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"Aquele que estiver sem
pecado atire a primeira pedra."
Jesus
Que me importa saber se
o poeta nasceu em Belém? Não são todos os lugares santificados? Que
alteração traz para o poema do monte, se ele foi recitado na planície
ou no planalto? Ficaria o poeta menor, por não ser filho de Davi?
Teria menor valor a sua obra, se ele fosse fruto de uma concepção, ou
seria isso um ato de humildade que mais o engrandeceria? Na verdade, o
bom fruto é invariavelmente nascido de uma árvore boa. Interessa-nos
profundamente o que o poeta disse e fez; tudo o mais é secundário,
polêmica inócua.
Os que se apegam a esses
detalhes, fantasiando ou divinizando a figura do poeta que quis ser o
filho do homem, desviam-se da verdadeira substância da boa nova, que
são seus ensinamentos. Para nós, o poeta não é Deus e nunca quis que
assim o considerassem. Ele foi o Espírito de maior magnitude que nos
visitou, em missão específica de trazer uma nova visão de Deus. Ele é
o farol da Humanidade, o modelo de perfeição a ser seguido e imitado.
Daí a ser Deus a distância é incomensurável.
“Por que me chamais de
bom? Bom só Deus o é”. “Na casa do meu Pai há muitas moradas”. “Olhai
as aves no céu, não semeiam nem ceifam, mas nosso Pai Celestial as
alimenta”. Dezenas de vezes, em sua obra poético-moral-filosófica,
Jesus denominou-se filho do homem; portanto, filho de Deus, como
qualquer um de nós. Um irmão nosso mais experiente, mais sábio, de
maior destaque na evolução espiritual. Alguém conhecedor profundo das
leis que regem o planeta, um cientista sideral, um dirigente de
mundos, um coordenador responsável pela evolução de um planeta,
plasmando com seu amor a beleza que o sustentará.
Foi nessa condição de
responsável pela criação e evolução da Terra, que Jesus nos visitou em
corpo e Espírito, sem derrogar as leis (Não vim destruir a lei),
inclusive as genéticas. Sabia que iria sofrer, desde as intempéries e
agressões do meio, até a ignorância de seus irmãos. Mas poeta não se
intimida com sofrimento, faz dele mais um motivo de inspiração para
sua arte. E veio das estrelas. Não é onde moram os poetas? E trouxe
o poema do amor maior para a Terra. “Bem-aventurados os que têm fome
e sede de justiça porque serão fartos”. “Bem-aventurados os
misericordiosos, porque obterão misericórdia”. Ah! Poeta. Pastor
divino, médico de nossas almas, companheiro de todos os instantes, a
fome de justiça ainda é a maior entre nós. Sem justiça, nunca haverá
o afago da paz. Ajuda-nos em nossa fragilidade. Ensina-nos a nos
esquecer de lembrar de você apenas no Natal, para levá-lo conosco em
qualquer caminho, mesmo o da prisão ou da morte por amor à Justiça.
Poeta! Às vezes acordamos com saudade de você. Até parece que um dia
o conhecemos. No entanto, sabemos que essa sensação é por associá-lo a
um pôr-do-sol, uma flor, uma chuva... Sabemos que não voltarás
fisicamente para nós em nossa casa. Como poderia vir, se estará
conosco até o final dos séculos? Está conosco em Espírito e verdade e
isso é tudo. Caso você retornasse fisicamente e fosse para um templo
espírita, muitos atirariam pedras, e embusteiro seria o seu nome. Mas
se optasse por ir a uma igreja, outros templos enviariam protestos, e
farsante seria o seu nome. Caso não se definisse por uma religião
(rótulo) qualquer, a grande maioria o acusaria, e mistificador seria o
seu nome. Você teve muitos nomes: místico, profeta, carpinteiro, filho
de Deus... mas para nós, você sempre foi o poeta da vida. “Eu sou o
caminho, a Verdade e a Vida”. A sua obra é um hino à vida. Coram os
anos, dobrem-se os sinos sobre infinitas sepulturas, nesse trespassar
de berço e túmulo, você será sempre o nosso poeta favorito.
“Daí a César o que é de
César e a Deus o que é de Deus”. É ainda a Justiça, o respeito aos
direitos de cada um a pedagogia cativante do amor ao próximo. Todos
temos direitos e deveres. É preciso que os pratos da balança se
equilibrem, assim como Deus faz com o Espírito do homem, obedecendo à
proporção entre o fardo e o ombro. É a compaixão. “Qual de vós que
tendo cem ovelhas e perdendo uma, não deixa as 99 e vai atrás da
ovelha perdida?” Ninguém está órfão da lei de amor. Embora, muitas
vezes, sem ser notado, o amor lhe siga os passos exercendo a função
que lhe é própria: amar.
É a
solidariedade. “Vinde a mim todos vós que estais aflitos e
sobrecarregados e eu vos aliviarei”. É a dor. “E deram-lhe
chicotadas... e puseram-lhe espinhos”. É o perdão. “Pai! perdoa-lhes
pois não sabem o que fazem”. É a morte. “E um soldado lhe cravou a
lança”. É a vida. “Olha as minhas mãos! E Tomé as tocou”. Poeta!
acho que nunca saberemos o que foi feito com o seu corpo. Um corpo
morto se decompõe e seus elementos voltam à Terra. É o pó que volta ao
pó. Mas que nos importa isso? Você provou a existência do corpo
espiritual, o mesmo com que aparecia em ambientes fechados e, às
vezes, sob aparência não identificada pelos próprios
discípulos. Depois você se foi de vez para a sua estrela, de onde vela
por nós. E a sua cruz, antes tida apenas como instrumento de
flagelação, passou a ser luminoso sinal de ascensão para mundos
felizes.
Nós nos veremos um dia,
poeta. Um dia em que o som seja de flauta, o branco seja neve e o amor
dos homens haja destruído todos os punhais. Um dia em que possamos
ouvir de você:
“A felicidade já é desse
mundo”.
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