O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
Um Só Rebanho e Um Só Pastor - Fraternidade

Autor:
Nelson Oliveira e Souza (colaborador)

Fonte:
O Mensageiro

ARTIGOS

         

Palavras de Jesus contidas no Evangelho de João.

Capitulo 10 – Versículos 11 a 16:

11 – Eu sou o BOM PASTOR.  O bom pastor dá a própria vida pelas suas ovelhas.

12 – O mercenário, porém, e o que não é pastor, aos quais as ovelhas não pertencem, vendo vir o lobo, abandonam as ovelhas e fogem; e o lobo as arrebata e dispersa o rebanho,

13 – O mercenário foge, porque é mercenário e lhe não importam as ovelhas.

14 – Eu sou o BOM PASTOR e conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas me conhecem.

15 – Assim como meu Pai me conhece, assim eu conheço a meu Pai e dou a vida pelas minhas ovelhas.

16 – Tenho ainda outras ovelhas, que não são deste aprisco.  Também a estas cumpre que eu as traga; elas ouvirão a minha voz e haverá UM SÓ REBANHO E UM SÓ PASTOR.

Com estas palavras evangélicas Jesus refere-se à sua grande missão espiritual como protetor e governador do mundo Terra e assegura confiante que um dia todos os homens estarão unidos pelos sentimentos de FRATERNIDADE, independentemente das barreiras fictícias que possam existir, porque serão gradualmente contornadas para bem de todos, como as barreiras lingüísticas, sociais, culturais, políticas, comerciais e até mesmo religiosas.

As ovelhas de Jesus, que é o Bom Pastor, são todos os Espíritos, encarnados e desencarnados, que estão imantados ao mundo Terra.  As ovelhas que conhecem o bom pastor são os Espíritos que praticam a moral pura que ele pregava e lhe reconhecem a missão grandiosa.  As ovelhas que são de outro aprisco, são aquelas que ainda se encontram desgarradas e não seguem os ensinamentos do Mestre Jesus, mas que um dia serão recuperadas e se juntarão ao rebanho único.

Um dia todos os homens se reconhecerão como verdadeiros irmãos e como tal conviverão num ambiente de concórdia e harmonia, vivenciando o amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmos.  É um trabalho árduo e demorado que atravessará ainda vários séculos, talvez milênios, mas que progride paulatinamente, queiramos ou não, porque esta é a vontade de Deus, que tem de ser cumprida, e Jesus, o BOM PASTOR, Espírito perfeito e puro, nosso GUIA MAIOR, mantém todo o rebanho sob rigoroso controle, porque ninguém se perderá.

As transformações necessárias para que haja mais união e fraternidade entre as criaturas já se fazem sentir em alguns setores, embora palidamente, mas que tendem a ganhar corpo, fortalecendo-se, com o passar do tempo.

No livro A GÊNESE, Capitulo XVII, Allan Kardec já previa, entre outras coisas, a supressão das barreiras lingüísticas, vinte anos antes do aparecimento do ESPERANTO, quando Zamenhof, seu genial criador, tinha somente sete anos de idade.

A multiplicidade das línguas é um transtorno que dificulta a comunicação e o entendimento entre os povos, causando, não raras vezes, complicações nem sempre reparáveis.  Às vezes, até mesmo aqueles que falam o mesmo idioma, não se entendem bem, porque interpretam as palavras e expressões, de forma diversa, com sentidos diferentes daqueles que as pronunciou.  Os pensamentos têm significados perfeitos e inconfundíveis, mas ao serem codificados em palavras, podem ser entendidos de maneira variada, gerando confusões.

Atualmente, pelo menos 2.796 línguas distintas estão sendo faladas em nosso Planeta.  Se isso não bastasse, existem mais cercas de 7.000 a 8.000 dialetos, isto é, variantes de um idioma com diferenças da língua-mãe em termos de pronúncia, vocabulário ou idiomatismos, que introduzem mais dificuldades na transmissão e compreensão dos pensamentos.  Mas o Esperanto, língua internacional, fácil e racional, já existe entre nós, em crescimento progressivo para equacionar este problema.  As diferentes línguas continuarão a existir, mas o Esperanto, pela sua simplicidade, lógica e facilidade de aprendizado, será inevitavelmente, a língua de melhor intercâmbio entre os povos, eliminando riscos de maus entendidos.

As barreiras comerciais de várias regiões do mundo estão caindo, para uma melhor e mais fácil troca de produtos entre as nações, inclusive com a instituição de moeda única como na União Européia.

A história política e social das nações não se apagarão.  Os povos continuarão a manter seus costumes e suas tradições, às vezes milenares, mas a força da integração para um bem viver melhor, promoverá caldeamentos entre elas, interpenetrando umas nas outras.

Algo similar deverá ocorrer no campo das religiões.  Hoje ainda presenciamos, com pesar, as guerras de fundo religioso, os antagonismos radicais, alimentados pelos adeptos, que obstinadamente manifestam suas crenças, acreditando-se possuidores exclusivos da verdade.  Ninguém, nenhuma religião, possui a verdade em termos absolutos, porque a verdade é descortinada gradativamente, de acordo com o estágio evolutivo das criaturas.  Assim, o que hoje é tido verdadeiro, poderá ser falso amanhã, com base num melhor entendimento.  Cada pessoa, cada religião, detém um panorama parcial da mesma verdade.  Para que se estreitem os laços de fraternidade entre os adeptos de diferentes religiões, haverá necessidade de as seitas religiosas fazerem pequenas concessões, procurando o ajustamento imprescindível para o bem maior da compreensão entre irmãos.  Isto não significa, necessariamente, que no futuro deverá haver uma só religião.  É possível a convivência de diferentes maneiras de vivenciar a lei maior que é a LEI DO AMOR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS E AO PRÓXIMO COMO A NÓS MESMOS, sem hostilizações, insultos, lutas, mas pelo contrário, com respeito mútuo, tolerância, compreensão, em suma,com FRATERNIDADE.

Havendo Fraternidade, isto é, a verdadeira convivência como irmãos, permitirá a existência de Um Só Rebanho  e Um Só Pastor.