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“....a alma se desprende gradualmente e não escapa como um pássaro
cativo subitamente libertado. Esses dois estados se tocam e se
confundem de maneira que o Espírito se desprende pouco a pouco dos
laços que o retinham no corpo físico: eles se desatam, não se
quebram.”
Allan Kardec
A morte tão temida e abominada, é um fenômeno que todos vivenciarão,
sem saber quando ou como. Raramente se está preparado para
enfrentá-la, (principalmente na civilização ocidental, em que tal tema
é cercado de misticismo), e as perdas que ela provoca são sofridas e
difíceis de aceitar. O medo da morte, dentre outros motivos, tem
origem no desconhecimento do fenômeno em si, de como se processa e com
o que acontece depois (será realmente o fim ?).
Para o espírita, a morte
não é o fim, mas a continuação da vida em uma nova realidade, o
renascer para a espiritualidade. A morte consiste na passagem de uma
dimensão vibratória mais densa para outra mais sutil, isto é, o
término de uma etapa da jornada evolutiva - vida material, e o
despertar para a verdadeira vida - a espiritual . “A morte é somente
uma experiência de desvestir uma para assumir outra indumentária,
entretanto prosseguindo na vida”. Quando a vida material se extingue,
os elos que unem o corpo espiritual - perispírito, ao corpo físico se
desvencilham, libertando o espírito juntamente com seu perispírito
para a realidade espiritual. O tempo de desprendimento destes laços,
varia de acordo com a evolução do ser, quanto mais espiritualizado
mais rápido se faz o desenlace. “A causa principal da maior ou menor
facilidade de desprendimento é o estado moral da alma. A afinidade
entre corpo e o perispírito é proporcional ao apego à matéria.....”.
Por conseguinte, aquele que supervaloriza os bens materiais e tudo que
diz respeito à matéria, em detrimento dos valores espirituais, leva
mais tempo para se desligar do corpo físico.
Ainda em relação a
transição da vida material para à espiritual, convém destacar o
fenômeno da perturbação, que quase sempre ocorre concomitante ou após
o rompimento dos laços perispirituais. Geralmente esta perturbação,
tal qual sono reparador, acontece no momento da morte, e também tem
duração variada - horas, dias meses e até anos, segundo o grau
evolutivo do espírito. Existem variáveis como a índole do ser, a
dimensão psíquica que vivencia, o tipo de morte (suicídios, acidentes,
doenças etc.) e o tipo de vida que levou, que influenciam de modo
direto na modalidade e no tempo de duração da perturbação. Cabe aqui
ressaltar a infeliz situação dos suicidas, que ao interromper a vida
material de forma intempestiva, se vêem presos ao corpo por um longo
período, vivenciando na maioria das vezes, a decomposição do seu corpo
material. Em outros casos de mortes violentas ou súbitas (acidentes,
crimes etc.), pode acontecer do espírito não perceber o seu passamento,
acreditar-se ainda vivo, confundindo seu perispírito com seu corpo
material. Tal confusão, provoca um aturdimento ao espírito, e pode
levar algum tempo até que este tome consciência da realidade. Assim,
inúmeras são as modalidades de perturbação espiritual variando sempre
de acordo com o progresso moral e o conhecimento adquirido pelo
espírito em sua existência terrena. Portanto, não há dois processos
desencarnatórios idênticos, cada ser morre e acorda na outra vida
conforme viveu, pensou e agiu. A morte não faz milagres no
comportamento de ninguém, o ser despoja-se da matéria,mas não de suas
idiossincrasias, pensamentos e vícios.
