O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 

Título :
Magistrados Conscientes da Nossa Época

Autor:
Luiz Guilherme Marques

Fonte:
O Mensageiro

ARTIGOS

     

José Raul Teixeira disse certa vez, numa palestra em Belo Horizonte, que reencarnam com a “prova” da Magistratura as pessoas que erraram muito nas profissões jurídicas no passado, sendo de se imaginar que é por isso que alguns ingressam nessa profissão como num “golpe de sorte”, apesar de não tão preparados tecnicamente, enquanto outros, que se esfalfam no estudo, não logram ingressar na carreira.

Atualmente, está na moda estudar Direito e querer ser juiz.

A maioria dessas pessoas pensa no lado financeiro, na segurança que os empregos públicos oferecem e sequer imaginam as agruras que os juízes vivem no dia-a-dia.

Muitos sonham em ser juiz como na infância queriam ser artistas da TV, astronautas ou médicos.

Num diálogo registrado por Emmanuel, no livro Há Dois Mil Anos, entre Públio Lêntulus e Jesus, o Mestre do Amor disse ao aturdido senador romano, dentre outras coisas, que “juiz é aquele que nasceu para a dura missão de retificar”.

Acredito que podemos entender “missão” como “prova”. Não conheço nenhum “missionário” na Magistratura...

A expressão “dura” parece retratar o trabalho nosso tanto bruto, a ser exercido por alguém igualmente um tanto rude. Um Francisco Assis ou uma Madre Teresa de Calcutá, por exemplo, não quereriam exercer nosso ofício, que ainda tem muito de castigador e pouco de conciliador.

Fátima Nancy Andrighi, com a suavidade característica das mulheres, tem pregado a Conciliação, infelizmente não conseguindo ainda entusiasmar os magistrados apegados ao estilo do Judiciário ditatorial dos tempos passados.

Para suavizar nossa índole, um dos melhores exercícios é a meditação.

Mohandas Ganghi afirmava que não passava um dia sem dedicar algum tempo à meditação.

As técnicas de meditação são muito bem tratadas pelos mestres hinduístas e budistas, todavia, no meio espírita, temos as orientações seguras de Divaldo Pereira Franco.

Com esses exercícios diários, sublimamos nossa personalidade e nos conectamos com as correntes divinas da Saúde e da Paz.

Os resultados não são instantâneos, mas sim progressivos. Todavia, quem está acostumado, como nós, com uma rotina de disciplina, não estranhará a necessidade da prática de muitos anos para sentirmos a diferença para melhor.

Há quem prefira orar, mas parece-me que a meditação produz um efeito mais decisivo quando bem orientada.

Simplesmente ler não basta. Simplesmente praticar a caridade igualmente.

Todas essas práticas são imprescindíveis, mas, sem a meditação, ficamos muito sujeitos a oscilações de humor, resultado da pressão dos equívocos do passado remoto ou recente.

Francisco Cândido Xavier priorizou a evangelização dos espíritas, talvez porque a mensagem espíritas precisasse muito de firmar-se naqueles primeiros tempos. Divaldo Franco, atento à progressividade da Revelação, mesmo demonstrando afeição acendrada ao seu amigo e mestre, trouxe alguns dados a mais, inclusive informando sobre ensinos importantes do Hinduísmo.

Uma das suas orientações mais importantes sobre personalidades não-espíritas parece ter sido acerca de Sathya Sai Baba, seguramente o mais destacado missionário da nossa época.-

Nós, magistrados espíritas, não devemos limitar nossas preocupações à rotina forense, mas sim devemos investir no nosso desenvolvimento espiritual, evoluindo aos poucos para o desenvolvimento do poder mental através dos exercícios adequados.

Afinal, estamos vivendo a tão esperada época de transição entre o período de “provas e expiações” para o de “regeneração”, sendo certo que a linguagem do futuro será a do pensamento.

Quem investe no seu desenvolvimento espiritual só tem a ganhar. Vale a pena começar e seguir adiante.