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O
primeiro dos direitos naturais do homem é o direito de viver. O
primeiro dever é defender e proteger o seu primeiro direito: a vida.
O
mais elementar direito humano é o de nascer. Os outros liberdade,
educação, saúde, trabalho, justiça, cidadania - só ganham sentido se
houver o ser humano para desfrutá-los. Cercear o direito à vida é
negar todos os demais.
A
Humanidade se divide na hora de definir em qual momento a vida tem
início. Seria na concepção? Seria antes? Seria depois ? Em torno desta
divergência surge a dúvida sobre a legitimidade do aborto. Grupos pró
e contra levantam suas bandeiras, centrados no foco de seus
respectivos interesses.
Há
posições das diversas ciências como psicologia, antropologia,
medicina. Há postulados morais e religiosos. Há as diferentes
correntes sócio-políticas.
No
meio desta Babel, fomos buscar informações com o Grupo Arte-Nascente,
jovens que se dedicam à pesquisa do assunto e a ações de valorização
da vida.
O
Brasil e o Aborto
O
Brasil é o país mais cristão do mundo. A quase totalidade de sua
população está distribuída entre os segmentos católico, evangélico e
espírita. No entanto, carrega um troféu nada lisonjeiro, frontalmente
contrário aos princípios cristãos: é o campeão mundial do aborto, onde
a taxa de interrupção supera a taxa de nascimento. A cada hora, 168
crianças deixam de nascer. Cerca de 30% dos leitos hospitalares
reservados à Ginecologia e Obstetrícia são ocupados por pacientes
sofrendo consequências de abortos provocados.
Embora haja mulheres de todas as idades e condições sócio-econômicas
variadas, a maioria é de ado1escentes, despreparadas para assumir a
maternidade ou apavoradas com a reação dos pais e da sociedade.
Esta
situação fez surgir no país grupos dispostos a legalizar o aborto,
torná-lo fácil, acessível, higiênico, juridicamente correto. Os
argumentos são os mais diversos: o direito da mulher sobre o seu
próprio corpo, as condições sócio-econômicas para educar um filho, a
violência sexual contra a mulher, problemas de má formação fetal,
gravidez indesejada, rejeição do filho pelo pai, e as más condições em
que são realizados os abortos clandestinos.
No
Congresso Nacional há um projeto de lei-PL 20/91, favorável ao
atendimento do aborto legal pelo Sistema Único de Saúde. Em
contrapartida houve um projeto de emenda constitucional- PEC 25AJ95
que pretendeu incluir no texto da Constituição o direito à vida "desde
a sua concepção".
Num
universo de 524 deputados, apenas 32 foram favoráveis. Os demais foram
contra ou se omitiram.
Os
grupos pró-aborto acreditam que estão agindo da forma correta e que
defendem a vida. Talvez estivessem, se o feto fosse apenas um apêndice
do corpo.
A Voz
da Ciência
A
verdade como sempre, vem da Espiritualidade Superior, manifestada nas
várias religiões, e depois é confirmada pela Ciência, voz capaz de
convencer ao mais incrédulo ser.
É o
que está acontecendo em relação à concepção e ao aborto. Os inúmeros
relatos mediúnicos, confirmam que o feto é uma vida cujo advento foi
preparado minuciosamente por tecnologia ainda muito além da
compreensão dos mais renomados cientistas. As condições do corpo, as
condições de nascimento, tudo é preparado de forma adequada ao
cumprimento do seu roteiro de provas, expiações e missões. Interromper
a gravidez é impedir que o espírito evolua, que resgate seus débitos
ou que cumpra missão de apoio à sua mãe e familiares, a quem está
ligado há incontáveis encarnações. As consequências são negativas,
desarticulando a saúde física da mãe e desequilibrando ambos os
espíritos.
Para
confirmar estes fatos ou aprofundar a análise, o leitor poderá
recorrer às obras de Kardec, Emmanuel, André Luiz e muitos outros, à
disposições nas livrarias espíritas.
Estas
afirmações estariam restritas ao campo filosófico-espiritual, se a
ciência, ainda que tímida, não as confirmasse. Inúmeros estudos
comprovam a existência de vida desde o momento da concepção: Brandley
Patten, em seu livro "Human Embriology" explica que o zigoto, formado
pelo espermatozóide e o óvulo, é um ser humano, um novo indivíduo
dotado de vida nova e pessoal. "O feto não é apenas uma massa celular
viva, nem um simples pedaço do corpo da mãe, mas um ente autônomo que
depende da alimentação materna."
