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A
dor é pungente, a angústia é asfixiante, o vácuo, o vazio, é
profundo...
Tudo
isto avassala-nos o ser quando a morte adentra o lar, para ceifar,
impiedosamente, um ente querido: a mãe, o pai, um filho, uma filha,
um irmão, uma irmã, a avó, o avô, um tio, uma tia... Às vezes, a
pessoa nem possui laços consangüíneos, mas é um amigo fiel e
dedicado de todas as horas, tudo se passando como se fosse um parente.
O
sentimento de “perda” aparece agigantado, não importando a idade
do ente querido, se muitos anos ou apenas alguns anos, alguns meses ou
horas de vida (caso de crianças que morrem em tenra idade).
É
natural que assim seja, pois é o amor puro falando mais alto, só que
é ainda um amor possessivo que precisa ser trabalhado, controlado e
dominado, pois sabemos que na Terra, nada possuímos, nem mesmo o próprio
corpo carnal. Tudo é
concedido por Deus ao Espírito, a título de empréstimo, por algum
tempo, para instrumento do seu próprio progresso.
Existe o sentimento de “perda”, porque achamos que somos
“donos” das coisas e também das pessoas.
Por isso falamos: minha casa, meu lar, meu carro, meu dinheiro,
meu filho, meu pai...
A
palavra “perda” é utilizada impropriamente, visto que nada
perdemos, quando nada possuímos.
O conceito de imortalidade da alma precisa ser mais
evidenciado, mais enfatizado. Devemos
entender que, em vez de “perda” dos entes queridos, há apenas uma
separação temporária, pois, mais cedo ou mais tarde, estaremos
todos juntos novamente. É
verdade que este reencontro pode demorar muitos anos, 50 anos por
exemplo. Mas o que são 50 anos, frente a eternidade, a imensidão do
tempo? A contagem do tempo para
os Espíritos desencarnados é diferente da nossa aqui na Terra,
porque é livre das convenções terrenas, que só são úteis para a
matéria densa. O Espírito desencarnado, vivendo noutra dimensão, tem um
entendimento mais amplo da vida e do tempo.
A
morte física tira do convívio material, aqueles que nos são caros,
mas isto não quer dizer que eles estejam excluídos dos nossos
pensamentos e sentimentos de afeto, de amor.
Não devemos nos entristecer e sofrer pela separação física
temporária, mesmo porque a separação espiritual não existe.
Sempre que um Espírito pensa num outro Espírito, encarnado ou
desencarnado, um fio fluídico se estabelece entre os dois seres,
servindo de canal de ligação, de comunicação, entre eles.
É um canal de mão dupla, de ida e de volta.
Os pensamentos, sentimentos e desejos de um, como se fosse um
telefone, podem ser captados e interpretados pelo outro, com maior ou
menor intensidade, dependendo do vigor da fonte emissora do
pensamento, do sentimento e do desejo.
É como, de alguma forma, os dois Espíritos estivessem em
contato íntimo, cada qual percebendo a presença do outro, em Espírito.
Por
esse motivo é que devemos pensar nos falecidos, nos entes queridos
que já empreenderam a viagem de regresso à Pátria Espiritual, com
muito amor e carinho e mesmo com alegria, porque eles sentirão
exatamente o que estamos sentindo.
Da mesma forma, não é necessária nem aconselhada a visita
aos cemitérios para as orações e a colocação de flores nas
tumbas, visto que lá moram simplesmente os despojos materiais em
decomposição, em transformação e às vezes, nem mesmo isto
encontraremos mais.
As
orações e as flores podem ser oferecidas como presentes de amor e
ternura, em qualquer lugar, inclusive dentro do lar, pois os Espíritos
se ligam pelos pensamentos e desejos, automaticamente e percebem,
instantaneamente, as nossas intenções.
É
verdade que alguns Espíritos vivem dentro dos cemitérios, ao lado
das suas tumbas, perdendo um tempo precioso apegados ainda aos
despojos materiais, geralmente em sofrimento.
A maioria, porém, logo percebe que ganhou com a morte, a
liberdade em relação à matéria e vai procurar dar continuidade à
vida, preocupando-se com alguma atividade no Plano Espiritual.
Além disso, nos Cemitérios estão sediados Espíritos das
trevas, inferiorizados, que ainda não conseguiram se livrar das
necessidades materiais e se comprazem com o mal, aceitando oferendas
materiais, em troca de favores comprometedores.
Como os médiuns são que nem rádios receptores e emissores,
com as antenas ligadas, podem, de repente, entrar em sintonia com tais
entidades e receber as suas influências negativas e até mesmo se
sentirem mal. Por isso as
visitas aos cemitérios devem ficar restritas exclusivamente ao dever
social de sepultamento daqueles que nos são caros e nada mais.
Com
relação aos entes queridos desencarnados, é preciso, também, não
ficarmos com os pensamentos fixos neles, dia e noite, todos os dias,
pois tal procedimento pode prejudicá-los e atrapalhar o
desenvolvimento da sua vida espiritual, tornando-nos, nós os
encarnados, verdadeiros obsessores dos desencarnados.
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