O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
A Presença de Deus

Autor:
Marco Antônio Fonseca Conceição
Piracicaba - SP
(colaborado)

Fonte:
O Mensageiro

ARTIGOS

       

Onde está Deus? Essa é uma pergunta que muitas vezes nos fazemos. Olhamos para o espaço infinito e ficamos imaginando em que lugar se encontra o Criador. Costumamos situá-lo no céu, para lá das nuvens, onde só podemos alcançá-lo pelo pensamento.

Muitas vezes imaginamos que Ele está distante e que jamais poderíamos entrar em contato direto com Ele. Por isso, nos habituamos a fazer as nossas preces para intermediários, quer sejam os espíritos, quer seja o próprio Jesus, porque não conseguimos conceber que o Poder supremo do universo, o Criador de todas as coisas, possa realmente nos "ouvir".

Muitas pessoas ingressam no movimento espírita oriundas do catolicismo ou dos meios científicos. Vários cientistas acreditam em Deus sem, contudo, admitir a sua interferência direta em nossas vidas. Esse foi o caso, por exemplo, de Isaac Newton e de Albert Einstein. Para esses homens, Deus criou o universo e o governa através de Leis imutáveis e perfeitas, não necessitando, por isso mesmo, interferir em nossos problemas diários.

Para os católicos, Deus é uma espécie de Rei, que governa o universo lá "do alto", ficando, por isso mesmo, muito distante de nós. Daí a devoção aos santos ou à Maria, mãe de Jesus, que servem de intermediários entre nós e o Pai.

Já para os judeus e para os protestantes, Deus atua diretamente em nossas vidas. Os profetas nos ensinaram a entrar em contato direto com a Divindade, sem a necessidade de intermediários. Os pastores evangélicos também ensinam aos seus seguidores que a prece deve ser feita diretamente a Deus, a Jesus ou ao Espírito Santo, que para eles são a mesma pessoa, uma vez que acreditam na Santíssima Trindade.

E o que diz a Doutrina Espírita? Deus está distante de nós ou perto de nós? Será possível se dirigir diretamente à Ele ou são necessários, sempre, intermediários?

Para responder a essas perguntas, transcrevemos de forma livre, a seguir, alguns trechos do ítem "A Providência", que está no capítulo segundo do livro "A Gênese", de Allan Kardec:

"A providência é a solicitude de Deus para com as suas criaturas. Deus está por toda a parte e tudo vê, tudo preside, mesmo às menores coisas; é nisso que consiste a ação providencial. 

'Como é que Deus, tão grande, tão poderoso, tão superior a tudo pode se imiscuir em detalhes ínfimos, preocupar-se com os menores atos e os menores pensamentos de cada indivíduo?' 

Tal é a questão que o incrédulo se coloca, donde conclui que, mesmo aceitando a existência de Deus, ele admite que Sua ação se estende somente sobre as leis gerais do Universo; que o Universo funciona de toda a eternidade em virtude dessas leis, às quais cada criatura está submetida, sem que seja necessário o concurso incessante da Providência.

Suponhamos, entretanto, um fluido bastante sutil para penetrar todos os corpos; esse fluido, não sendo inteligente, age mecanicamente tão só pela forças materiais; mas se supusermos esse fluido dotado de inteligência, ele não agirá mais cegamente mas, sim, com discernimento, com vontade e com liberdade.

Para facilidade de nossa inteligência, vamos representar o Pensamento de Deus sob a forma de um fluido inteligente, preenchendo o Universo infinito, penetrando todas as partes da criação: a Natureza inteira está mergulhada no fluido divino; tudo está submetido à sua ação inteligente, à sua previdência, à sua solicitude. Estamos, assim, constantemente em presença da Divindade.

Para estender sua solicitude sobre todas as criaturas, Deus não tem, pois, necessidade de mergulhar seu olhar do alto da imensidade; as nossas preces, para serem ouvidas, não têm necessidade de cortarem o espaço, nem de serem ditas com voz retumbante porque, os nossos pensamentos repercutem nEle, incessantemente, ao nosso lado."

Por esse texto podemos compreender, mesmo que de forma figurada, que a presença de Deus se faz em toda a parte. Não podemos 'fugir' de Deus ou nos afastarmos dEle, pois Ele estará sempre ao nosso lado. Para orarmos, não precisamos olhar o céu e pensarmos que Deus está lá no alto, pois Ele nos envolve constantemente com o Seu Pensamento.

Poderíamos comparar esse Pensamento, com as ondas do rádio. que nos envolvem sem que as percebamos. Só descobrimos que elas estão presentes quando ligamos o aparelho e as captamos. Da mesma forma, a oração pode ser considerada como um processo de sintonia, em que captamos a 'freqüência Divina' que nos envolve sempre.

Por essa razão, pode-se responder à pergunta inicial 'Onde está Deus', com a simples afirmativa de que 'Ele está aqui!'.