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O
moderno espiritualismo, é uma nova forma da revelação eterna.
Para nós, revelação significa simplesmente ação de levantar
um véu e descobrir coisas ocultas.
Neste
ponto de vista, todas as ciências são revelações; há, porém,
uma ainda mais alta – a das verdades morais que nos vem por
intermédio dos celestes missionários, e, mais freqüentemente,
pelas aspirações da consciência.
Todos
os tempos e todos os povos tiveram sua parcela de revelação.
Esta não é, como alguns acreditam, um fato realizado em dada
época, em determinado meio e para sempre. É perpétua,
incessante; é obra do espírito humano em seus esforços para
elevar-se, sob a influência do espírito divino ao conhecimento
integral das coisas e das leis. Essa influência muitas vezes se
produz sem que a perceba o homem. É mediante intervenções
humanas que Deus age sobre a Humanidade, tanto no domínio dos
fatos históricos, como no do pensamento e da Ciência.
À
medida que se desenvolve a História, à medida que se estende
através dos séculos a imensa caravana da Humanidade, uma luz
mais viva se faz em nós e ao redor de nós. A Potência invisível
que do seio dos espaços acompanha essa marcha, conforme o nosso
grau de evolução e compreensão, oferece-nos novos dados sobre
o problema da vida e do Universo.
As
revelações dos séculos passados fizeram a sua obra. Todas
realizaram um progresso, uma sobre as outras, assim assinalando
períodos sucessivos da Humanidade; mas já não correspondem às
necessidades da hora presente, porque a lei do progresso opera
sem cessar, e, à medida que o homem avança e se eleva, seus
horizontes devem dilatar-se. Por isso, uma dispensação mais
completa do que as outras se efetua agora no mundo.
É
necessário também recordar uma coisa, a saber: se cada época
notável teve os seus reveladores; se espíritos eminentes
vieram trazer aos homens, conforme os tempos e lugares,
elementos de verdade e progresso, os germes por eles semeados
ficaram estéreis, muitas vezes. Suas doutrinas, mal
compreendidas, deram origem a religiões que se excluem se
condenam injustamente, porque todas são irmãs e repousam sobre
duas bases comuns: Deus e a imortalidade. Cedo ou tarde, elas se
fundirão em vasta unidade, quando as névoas que envolvem o
pensamento humano se houverem dissipado ao sol brilhante da
verdade.
Ao
lado desses divinos mensageiros, muitos falsos profetas têm
surgido. Pretensos reveladores têm querido impor-se às multidões;
doutrinas confusas e contraditórias se têm divulgado em
proveito aparente de alguns, mas realmente em prejuízo de
todos.
É
por isso, para evitar abusos tais, que a nova revelação
reveste um caráter inteiramente diferente. Não é mais uma
obra individual, nem se produz num meio circunscrito. É dada em
todos os pontos do globo, aos que a procuram, por intermédio de
pessoas de todas as idades, condições e nacionalidades,
mediante inúmeras comunicações, cujo valor tem sido submetido
a mais rigorosa verificação.
Obra
dos grandes Espíritos do espaço, que vêm aos milhares
instruir e moralizar a Humanidade, apresenta um cunho impessoal
e universal. Sua missão é esclarecer, coordenar todas as
revelações do passado, contidas nos livros sagrados das
diversas raças humanas e veladas sob a parábola e o símbolo.
A nova revelação, livre de qualquer forma material,
manifesta-se diretamente à Humanidade, cuja evolução
intelectual tornou-se apta para abordar os altos problemas do
destino. Preparada pelo trabalho das ciências naturais, sobre
as quais se apóia, e pelos conhecimentos lentamente adquiridos
pelo espírito humano, fecunda esses trabalhos e conhecimentos e
os liga por forte vínculo, formando um todo sólido.
A
revelação cristã havia sucedido à revelação moisaica; a
revelação dos Espíritos vem completá-la. O Cristo a
anunciou, e pode acrescentar-se que ele próprio preside a esse
novo surto do pensamento.
Como
essa revelação não se efetua pelo veículo da ortodoxia,
vemos combaterem-na as igrejas estabelecidas; o mesmo, porém,
se deu com a revelação cristã, relativamente ao sacerdócio
judaico. O clero se encontra hoje na mesma posição dos
sacerdotes de Israel, há dois mil anos, a respeito do
Cristianismo. Essa aproximação histórica deve fazê-lo
refletir.
