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Era negro, mais: negro
cientista, algo estranho para o século XIX, principalmente em um país
como os Estados Unidos, onde o preconceito vicejava abundante
anunciando a superioridade dos brancos. E naquela época leis severas
promoviam a segregação de negros e brancos; negros não podiam se
sentar à mesa com brancos, negros não podiam estudar, negros não
podiam ter atividade cultural. Havia hotéis proibindo a entrada de
negros, como se fossem contaminar o ambiente apenas por terem o
invólucro material mais escuro. Era mesmo lamentável a discriminação.
Aos negros estavam relegados apenas os trabalhos braçais,
principalmente no cultivo do algodão. Interessante é que muitas vezes
parece que eles – os negros - acreditavam serem mesmo inferiores, pois
se comportavam de maneira um tanto conformada com a situação.
No entanto, Deus possui
mecanismos perfeitos de mostrar às incoerências da humanidade, e
convoca ao renascimento, sempre que necessário, almas mais adiantadas
moral e intelectualmente para desmistificar questões entranhadas na
vida das pessoas, como, por exemplo, o lamentável preconceito de que
alguém é maior, melhor ou superior apenas por ter pele mais clara.
E foi em terras
americanas que reencarnou George Washington Carver, o filho de
escravos que se notabilizou como um dos maiores cientistas do mundo no
século XX. De sua mente brilhante brotavam descobertas das mais
extraordinárias. Com o pequeno amendoim fez mágicas fabulosas e
extraiu, inclusive leite da pequena semente, que, diga-se de passagem,
produzia também manteiga. Significativo detalhe: suas descobertas eram
também importantes do ponto de vista econômico, para se ter uma idéia
100 quilos de leite de vaca produziam 10 quilos de queijo, enquanto
100 quilos de leite de amendoim produziam 35 quilos de queijo.
Importante destacar o
desprendimento dessa criatura que veio ao mundo em meio à miséria e
cercado de condições adversas, por dezenas de vezes recebeu propostas
milionárias para patentear as descobertas que fazia na pequena oficina
de Deus – era assim que chamava seu laboratório – no entanto, não
aceitou, em sua concepção as descobertas deveriam estar ao alcance de
todos a fim de beneficiar a coletividade. Dotado de enorme senso de
justiça fazia questão de receber pelo seu trabalho apenas aquilo que
considerava justo, nem mais nem menos. Amante das artes e da natureza
confabulava intimamente com o Criador sobre os mistérios que cercam os
reinos mineral, vegetal e animal. Apreciava a simplicidade, vestia-se
de forma sóbria e lutava incessantemente contra os desperdícios.
Aliás, afirmava o eminente cientista que podemos aproveitar tudo de
tudo, não há sobras nem desperdícios na natureza, tudo foi feito na
medida exata, cabe-nos, portanto, dar asas a nossa capacidade
inventiva e criar. Podemos citar como um dos muitos exemplos da
capacidade criativa do Dr. Carver a utilização do caroço do algodão,
incômoda sobra que era sumariamente incinerada ou atirada nos rios,
constituindo-se em verdadeiro prejuízo ao meio ambiente. O grande
pesquisador conseguiu, pois, dar múltiplas finalidades ao caroço do
algodão, transformando-o em fonte de riquezas, findou-se então o
problema ambiental pertinente ao caroço de algodão de tal forma que
algumas indústrias deixaram o interesse pela rama do algodão para
focar atenção no caroço.
Raciocínio interessante:
considerando que Deus não faz nada sem utilidade é forçoso admitir que
os lixos inexistem, muitas coisas – não apenas alimentos – descartadas
por nós podem ainda ser utilizadas. Necessário nessa questão abrir um
parêntese e discorrer sobre a sacola plástica e sua finalidade. Saiba
o caro leitor que os sacos plásticos, tão duramente combatidos pela
mídia, podem ter fim muito mais importante do que o descarte no meio
ambiente, ou seja, dos plásticos podemos formar uma gama enorme de sub
produtos a beneficiar a sociedade sem agredir o meio ambiente, basta,
para isso, utilizarmos a criatividade, como fez o inesquecível
cientista Carver. Há, inclusive, universidades desenvolvendo pesquisas
envolvendo os plásticos e os sub produtos que podem dele originar.
Entretanto, existe um caminho longo a ser percorrido, as pessoas em
primeiro lugar precisam adquirir mentalidade ambiental para que o
plástico deixe de ser descartado como lixo tornando-se diferencial
econômico, como foi o algodão, ou melhor, seu caroço para os Estados
Unidos.
Enfim, impossível falar
em simples artigo de todas as descobertas e de todos os benefícios
trazidos pela mente do mago da agricultura George Washington Carver
que desencarnou em janeiro de 1943. A realidade é que grandes exemplos
de vida não podem ficar ocultos do grande público, este artigo tem,
portanto, o singelo objetivo de suscitar a curiosidade do leitor em
conhecer a vida do notável cientista negro que acreditava em Deus e
rompia barreiras construídas pelo preconceito humano. Quem quiser
saber mais sobre a vida dessa notável figura humana que circulou entre
nós no século XX pode procurar pelo livro “Negritude e Genialidade”,
publicado pela editora Lachâtre do belíssimo escritor Hermínio
Miranda.
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