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Livro dos
Espíritos Capítulo VII
Evangelho Segundo o Espiritismo Capítulo VII
“O
primeiro de todos os direitos naturais do homem é de viver, por isso,
ninguém tem o direito de atentar contra sua própria vida ou de seu
semelhante, nem o de fazer o que possa comprometer-lhe sua existência
corporal.
(Questão 880 – Livro dos Espíritos).
Muito
se discute sobre a legalização ou não do aborto no Brasil. Atualmente
o aborto é considerado como crime pela legislação brasileira, impondo
sanções penais que variam de um a quatro anos de detenção. A
legislação brasileira permite a prática do aborto em duas situações: a
primeira quando a gravidez foi resultado de estupro, e a segunda
quando a gravidez coloca em risco a vida da gestante.
Várias mulheres defendem a prática do aborto afirmando que são donas
de seus próprios corpos e que devem optar entre ter ou não a criança.
Outros, contrários a esta afirmação, sustentam que a vida é um direito
indisponível e que deve ser preservada a qualquer custo.
Discussões à parte, gostaria de discutir o aborto visto sob a ótica da
doutrina espírita. Geralmente a reencarnação serve de cenário a
purgação de vários erros praticados em encarnações passadas, e com
isso, possibilita-se ao espírito que retorna ao cenário terreno
resgatar erros ou mesmo, em caso de espíritos muito evoluídos, ajudar
seus próximos a vencer as dificuldades da vida.
Neste
ponto toda a reencarnação é programada pela Espiritualidade Superior,
e visa ajustar certos equívocos cometidos em vidas passadas. Em razão
disso são muito comuns famílias em que seus membros vivem em
constantes brigas, visto que, como dito, muitas vezes, nesta
encarnação vítima e algoz se encontram no mesmo teto, sob o manto
agora, de pai e filho.
Além
do aborto a legislação brasileira pune o infanticídio. O crime de
infanticídio se caracteriza quando a mãe, sob a influência do estado
puerperal, tira a vida de seu próprio filho logo aos a ocorrência do
parto. Este crime é punido com uma pena de detenção de 02 (dois) anos
a 06 (seis) anos.
Esta
perturbação psicológica chamada de estado puerperal, muitas vezes é
encarada com a rejeição da mãe pelo próprio filho, motivada, pela
ótica espírita, pelos laços de inimizade com profundas raízes no
passado.
Voltando ao tema da coluna que é o aborto, quando da concepção já
existe toda uma movimentação da Espiritualidade Superior para que haja
a reencarnação do espírito e que haja o esquecimento, através dos
laços do parentesco, das mazelas das vidas passadas. Imagine: a vítima
aceitando com seu filho o carrasco do passado! Logicamente que este
passado é escondido de nossos olhos para que não nos torturemos com os
erros e fracassos do pretérito. Mas, também a mãe pode ser a porta de
entrada para o orbe terrestre de pessoas iluminadas, de parentes que
já partiram, de amigos da espiritualidade que vem à Terra para cumprir
elevadas missões.
Saliento que todos os esforços são realizados para que a candidata ao
aborto desista de suas idéias. Mas, as vezes, o aborto é realizado e
toda a preparação da Espiritualidade Superior vai para o ralo abaixo,
e o pequenino candidato a chance de purgar seus débitos vê seu intento
ser frustrado. O que ocorre? Em alguns casos, obsessões destes
espíritos cobrando da mulher a chance perdida. Relatam os livros
espíritas que algumas mulheres que não podem ter filhos são vítimas
dos abortos praticados em vidas pretéritas e que aceitam esta condição
na encarnação atual.
Portanto, se esta idéia passa pela sua mente, afaste-a com todas as
suas energias. Repudie-a, talvez você tenha aceitado esta condição
quando de seu reencarne. Você que me lê e que fez o aborto, não se
puna e nem se assuste com estas minhas palavras, porque a Terra é
local de aprendizado. Você pode mudar o passado, o erro já foi
praticado, e você teve seus motivos. Não estou aqui para julgá-la.
Mas, aproveite a chance, desperte essa sua maternidade interrompida,
cuidando de crianças carentes que não tem a quem chamar de mãe, afinal
de contas, mudar o passado você não pode, mas você pode, e como pode,
construir um futuro melhor ajudando crianças que não tem carinho e nem
o afeto de uma mãe.
