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“Cada célula é um
pequeno ser sensitivo.” - Deepak Chopra.
“Estai de sobreaviso, vigiai e orai; porque não sabeis quando será o
tempo.” - Jesus.
Uma psicosfera
pestífera grassa em torno do orbe terreno, contaminando sobejamente
os incautos das leis divinas, nada obstante os esforços hercúleos
dos benfeitores da Humanidade em favor do progresso ético-moral e
científico-tecnológico.
A conduta reprochável
do ser humano ao largo da história o conduz a um labirinto de
lágrimas e sofrimentos. A violência, a sexolatria, a drogadição, a
corrupção, o hedonismo... um séquito de hediondos facínoras morais
retêm o espírito imortal no mundo sombrio. E como conseqüências
surgem os graves problemas obsessivos.
Configura-se a
obsessão nas lúcidas palavras de Suelly Caldas Schubert “toda vez
que alguém, encarnado ou desencarnado, exercer sobre outrem
constrição mental negativa - por um motivo qualquer - através de
simples sugestão, indução ou coação, com o objetivo de domínio -
processo esse que se repete continuamente, na Terra ou no Plano
Espiritual inferior.”
Ainda sob a égide
dessa magnífica autora, elenca-se a obsessão da seguinte maneira:
1. Encarnado para
encarnado
É comum esse tipo de
obsessão, haja vista a instabilidade emocional e psicológica dos
seres humanos.
Normalmente, constitui
uma obsessão sub-reptícia e a pessoa que sofre a ação sente-se
muitas vezes protegida. Mas não percebe que “esse amor se torna
tiranizante, demasiadamente possessivo, tolhendo e sufocando a
liberdade do outro”. Ocorre sobejamente no cadinho doméstico na
figura do marido que vive cerceando a esposa; ou esta que impõe seus
caprichos ao companheiro; os pais, inseguros, que governam os filhos
e impedem-lhes quaisquer iniciativas; é o amigo que pela sua força
mental, seu poder de persuasão consegue dominar a vontade do outro.
2. Desencarnado para
desencarnado
Ao adentrarmos a vida
nova, após o desencarne, levaremos conosco todas as nossas
idiossincrasias. Se positivas, essas virtudes concorrerão em nosso
favor ensejando-nos companhias agradáveis de espíritos nobres. Mas,
se negativas, teremos dificuldades em alçar vôos mais altos e
atrairemos para junto de nós os espíritos que se coadunam com os
nossos vícios, com as nossas fixações mentais negativas. “Os homens
são os mesmos: carregam os seus vícios e paixões, as suas conquistas
e experiências onde quer que estejam”.
Devido aos nossos
desajustes morais e psíquicos e, se descuramos da reforma íntima e
da prece como um recurso de proteção e paz, podemos sofrer no
além-túmulo o jugo dos obsessores que só podem nos atingir devido
aos nossos desajustes, notadamente devido a fraqueza mental.
Esses asseclas do mal
são capazes de criar regiões astrais de baixíssimo padrão vibratório
para as suas vinganças e perseguições cruéis a outros espíritos
desavisados ou a encarnados que se mergulham em vícios materiais e
morais.
3. De encarnado para
desencarnado
Trata-se de um tipo
muito comum de obsessão, mormente devido ao despreparo de muitos de
nós diante do desencarne. Quando um ente querido adentra o mundo dos
espíritos, nós que ainda estamos na matéria densa nos revoltamos
contra o Criador, somos tomados por sentimentos de dor, remorso
entre outros. E essas matérias mentais negativas acabam por
atormentar aqueles que já partiram. Muitas vezes eles entram em
desequilíbrio devido ao nosso “amor” egoísta e possessivo. Ficamos
inconformados e desesperados.
Toda essa onda mental
atinge aqueles que partiram antes de nós e muitas vezes eles
sentem-se também desesperados por se verem incapazes de dizer que a
vida continua, que estão bem e que torcem para a nossa vitória
moral.
Suely Caldas Schubert
destaca também que a insatisfação dos herdeiros com a partilha dos
bens determinada pelo morto faz com que o rancor, a raiva, a revolta
e vários outros sentimentos negativos atinjam-no. E ele nada pode
fazer a não ser lamentar as lutas ferozes por mais bens materiais
daqueles que ficaram na matéria.
4. De desencarnado
para encarnado
Muitos espíritos que
desconhecem sua situação de desencarnados acabam, sem o quererem,
por influenciar os que estão encarnados. Mas há a situação de
perseguição e de vingança conscientes. Os desencarnados têm vantagem
por não serem vistos facilmente, não estarem na matéria e,
outrossim, saberem das nossas imperfeições morais que muitas vezes
ocultamos para os encarnados, mas que são impossíveis de serem
ocultadas para a multidão de espíritos que nos cercam. É por esta
razão que eles sabem as nossas fraquezas morais a agem sobre elas,
para verem a nossa queda.
