|
O
Nazareno deixou-nos o grande ensinamento de que na Casa do Pai há
várias moradas. E elas estão em qualquer parte do universo,
portanto, a Terra é uma delas. E habitamos eternamente nelas
enquanto espíritos que somos. Mas justamente porque somos imortais,
nós já estamos na eternidade.
Segundo alguns filósofos, entre eles Huberto Rohden, podemos dividir
os indivíduos, espiritualmente falando, em três categorias:
profanos, virtuosos e iniciados.
Profanos são aqueles desinteressados pelas coisas da área
espiritual, embora não sejam necessariamente materialistas
propriamente ditos. Estão naquela fase de nem desejarem sequer,
ainda, entrar pela chamada Porta Estreita, de que falam os
Evangelhos. Todavia, vai chegar o dia em que eles vão despertar
também para isso, mas por eles mesmos, como o personagem da Parábola
do Filho Pródigo, pois Deus respeita o nosso livre-arbítrio que Ele
próprio nos deu, deixando por conta nossa o quando, o onde e o como
desse nosso despertar para as coisas do alto, do nosso Eu Interior.
A
categoria dos virtuosos constitui-se dos espiritualistas que
procuram por em prática os princípios do bem e da moral. Porém,
praticam-nos com dificuldades, sacrificando a sua própria vontade. É
a essa categoria que pertence a maioria de todos nós, que queremos
passar pela Porta Estreita, mas só conseguimos, por enquanto, a
passagem pela Porta Larga.
Já
a terceira categoria compõe-se de uns poucos indivíduos do tipo de
Chico Xavier, Madre Teresa de Calcutá, Gandhi, Luther King e Irmã
Dulce da Bahia. Elas fazem o bem, prazerosamente, como quem está com
fome e saboreia uma apetitosa comida.
O
Mestre disse que o seu jugo é suave. E essas pessoas sentem essa
realidade, já vivenciando estes seus conselhos : “Se alguém lhe der
um tapa no rosto, apresente-lhe a outra face”. “Se alguém tomar-lhe
a capa, dê-lhe também a túnica”. “Não resistais ao maligno”.
Encontram-se elas já no estágio de inofendibilidade, isto é,
neutralidade diante das ofensas que se lhes fazem. E, por isso, elas
até nem têm nada que perdoar a ninguém, pois que ninguém consegue
ofendê-las. E, obviamente, já têm passagem garantida pela Porta
Estreita, pois quase sempre elas estão voltadas para o mundo do seu
Eu Interior, o mundo do Reino dos Céus, que lhes é bastante para a
sua felicidade.
Essas idéias de nossa evolução espiritual trazem subjacente em seu
bojo a da reencarnação, ou seja, a de que, um dia, todos se
salvarão, pensamento este coincidente também com o da Igreja atual,
de que a salvação é para todos, com o de parte do Islamismo (Sufismo
e Bahaísmo) e, igualmente, com o das grandes religiões orientais,
cujos adeptos representam cerca da metade da população da Terra.
Com
efeito, se isso não fosse também a Doutrina do Homem de Nazaré, Ele
não se intitularia o Salvador do Mundo, mas, sim, só de meia dúzia
de almas!
E
não poderia ser diferente, pois, se Deus quer que todos se salvem, o
que poderia obstaculizar a sua vontade infinita?.
|