamanismo (evocações de guias) e somente após um criterioso estudo,de tempo indeterminado,deve o candidato participar da reunião de esclarecimento e reeducação(reunião mediúnica). Reeducação ante seu próprio passado, haja vista que os temidos “obsessores”constantemente são comparsas e paixões do próprio “médium de incorporação”, descrição equivocada, pois o intercâmbio mediúnico é mente a mente.

“A aquisição de qualquer ciência (conhecimento) exige tempo de estudo”. Item 13, LM

Afeiçoando-se a disciplina equilibrada, geralmente no que tange ao período (às vezes dias que antecedem a reunião) e o entendimento de que, para fins proveitosos, o corpo de trabalhadores deve primar pela camaradagem e o respeito mútuo, sem autoritarismos, estrelismos, achismos e todas essas brechas que facilitam o ataque dos servidores da maldade, uma reunião de esclarecimento mediúnico pode ser bem direcionada com sinceros princípios espiritistas cristãos.

Conhecendo a si mesmo, reciclando seus conhecimentos, compreendendo os mecanismos perispiríticos dos fenômenos de comunicação e, se possível, realizar o que Eurípedes Barsanulpho ensinava, ou seja, antes de “tratar” do doente espiritual, pernoitar e prestar assistência física e moral a um doente encarnado, em plantão de renúncia, gabarita-se o sensitivo candidato a médium cristão, se tornar “Carta Viva”.