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Não
seria, a meu ver, completo este ensaio sociológico, à luz do
Espiritismo, se não escrevesse, pelo menos num vôo de pássaro,
sobre esta doença que está assolando a Humanidade neste final de século
XX.
Não
é nenhum castigo de Deus. É o resultado da falta de higiene e do desregramento moral
da Humanidade, enquadrando-se no rol das doenças sexualmente
transmissíveis.
AIDS
é a sigla da expressão inglesa acquired immunodeficiency syndrome,
que, traduzida, é SIDA, como aliás se diz em Portugal, ou seja, síndrome
da imunodeficiência adquirida. Quer
dizer, o indivíduo não adquire defesa orgânica contra o ataque dos
micróbios patogênicos porque o seu sistema imunológico está destruído
pelo HIV, o human immunodeficiency vírus (o vírus da imunodeficiência
humana).
Trata-se,
ao que tudo indica, uma doença recente.
Os primeiros casos foram registrados em 1979, nos Estados
Unidos da América, se bem que, ao que se sabe, já teria existido em
forma endêmica na África anteriormente.
No
Brasil oficialmente os primeiros registros da doença foram feitos em
1982 e hoje(1995) é Santos, no Estado de São Paulo, a cidade onde há
o maior número de casos comprovados.
O
vírus da AIDS mede apenas um décimo de milésimo de milímetro!
Sendo os vírus em geral extremamente tão pequenos, sua
estrutura e natureza, só podem ser conhecidos utilizando-se técnicas
de raios X na microscopia eletrônica associadas a análises de Bioquímica.
Assim, sabe-se ser o HIV basicamente constituído de RNA (ácido
ribonucléico) associado a uma enzima chamada transcriptase, ambos
envolvidos por uma membrana de natureza protéica.
Este vírus ataca e destrói os linfócitos T-4, que são as células
sanguíneas (dentre outras) responsáveis pela defesa do corpo contra
os micróbios causadores de doenças.
Sem defesa orgânica, em virtude da ação do HIV sobre os linfócitos
T-4, o organismo do indivíduo portador deste vírus fica sujeito a
adquirir infecções comuns, chamadas de oportunistas, facilmente curáveis
em pessoas sem o HIV, e mortais nos aidéticos, como a pneumonia, a
meningite, infecções intestinais, doenças que se desenvolvem graças
à citada vulnerabilidade do sistema imunológico, acarretando a
desencarnação do paciente!
A
transmissão do HIV se dá através do liquido espermático, das secreções
vaginais e do sangue de pessoas contaminadas.
De duas a seis semanas após sua introdução no organismo, em
20% dos casos nota-se o aparecimento de uma síndrome mononucleósica,
caracterizada por febres regulares ou elevadas, inflamações nos gânglios
linfáticos, e manchas avermelhadas na pele. Estes sintomas podem desaparecer após dez ou mais dias em
muitos indivíduos contaminados.
Depois
de três meses, o organismo atacado sintetiza anticorpos, ocasião em
que os gânglios linfáticos se tornam bastante inchados (as chamadas
ínguas) surgindo também um quadro de outras moléstias com diversos
sintomas, tais como micoses ou sapinhos na face, na boca, nas unhas;
febre prolongada superior a 38 graus centígrados; perda de cerca de
10% do peso corporal; suores noturnos abundantes; cansaço intenso e
prolongado; tosse prolongada; faringite; dificuldade de engolir.
Meses
depois, o mal se agrava com as afecções pulmonares (pneumonia),
digestivas (diarréias persistentes), respiratórias bem como o
sarcoma de Kaposi, ou seja, erupções generalizadas na pele, na boca,
nos vasos sanguíneos, nos órgãos mais internos, que foram estudados
pelo médico húngaro Kaposi.
Algumas
pessoas contaminadas podem não desenvolver todas estas formas graves
da doença. Trata-se de
pessoas assintomáticas, porém transmissoras do mal.
São soropositivas. Há casos em que o HIV pode ficar no corpo sem se manifestar
por um período de mais de seis meses a cinco anos.
Na
transmissão sexual, o vírus pode penetrar
através das lesões microscópicas dos tecidos que revestem o
pênis, a vagina e o reto (nos casos anômalos de coito anal).
Através destas microlesões, ele cai na corrente do sangue
atacando, por fim, os linfócitos T-4.
Cumpre
lembrar que as maiores vitimas são também os usuários de drogas
injetáveis (toxicômanos), que utilizam uma única seringa e agulha
para se drogarem coletivamente; de igual maneira, se prejudicam muito
os hemofílicos, porque, em razão de sua tendência a hemorragias,
necessitam de freqüentes transfusões sanguíneas
ou de produtos do plasma.
Quando este sangue ou estes fatores plasmáticos estão
contaminados, os hemofílicos acabam infectados.
Sabe-se, por fim, que a mãe poderá passar o vírus para o
feto e para o bebê durante a gravidez ou no período do aleitamento.
Existem
testes laboratoriais para detectar a presença do HIV, sendo muito
usado no Brasil o teste Elisa, tanto como há algumas drogas
medicamentosas que, embora não curando a doença, pelo menos
prolongam a vida do paciente, de alguma forma melhorando o seu estado
geral. São
medicamentos como o AZT (azidotimina), o HPA-23, o interferon alfa, o
Suramin, o Ribavin, todos eles lamentavelmente com efeitos colaterais
severos que impedem o seu
uso prolongado.
Diante
da gravidade desta epidemia, todos os cuidados são poucos para
prevenir a contaminação pelo HIV, tais como:
1
- Usar camisinha-de-Vênus
nas relações sexuais;
2
- Reduzir ao mínimo os
parceiros sexuais, o que é um suplício quando por falta de uma
segura orientação moral, a criatura tem um comportamento promíscuo,
praticando o sexo sem amor, sem responsabilidade;
3
– Utilizar somente agulhas e seringas descartáveis em tratamento médico;
4
– Exigir que as autoridades sanitárias exerçam o mais rigoroso
controle da qualidade do sangue utilizado nas transfusões porque
ninguém está indene de sofrer, por exemplo, no trânsito ou mesmo em
casa, um acidente e ter de receber de emergência sangue no hospital
ou na casa-de-saúde;
5
– Mães contaminadas não devem amamentar seus filhos.
Vou
terminar este artigo dizendo que o aidético não deve de modo nenhum
ser discriminado!... Muito
pelo contrário, ele necessita de carinho e amizade para aliviar o seu
padecimento. Ninguém vai
pegar AIDS porque visitou um aidético, porque foi carinhoso para com
ele, dando-lhe uma palavra de alento e confiança em deus.
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