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Pior,
tragicamente pior que a do Vietnam é a guerra interna de Biafra, onde
uma disputa fratricida pelo poder extermina diariamente milhares de
criaturas absolutamente alheias ao processo político da Nigéria.
São mães e crianças aparentemente inocentes que sofrem na
carne a conseqüência da discórdia de seus lideres fanáticos,
especialmente o diabólico general Ojkwo.
Mas, então – é de se cogitar – onde está Deus?
Como é possível explicar a hediondez que se vem praticando
ali, num quadro incontestavelmente dantesco, contra populações civis
inermes que só querem e só desejam a paz, não importa o governo que
lhes dêem? Não consola
a ninguém justificar tais atos de barbárie com os ignotos desígnios
do Criador ou as origens pecaminosas dos seus ascendestes.
Onde está a bondade de Deus?
Onde, a justiça de Deus?
Meu
caro leitor, somente o Espiritismo pode explicar a incongruência
dessa cruel realidade. Somente
a Doutrina de Allan Kardec consegue fazer luz nas trevas dessa incógnita,
que, nos termos em que se nos oferece à razão, sem uma cabal explicação,
resulta em desconsolo, desesperança e até revolta.
No
“Grupo Ismael”, de que faço parte, na Federação Espírita
Brasileira, em plena reunião, meu companheiro Francisco Thiesen
interpreta para nós a mensagem do entendimento em torno do doloroso
processo coletivo de Biafra. A
ponderação é justa e precisa.
Não há por que estranhá-la, tais os elementos de aclaramento
que alinha.
Morrem
em Biafra, sofrem ali os piores horrores duma guerra irracional, são
torturados, queimados, dilacerados em Biafra, exatamente aqueles Espíritos
que, há quase um quarto de século, integravam a horda nazista que
tantas desgraças impuseram aos seus semelhantes! Repare-se que, essencialmente os jovens, as crianças acima
de tudo, são as principais vitimas do abominável movimento
separatista. Observe o
leitor as imagens que as revistas nos transmitem:
criaturas esquálidas, cadavéricas, morrendo de inanição no
meio das ruas; esqueletos se arrastam nas sarjetas e a antropofagia
começa a generalizar-se; os corpos se amontoam em tétricas pilhas,
misturados aos quais há alguns que ainda se estertoram, mas para quem
não há a mais mínima esperança de socorro; a cremação é a única
solução e nela alguns mortos vivos vão gemer suas últimas dores.
Outros, ainda respirando, acabam devorados pelos abutres,
quando não são as formigas que lhes vêm assinalar as derradeiras
torturas físicas e psicológicas.
A loucura encontra muitos deles; a peste extermina milhares; o
suicídio responde pelo desespero de mães que a ele recorrem antes de
consumar a dramática e incoercível necessidade de devorar as carnes
dos próprios filhos!
Onde
foi, mesmo, que já vimos esse quadro aterrador?
Certamente em Auschwitz, em Dachau, em Buchenwald, campos de
concentração alemães, nos quais os sanguinários nazistas faziam
sabão de judeus e “abat-jours” da pele dos prisioneiros...
Não
há por que por em duvida: alguns desumanos nazistas já voltaram e
resgatam na própria carne os seus repulsivos crimes.
É essa dura mas justa resposta que o Espiritismo oferece e
que, antes de macular a perfeição de Deus, dá-lhe configuração
equânime e sábia. O
Cristo fora portador dessa implicação: “A cada um será dado
segundo as suas obras”... A
Lei da Reencarnação é a única justificativa honesta e sem rebuços,
que o Espiritismo trouxe aos homens e que basta para coloca-los diante
dos efeitos da alegria ou da dor, da tormenta ou da paz, conscientes
da sua verdadeira causa. Isto
vale dizer (e aqui entra o maior benefício que a Doutrina dos Espíritos
legou ao mundo): devemos sopesar cada ato, cada palavra, cada
pensamento nosso, pois em função deles faremos desenrolar o nosso
amanhã, que bem poderá ocorrer na tranqüilidade e na despreocupação
das areias de Copacabana, ou nas aquerônticas terras
de Biafra...
E
agora, se me perguntam, ainda, onde está Deus, posso responder
conscientemente: Deus estava no Reich e não foi ouvido...
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