O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 

Título :
O Fenômeno de Intercomunicação Mediúnica
O Fenômeno Mediúnico Através dos Tempos

Autor:
FEB

Fonte:
Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita - FEB

Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita
Baseado em Publicação da FEB

   

Idéias Principais:

Acena-nos a Antiguidade terrestre com brilhantes manifestações mediúnicas, a repontarem da História.

Discípulos de Sócrates referem-se ao amigo invisível que o acompanhava constantemente.

Em Roma, no Templo de Minerva, Pausânias, ali condenado a morrer de fome, passou a viver, em Espírito, aparecendo e desaparecendo aos olhos de circunstantes assombrados, durante largo tempo.

Na Idade Média, o dualismo humano-divino se mostra bem claro. Um fenômeno de possessão é sempre tomado como manifestação demoníaca ou sagrada. Na Idade Média, mencionemos dias grandes figuras históricas: Cristóvão Colombo, o descobridor de um novo mundo, impelido por uma obsessão divina, e Joana d´Arc, que obedece suas vozes.

No século passado, os fenômenos de Hydesville e as mesas girantes são as manifestações mediúnicas preliminares da Codificação Espírita.

Andrew Lang é o autor da tese espírita da origem mediúnica da Religião. Bozzano esposa essa tese e procura esclarecê-la.

A História de Israel é o mais belo poema mediúnico, a epopéia espiritualista por excelência.

Maomé, o fundador do Islam, redige o Alcorão, sob o ditado de um Espírito.

A mediunidade atinge culminância com Jesus, não somente durante a sua passagem entre nós, quando, a cada hora, revela o seu intercâmbio constante com o Plano Superior, mas também na equipe dos companheiros aos quais se apresenta em pessoa, depois da morte.

No dia de Pentecostes, vários fenômenos mediúnicos marcam a tarefa dos apóstolos.

Síntese do Assunto:

O fenômeno mediúnico não nasceu com o Espiritismo. Existe desde as épocas mais remotas da vida humana planetária.

Temos notícias das comunicações mediúnicas ao longo dos tempos, entre homens cultos e ignorantes, envolvidas ora com a sombra do mistério e simbologia, ora manifestadas como fatos naturais.

De acordo com os povos, os costumes e a época, os Espíritos comunicantes e seus médiuns provocaram fenômenos mediúnicos prodigiosos que foram assinalados pela História ou pelas religiões como milagrosos ou demoníacos.

Digno de destaque, é que em todas as idades da Humanidade, somos assistidos por Espíritos superiores que nos impulsionam para o progresso moral-intelectual.

Os antigos fizeram, desses Espíritos, divindades especiais. As Musas não eram senão a personificação alegórica dos Espíritos protetores das ciências e das artes, como os deuses Lares e Penates simbolizavam os Espíritos protetores da família. Também modernamente, as artes, as diferentes indústrias, as cidades, os países têm seus patronos, que mais não são do que Espíritos superiores sob várias designações.

Nos povos, determinam a atração dos Espíritos os costumes, os hábitos, o caráter dominante e as leis, as leis, sobretudo, porque o caráter de uma nação se reflete nas suas leis. Estudando-se os costumes dos povos ou de qualquer reunião de homens, facilmente se forma idéia da população oculta que se lhes imiscui no modo de pensar e nos atos.

O profetismo em Israel, durante vinte consecutivos séculos, é um dos fenômenos transcendentais mais notáveis da História.

A origem do profetismo em Israel é assinalada por imponente manifestação. Um dia, Moisés escolhe 70 anciães e os coloca ao redor do tabernáculo. Jeová revela sua presença em uma nuvem. Jeová é um dos Eloim, Espíritos protetores do povo judeu e de Moisés em particular.

Assim começa o profetismo, ou mediunidade sagrada, em Israel. Moisés, iniciado nos ministérios de Isis, e sobretudo em conseqüência de suas relações familiares com seu sogro Jetro, grã-sacerdote de Heliópolis, foi a seu turno o grande iniciador psíquico de seu povo, antes de se lhe constituir em seu imortal legislador.

Moisés é vidente e auditivo. Ele vê Jeová, o Espírito protetor de Israel, na sarça do Horeb e no Sinai. Quando se inclina diante do propiciatório da arca da aliança, escuta vozes. É médium escrevente quando, sob o ditado de Eloim, escreve as tábuas da lei; magnetizador poderoso, quando fulmina com uma descarga fluídica os hebreus revoltados no deserto; médium inspirado, quando entoa seu maravilhoso cântico após a derrota de Faraó. Moisés apresenta ainda o gênero especial de mediunidade – a transfiguração luminosa. Quando desce do Sinai, traz na fronte uma auréola de luz.

