O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 

Título :
Gravidez e Mediunidade

Autor:
Marcos Paulo de Oliveira Santos

Fonte:
O Mensageiro

ARTIGOS

                           

Há inúmeros artigos na Rede Mundial de Computadores que tratam da temática gravidez e mediunidade, porém carecem de embasamento teórico. A questão sempre nos inquietou, porque já ouvimos reiteradas vezes no movimento espírita que mulheres gestantes “são isoladas da atividade mediúnica”; que mulheres grávidas “não devem participar de atividades mediúnicas porque afetará o bebê” e um sem-número de afirmações desse jaez pobres de fontes teóricas.

Sempre nos indagamos: “Será que não pode mesmo? E em caso afirmativo, por que não?”

Iniciamos a nossa pesquisa na obra segura de Raul Teixeira intitulada Desafios da Mediunidade. E encontramos a seguinte questão:

“Mulheres grávidas podem participar de trabalhos de desobsessão?”

E o benfeitor Camilo por intermédio da sublime mediunidade de Raul diz:

“Desde que a gravidez se apresente sem problemas, nada há que o impeça. Se a pessoa é merecedora de toda a boa assistência, por parte do Criador, no seu viver diário e comum, que tipo, então, de assistência não terá na sua fase de gestação, em se tratando da mulher?

Tanto o trabalho da passividade mediúnica, quanto as demais atividades da reunião serão muito bem desenvolvidas pela gestante, até o período em que já demonstre cansaço, pelo tempo que passará sentada, quando o bom senso mostrar que se lhe está tornando sacrificial a atividade, em razão de precisar levantar-se, mover-se, deitar-se. Aí, então, poderá ser dispensada da lida, uma vez que a gravidez é fenômeno perfeitamente natural, previsto pela Divindade, que investe em cada encarnação as mais pujantes bênçãos.” (Desafios da Mediunidade) – grifo nosso.

A resposta não deixa margem a qualquer dúvida quanto a possibilidade ou não de a gestante participar da atividade mediúnica a que está vinculada. Ainda assim, decidimos enviar a questão para outros companheiros da Doutrina Espírita para que pudessem elucidar-nos.

Enviamos, então, a questão ao programa “Encontro com Divaldo”, da TVCEI. (Este é um canal virtual que nos possibilita encaminharmos perguntas ao nobre tribuno baiano para que ele responda.) E obtivemos a seguinte resposta no dia 08 de março do ano corrente:

“Caro Marcos, 

Votos de paz!

Estamos de acordo com o pensamento apresentado pelo venerando Espírito Camilo, através do médium Raul Teixeira, pois a gravidez não é enfermidade. Apenas requer os cuidados naturais do processo de gestação, o que não impede que a mulher participe das atividades da casa espírita a que se vincule, incluindo a reunião mediúnica. 

Saudações Cordiais,“

 

Divaldo Franco e a Equipe do Programa ‘Encontro com Divaldo’ agradecem a sua participação.” (grifo nosso)

A resposta desses dois baluartes do movimento espírita atual dispensa qualquer outra consideração, mas ainda assim encaminhamos a questão também para a Federação Espírita do Paraná que obtemperou:

“Caro companheiro. Vejo, no parecer de Raul (Espírito Camilo), a informação mais coerente sobre a questão proposta. Portanto, a opinião desta Federação não poderia ser diferente. Se e quando oportuno, repasse-a para os seus companheiros de ESDE. Com votos de progresso sempre continuado, o nosso fraternal abraço. Federação Espírita do Paraná.” (grifo nosso)

Diante dessas três fontes seguras concluímos que não há empecilho algum à participação da gestante na atividade mediúnica, caso seja uma gravidez sem riscos.

Não há a necessidade de se ausentar da sala mediúnica. Lembremos que a reunião mediúnica não significa somente médiuns psicofônicos. Todos os demais membros são importantíssimos para o êxito da atividade espiritual. Deste modo, a gestante não necessariamente precisa dar passividade, embora não haja problema algum nisso.

Encerramos com as lúcidas palavras de Emmanuel:

No capítulo do mediunismo não existem propriamente privilégios para os que se encontram em determinada situação; porém, vence nos seus labores quem detiver a maior porcentagem de sentimento. E a mulher, pela evolução de sua sensibilidade em todos os climas e situações, através dos tempos, está, na atualidade, em esfera superior à do homem, para interpretar, com mais precisão e sentido de beleza, as mensagens dos planos invisíveis.” (O Consolador)