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1 – Missão de Allan
Kardec
Emmanuel, espírito que teria
funcionado na equipe de espíritos orientadores durante o período
de atividades humanas de Allan Kardec, nos assuntos do espiritismo,
e que se comunica, nos últimos cinqüenta anos, pelo médium Francisco Cândido Xavier,
no Brasil, afirma, nos capítulos XXII E XXIII, do livro “A Caminho Da Luz”,
o seguinte: “(...)
Nascia Allan Kardec, aos 3 de outubro de 1804, com a sagrada missão
de abrir caminho ao espiritismo, a grande voz do
Consolador, prometido ao mundo pela misericórdia se Jesus
Cristo.” “Consolador
da humanidade, segundo as promessas do Cristo, o espiritismo vinha
esclarecer os Homens, preparando-lhes o coração para o perfeito
aproveitamento de tantas riquezas do céu.
E nas respostas à questão
353, do seu livro “O Consolador”, o citado espírito completa,
a nosso ver, o que Acima transcrevemos:
“O espiritismo não pode guardar a pretensão de exterminar
as outras crenças, parcelas da verdade que a sua doutrina representa,
mas, sim, trabalhar por transformá-las, as concepções antigas
para o clarão da verdade imortalista. A missão do consolador tem
que se verificar junto das almas e não ao lado das glórias efêmeras
dos triunfos materiais.
Esclarecendo o erro religioso, onde quer que se encontre, e revelando
a verdadeira luz, pelos atos e pelos ensinamentos, o espiritista
sincero, enriquecendo os valores da fé, representa o operário
da regeneração do templo do Senhor, onde os homens se agrupam
em vários departamentos, ante altares diversos, mas onde existe
um só Mestre, que é Jesus Cristo.”
Mas, voltemos ao Livro
“A Caminho da Luz”, ao segundo dos capítulos que indicamos:
“A tarefa de Allan Kardec era difícil e complexa. Competia-lhe
reorganizar o edifício desmoronado da crença, reconduzindo a civilização
às suas profundas bases religiosas.” E, no capítulo XVIV, arremata
a exposição do seu pensamento: “Somente o espiritismo, prescindindo
de todas as garantias terrenas, executa o esforço tremendo de manter
acesa a luz da crença, nesse barco frágil do homem ignorante do
seu glorioso destino, barco que ameaça voltar às correntes da
força e da violência, longe das plagas iluminadas da razão, da
cultura e do direito. Convenhamos em que o esforço do espiritismo
é quase superior às suas próprias forças, mas o mundo não está
à disposição dos ditadores terrestres.”
Os livros mencionados foram
preparados entre os anos de 1938 e 1940 e editados pela FEB, mas
os seus enunciados estão plenos de verdade e atualidade.
Em consonância com tais ensinos
merece relevo situar aqui a irrecusável realidade de que as missões
do espiritismo e de Allan Kardec confundiram-se e identificaram-se
de maneira quase absoluta enquanto durou o trabalho espírita do
codificador, na crosta planetária.
Principalmente si se dá o devido apreço ao irmão X (Cartas E
Crônicas), por Francisco Cândido Xavier, capítulo 28,
“Kardec e Napoleão”: “(...) Allan Kardec, apagando a própria
grandeza, humilde de um mestre-escola, muita vez atormentado e desiludido,
como simples homem do povo, deu integral cumprimento à divina missão
que trazia à Terra, inaugurando a era espírita-cristã, que, gradativamente,
será considerada em todos os quadrantes do orbe, como a sublime
renascença da luz para o mundo inteiro”.
O espiritismo surgiu em circunstâncias
eminentemente favoráveis, como explica e demonstra Kardec, na Revista Espírita
(1853 - Pág. 295): “Mais cedo, ter-se-ia chocado contra o materialismo
todo poderoso; em tempo mais recuado, teria sido sufocado pelo fanatismo
cego. Apresenta-se no momento em que o fanatismo, aniquilado pela
incredulidade que ele mesmo provocou, não mais lhe pode opor uma
barreira séria, e em que se está fatigado do vazio deixado pelo
materialismo; apresenta-se no momento em que a reação espiritualista,
provocada pelos próprios excessos do materialismo, se apodera de
todos os espíritos, em que se está à procura das grandes soluções
que interessam ao futuro da humanidade. É, pois, nesse momento
que o espiritismo vem resolver esses problemas, não por hipóteses,
mas por provas efetivas, dando ao espiritualismo caráter positivo,
o único que convém à nossa época.”