Para
melhor elucidar o tema, vem a minha mente singela história.
Dr. Celso Carvalho era respeitado médico obstetra muito conceituado
nos meios médicos. Depois de intenso labor profissional durante anos a
fio, resolveu tirar férias durante duas semanas em uma colônia em uma
estância hidromineral, visando repor suas energias.
Este médico era daqueles médicos que faziam de sua profissão um
verdadeiro sacerdócio de auxílio ao próximo, enxugando lágrimas e
curando enfermidades.
Em
uma bucólica tarde de verão, onde Celso estava a beira do lago
sentando na grama, eis que vi uma senhora em uma cadeira de rodas.
Ficou observando a mulher na cadeira de rodas, mas ficou impressionado
com o carinho, o afeto e a bondade da enfermeira para com a enferma.
Revendo seus arquivos arquivados na memória, pois tinha a nítida
impressão de que conhecia a senhora que estava na cadeira de rodas.
Lembrou-se de que a mesma havia sido sua paciente, e que o nome dela
era Maria Clara.
Maria Clara era uma mulher bonita de seus 42 anos, que tinha marido e
filho. Todavia, quando atendera Maria Clara no seu consultório logo
percebera que a gravidez era de alto risco, devido a idade conjugada
com outras enfermidades, de sorte que, seu parecer médico era o de
imediatamente interromper a gravidez.
Conjugado a isso, na época, o marido de Marica Clara, quando esta
estava no inicio da gravidez, desertara do lar para viver aventuras
extra-conjugais, tendo falecido pouco tempo depois vitimado por um
acidente de carro.
Quanto ao filho, este havia se envolvido com pessoas de má índole,
acabando preso por envolvimento com as drogas.
Certo dia, Maria Clara foi ao seu consultório, e o Dr. Celso ponderou:
-
Dona Maria Clara sua gravidez é de alto risco, a senhora pode vir a
falecer. Além disso, a senhora está emocionalmente abalada com a morte
de seu marido e a prisão de seu filho, razão pela qual, seu quadro
pode se agravar. É muito perigoso, é melhor para a senhora por termo a
gravidez – disse o Dr. Celso.
-
Dr. Celso o senhor é o melhor médico da região, sempre me atendeu bem.
Mesmo agora quando privada de recursos financeiros, o senhor atende de
graça. Mas, Dr. Celso, filho é uma dádiva de Deus, e custe o que
custar, irei até o fim. Vou ter o filho.
Depois desta conversa, Dr. Celso nunca mais viu Maria Clara. Este
médico que honrava como poucos sua profissão, ainda tentou localizar
Maria Clara tendo recebido a noticia de que ela havia se mudado de
cidade.
Depois desta volta ao passado, Dr. Celso volta ao presente. Não tinha
qualquer dúvida, aquela senhora era, efetivamente, Maria Clara.
Resolveu se aproximar dela para uma conversa amistosa. Quando estava
perto da velhinha, esta de pronto reconheceu, abriu um sorriso, e
disse:
-
Dr. Celso, há quanto tempo! – disse a senhora – O tempo parece que não
passou para o senhor que está até mais bonito.
-
Maria Clara que surpresa! Vi você e depois de algum tempo a reconheci.
O que me chamou a atenção foi o cuidado desta enfermeira. Sempre com
sorriso no rosto, bondade, cuidando de você. Olha, parabéns Maria
Clara! Hoje é difícil encontrar uma enfermeira tão dedicada e
carinhosa como esta!
-
Dr. Celso – disse Maria Clara – A idade castigou o corpo todo sofrido.
Sofri uma doença que me atacou as pernas, e vi-me, de uma hora para
outra presa a esta cadeira de rodas. O senhor tem razão, Tatiana, não
é uma enfermeira é um anjo que Deus colocou na minha vida para
amparar-me na minha velhice.
Continuaram a conversa, recordando fatos do passado. Dr. Celso ficou
sabendo que o filho de Maria Clara também havia morrido em um conflito
entre traficantes e policiais.
Em
certo ponto da conversa, Dr. Celso perguntou a Maria Clara porque ela
havia abandonado a cidade onde viviam.
-
Sabe, Dr. Celso – Viver naquela casa onde vivia, me trazia recordações
ruins. O senhor sabe ficava lembrando de meu falecido marido, de meu
filho.
