|
Venho notando, através
das minhas "navegações" pela Internet, um volume considerável
de críticas azedas ao "movimento espírita", à FEB, ao
"roustanguismo" e certas defesas radicais da fé ortodoxa na
letra kardequiana, contrário a qualquer "espírito novo"
para entendê-la ou, pior ainda, contrário a qualquer leitura que vá
além das letras de Allan Kardec.
Antes de mais nada, deixo claro o meu respeito, admiração e adesão
à Codificação Kardequiana como a concretização da promessa do
CRISTO de pedir ao PAI que enviasse O Consolador. Hei-lo entre nós.
Dito isto, em primeiro lugar, essa postura dogmática e ortodoxa que
se intitula "reformista" na verdade é reacionária. É uma
reação contrária à opinião majoritária do movimento espírita
brasileiro unido em torno da FEB. Um reacionarismo com um discurso
ortodoxo de "manutenção da" ou "retorno à"
letra kardequiana. Isso não é nada reformista, isso é obtusamente
conservador, fere portanto o próprio espírito de Kardec, este sim um
reformista, contrário à letra que mata. Basta lermos o final do capítulo
III d'O LIVRO DOS MÉDIUNS para afirmarmos com convicção: Kardec não
era "kardecista"! Sua visão era aberta, crítica, humilde e
dialogal como toda a boa Ciência. Aliás, a Ciência Espírita nascia
com Kardec justamente na crítica ao materialismo, à cegueira, ao
dogmatismo, a estreiteza da "letra" da Ciência do seu
tempo. É de causar arrepios, portanto, ver o mestre ser usado por
pretensos reformistas para ser cultuado, deificado, dogmatizado, e em
última análise, morto, na ânsia insana e radical de se manter fiel
a ele. Vale como exemplo os radicalismos no movimento evangélico
praticados "em nome de Jesus Cristo!"
Mas, se esse posicionamento "reformista" é sectário, como
poderemos reconhecer aqueles que verdadeiramente se desviam de Kardec,
do Espírito de Verdade, do próprio Cristo? Quem responde é Erasto:
"Perguntareis: Se entre os chamados para o Espiritismo, muitos se
desviaram, como reconhecer os que se acham no bom caminho?
Responderemos: Podeis reconhecê-los pelo ensino e pela prática dos
princípios verdadeiros da Caridade; pela consolação que distribuírem
aos aflitos; pelo Amor que dedicarem ao próximo; pela sua renúncia,
pela dedicação ao próximo. Podeis reconhecê-los, finalmente, pela
vitória dos seus princípios divinos, porque DEUS quer que a sua Lei
triunfe; os que a seguem são os escolhidos que vencerão. Os que, porém,
falseiam o espírito desta Lei para satisfazerem a sua vaidade e a sua
ambição, esses serão destruídos."
Caridade, consolação, amor, renúncia, dedicação ao próximo, tudo
são marcas do verdadeiro seguidor do Cristo, do verdadeiro Espírita-cristão
como chamou Kardec, muito distante portanto destes posicionamentos
radicais, buscadores que os primeiros são da paz, do caminho do meio
que o budismo muito ensina. Quanto tempo mais iremos perder em críticas
tolas aos nossos irmãos de movimento espírita? Quando iremos
aprender a lição de tolerância e fraternidade que o CRISTO nos
deixou e que O Consolador reafirmou? Será que seremos mesmo
reconhecidos "por muito se amarem"?
Toda a Seara Espírita deve, por uma questão de coerência cristã,
viver em unidade de espírito, o que não significa todo mundo
concordar igualzinho com todo mundo, mas sim, um ambiente de
fraternidade pura e amor verdadeiro, caso contrário, faremos jus a
assertiva de Emmanuel:
"os argumentos da Boa Nova podem haver atingido os cérebros
indagadores, mas ainda não penetraram o santuário dos corações."
A Mensagem do Cristo, a Terceira Revelação, vem ganhando "cérebros",
convence à Razão, mas ainda sofre dificuldades de ganhar as almas,
os corações das criaturas humanas. Talvez, o nosso querido movimento
espírita está deixando-se levar pela invigilância, pelo mundanismo,
pelo partidarismo e, com isso, sem perceber, nos afastamos de Jesus,
do Espírito de Verdade, do verdadeiro Espiritismo.
Voltemos a Kardec:
"Outros ainda são mais habilidosos: pregando a união, semeia a
separação; destramente levantam questões irritantes e ferinas,
despertam o ciúme da preponderância entre os diferentes grupos [espíritas];
deleitar-se-iam, vendo-os apedrejar-se e erguer bandeira contra
bandeira, a propósito de algumas divergências de opiniões sobre
certas questões de forma ou de fundo, as mais das vezes provocadas
intencionalmente. Todas as doutrinas tem tido seus Judas; o
Espiritismo não poderia deixar de ter os seus e eles ainda não lhe
faltaram."
A advertência do mestre é claríssima. Vamos refletir seriamente,
perdoar as ofensas e trabalhar pela UNIDADE do movimento espírita.
Chega de "Judas", o Cristo não merece mais essa traição
nossa. Além do mais, defender a Unidade é prova de coerência não só
cristã mas doutrinária, já que pregamos para os outros a tolerância,
a concórdia, o amor, o perdão etc.
"Os espíritas, antes de mais nada, devem praticar santamente e
sinceramente a LEI DO AMOR que lhes cumpre ensinar."
"Tudo se reduz a isto: pregar sempre pelo exemplo, como Jesus
pregava. Pregai pois assim; que as vossas palavras nunca deixem de ser
a conseqüência das vossas ações" Sob a bandeira "Deus,
Cristo e Caridade" possamos testemunhar verdadeiramente o Amor
que nos ensinou o Nosso Senhor Jesus Cristo, mantendo-nos UNIDOS,
FORTES E FRATERNOS uns com os outros, para que aja sintonia entre
nossas ações e nossas belas palavras.
|