Kardec sabia muita coisa que
não transmitiu, limitando-se, às vezes, a simples indicações,
naturalmente adstrito as condições que lhe impunham as precisas
ordens que possuía e ao resguardo dos inconvenientes de romper
o silêncio prudente com muitas palavras extemporâneas.
Quanta propriedade existe, por exemplo, nesta declaração formal, mas sucinta,
anotada na Revista Espírita (1864, pág.147): “A
América foi
o
berço
do
espiritismo,
mas
foi
na Europa
que
ele
cresceu
e
fez
suas
humanidades.”
Na “conclusão” de
“O Livro dos Espíritos”, ele falou em três períodos do espiritismo,
que examinamos na “introdução” deste volume.
Mas, anos mais tarde (Revista Espírita, 1863, Pg.377 a 379), em
belo estudo sobre o “período da luta”, escreveu:
“o primeiro período do espiritismo, caracterizado pelas
mesas girantes, foi o da curiosidade. O segundo foi o período filosófico,
assinalado pelo aparecimento de “O Livro dos Espíritos”. o
auto-de-fé de Barcelona, em 9 de outubro de 1861, foi o sinal que
deu início ao período de luta. Desde esse momento, os ataques
tomaram caráter de violência inaudita; a palavra de ordem foi
dada: sermões furibundos, mandamentos, anátemas, excomunhões,
perseguições individuais, livros, brochuras, artigos de jornais,
nada foi esquecido, nem mesmo a calúnia.
Estamos em pleno período da luta, pois Ele não acabou. Vendo a
inutilidade do ataque a céu aberto, vão ensaiar a guerra subterrânea,
que se organiza e já começa. Uma calma aparente vai-se fazer sentir,
mas é a calma precursora da tormenta.”
Mais adiante: “a luta determinará uma nova fase do espiritismo
e conduzirá ao quarto período religioso; depois, virá o quinto,
período intermediário, conseqüência natural do precedente, e
que receberá mais tarde a sua denominação característica. O
sexto e último período, será o da renovação social, que abrirá
a era do século vinte.”
Allan Kardec esclarece como
será esta última fase em que entrará a humanidade – de união,
de paz e de fraternidade entre os homens.
Aos nossos olhos ainda parece
longe o último período do espiritismo. Talvez Kardec devesse ter
dito a coisa algo diferente: “(...) que abrirá, com o término
do século XX, a era do Terceiro Milênio.”
2 – Professor Rivail –
Educador – Estudo dos Fatos
A propósito da noticia veiculada
pelo Sr. Fortier, o ilustre professor faria este comentário adicional: “Eu Ainda
nada vira, nem observara; as experiências, realizadas em presença
de pessoas honradas e dignas de fé, confirmavam a minha opinião,
quanto a possibilidade do efeito puramente material; a idéia, porém,
de uma mesa “falante” ainda não me entrara na mente.”
Conforme assinalara a escritora
inglesa Anna Blackwell, que o conheceu de perto, aquele espírito “ativo
e tenaz” era “precavido até quase à frieza, cético por natureza
e por educação.”
Aliás, cerca de trinta anos
antes, quando Rivail tinha apenas 24 primaveras, sua preocupação
científica e seu caráter eminentemente positivo o fariam escrever
numa obra sobre a educação pública:
“aquele que houver estudado as ciências rirá, então, da credulidade
supersticiosa dos ignorantes. Não mais crerá em espectros e fantasmas. Não
mais aceitará fogos-fátuos por espíritos.”
Foi, portanto, como racionalista
estudioso, emancipado do misticismo, que ele se pôs a examinar
os fatos relacionados com as “mesas falantes”:
“tendo adquirido, no estudo das ciências exatas, o hábito
das coisas positivas, sondei, perscrutei esta nova ciência (o espiritismo)
nos seus mais íntimos refolhos; busquei explicar-me tudo, porque
não costumo aceitar idéia alguma, sem lhe conhecer o como e o
porquê.”
Como se vê, e o disse muito
bem André Moreil, “Entre Rivail, o educador, e Allan
Kardec não há diferença alguma, nem de método, nem de rigor
científico.”
Em maio de 1855, convidado
para assistir a uma reunião na casa da Sra. Plainemaison, à rua
Grange-Batelière, nr. 18, aí presenciou, pela primeira vez, o
fenômeno das mesas que giravam, saltavam e corriam,
“Em condições tais” -
depõe ele mesmo – “que
não deixavam margem a qualquer dúvida.”