-
Me desculpe a curiosidade, mas a senhora se mudou quando estava
grávida não é?
-
Foi, Dr. Celso – No dia seguinte que o senhor me atendeu, após me dar
a noticia de que a gravidez era de alto risco e que poderia morrer, e
que o aborto seria necessário, peguei as minhas coisas e fui para
outra cidade. Estava absolutamente decidida a ter um filho, e por isso
mudei de cidade.
-
Você teve o filho?
-
Não, Dr. Celso- disse Maria Clara - Não tive um filho. Tive uma filha,
chama-se Tatiana. Esta moça não é só minha enfermeira, é um anjo, Dr.
Celso. Amparou-me nos momentos mais difíceis da minha vida. Enxugou
minhas lágrimas, carregou-me no colo, me dá banho, remédio no horário
certo, comida quentinha. Dou graças a Deus, Dr. Celso, por não ter
aceitado a sua opinião médica sobre o aborto. O senhor tinha razão eu
não podia ter um filho, minha gravidez foi gerada para o nascimento de
um anjo, e por isto, talvez tenha sido tão difícil.
Dr. Celso estava com lágrimas nos olhos. Para a Medicina o caso era
realmente de aborto, mas, para a Medicina do alto era o caso de
geração de um anjo, que amparava a velhinha na doença.
Meus
prezados leitores, o aborto é contrário as leis humanas e verdadeiro
crime as leis de Deus. O aborto impede que dívidas sejam quitadas, que
inimigos se reconciliem, e que anjos venham a esta terra.
Nossa
legislação penal permite o aborto em caso de perigo para a vida da
gestante. Neste caso, o amparo divino permitiu que o filho fosse, na
velhice, o amparo para a mãezinha doente. A reencarnação é uma lei
sábia que permite a purgação de nossas faltas muitas vezes através dos
laços familiares.
Certas mulheres preferem interromper sua gravidez, optando por manter
o corpo, ceifando vidas inocentes em troca. Trata-se de verdadeiro
crime, em que a pequena e indefesa vítima mal tenha diminutas chances
de defesa.
Em
muitos casos, as mulheres quando ficam grávidas passam a odiar esta
situação. Colocam a culpa na criança que trazem no ventre. Isso
ocorre, porque muitas vezes, a gravidez traz em si a reencarnação
resgate. Filhos e mães, inimigos no passado, se vêem unidos agora
pelos laços sagrados do sangue, para que depurem suas faltas, e
esqueçam suas diferenças através do exercício fraterno do amor.
Inimigos pedem o retorno ao orbe terrestre através da reencarnação
pedindo que sejam filhos de seus carrascos ou vítimas, e as vezes, o
aborto interrompe este verdadeiro pedido de desculpas e de
esquecimento de erros e faltas.
Não
raras vezes, quando ocorre o aborto, mulheres que o praticaram tem
pesadelos, sonhos ruins e são obsediadas pelo espírito o qual privaram
da chance do reencarne. Forma-se verdadeira simbiose de ódio, onde o
espírito culpa a mãe que praticou o aborto por ter negado o seu
direito de retorno a Terra para minimizar suas faltas do pretérito.
Muitas até, em encarnações posteriores, vem-se privadas do direito da
maternidade pelo excesso de abortos cometidos em vidas passadas.
Se
você que me lê praticou o aborto, não se culpe e nem se condene. Use,
agora, sua maternidade para ajudar e auxiliar crianças que foram
abandonadas por suas mães. Não podemos, de forma alguma, apagar o
passado, mas podemos mudar o futuro. Crianças abandonadas suplicam em
oração, seu carinho e sua atenção.
E se
você que está grávida, e agora chega ao fim de minha pequena crônica,
e pensa em praticar o aborto, alegando que é dona de seu corpo, apenas
e tão somente te peço, encarecidamente, não faça isso. Olhe para
dentro de você, fique em silêncio, procure ouvir uma voz que está
dentro de seu útero neste momento. Preste muita atenção, aquela
pequenina e inaudível voz, pede e suplica a você mãe: “deixe-me viver,
mamãe”!
