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Onde está Deus? Essa
é uma pergunta que muitas vezes nos fazemos. Olhamos para o espaço
infinito e ficamos imaginando em que lugar se encontra o Criador.
Costumamos situá-lo no céu, para lá das nuvens, onde só podemos
alcançá-lo pelo pensamento.
Muitas vezes
imaginamos que Ele está distante e que jamais poderíamos entrar em
contato direto com Ele. Por isso, nos habituamos a fazer as nossas
preces para intermediários, quer sejam os espíritos, quer seja o próprio
Jesus, porque não conseguimos conceber que o Poder supremo do
universo, o Criador de todas as coisas, possa realmente nos
"ouvir".
Muitas pessoas
ingressam no movimento espírita oriundas do catolicismo ou dos meios
científicos. Vários cientistas acreditam em Deus sem, contudo,
admitir a sua interferência direta em nossas vidas. Esse foi o caso,
por exemplo, de Isaac Newton e de Albert Einstein. Para esses homens,
Deus criou o universo e o governa através de Leis imutáveis e
perfeitas, não necessitando, por isso mesmo, interferir em nossos
problemas diários.
Para os católicos,
Deus é uma espécie de Rei, que governa o universo lá "do
alto", ficando, por isso mesmo, muito distante de nós. Daí a
devoção aos santos ou à Maria, mãe de Jesus, que servem de
intermediários entre nós e o Pai.
Já para os judeus e
para os protestantes, Deus atua diretamente em nossas vidas. Os
profetas nos ensinaram a entrar em contato direto com a Divindade, sem
a necessidade de intermediários. Os pastores evangélicos também
ensinam aos seus seguidores que a prece deve ser feita diretamente a
Deus, a Jesus ou ao Espírito Santo, que para eles são a mesma
pessoa, uma vez que acreditam na Santíssima Trindade.
E o que diz a
Doutrina Espírita? Deus está distante de nós ou perto de nós? Será
possível se dirigir diretamente à Ele ou são necessários, sempre,
intermediários?
Para responder a
essas perguntas, transcrevemos de forma livre, a seguir, alguns
trechos do ítem "A Providência", que está no capítulo
segundo do livro "A Gênese", de Allan Kardec:
"A providência
é a solicitude de Deus para com as suas criaturas. Deus está por
toda a parte e tudo vê, tudo preside, mesmo às menores coisas; é
nisso que consiste a ação providencial.
'Como é que Deus, tão
grande, tão poderoso, tão superior a tudo pode se imiscuir em
detalhes ínfimos, preocupar-se com os menores atos e os menores
pensamentos de cada indivíduo?'
Tal é a questão que
o incrédulo se coloca, donde conclui que, mesmo aceitando a
existência de Deus, ele admite que Sua ação se estende somente
sobre as leis gerais do Universo; que o Universo funciona de toda a
eternidade em virtude dessas leis, às quais cada criatura está
submetida, sem que seja necessário o concurso incessante da Providência.
Suponhamos,
entretanto, um fluido bastante sutil para penetrar todos os corpos;
esse fluido, não sendo inteligente, age mecanicamente tão só pela
forças materiais; mas se supusermos esse fluido dotado de inteligência,
ele não agirá mais cegamente mas, sim, com discernimento, com
vontade e com liberdade.
Para facilidade de
nossa inteligência, vamos representar o Pensamento de Deus sob
a forma de um fluido inteligente, preenchendo o Universo infinito,
penetrando todas as partes da criação: a Natureza inteira está
mergulhada no fluido divino; tudo está submetido à sua ação
inteligente, à sua previdência, à sua solicitude. Estamos,
assim, constantemente em presença da Divindade.
Para estender sua
solicitude sobre todas as criaturas, Deus não tem, pois,
necessidade de mergulhar seu olhar do alto da imensidade; as nossas
preces, para serem ouvidas, não têm necessidade de cortarem o
espaço, nem de serem ditas com voz retumbante porque, os nossos
pensamentos repercutem nEle, incessantemente, ao nosso lado."
Por esse texto
podemos compreender, mesmo que de forma figurada, que a presença de
Deus se faz em toda a parte. Não podemos 'fugir' de Deus ou nos
afastarmos dEle, pois Ele estará sempre ao nosso lado. Para orarmos,
não precisamos olhar o céu e pensarmos que Deus está lá no alto,
pois Ele nos envolve constantemente com o Seu Pensamento.
Poderíamos comparar
esse Pensamento, com as ondas do rádio. que nos envolvem sem que as
percebamos. Só descobrimos que elas estão presentes quando ligamos o
aparelho e as captamos. Da mesma forma, a oração pode ser
considerada como um processo de sintonia, em que captamos a 'freqüência
Divina' que nos envolve sempre.
Por
essa razão, pode-se responder à pergunta inicial 'Onde está Deus',
com a simples afirmativa de que 'Ele está aqui!'.
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