O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
Mãe

Autor:
Nelson Oliveira e Souza
Presidente do CETJ
(colaborador)

Fonte:
O Mensageiro

ARTIGOS

         

Do Latim vem a palavra mágica, cheia de ternura, paz e encantamento - MATER -, que os antigos romanos se encarregaram de espalhar pelo mundo conhecido da antiguidade, sofrendo em cada lugar, pequenas modificações e adaptações.

Os franceses dizem MÈRE; os espanhóis, MADRE; os italianos, MADRE ou MAMMA; os ingleses, MOTHER; os alemães, MUTTER; os irlandeses, MATHAIR; os russos, MATB; os holandeses, MOEDER; os gregos, MÈTER; em hebraico, EM; os portugueses dizem MÃE; e assim por diante...

Parece não ser por acaso que em muitos idiomas terrenos o mesmo radical está presente na formação da palavra MÃE, guardando uma identificação universal do som "m" com a palavra mãe e a mama da mãe, pois todos os bebês parecem pedir o alimento precioso - o leite materno - de formas semelhantes, independentemente do país em que tenham nascido.

É PORQUE A PALAVRA MÃE É VERDADEIRAMENTE A SÍNTESE MAIS PERFEITA DE UM HINO DE AMOR!

Oh! Mãe, mãezinha querida! Foste tu que me ofereceste, de forma submissa e ao mesmo tempo venturosa, dia após dia, durante nove meses consecutivos, o bercinho mais seguro, protegido e aconchegante, todo maciamente almofadado, tão carinhoso do teu ventre, do teu útero sublime, para que eu, Espírito ainda tão fragilizado pelas máculas das imperfeições, pudesse voltar à Terra e, gradualmente, segundo após segundo, ir me ligando a um novo corpo material em formação, acompanhando a multiplicação celular diferenciada, para uma nova reencarnação.

Durante nove meses o meu novo corpo carnal em formação, era como se fosse um pedaço do teu próprio ser. Sentia eu os teus pensamentos e sentimentos e tu também me sentias a presença, cada vez mais forte e evidente. Teus cuidados para comigo, não ficaram restritos tão somente ao tempo da gestação, em que me carregavas dentro do teu ventre, toda orgulhosa pela expectativa de ser mãe. Pelo contrário, os cuidados aumentaram e de muito, a partir da data do meu nascimento, como a externar um sentimento teu de não querer se separar jamais daquele bebê - um pequenino bonequinho vivo - que foi gerado dentro de ti, com tanto amor e carinho.

Ao vermos a figura da mãe, amamentando o seu filhinho querido no colo, com tanta dedicação e ternura, é como estarmos diante da materialização do próprio amor.

Ao morar num corpo de mulher a alma tem a oportunidade de exercitar valores e sentimentos que nem sempre lhe são acessíveis no sexo masculino com tanta intensidade, visto que a intuição é aguçada, os instintos de defesa e de proteção são aumentados e, principalmente, o sentimento de amor ao próximo se agiganta. Desde a infância a menina é preparada para a sublime tarefa da maternidade, quando brinca com bonecos e bonecas, exercitando-se para receber, oportunamente, "bonequinhas e bonequinhos vivos"- Espíritos seus irmãos, que precisam da sua proteção, carinho, orientação e muito amor.

A partir do momento da concepção, o perispírito do Espírito reencarnante, passa por um processo de "condensação", de forma a se ligar, célula a célula, ao embrião em desenvolvimento. Ao lado do espírito da gestante está associado o Espírito reencarnante, ligado por uma forte força magnética que o atrai cada vez mais. É como se a mulher grávida pudesse ser considerada com duas personalidades em um só corpo material. O Espírito que já está começando a reencarnar, a partir da concepção e, até mesmo antes dela, vai aliando as suas sensibilidades às da mãe, de modo que começa a sentir tudo aquilo que se passa no psiquismo da mãe e, igualmente, a mãe também é influenciada pelo se Irmão que vai voltar à Terra, inicialmente, como criança, esquecendo-se, gradativamente, das peripécias das vidas passadas. Há uma verdadeira simbiose de pensamentos e sentimentos, um Espírito influenciando o outro. Por esta razão, a gestante deve ser cautelosa para assegurar um ambiente tranqüilo ao seu bebê, da concepção ao nascimento, procurando abster-se do fumo e do consumo de álcool e de drogas e, principalmente, higienizando os seus pensamentos e sentimentos, voltando-se para o bem, esforçando-se para só participar de conversações edificantes, estabelecendo um filtro de pureza e amor com relação ao ambiente em que vive, às vezes bem agressivo. Até as melodias a serem ouvidas devem ser criteriosamente selecionadas. É evidente que o Espírito reencarnante será beneficiado pelo clima espiritual de paz formado e mantido pela sua Irmã gestante, em virtude da forte ligação magnética existente entre os dois Espíritos.

A futura mamãe deve se lembrar que associado ao seu pensamento e ao seu sentimento, pode aflorar o pensamento e o sentimento do Espírito do seu bebê em gestação. Se ocorrerem reações estranhas, pensamentos e sentimentos infelizes e negativos, de tristeza, angústia, medo ou melancolia, é dever da gestante reagir imediatamente com pensamentos e sentimentos contrários, procurando amparar e consolar o seu Irmão reencarnante, orando e irradiando o seu amor em sua direção, para que ele se tranqüilize e se fortaleça de esperanças, sentindo que possui alguém do seu lado - a sua mãe protetora.

O Irmão reencarnante pode ser um comparsa do passado, havendo necessidade de se reencontrar agora, ficando face a face, vitima e algoz, para tentar a reconciliação dentro da família carnal, para a prática do perdão e do amor filial e maternal. Poderá ser, também, um Irmão carente, fragilizado pelos vícios que se enraizaram através das múltiplas reencarnações e, agora, com abnegada disposição de carinho e amor, o seio materno deverá se predispor a ajudá-lo com maior ternura, para que não continue a errar, mas possa se modificar com os bons exemplos maternos, para retornar à senda do bem.

Daí a importância da reforma íntima de cada um, estruturada nas recomendações evangélicas do nosso Mestre Jesus, sempre relembradas pela Doutrina Espírita - a Terceira Revelação - codificada por Allan Kardec.