Viu, ainda, as respostas inteligentes que, por meio de pancadas,
a mesa fornecia, e assistiu a alguns ensaios de escrita mediúnica
numa ardósia, com o auxilio do primitivo processo da
“cesta-de-bico” (corbeille-toupie) descrita em “O Livro dos Médiuns”.
Os fatos posteriormente observados
por Rivail, em 1855, com diferentes médiuns, foram de tal ordem
que o perspicaz e clarividente Professor sentiu que algo de momentoso
se estaria passando: “Entrevi – diria ele mais tarde – naquelas
aparentes futilidades, no passatempo que faziam
daqueles fenômenos,
qualquer coisa de sério, como que a revelação de uma nova lei,
que tomei a mim investigar a fundo.”
Continuando a frequentar a
casa da Sra. Plainemaison, efetuou observações cuidadosas, repetiu
experiências, até que encontrou nas sessões da família
Baudin, então residente à Rua Rochechouart, o ambiente ideal para
prosseguir seus estudos.
Em 1856, as sessões realizadas
na casa do Sr. Baudin, então sita na Rua Lamartine, atraíam seleta
e numerosa assistência. Conforme escreve o próprio
Allan Kardec, “O Livro Dos Espíritos” ali fora começado e
feito em grande parte. Entre os espíritos menos sérios que ali
se comunicaram, Kardec cita Frédéric Soulié, notável romancista
e autor dramático, falecido em 1847, que se identificou de mil
maneiras e escreveu um conto publicado na
“Revue Spirite”. Ele
se manifestou espontaneamente. “Sua conversação era espirituosa,
fina, mordaz, bem a propósito, e jamais desmentiu o autor das “Mémoires
du Diable”. “O médium que lhe servia de intérprete era A Srta.
Caroline Baudin, uma das filhas do dono da casa, médium inteiramente
passiva, que nunca tinha a menor consciência do que escrevia, podendo
rir e conversar livremente, o que ela fazia com naturalidade, enquanto
a sua mão psicografava. O meio mecânico usado fora, durante muito
tempo, a cesta-de-bico (...) mais tarde, o médium se serviu da
psicografia direta.”
Estes dados informativos constam
do prefácio que Kardec fez para o conto de Soulié, acima referido,
e que assim intitulou “Une nuit oubliée ou La sorcière Manouza (Mille Deuxième
nuit des contes árabes).”
Diante de tais fatos, pôde
o professor Rivail concluir pela origem extraterrena dos numerosos
manifestantes, a revelarem a sua condição de espíritos, de almas
daqueles que já tinham vivido na Terra, identificando-se de mil
maneiras.
“Quando uma raça, uma arte,
uma ciência, um credo preparam o seu advento, o homem extraordinário
aparece personificando novas orientações dos povos e das idéias.
Anuncia-se como artista ou profeta, desentranha-as como inventor
ou filósofo; empreende-as como conquistador ou estadista”.
Estas palavras de ingenieros se aplicam como uma luva ao
nosso biografado.
O Consolador, consubstanciado
no espiritismo, vinha de alvorecer, e um homem extraordinário fora
destinado a preparar-lhe o advento e a constituição. Hippolyte Léon Denizard Rivail
foi este homem.
Observando, comparando e julgando os fatos, sempre com cuidado e
perseverança, concluiu que, realmente, eram os espíritos daqueles
que morreram a causa inteligente dos efeitos inteligentes e deduziu
as leis que regem esses fenômenos, deles extraindo admiráveis
conseqüências filosóficas e toda uma doutrina de esperança,
de consolações e de solidariedade universal.
A terceira revelação chegava
na “hora H”. O século XIX vivia a filosofia do desespero, e o nada era a “suprema
libertação” que todos esperavam. O positivismo, o materialismo
e o pessimismo reduziam a vida a simples agregação de matéria,
que com a morte se extinguiria. Como justificar a vida, se o nada
era o fim de tudo? Portanto, viver era um contra-senso, uma aberração
da natureza. Todos esses sistemas de filosofia negativista eram
a conseqüência inevitável, fatal, da corrupção mesma da igreja, “corrupção
de que resultava, a um só tempo, a decadência da fé nas almas
cristãs, e e reação dos espíritos independentes, interessados
na obra da civilização e ávidos do conhecimento da verdade”.
Eis como pintou a tragédia
da época o Dr. Romeu do Amaral Camargo: “Sepultada na treva da
própria cegueira, a humanidade havia esquecido a palavra redentora
do nazareno. A imortalidade sufocava-se ao peso de um materialismo
sem peias. No oceano da Vida, flutuava sem leme a idéia espiritualista,
batida pelo furacão da dúvida, gerada e desovada pelo negativismo
já triunfante...”
