|
Ao
refletirmos sobre a grave questão, pedimos licença ao insigne
escritor Rodolfo Calligaris para reproduzirmos em parte suas
explanações na obra As Leis Morais.
O
egoísmo é indubitavelmente a matriz de todas as mazelas humanas.
Devido a esse sentimento espúrio, a humanidade torna-se infeliz. Ele
se apresenta sob diversas formas e algumas são bastante tênues.
Rodolfo Calligaris apresenta-nos algumas dessas facetas, a saber:
- O
egoísmo individual: é aquele centrado somente em si mesmo, a ponto de
ignorar aqueles que nos cercam, inclusive familiares. Tudo gira em
torno do próprio “umbigo”. É um narcisismo. Os fins justificam os
meios para se chegar à satisfação do ego.
- O
egoísmo familiar: provém daqueles que olvidam que somos todos irmãos,
oriundos de uma mesma fonte, que é Deus. São aqueles que só auxiliam e
têm olhos para os seus parentes consangüíneos. Se porventura surgir
uma situação em que seja necessário o desprendimento (material, de
tempo, de carinho) para auxiliar alguém que não seja do vínculo
carnal, inventam desculpas. Dizem que não podem, que o empenho com a
família (sangüínea) já exige bastante etc.
- O
egoísmo de classe: consiste nas reivindicações dos trabalhadores. Eles
pressionam governos, olvidam a coletividade para atenderem aos seus
interesses. Preocupam-se tão somente com a própria classe. Não se
importam com o “desequilíbrio e os sacrifícios que isso possa custar à
coletividade.”
É
perfeitamente justo o trabalhador cônscio, probo, ético, reivindicar
melhores condições de trabalho. Não pensamos diferente. Entretanto,
convém lembrarmos que esse movimento de classe que afeta milhares ou
milhões de pessoas por não mais oferecer os serviços básicos se torna
prejudicial, deletério, nefasto; porque ignora o coletivo.
É
interessante notarmos também que os mesmos que pedem salários polpudos
mantêm empregadas com salários pífios em suas casas para satisfazerem
a seus caprichos. Exigem delas horas e horas de trabalhos, dedicação e
prestação de serviço de qualidade, mas pagam salários ridículos a
essas mulheres com condições sociais e econômicas degradantes.
Esquecem-se de que elas também têm uma família a zelar, têm filhos,
têm o seu momento de lazer. Porém, quando apresentam um atestado
médico por motivo justo de saúde, recebem repreensão. Enfim, é apenas
um exemplo para demonstrarmos o paradoxo. O mesmo que pede salário
polpudo mantém aqueles que são seus subalternos em condições
degradantes.
- O
egoísmo de raça: ao largo da História, tem-se notado os conflitos
dolorosos por questões raciais. O Espiritismo demonstra por meio da
reencarnação que essas questões são pueris, uma vez que aquele que
nasce na condição de branco e rico hoje poderá nascer, a seu turno, na
condição de um negro e pobre. A reencarnação nivela todos nós. Os
conflitos raciais envergonham a história. Hitler queria a
superioridade da raça ariana. Martin Luther King, com sua filosofia do
amor e não-violência, conseguiu melhorar a condição de vida dos negros
norte-americanos. Enfim... A História está repleta de exemplos
negativos e positivos com relação a essa temática que na sociedade não
mais se justificam devido aos esclarecimentos e aos avanços
científico-tecnológicos a que chegamos. Infelizmente ainda hoje se
ouvem comentários extremamente racistas de pessoas no dia-a-dia ou de
personalidades nos meios de comunicação. Ainda hoje perseguem-se
pessoas por causa da cor de sua pele. E isso se dá de uma maneira
cruel e sub-reptícia: em uma entrevista de emprego, por exemplo. Há
ainda um ranço dessa nossa condição de barbárie que necessita
urgentemente ser extinto.
- O
egoísmo nacional: é o tipo de egoísmo mascarado com o nome de
“patriotismo”. Países que são potências do mundo ao invés de
auxiliarem os menos favorecidos preferem, a pretexto de levar
“cultura, ciência, progresso”, invadir esses países; impõem seu modus
vivendi, seu modus operandi, exterminam famílias... tudo com o intuito
de expandir o território, o poder, a força, o domínio... Semeiam o
ódio e colhem o terror.
- O
egoísmo sectário: é o mais funesto dos egoísmos. É aquele que
considera a sua forma de ver a vida a única correta. Ignoram que todos
os caminhos levam à casa do Pai, independente do tipo de religião
professada. Mas, esses egoístas transformam crentes em fanáticos.
Esses últimos nada podem ler ou ouvir que contrarie sua maneira de
enxergar a vida. Somente a sua Igreja está certa. É a única que salva.
O restante é erro, é “pecado”. Têm a absurda capacidade de auxiliar
somente àquelas instituições que têm os mesmos princípios da sua
religião. Ignoram que outros estabelecimentos também fazem caridade e
transformam o mundo. O fanatismo religioso, político, filosófico é
doença da alma que fomenta ainda mais a violência e a estupidez no
mundo.
Após
essa breve explanação, reiteramos que o Espiritismo, devido a sua
proposta de transformação moral do ser humano e por ser calcado no
evangelho do nosso Senhor Jesus Cristo, é um poderoso antídoto contra
o egoísmo, pois ensina-nos que somente por meio da caridade (moral e
material) conseguiremos a nossa salvação.
|