É o álcool, a droga, o
sexo, algumas doenças psíquicas, a indução ao suicídio e tantas
outras atuações que muitas vezes não percebemos e julgamos serem os
nossos pensamentos.
5. Obsessão recíproca
“Essa característica
de reciprocidade transforma-se em verdadeira simbiose, quando dois
seres passam a viver em regime de comunhão de pensamentos e
vibrações. Isto ocorre até mesmo entre os encarnados que se unem
através do amor desequilibrado, mantendo um relacionamento
enervante.”
Trata-se de uma
simbiose. Obsessor-vítima estão jungidos. Necessitam-se, porque
criaram liames desarmônicos. O conúbio infeliz oriundo da força
mental negativa ou de comportamentos infelizes prossegue não somente
no campo físico. Mas, também, no momento do sono físico, quando o
espírito liberto da matéria densa continua a agir do mesmo modo.
6. A auto-obsessão
É um tipo de obsessão
muito comum na sociedade hodierna. São pessoas que criam doenças
fantasmas. Cuidam excessivamente do corpo, vivem para o culto da
forma, enveredam-se pelo mundo da vigorexia, anorexia, bulimia,
utilizam substâncias anabólicas entre outros meios. Ou ainda,
descuidam do veículo carnal, afirmam que o importante é o espírito e
que, por isso mesmo, devem imolar o corpo. Criam doenças fantasmas
que nenhum esculápio consegue solucionar. “Sofrem por antecipação
situações que jamais chegarão a se realizar, flagelando-se com o
ciúme, a inveja, o egoísmo, o orgulho, o despotismo e transformam-se
em (...) vítimas de si próprios.”
Como tratar a
obsessão?
- Aprender a orar:
formular preces com sentimento, com fé! Realizar, ao menos uma vez
por semana, o culto do evangelho no lar.
- Reforma interior:
criar meios de sair dos vícios, esforçar-se, trabalhar em prol de si
mesmo e do semelhante com a certeza de dias melhores. A reforma
moral é uma tarefa não só da pessoa que passa por um processo
obsessivo, mas para todos nós, espíritas ou não. A caridade é a
melhor terapia. E devemos envidar todos os esforços para nos
melhorarmos e seguirmos as pegadas do mestre de Nazaré.
- A força de vontade e
a ação mental: alargam-se os estudos no campo da neurociência sobre
o poder mental, particularmente a vontade interior do ser humano. A
vontade de melhorar-se, que é filha da mente disciplinada no bem,
faz com que o indivíduo mobilize as células espirituais e materiais
para melhor e crie recursos que (conforme a vontade de Deus) farão
com que a cura se estabeleça ou não. Não era sem sentido que Jesus
sabiamente asseverava: “Tua fé o curou!”.
“Pelo pensamento
desceremos aos abismos ou chegaremos às estrelas. Pelo pensamento
nós nos tornamos escravos ou nos libertamos.”
- Esclarecimento do
obsidiado: o obsidiado de hoje é o algoz do passado. Deste modo, ele
necessita entender que a sua situação é um reflexo de um passado e
também de suas atitudes do presente. Deste modo, torna-se
imprescindível alertá-lo sobre a sua participação no processo de
libertação. Ele será o protagonista desse processo. Oferecer-lhe
esperança de dias melhores, apresenta-lhe uma proposta de alegria de
viver e, paulatinamente, mostrar-lhe que por meio da reforma
interior, pela mudança comportamental, ele logrará êxito.
- A fluidoterapia:
realizada nas casas espíritas, a fluidoterapia é uma ferramenta
importantíssima nesse processo. Como o próprio nome indica é a
terapia por meio do fluido. E o maior e mais relevante fluido de
qualquer ser humano é o amor. O médium passista no momento em que
realiza o passe está com o amparo e a proteção dos mentores
espirituais, para a eficaz doação do amor. E “o amor cobre a
multidão de pecados”, o amor transforma para o bem, o amor enseja a
paz.
- A família: faz-se
mister a participação familiar no processo de reequilíbrio do
indivíduo que sofre obsessão. Devem-se eliminar as brigas,
desavenças no lar; realizar o culto do evangelho no lar; participar
de atividades assistenciais; buscar a reforma interior; criar
hábitos edificantes, salutares.
Para saber mais:
- Leia as obras de
Manoel Philomeno de Miranda (espírito), psicografadas pelo médium
Divaldo Pereira Franco. Tratam-se de obras notáveis e que muito nos
esclarecem acerca da obsessão.
- O livro
Obsessão/Desobsessão - Profilaxia e Terapêutica Espíritas, de Suely
Caldas Schubert, também apresenta-nos importantes conhecimentos
acerca da temática.
- Toda a série
Nosso Lar, do espírito André Luiz é de conteúdo ímpar. Notadamente a
obra Libertação trata de maneira interessante sobre os processos
obsessivos.
- A obra notável A
obsessão: instalação e cura. Organizada por Adilton Pugliese,
baseada nas obras de Manoel Philomeno de Miranda.
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