|
É graças ao egoísmo,
chaga avassaladora que envolve os corações humanos, que os homens
ainda não aprenderam a se dar as mãos.
É graças ao egoísmo que
vemos anta fome e tanto sofrimento campeando no Mundo.
Foi graças ao egoísmo de
Pilatos que Jesus foi condenado. Ele sabia da inocência do Divino
Mestre, mas acreditou que ao “lavar as mãos”, lavaria a própria alma,
limpando-a da mancha que o seu ato de injustiça a impregnaria.
E, desde então, os
homens seguem a Pilatos.
Esquecemos do dever que
temos de amparar aos menos felizes do caminho, repartindo com eles as
Dádivas Celestes que recebemos, por acréscimo de misericórdia, pois
que somos devedores de eras milenares. E, como maus depositários dos
bens terrenos, lutamos, ferozmente, para defender nosso patrimônio,
procurando aumentá-lo, dia a dia, fechando os ouvidos aos gemidos da
dor, da fome ou do sofrimento. Procuramos galgar, mais e mais, os
degraus sociais, sem pensar nos que pisamos e massacramos nessa
escalada.
Estamos esquecidos de
que a morte nos espreita e de que, amanhã mesmo, poderemos largar tudo
na Terra e daqui sairmos em demanda ao Mundo Espiritual, mais pobres
do que Jó.
Na ânsia de viver o
momento presente, não nos recordamos de que aqui estamos de passagem e
nada fazemos para adquirir a riqueza “que a ferrugem não destrói, as
traças não corroem e nem os ladrões roubam”. Não nos lembramos da
riqueza eterna, a do espírito, a única que levamos para o Mundo
Espiritual e que jamais poderemos comprá-la! Podemos, sim, adquiri-la
através das boas obras que praticarmos, colocando em prática o ensino
de Jesus: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti
mesmo”. A hora em que conseguirmos viver essa maravilhosa lição
destruiremos o egoísmo e a Paz Reinará no Mundo!
Encontramos em “O Livro
dos Espíritos”, de Allan Kardec, o esclarecimento de como será a
Terra, quando esta passar para “Mundo de Regeneração”: “Quando os
homens tiverem se despojado do egoísmo que os domina, viverão como
irmãos, não se fazendo mal, ajudando-se reciprocamente, pelo
sentimento mútuo da solidariedade. Então, o forte será o apoio e não o
opressor do fraco. Não se verá criaturas a quem falta o necessário,
porque todas praticarão a lei de justiça”.
Só chegaremos a isso,
nos elevando moralmente, dando aos bens materiais o real valor que
eles têm: “Só para a Vida Presente”.
É tal a força que o
egoísmo exerce em nós que muitas vezes o confundimos com o amor.
Principalmente, quando da partida de um ente querido, para o outro
lado da vida. Muitos chegam a se transformar em obsessores vivos
daquele que desencarnou, nada fazendo para suportar a separação
momentânea. Esquecem-se de que os desencarnados, também, sentem
saudades, e, ao invés de auxiliá-los com a prece e a conformação,
revoltam-se contra Deus. Ficam a pedir-lhes que dêem um sinal de quer
estão vivos. E, muitas vezes, eles estão ali, a dizer-lhes: “Não
morri. Estou aqui”. E, a criatura não tendo a mediunidade de audição,
não poderá ouvi-lo. Com isso, faz com que o espírito fique preso a
Terra, impedindo-o de que tenha a oportunidade de evolução, o que o
faz sofrer muito.
Se amarmos ao que
desencarnou, esqueçamos de nós, do nosso sofrimento e cooperemos com
ele procurando aceitar a separação momentânea, porque, mais dia ou
menos dia, reunir-nos-emos novamente.
|