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José Raul Teixeira disse certa vez, numa palestra em Belo Horizonte,
que reencarnam com a “prova” da Magistratura as pessoas que erraram
muito nas profissões jurídicas no passado, sendo de se imaginar que
é por isso que alguns ingressam nessa profissão como num “golpe de
sorte”, apesar de não tão preparados tecnicamente, enquanto outros,
que se esfalfam no estudo, não logram ingressar na carreira.
Atualmente, está na moda estudar Direito e querer ser juiz.
A
maioria dessas pessoas pensa no lado financeiro, na segurança que os
empregos públicos oferecem e sequer imaginam as agruras que os juízes
vivem no dia-a-dia.
Muitos sonham em ser juiz como na infância queriam ser artistas da TV,
astronautas ou médicos.
Num
diálogo registrado por Emmanuel, no livro Há Dois Mil Anos, entre
Públio Lêntulus e Jesus, o Mestre do Amor disse ao aturdido senador
romano, dentre outras coisas, que “juiz é aquele que nasceu para a
dura missão de retificar”.
Acredito que podemos entender “missão” como “prova”. Não conheço
nenhum “missionário” na Magistratura...
A
expressão “dura” parece retratar o trabalho nosso tanto bruto, a ser
exercido por alguém igualmente um tanto rude. Um Francisco Assis ou
uma Madre Teresa de Calcutá, por exemplo, não quereriam exercer nosso
ofício, que ainda tem muito de castigador e pouco de conciliador.
Fátima Nancy Andrighi, com a suavidade característica das mulheres,
tem pregado a Conciliação, infelizmente não conseguindo ainda
entusiasmar os magistrados apegados ao estilo do Judiciário ditatorial
dos tempos passados.
Para
suavizar nossa índole, um dos melhores exercícios é a meditação.
Mohandas Ganghi afirmava que não passava um dia sem dedicar algum
tempo à meditação.
As
técnicas de meditação são muito bem tratadas pelos mestres hinduístas
e budistas, todavia, no meio espírita, temos as orientações seguras de
Divaldo Pereira Franco.
Com
esses exercícios diários, sublimamos nossa personalidade e nos
conectamos com as correntes divinas da Saúde e da Paz.
Os
resultados não são instantâneos, mas sim progressivos. Todavia, quem
está acostumado, como nós, com uma rotina de disciplina, não
estranhará a necessidade da prática de muitos anos para sentirmos a
diferença para melhor.
Há
quem prefira orar, mas parece-me que a meditação produz um efeito mais
decisivo quando bem orientada.
Simplesmente ler não basta. Simplesmente praticar a caridade
igualmente.
Todas
essas práticas são imprescindíveis, mas, sem a meditação, ficamos
muito sujeitos a oscilações de humor, resultado da pressão dos
equívocos do passado remoto ou recente.
Francisco Cândido Xavier priorizou a evangelização dos espíritas,
talvez porque a mensagem espíritas precisasse muito de firmar-se
naqueles primeiros tempos. Divaldo Franco, atento à progressividade da
Revelação, mesmo demonstrando afeição acendrada ao seu amigo e mestre,
trouxe alguns dados a mais, inclusive informando sobre ensinos
importantes do Hinduísmo.
Uma
das suas orientações mais importantes sobre personalidades
não-espíritas parece ter sido acerca de Sathya Sai Baba, seguramente o
mais destacado missionário da nossa época.-
Nós,
magistrados espíritas, não devemos limitar nossas preocupações à
rotina forense, mas sim devemos investir no nosso desenvolvimento
espiritual, evoluindo aos poucos para o desenvolvimento do poder
mental através dos exercícios adequados.
Afinal, estamos vivendo a tão esperada época de transição entre o
período de “provas e expiações” para o de “regeneração”, sendo certo
que a linguagem do futuro será a do pensamento.
Quem
investe no seu desenvolvimento espiritual só tem a ganhar. Vale a pena
começar e seguir adiante.
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