Analisando o tema sob a ótica do Livro dos Espíritos, temos as
seguintes ponderações a serem realizadas:
a)
haverá sempre o crime de aborto, para a Doutrina Espírita, sempre que
se impedir a gravidez por qualquer método
(2);
b)
autoriza o Espiritismo a interrupção da gravidez, quando esta põe em
risco a vida da mãe
(3);
c) o
aborto é condenado pela Doutrina dos Espíritos, uma vez que, pela
reencarnação possibilita-se o resgate de débitos, e assim sendo,
impede-se ao espírito reencarnante a possibilidade de purgar suas
faltas;
d)
Ramatis, em sua obra "Sob a Luz do Espiritismo, inclui a hipótese dos
casos de fetos anormais, cuja patologia não lhes permita viver (anencéfalo)
desde que prejudique a sua saúde da mãe ou coloque a vida da gestante
em risco;
e) o
aborto causa no espírito reencarnante sensações de ódio, tristeza,
apatia, por destruir sua chance de progressão espiritual, podendo,
inclusive, chegar a obsessão de natureza gravíssima, mobilizando os
mais sórdidos expedientes e associando-se a outras entidades maléficas
para seu desejo de vingança, semeando discórdia, brigas, vícios e em
alguns casos até o suicídio;
f)
André Luiz denomina-o de aborto inconsciente, onde a destruição do
feto não se efetivará através de ações físicas ou químicas, mas em
conseqüência de descargas mentais deletérias da mãe, ou de situações
de extremo conflito no lar, pondo dificuldades magnéticas ao
desenvolvimento da gestação. São causas do aborto inconsciente:
a) Repulsa da mãe
ante uma gravidez indesejável;
b) Atitude mental negativa da mãe ou do pai;
c) Conflito no lar;
d) Imprudência ou excessos cometidos pela mãe
g) no
curso de Introdução a Doutrina Espírita do IDE-JF Instituto de Difusão
Espírita de Juiz de Fora – MG, Divulgação: CVDEE - Centro Virtual de
Divulgação e Estudo do Espiritismo, em excelente apostila, temos as
seguintes conseqüências do aborto em vidas futuras:
Aborto Provocado -
Possíveis Conseqüências
1.
Aborto espontâneo em existências posteriores;
2. Esterilidade ou frigidez;
3. Enfermidades, tais como vaginismo, endometrites, neoplasias,
tuberculose, deslocamento de placenta, enfarte uterino, câncer de
testículos (no homem), endocrinopatias, eclampsias, hipocinesia
uterina, etc.;
4. Distúrbios mentais com evidente obsessão por parte das forças
invisíveis emanadas do Espírito abortado;
5. Filhos problemas ou rebeldes, quando o Espírito abortado
reencarnado em oportunidade posterior, traz, no íntimo, toda a carga
de ódio não dissolvido.
Em
relação a pena de morte, o Espiritismo em nenhum momento a defende ou
a propaga como solução dos problemas da criminalidade, simplesmente,
porque, como vimos em itens anteriores, a vida continua após a morte,
guardando o espírito sua individualidade. Deve ser pontuado também que
não temos somente inimigos carnais, mais vários desafetos
desencarnados.
Aqui
fica a lição de Allan Kardec sobre a pena de morte: ““É tomar o homem
o lugar de Deus na distribuição da justiça. Os que assim procedem
mostram quão longe estão de compreender Deus e que muito ainda têm que
expiar. A pena de morte é um crime, quando aplicada em nome de Deus, e
os que a impõem se sobrecarregam de outros tantos assassínios.” (Livro
dos Espíritos, questão 765).
Mestre em
Direito, advogado, professor universitário,
autor dos livros Curso de Prática
Jurídica Criminal, A legítima defesa como causa excludente da
responsabilidade civil, A teoria e prática do Procedimento Ordinário
no Processo Penal, Da Prova no Processo Penal e Manual Prático dos
Recursos no Processo Penal.
358. Constitui crime a provocação do aborto, em qualquer período da
gestação?
“Há crime sempre que transgredis a lei de Deus. Uma mãe, ou quem
quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida a uma criança
antes do seu nascimento, por isso que impede uma alma de passar pelas
provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando.”
359. Dado o caso que o nascimento da criança pusesse em perigo a vida
da mãe dela, haverá crime em sacrificar-se a primeira para salvar a
segunda? “Preferível é se sacrifique o ser que ainda não existe a
sacrificar-se o que já existe.”
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