|
A vida, que Deus nos
deu, atendendo à nossa escolha, mesmo inconsciente, tem por objetivo,
tornar-nos melhor, reconciliar-nos com os nossos adversários, enfim,
promover nosso progresso espiritual, como nos ensina os Espíritos
Superiores, em resposta à questão nº 132 do Livro dos Espíritos, sobre
o objetivo da encarnação: “Seu fim é conduzi-los à perfeição: para uns
é expiação, mas, para outros, missão. Contudo, para atingirem a
perfeição, têm eles de sofrer todas as vicissitudes da existência
corporal e nisso é que consiste a expiação....”. De outro modo, nos dá
oportunidade de colaborar com o projeto divino de fazer deste mundo,
um mundo melhor.
Dentro da programação
estabelecida para nós, em cada existência, em linhas gerais, são
previstas as duras provas que teremos que passar com vista à nossa
promoção na hierarquia espiritual. Por muitas vezes o ser humano se
depara com situações por demais desesperadoras, que o leva a refletir
sobre a sua impotência diante de Deus e da vida. Muitos nesta
situação, não tendo coragem para enfrentar o problema, se despojam do
corpo físico, achando encontrar neste ato, uma solução para o
problema. Que engano, pois aqueles que buscaram uma saída “fácil”,
destruindo seu corpo físico, vem através de um outro, o médium, dizer:
“oh!!...continuo a viver, que decepção!!!”. O Sofrimento é grande, e
só uma nova existência para recompor o corpo espiritual afetado pelo
ato tresloucado.
Os Espíritos Superiores
nos esclarecem que as causas que levam um indivíduo a se suicidar são
as mais diversas possíveis, mas essencialmente se resume, “na
ociosidade, na falta de fé e, freqüentemente, na saciedade”
(1),
e somando a estas, temos as obsessões, que arrastam muitos às raias do
suicídio.
O indivíduo que não
espera nada do futuro e ao mesmo tempo absorve as idéias
materialistas, se vê estimulado a se suicidar, pois para ele o nada e
o futuro são a mesma coisa. Convencido destas idéias, o descrente foge
de uma situação aflitiva para cair, sem saber, em outra infinitamente
mais aflitiva, de maneira inenarrável, como os próprios suicidas, do
plano espiritual, nos informam.
Para o suicida “Não
existem castigos determinados e, em todos os casos, correspondem
sempre às causas que o determinaram. Há, porém, uma conseqüência a que
o suicida não pode escapar: o desapontamento.”
(2)
“...O que há é o desaponto, a surpresa aterradora daquele que se sente
vivo a despeito de se haver arrojado na morte!.”
(3)
Entretanto, as
conseqüências imediatas do suicídio, para o Espírito, são as mais
terríveis possíveis. Primeiro, o corpo espiritual ainda impregnado dos
fluidos animalizados do corpo físico, se ressente de todas as
impressões da decomposição deste, sentindo, ainda, os vermes corroerem
o mesmo; o estado em que ficou o corpo material, fica refletido no
corpo espiritual, por tempo indefinido; mentalmente, o Espírito revê
todas as cenas que culminaram com o suicídio, repetidas vezes. Este
sofrimento dura mais ou menos o tempo que restava para encerrar aquela
existência. O único bálsamo que alivia sua dor, são as preces que
partem daqui em seu favor.
Se o Espírito encarnado é um crente na vida futura e conhecedor dos
ensinamentos do Cristo, ele encontra nos Evangelhos as medidas
profiláticas contra o suicídio. Basta buscar o “Ser-mão da Montanha”
(São Mateus, Cap. V, v.3-11), que o mesmo encontrará esperanças,
forças para dar continuidade à sua vida, mesmo que às duras penas.
Emmanuel, guia espiritual de Chico Xavier, corrobora: “Ainda que não
possas marchar livre-mente com o teu fardo, avança com ele, mesmo que
seja um milímetro por dia....”
Por outro lado, se o
crente for um estudioso Espírita, suas forças são aumentadas, pois é
conhecedor da vida após a morte e sabedor das conseqüências de um ato
tão hediondo, como é o suicídio. O Estudo do Espiritismo, fortalece a
fé do cristão, que cada vez mais valoriza sua vida como trampolim de
sua ascensão espiritual. O Espiritismo o conscientiza da sua
responsabilidade em relação a própria evolução.
Resta-nos perguntar:
quando o suicídio será erradicado da face da terra? Acreditamos que
isso se dará quando a humanidade estiver integrada nos planos divinos,
ou seja, nos planos da vida eterna.
Livro dos Espíritos, Questão nº 943.
|