O despertar, a retomada
da consciência, também está sujeito às variações determinadas pelo
merecimento do ser. “Desperta-se, porém, na realidade do além túmulo,
na dimensão psíquica onde se esteve durante o trânsito carnal.” Todo
ser está em sintonia com as faixas vibratórias correspondentes aos
padrões mentais fixados durante a sua existência física. Desta forma,
ao despertar no outro lado da vida, estará no meio psíquico afim. Pode
ser recebido por espíritos familiares e amigos que o antecederam na
viagem, bem como por antigos comparsas, desafetos, ou credores ávidos
por justiça. Sempre sob a supervisão fraterna de seu espírito-guia -
mesmo que a diferença vibratória impeça que o desencarnado enxergue
seu protetor - o espírito retoma a consciência, muitas vezes seguida
da “visão panorâmica” - todos os acontecimentos da vida são
visualizados rapidamente como numa tela panorâmica. A realidade nua e
crua se descortina perante o recém chegado, ele se vê como realmente
é, sem máscaras ou fantasias. A névoa da ilusão desaparece, fazendo
emergir a verdade que nem sempre é fácil de enfrentar. A análise de
seus atos perante sua consciência o faz sofrer ou não, de acordo com o
seu merecimento. “A consciência é departamento do espírito, na qual
estão escritos os deveres do ser humano em relação a si mesmo, ao seu
próximo e a Deus”. Sob a égide de seu espírito-guia avalia a vida que
levou pela consciência desperta e lúcida. Reflete com discernimento
sobre o programado (antes de reencarnar), e o realizado durante a sua
existência física. Na maioria das vezes o remorso se faz presente,
trazendo dor e constrangimento. O auxílio vigoroso e carinhoso do
protetor pode amenizar o padecimento moral do espírito devedor perante
as Leis Soberanas, sem, no entanto, fazê-lo ignorar as
responsabilidades intrínsecas às ações impróprias cometidas, como
pelas atitudes que deveriam e não foram tomadas. Aqueles que burlaram
de modo significativo as leis do equilíbrio, conseqüentemente sofrem
um estado de intensa perturbação, com o remorso que advém da cobrança
implacável da consciência. Muitas vezes se refugiam na hibernação, a
fim de postergar o enfrentamento da dura realidade, que não tardarão a
encarar. Seus mentores, conhecedores da eficácia da lei de Causa e
Efeito, esperam pacientes com a certeza que no tempo certo a luz do
entendimento e da conscientização chegarão à eles. Logo que o espírito
se encontra em condições, o guia encaminha o para regiões de
recuperação ou para reencarnações expiatórias com fins reeducacionais.
Todos estão fadados à ascensão na escala evolutiva, e o tempo para
alcançá-la dependerá do esforço pessoal de cada um.
De modo simplista
podemos inferir que, a passagem à outra vida para o homem de bem, é
calma com um despertar tranqüilo. Para outros pode ser, atormentada,
angustiante e até aterrorizante. Não há privilégios, conforme se vive
e se pense, se obterá o céu ou o inferno, seja na vida material ou na
espiritual.
Portanto, é preciso
buscar com austeridade o seu desenvolvimento interior, procurando
viver em sintonia com os ensinamentos de Jesus, ciente das
responsabilidades que se tem perante Deus e à vida eterna. Desta
forma, com a consciência tranqüila, e a certeza que a vida continua
além da matéria, o medo da morte esvaece. A dor e o desespero pelas
perdas dos entes queridos são minimizados, com a convicção do
reencontro que um dia há de se ter.
Bibliografia
BOZZANO, Ernesto: A Crise da Morte.Federação Espírita Brasileira,
1979;
FRANCO, Divaldo: Reencontro com a Vida. Liv. Espírita Alvorada
Editora,2006;
KARDEC, Allan: Livro dos Espíritos.Petit Editora, 1999;
KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. Lake Editora, 1969.
Sonia Maria da Silva Loyola
KARDEC, Allan. Livro dos Espíritos, Petit Editora ,1999. cap. 3
,pg.91.,
FRANCO, Divaldo. Reencontro com a Vida, Livraria Espírita Alvorada
Editora, 2006. Preparação para a Morte. Pg.202, pelo espírito de
Manoel Philomeno de Miranda.
KARDEC,Allan. O Céu e o Inferno, Lake Editora, 1969. Segunda parte
cap.1 - O Passamento, pg.132
FRANCO, Divaldo. Reencontro com a Vida, Liv. Espírita Alvorada Edt.,2006.Despertamento
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FRANCO, Divaldo. Reencontro com a Vida Liv. Espírita Alvorada Edit,2006.Despertar
da Consciência no Além Túmulo , pelo espírito de Manoel P. de Miranda.
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