Samuel, outro profeta judeu, dormindo no templo, é muitas vezes despertado por vozes que o chamam, lhe falam no silêncio da noite e lhe anunciam as coisas futuras (Reis, III, 1/18).

Esdras reconstitui integralmente a Bíblia que se tinha perdido, sob o auxílio espiritual denominado “A voz”. (liv. IV, cap. XIV).

Todo o livro de Job está repleto de iluminações e de inspirações mediúnicas. Sua própria vida, atormentada de maus Espíritos, é um assunto de estudos muitíssimo sugestivos.

A história da mediunidade dos profetas judeus encerra-se com a vinda de Jesus. A passagem do Mestre entre os homens, junto dos quais, a cada hora, revela o seu intercâmbio constante com o Plano Superior, seja em colóquios com os emissários de alta estirpe, seja em se dirigindo aos aflitos desencarnados, no socorro aos obsessos do caminho, mas também na equipe dos companheiros, aos quais se apresenta em pessoa, depois da morte.

No dia de Pentecostes, vários fenômenos mediúnicos marcam a tarefa dos apóstolos, mesclando-se efeitos físicos e intelectuais na praça pública, a constituir-se a mediunidade, desde então, em viga mestra de todas as construções do Cristianismo, nos séculos subseqüentes.

Assim, O Evangelho não é o livro de um povo apenas, mas o Código de Princípios Morais do Universo, adaptável a todas as pátrias, porque representa a carta de conduta para a ascensão da consciência à imortalidade, na revelação da qual Nosso Senhor Jesus Cristo empregou a mediunidade sublime como agente de luz eterna, exaltando a vida e aniquilando a morte, abolindo o mal e glorificando o bem.

Na velha Grécia, o grande Sócrates refere-se, na voz dos seus discípulos, ao amigo invisível que o acompanhava constantemente.

Sabe-se que Nero, nos últimos dias de seu reinado, viu-se fora do corpo carnal, junto de Agripina e de Otávia, sua genitora e sua esposa, ambas assassinadas por sua ordem, a lhe pressagiarem a queda no abismo.

No silêncio do deserto, Maomé, o fundador do Islam, redige o Alcorão, sob o ditado de um Espírito, que adota, para se fazer escutar, o nome e a aparência do anjo Gabriel.

Na Idade Média, época de obscurantismo, os médiuns ou são perseguidos e maltratados como feiticeiros ou são elevados à categoria de santos.

Em sua aventurosa missão, Colombo era guiado por um gênio invisível. Tratavam-no de visionário. Nas horas das maiores dificuldades, ele escutava uma voz desconhecida murmurar-lhe ao ouvido: “Deus quer que teu nome ressoe gloriosamente através do mundo; ser-te-ão dadas as chaves de todos esses portos desconhecidos do oceano”.

A vida de Joana D´Arc está na memória de todos. Sabe-se que, em todos os lugares, seres invisíveis inspiravam e dirigiam a heróica virgem de Donrémy. Surgem aparições diante dela; vozes celestes ciciam-lhe ao ouvido. Nela, a inspiração flui como o borbotar de uma torrente impetuosa.

Ainda na Idade Média, outros importantes se revelam: Dante Alighieri, que sob influência espiritual redige A Divina Comédia; Tasso, sob inspiração do Espírito Ariosto, escreve o poema Renaud; Milton escreve o Paraíso Perdido; Shakespeare nos fala sobre aparições em Hamlet.

Há ainda Goethe. O Fausto é uma obra mediúnica e simbólica de primeira ordem.

No século dezoito, destaca-se o médium Emmanuel Swedenborg. No século dezenove, reencarnam médiuns com a missão de comprovarem a realidade espiritual. Entre eles citamos: Davies, Eusápia Paladino, Amália Domingo y Soler, Stainton Moszes, Wera Krijanowsky, Madame d´Esperance, Florence Cook, Slade, Catarina e Margarida Fox, Senhora Hauffe, Ana Rothe, etc.

Neste breve retrospecto, podemos verificar que a mediunidade é algo intrínseco ao próprio homem desde os tempos imemoriais. E mais: a base religiosa do homem está fundamentada nas manifestações mediúnicas, como pudemos ver no breve estudo das origens do judaísmo, cristianismo, islamismo e das seitas ditas orientais, como o bramanismo, o budismo, entre outras.