Lammenais, o famoso filósofo
e teólogo francês da primeira metade do século XIX, assinalava
que então se vivia a praga do século, a indiferença em matéria
de religião.
No meio de todo esse caos,
desse “século de tempestade e de enfraquecimento, que se faz
devorar pelo ceticismo e maldiz seu mal, sem querer curá-lo”,
ameaçado de fazer soçobrar as esperanças da humanidade, de decretar “a
morte de todas as crenças, a ruína e o desastre da civilização
contemporânea”, os homens puderam contemplar a luz de uma nova
doutrina, que despontava no horizonte, anunciando a claridade do
dia.
É Kardec que nos diz dos
seus temores ante a relevância da magna revelação que a espiritualidade
vinha trazer à Terra: “Compreendi, antes de tudo, a gravidade
da exploração que ia empreender; percebi, naqueles fenômenos,
a chave do problema tão obscuro e tão controvertido do passado
e do futuro da humanidade, a solução que eu procurara em toda
a minha vida. Era, em suma, toda uma revolução nas idéias e nas
crenças; fazia-se mister, portanto, andar com a maior circunspecção
e não levianamente; ser positivista e não idealista, para não
me deixar iludir.”
Freqüentando reuniões inúmeras,
onde, por meio da “cesta”, muitas vezes se obtinham comunicações
que deixavam fora de toda a dúvida a intervenção de entidades
estranhas aos presentes, Rivail começou a levar para as sessões
uma série de perguntas sobre problemas diversos, às quais os espíritos
comunicantes respondiam “com precisão, profundeza e lógica”. “Mais tarde – escreveu ele depois -, quando vi que aquilo
constituía um todo e ganhava as proporções de uma doutrina, tive
a idéia de publicar os ensinos recebidos, para instrução de toda
a gente.”
3 – O Discípulo de
Pestalozzi
Logo em sua primeira obra,
Denizard Rivail relaciona em seis itens os princípios que lhe parecem
mais adequados ao ensino à criança, fazendo-o em harmonia com
o sistema Pestalozziano, como era de se esperar de um discípulo
do mestre suíço.
Eis os princípios que o nortearam
na elaboração do seu “Cours D,Arithmétique”, alguns dos quais
o guiaram, bem mais tarde, nos estudos e nas pesquisas espíritas
e, bem assim, na codificação da doutrina.
1o. –
Cultivar o espírito natural de observação das crianças, dirigindo-lhes
a atenção para os objetos que as cercam.
2o. –
Cultivar a inteligência, observando um comportamento que habilite
o aluno a descobrir por
si mesmo as regras.
3o. –
Proceder sempre do conhecido para o desconhecido, do simples para
o complexo.
4o. – Evitar
toda atitude mecânica, levando o aluno a conhecer o fim e a razão
de tudo o que faz.
5o. –
Conduzi-lo a apalpar com os dedos e com os olhos todas as
Verdades. Este princípio forma, de algum modo, a base material
deste Curso De Aritmética.
6o. – Só confiar
à memória aquilo que já tenha sido Apreendido pela inteligência.
Rivail parece ter dado a este
último princípio atenção toda especial. No frontispício do
segundo tomo da obra aqui em referência, ele chega a transcrever
uma frase do “Essais Sur L,Enseignement em General
Er Sur Celui Des Mathématique En Particulier” (1805), De autoria
do grande matemático francês Silvestre Francisco Lacroix, frase
que destaca a importância na primeira educação, da memória associada
ao juízo: “Associer De Bonne Heure Le
Jugement À La Mémoire, Serait Le Chef-D,Ouevre De La Première
Éducation, Si Lón Savait Sý Rendre Comme La Nature.”
Como bem explica a “Grande Enciclopédia Portuguesa E Brasileira”,
“A condição essencial da memória é a atenção, a ordem,
a inteligência, em suma, o juízo e o espírito crítico.
Portanto, devem confiar-se à memória conhecimentos claros, bem
ordenados e facilmente assimiláveis”.
A criança traz consigo a
curiosidade inata, mas esta precisa ser despertada, como o reconheceu Rivail
no primeiro princípio acima enunciado. Deste empenho é que nascerá
a atenção, a percepção e, por fim, a memória inteligente, não
a memória papagueadora e pedantesca, segundo a expressão usada
por Rui Barbosa. Seguindo a orientação de Pestalozzi, o jovem discípulo
recomendava a memória raciocinada, que faz uso do juízo para reter
as idéias assenhoradas pela inteligência, ao contrário da memória
puramente mecânica, que apenas retém as palavras.