Jérome Lejune, especialista em genética fundamental afirma "a vida
começa na fecundação. Quando os 23 cromossomos masculinos
transportados pelo espermatozóide se encontra com os 23 cromossomos do
óvulo da mulher, todos os dados genéticos que definem o novo ser
humano já estão presentes. A fecundação é o marco do início da vida.
Daí para frente, qualquer método artificial para destruí-lo é um
assassinato."
E.
Nathanson, ginecologista, ex-diretor da maior clínica abortiva do
mundo, apresentou declarações, referentes ao aborto, defendendo a
condição humana do feto. "Talvez alguns pensem que antes de meus
estudos devia saber, já que era médico e, ademais, ginecologista, que
o ser concebido é uma criatura humana...
Efetivamente, eu sabia, porém não havia comprovado eu mesmo e de modo
científico... hoje, com técnicas modernas se pode tratar dentro do
útero muitas enfermidades, e também efetuar até cinqüenta espécies de
operações cirúrgicas. São estes os argumentos científicos que mudaram
o meu modo de pensar, e este até agora o meu argumento. Se o ser
concebido é um paciente a quem se pode tratar até cirurgicamente,
então é uma pessoa e se é uma pessoa, tem direito à vida e também tem
direito a que nós, médicos e pais, procuremos conservá-la." Quem já
teve oportunidade de assistir a filmes intra-uterinos dos processos
abortivos verificou o silencioso terror dos fetos e sua desesperada
luta para sobreviver. São filmes muito mais impressionantes que
aqueles que retratam a violência, os assassinatos espetaculares tão ao
gosto do Homem do Século XX. Por si só, convencem sobre a realidade da
vida, a partir da concepção.
Num
ponto, Ciência e Religião já caminham juntas: em raríssimos casos, o
aborto pode ser aceito, se a gravidez oferece risco à vida da mãe.
Neste caso é preciso optar pelo ser que existe há mais tempo e que se
encontra em plena tarefa evolutiva Neste caso, a Espiritualidade
aplica recursos que permitam ao espírito do filho desligar-se da mãe
de maneira menos traumática possível e aguardar urna nova oportunidade
de reencarnar-se. Vale ressaltar que nem mesmo no caso de estupro, o
aborto é aceito. Se a mãe não tiver condições de criar o filho, por
motivos psicológicos, econômicos ou outros, melhor é entregá-lo à
adoção, se possível a familiares.
Qual é
a solução?
O
respeito à vida, desde que se inicia é fundamental. O acaso não
existe, portanto, mulher nenhuma engravida por acaso. O espírito que a
ela se liga, no momento da concepção, é alguém que depende dela para
crescer, educar-se, evoluir.
O
assunto porém, não está afeto apenas à mulher. O pai tem sua parcela
de responsabilidade e deve apoiar a ambos, mãe e filho.
Hoje,
graças aos testes de DNA, dificilmente alguém poderá fugir a esta
responsabilidade.
A
sociedade também tem preponderante papel neste caso. Em lugar de
apoiar o aborto, discriminar a mãe solteira, incentivar a excessiva
liberdade sexual e aceitar passivamente que milhões de homens rejeitem
seus filhos, nascidos de ligações lícitas e ilícitas, deve assumir
outras ações mais eficientes.
A
primeira delas é o incentivo à educação dos jovens sobre métodos de
planejamento familiar, saúde sexual e suas implicações morais.
Cientistas, políticos, educadores e comunicadores podem, e devem,
reavaliar suas ações em relação ao aborto, a partir do reconhecimento
que ele é um assassinato, e como tal deve ser combatido.
Até
agora, os órgãos governamentais e a mídia tem tratado os problemas
sociais, combatendo apenas o efeito.
Um
exemplo é o gasto de milhões de reais em confecção e distribuição de
preservativos bem como a veiculação de peças publicitárias paliativas
e inócuas.
Centrar as ações na remoção das causas será gratificante. O apoio aos
pais carentes, através de política de combate aos males sociais como
desemprego, falta de acesso à educação e saúde, aliado a intensa
campanha de informação, são caminhos a tomar.
Os
resultados não serão imediatos. Mas se houver a participação de cada
um, em seu respectivo campo de ação, as soluções surgirão ao longo dos
anos. Gradativamente, o aborto deixará de ser uma prática comum para
tornar-se medida de exceção, somente utilizada em caso de risco de
vida.
Nossa
esperança é que as gerações futuras conheçam o aborto como hoje
conhecemos a guilhotina: um primitivo meio de execução, perdido na
memória dos tempos..
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