O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 

Título :
Casas Espíritas

Autor:
Luiz Cláudio de Pinho

Fonte:
O Mensageiro

ARTIGOS

                           

“Atentai...” Provérbios 1: 23

Bom é conhecermos e participarmos da edificação de Casas Espíritas verdadeiramente compromissadas com os ideais crístico-rivailianos, ”servicinhos” realmente idealizados no mundo maior. Nelas, adeptos objetivam a divulgação da Mensagem socorrista por conta do nascimento das atividades, primeiramente de estudo e pesquisa e, secundariamente, assistenciais e mediúnicas.

São casas onde a disciplina bem vivida convive com a alegria infantil e a descontração adulta. A disciplina não se torna prática enfadonha e rançosa de aspecto igrejista, nem a alegria transforma o ambiente em “Clube de Passatempo”, como já alertou tia Yvonne.

Triste é percebermos, pelas fímbrias perispiríticas, as construções de pedra que surgem, tão somente, por cizânias e vaidades pessoais e coletivas. Nessas, prevalecem os pontos de vista apequenados e as “panelinhas”, onde não se admitem os pensamentos diferentes das do séquito sacerdotal vigente demonstrando, assim, que estão sob a influência magnética dos serviçais das trevas, que têm como objetivo obnubilar a Verdade, entravando a mensagem cristã.

Quase impossível é uma Casa ou obra que esteja nessa condição, atravessar muitas décadas em franca produção de aprendizado e educação, principal missão da Casa Espírita. Geralmente, em ambientes oriundos de rachas e futricas cursa a extinção de tarefas e da mão de obra qualificada e surge o paternalismo assistencialista, que não melhora ninguém.

Podem os maiorais do grande além, por caridade e respeito aos trabalhadores sinceros que nessas estâncias ainda perseveram, irem “segurando o leme”. Mas a cada dia, a dispersão aumenta por se tratar de um castelo de areia crido fortaleza de pedra.

Nessa hora, triste para todos nós, os dirigentes e trabalhadores encarnados tentam com desespero nomear “patronos espirituais” famosos, buscando prender os trabalhadores à idéia de que “tudo vai bem”.

Não raro, os bons espíritos entendem, após alertas variados, que diante de uma desintegração iminente melhor se sobrecarregarem ainda mais, amainando o fogo das vaidades, agindo em silêncio até que o livre arbítrio personalista se eduque e a “ficha” caia ..

Assim, quando uma nova instituição for gerada, observemos se foi gestada e parida no ventre da harmonia, da comunhão de idéias e ideais, distanciada dos fulanismos e igrejices. Não nos esqueçamos de que em épocas passadas todos ajudamos a nutrição do leviatã da vaidade, no seio das religiões herméticas e hierarquizadas, onde “ministros fraudulentos” violentaram a verdadeira mensagem do Cristo Yeshua (Jesus).

Todos nós, palestrantes, escritores, médiuns, dirigentes e dirigidos, temos dívidas homéricas com as defecções no Cristianismo pós Jesus, portanto, toda vigilância, capacitação e sinceridade de propósitos serão pouco.

Isto posto, é que uma instituição espiritista cristã por mais pequenina que seja, deve manter-se na condição de: escola, hospital e casa de oração. Ademais, estamos lidando com expectativas de encarnados e desencarnados que transitam no mundo, desiludidos ou esperançosos de dias e coisas melhores.

Quando finalmente, dirigidos e dirigentes se compenetrarem, sem medo ou pieguismos, que é necessária a vigilância antes da oração, ecoará a verve “convém que Ele cresça e que eu diminua”, tal como asseverou o batista João. Nessa hora estaremos, realmente, sendo cristãos.

Atentemos, então, para nossas condutas e desejos mais íntimos, aqueles que o público às vezes não percebe.