Como não podia deixar de
ser, Rivail utilizou-se do ensino intuitivo, processo didático
preconizado por Pestalozzi e segundo o qual se transmite ao educando
a realização, a atualização da idéia, recorrendo-se aos exercícios
de intuição sensível (educação dos sentidos), como passagem
natural e atividades mentais que preludiam a intuição intelectual. “A
idéia existe originariamente na criança, e a intuição sensível
é somente a sua realização concreta, único meio de a idéia
se tornar compreensível, porque se encontra como força modeladora
que vive e atua na criança”.
O ensino intuitivo se
Funda na substituição do verbalismo e do ensino livresco pela
observação, pelas experiências, pelas representações gráficas,
etc., operando sobre todas as faculdades da criança. “A base
da Instrução Elementar De Pestalozzi – Afirmou Julien De
Paris – É A Intuição, que ele considera como o fundamento geral
de nossos conhecimentos e o meio mais adequado para desenvolver
as forças do espírito humano, de maneira mais natural”.
“A doutrina e a prática
da escola ativa do nosso tempo baseiam-se nos princípios do grande
educador suíço, traduzidos na máxima – o respeito pela espontaneidade
da criança”.
Graças a esses princípios, permite-se à criança pensar
a seu modo, em lugar de ser constrangida a pensar à nossa maneira,
a caminhar com seus próprios pés, e não com os pés do seu mestre;
enfim, a criança é estimulada em sua iniciativa pessoal, desenvolvendo
por si própria o gérmen que existe no íntimo de sua natureza. O
método intuitivo na educação
“' é a criança vendo, tocando, descobrindo, não toda a ciência,
mas sucessivamente tudo o que na ciência está a seu alcance”.
Na primeira obra que deu conhecimento
aos franceses do método de educação de Pestalozzi, seu autor, Daniel Alexandre
Chavannes, faz um estudo do significado da palavra intuição, do
qual extraímos estes trechos: “A impressão recebida pelos sentidos
exteriores, e, principalmente, pelo da visão, comunica-se imediatamente
à alma, que adquire, por esse meio, o sentimento ou a consciência
do objeto. Esta representação do objeto, colhida pela alma, é
chamada intuição.(...) Uma instrução intuitiva é, então, a
que permite a criança tocar com o dedo e com o olho aquilo que
se lhe ensina, mesmo as verdades mais intrincadas (ás quais só
se chega, seguindo um desenvolvimento sempre gradual, após haver
partido das noções elementares mais simples). É mister, pois,
que a criança possa ver com seus olhos a evidência, que possa,
por assim dizer, apalpá-La”.
Os processos intuitivos da
pedagogia e da didática estabeleceram a transição entre o ensino
abstrato e o ensino ativo dos dias atuais, mas este, na verdade,
também se baseia na intuição e na maior soma possível de experiência
dos alunos. Para René Hubert não há entre a doutrina intuitiva,
tal como era recomendada aos instituidores do começo do século
XIX, E A Doutrina Das Escolas Novas,
Outras Diferenças Além Das Que dizem respeito à inserção, entre
o princípio e suas aplicações, das descobertas da
Psicologia experimental da criança.
Não obstante adotar o Método
intuitivo Pestalozziano, Rivail achou de bom alvitre não abandonar
de todo o ensino abstrato, que ainda estava em voga na maioria das
escolas francesas. Inteligentemente procurou conciliá-la com a
doutrina e a prática da escola intuitiva, de maneira que os alunos
não teriam dificuldade em se adaptarem exclusivamente a um ou a
outro ensino.
Com o “Curso Prático E
Teórico De Aritmética”, Hippolyte Léon Denizard Rivail iniciou
em França a sua grande missão patriótica e humanitária de educador
e pedagogo emérito. Ali ele se afirmou como uma das maiores autoridades
na aplicação do método de Pestalozzi, bastando dizer que a mencionada
obra teve, até 1876, sucessivas reedições, sendo que a segunda
edição nada mais foi que uma nova tiragem com a mesma composição
e os mesmos clichês da primeira, inclusive com o mesmo frontispício,
igualmente datado de 1824, o que leva a crer que saíra a lume ainda
nesse ano. O catálogo da Biblioteca Nacional de Paris, consigna
o aparecimento dessa 2a. edição apenas por dois vocábulos
postos entre parêntesis: Estado diferente.
Fé
inabalável só é a que pode encarar frente à frente a razão
em todas as épocas da humanidade. O evangelho segundo o espiritismo.
Allan
Kardec.
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