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“Vaidade das
vaidades, tudo é vaidade.”
A arte de bem falar
constitui uma tarefa difícil no mundo contemporâneo. Isto porque não
aprendemos a aparar as nossas arestas e ter atitudes positivas ante
as adversidades. Ou revidamos de forma áspera, adentrando em
verdadeiras pancadarias verbais; ou silenciamos, sem olvidarmos a
ofensa proferida pelo irmão exasperado e, conseqüentemente,
carregamos lixo no coração.
As hecatombes sociais
originam-se muitas vezes da palavra mal empregada, fruto de
interesses menos nobres.
“Poucas vezes a língua
do homem há consolado e edificado os seus irmãos; reconheçamos,
porém, que a sua disposição é sempre ativa para excitar, disputar,
deprimir, enxovalhar, acusar e ferir desapiedadamente.” (Emmanuel -
Pão Nosso)
A queda de muitas instituições espíritas tem origem no verbo mal
utilizado, nas cizânias, nas maledicências, nos jogos de interesses
por funções dentro do Centro Espírita, entre outras. Por causa da
língua mal empregada pelo ser humano todo um trabalho planejado
carinhosamente pelos espíritos nobres cai por terra. É por isso que
Cornélio, mentor espiritual de André Luiz no livro Obreiros da Vida
Eterna, esclarece:
“É lamentável se dê
tão escassa atenção na Crosta da Terra, ao poder do verbo,
atualmente tão desmoralizado entre os homens. Nas mais respeitáveis
instituições do mundo carnal, segundo informes fidedignos das
autoridades que nos regem, a metade do tempo é despendida
inutilmente, através de conversações ociosas e inoportunas. Isso,
referindo-nos somente às `mais respeitáveis'. Não se precatam nossos
irmãos em Humanidade de que o verbo está criando imagens vivas, que
se desenvolvem no terreno mental a que são projetadas, produzindo
conseqüências boas ou más, segundo a sua origem. Essas formas
naturalmente vivem e proliferam e, considerando-se a inferioridade
dos desejos e aspirações das criaturas humanas, semelhantes criações
temporárias não se destinam senão a serviços destruidores, através
de atritos formidáveis, se bem que invisíveis. (...) Toda
conversação prepara acontecimentos de conformidade com a sua
natureza.”
Nada sobrevive às
verbalizações fúteis: Centros espíritas, obras sociais, governos,
até mesmo o cadinho doméstico, a célula básica do tecido social. Não
era por outra razão que Jesus, o sublime amigo, alertava-nos sobre o
uso do verbo. Disse Ele: “Eu, porém, vos digo que quem quer que se
puser em cólera contra seu irmão merecerá condenado no juízo; que
aquele que disser a seu irmão: Raca, merecerá condenado pelo
conselho; e que aquele que lhe disser: És louco, merecerá condenado
ao fogo do inferno.” (S. Mateus, VV. 21 e 22)
Segundo a lúcida
interpretação de Evangelho Segundo o Espiritismo:
“Raca, entre os
hebreus, era um termo desdenhoso que significava - homem que não
vale nada, e se pronunciava cuspindo e virando para o lado a cabeça.
Vai mesmo mais longe, pois que ameaça com o fogo do inferno aquele
que disser a seu irmão: És louco.
Evidente se torna que
aqui, como em todas as circunstâncias, a intenção agrava ou atenua a
falta; mas, em que pode uma simples palavra revestir-se de tanta
gravidade que mereça tão severa reprovação? É que toda palavra
ofensiva exprime um sentimento contrário à lei do amor e da caridade
que deve presidir às relações entre os homens e manter entre eles a
concórdia e a união; é que constitui um golpe desferido na
benevolência recíproca e na fraternidade; é que entretém o ódio e a
animosidade; é, enfim, que, depois da humildade para com Deus, a
caridade para com o próximo é a lei primeira de todo cristão.”
Deste modo, é
imprescindível que tenhamos ponderação nas nossas expressões
verbais. Porque toda palavra que proferimos é a priori mentalizada,
construída pelo seu autor e, quando lançada, vai carregada de um
teor vibratório peculiar. Se positiva, a palavra é capaz de acalmar,
reerguer, animar, encorajar, construir... Mas, se negativa, carrega
também em seu bojo os fluidos deletérios.
Falar é uma arte. Uma
arte que exige muito de todos nós. Uma arte que tem por fim único: o
amor.
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