O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
Judas, Kardec e o Movimento Espírita

Autor:
Fabiano Rustem
(colaborado )

Fonte:
O Mensageiro

ARTIGOS

 

Venho notando, através das minhas "navegações" pela Internet, um volume considerável de críticas azedas ao "movimento espírita", à FEB, ao "roustanguismo" e certas defesas radicais da fé ortodoxa na letra kardequiana, contrário a qualquer "espírito novo" para entendê-la ou, pior ainda, contrário a qualquer leitura que vá além das letras de Allan Kardec.

Antes de mais nada, deixo claro o meu respeito, admiração e adesão à Codificação Kardequiana como a concretização da promessa do CRISTO de pedir ao PAI que enviasse O Consolador. Hei-lo entre nós.

Dito isto, em primeiro lugar, essa postura dogmática e ortodoxa que se intitula "reformista" na verdade é reacionária. É uma reação contrária à opinião majoritária do movimento espírita brasileiro unido em torno da FEB. Um reacionarismo com um discurso ortodoxo de "manutenção da" ou "retorno à" letra kardequiana. Isso não é nada reformista, isso é obtusamente conservador, fere portanto o próprio espírito de Kardec, este sim um reformista, contrário à letra que mata. Basta lermos o final do capítulo III d'O LIVRO DOS MÉDIUNS para afirmarmos com convicção: Kardec não era "kardecista"! Sua visão era aberta, crítica, humilde e dialogal como toda a boa Ciência. Aliás, a Ciência Espírita nascia com Kardec justamente na crítica ao materialismo, à cegueira, ao dogmatismo, a estreiteza da "letra" da Ciência do seu tempo. É de causar arrepios, portanto, ver o mestre ser usado por pretensos reformistas para ser cultuado, deificado, dogmatizado, e em última análise, morto, na ânsia insana e radical de se manter fiel a ele. Vale como exemplo os radicalismos no movimento evangélico praticados "em nome de Jesus Cristo!"

Mas, se esse posicionamento "reformista" é sectário, como poderemos reconhecer aqueles que verdadeiramente se desviam de Kardec, do Espírito de Verdade, do próprio Cristo? Quem responde é Erasto:

"Perguntareis: Se entre os chamados para o Espiritismo, muitos se desviaram, como reconhecer os que se acham no bom caminho? Responderemos: Podeis reconhecê-los pelo ensino e pela prática dos princípios verdadeiros da Caridade; pela consolação que distribuírem aos aflitos; pelo Amor que dedicarem ao próximo; pela sua renúncia, pela dedicação ao próximo. Podeis reconhecê-los, finalmente, pela vitória dos seus princípios divinos, porque DEUS quer que a sua Lei triunfe; os que a seguem são os escolhidos que vencerão. Os que, porém, falseiam o espírito desta Lei para satisfazerem a sua vaidade e a sua ambição, esses serão destruídos."

Caridade, consolação, amor, renúncia, dedicação ao próximo, tudo são marcas do verdadeiro seguidor do Cristo, do verdadeiro Espírita-cristão como chamou Kardec, muito distante portanto destes posicionamentos radicais, buscadores que os primeiros são da paz, do caminho do meio que o budismo muito ensina. Quanto tempo mais iremos perder em críticas tolas aos nossos irmãos de movimento espírita? Quando iremos aprender a lição de tolerância e fraternidade que o CRISTO nos deixou e que O Consolador reafirmou? Será que seremos mesmo reconhecidos "por muito se amarem"?

Toda a Seara Espírita deve, por uma questão de coerência cristã, viver em unidade de espírito, o que não significa todo mundo concordar igualzinho com todo mundo, mas sim, um ambiente de fraternidade pura e amor verdadeiro, caso contrário, faremos jus a assertiva de Emmanuel:

"os argumentos da Boa Nova podem haver atingido os cérebros indagadores, mas ainda não penetraram o santuário dos corações."

A Mensagem do Cristo, a Terceira Revelação, vem ganhando "cérebros", convence à Razão, mas ainda sofre dificuldades de ganhar as almas, os corações das criaturas humanas. Talvez, o nosso querido movimento espírita está deixando-se levar pela invigilância, pelo mundanismo, pelo partidarismo e, com isso, sem perceber, nos afastamos de Jesus, do Espírito de Verdade, do verdadeiro Espiritismo.

Voltemos a Kardec:

"Outros ainda são mais habilidosos: pregando a união, semeia a separação; destramente levantam questões irritantes e ferinas, despertam o ciúme da preponderância entre os diferentes grupos [espíritas]; deleitar-se-iam, vendo-os apedrejar-se e erguer bandeira contra bandeira, a propósito de algumas divergências de opiniões sobre certas questões de forma ou de fundo, as mais das vezes provocadas intencionalmente. Todas as doutrinas tem tido seus Judas; o Espiritismo não poderia deixar de ter os seus e eles ainda não lhe faltaram."

A advertência do mestre é claríssima. Vamos refletir seriamente, perdoar as ofensas e trabalhar pela UNIDADE do movimento espírita. Chega de "Judas", o Cristo não merece mais essa traição nossa. Além do mais, defender a Unidade é prova de coerência não só cristã mas doutrinária, já que pregamos para os outros a tolerância, a concórdia, o amor, o perdão etc.

"Os espíritas, antes de mais nada, devem praticar santamente e sinceramente a LEI DO AMOR que lhes cumpre ensinar."

"Tudo se reduz a isto: pregar sempre pelo exemplo, como Jesus pregava. Pregai pois assim; que as vossas palavras nunca deixem de ser a conseqüência das vossas ações" Sob a bandeira "Deus, Cristo e Caridade" possamos testemunhar verdadeiramente o Amor que nos ensinou o Nosso Senhor Jesus Cristo, mantendo-nos UNIDOS, FORTES E FRATERNOS uns com os outros, para que aja sintonia entre nossas ações e nossas belas palavras.