O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
O Egoísmo

Autor:
Zilda G. Rosin

Fonte:
Livro: A Próxima Parada

ARTIGOS

         

É graças ao egoísmo, chaga avassaladora que envolve os corações humanos, que os homens ainda não aprenderam a se dar as mãos.

É graças ao egoísmo que vemos anta fome e tanto sofrimento campeando no Mundo.

Foi graças ao egoísmo de Pilatos que Jesus foi condenado.  Ele sabia da inocência do Divino Mestre, mas acreditou que ao “lavar as mãos”, lavaria a própria alma, limpando-a da mancha que o seu ato de injustiça a impregnaria.

E, desde então, os homens seguem a Pilatos.

Esquecemos do dever que temos de amparar aos menos felizes do caminho, repartindo com eles as Dádivas Celestes que recebemos, por acréscimo de misericórdia, pois que somos devedores de eras milenares.  E, como maus depositários dos bens terrenos, lutamos, ferozmente, para defender nosso patrimônio, procurando aumentá-lo, dia a dia, fechando os ouvidos aos gemidos da dor, da fome ou do sofrimento.  Procuramos galgar, mais e mais, os degraus sociais, sem pensar nos que pisamos e massacramos nessa escalada.

Estamos esquecidos de que a morte nos espreita e de que, amanhã mesmo, poderemos largar tudo na Terra e daqui sairmos em demanda ao Mundo Espiritual, mais pobres do que Jó.

Na ânsia de viver o momento presente, não nos recordamos de que aqui estamos de passagem e nada fazemos para adquirir a riqueza “que a ferrugem não destrói, as traças não corroem e nem os ladrões roubam”.  Não nos lembramos da riqueza eterna, a do espírito, a única que levamos para o Mundo Espiritual e que jamais poderemos comprá-la!  Podemos, sim, adquiri-la através das boas obras que praticarmos, colocando em prática o ensino de Jesus: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”.  A hora em que conseguirmos viver essa maravilhosa lição destruiremos o egoísmo e a Paz Reinará no Mundo!

Encontramos em “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, o esclarecimento de como será a Terra, quando esta passar para “Mundo de Regeneração”: “Quando os homens tiverem se despojado do egoísmo que os domina, viverão como irmãos, não se fazendo mal, ajudando-se reciprocamente, pelo sentimento mútuo da solidariedade. Então, o forte será o apoio e não o opressor do fraco. Não se verá criaturas a quem falta o necessário, porque todas praticarão a lei de justiça”.

Só chegaremos a isso, nos elevando moralmente, dando aos bens materiais o real valor que eles têm: “Só para a Vida Presente”.

É tal a força que o egoísmo exerce em nós que muitas vezes o confundimos com o amor.  Principalmente, quando da partida de um ente querido, para o outro lado da vida.  Muitos chegam a se transformar em obsessores vivos daquele que desencarnou, nada fazendo para suportar a separação momentânea.  Esquecem-se de que os desencarnados, também, sentem saudades, e, ao invés de auxiliá-los com a prece e a conformação, revoltam-se contra Deus.  Ficam a pedir-lhes que dêem um sinal de quer estão vivos.  E, muitas vezes, eles estão ali, a dizer-lhes: “Não morri. Estou aqui”.  E, a criatura não tendo a mediunidade de audição, não poderá ouvi-lo.  Com isso, faz com que o espírito fique preso a Terra, impedindo-o de que tenha a oportunidade de evolução, o que o faz sofrer muito.

Se amarmos ao que desencarnou, esqueçamos de nós, do nosso sofrimento e cooperemos com ele procurando aceitar a separação momentânea, porque, mais dia ou menos dia, reunir-nos-emos novamente.