A
nova revelação manifesta-se fora e acima das igrejas. Seu
ensino dirige-se a todas as raças da Terra. Por toda parte os
Espíritos proclamam os princípios em que ela se apóia. Por
sobre todas as regiões do globo perpassa a grande voz que
convida o homem a meditar em Deus e na vida futura. Acima das
estéreis agitações e das discussões fúteis dos partidos,
acima das lutas de interesse e do conflito das paixões, a voz
profunda desce do espaço e vem oferecer a todos, com o
ensinamento da Palavra, a divina esperança e a paz do coração.
É
a revelação dos tempos preditos. Todos os ensinos do passado,
parciais, restritos, limitados na ação que exerciam, são por
ela ultrapassados, envolvidos. Ela utiliza os materiais
acumulados; reúne-os, solidifica-os para formar um vasto edifício
em que o pensamento, à vontade, possa expandir-se. Abre uma
fase nova e decisiva à ascensão da Humanidade.
Não
podemos, todavia, calar as inúmeras objeções que se
levantaram contra a doutrina dos Espíritos. Mau grado ao caráter
imponente da nova revelação, muitos nela não viram mais que
um sistema, uma teoria especulativa. Mesmo entre os que admitem
a realidade dos fenômenos, houve quem acusasse os espíritas de
haver edificado sobre tais fatos uma doutrina prematura, assim
restringindo o caráter positivo do moderno espiritualismo.
Os
que empregam essa linguagem, não compreenderam a verdadeira
natureza do Espiritismo. Este não é, como pretendem, uma
doutrina previamente elaborada e menos ainda uma teoria
preconcebida; é apenas a conseqüência lógica dos fatos, o
seu complemento necessário.
Há
meio século, as comunicações estabelecidas com o mundo invisível
não têm cessado de nos fornecer indicações, tão numerosas
quão positivas, sobre as condições da vida nesse mundo. Os
Espíritos, nas mensagens que nos dão em abundância, mediante,
quer a escrita automática, quer os ditados tiptológicos, ou,
ainda, no curso de palestras entretidas por via de incorporação;
por todos os meios enfim ao seu alcance; os Espíritos,
repetimo-lo, de todas as categorias, fazem descrições muito
circunstanciadas do seu modo de existência depois da morte.
Descrevem as impressões ou alegrias que experimentaram,
conforme a sua norma de vida na Terra. De todas essas descrições,
comparadas, cotejadas entre si, resulta um conhecimento muito
claro da vida futura e das leis que a regem.
As
Inteligências superiores, em suas relações mediúnicas com os
homens, vêm completar essas indicações. Confirmam os ensinos
ministrados pelos Espíritos menos adiantados; elevando-se a
maior altura, expõem o seu modo de ver, as suas opiniões sobre
todos os grandes problemas da vida e da morte, a evolução
geral dos seres, as leis superiores do Universo. Todas essas
revelações concordam e se unem para constituir uma filosofia
admirável.
Acreditaram
descobrir certas divergências de opiniões no ensino dos Espíritos;
mas essas divergências são muito mais aparentes que reais.
Consistem, as mais das vezes, na forma, na expressão das idéias
e não afetam a própria essência do assunto. Elas se dissipam
à luz de um amadurecido exame. Disso temos um exemplo no que se
refere à doutrina das sucessivas reencarnações da alma.
Tem-se
feito dessa questão uma arma contra o Espiritismo, porque
certos Espíritos, em países anglo-saxônicos, parecem negar a
reencarnação das almas na Terra. Notaremos que, em toda parte,
os Espíritos afirmam o princípio das existências sucessivas,
com esta única reserva, no meio muito circunscrito, de que
falamos, de que a reencarnação se efetuaria, não na Terra,
mas noutros mundos. Não nisso, pois, senão uma diferença de
lugar; o princípio permanece intacto.
Se
os Espíritos, em alguns países eivados de tenazes
preconceitos, entenderam dever passar em silêncio, ao começo,
alguns pontos do seu ensino, não era isso, como eles mesmos o
reconheceram, para contemporizar com certos preconceitos de raça
ou de cor? O que bastaria para o provar é o número dos
espiritualistas anti-reencarnacionistas, na América como na
Inglaterra, a diminuir dia a dia, ao passo que o dos partidários
da reencarnação não tem cessado de aumentar.
Os
Espíritos que se manifestam, objeta-se ainda, não são todos
de ordem elevada. Alguns patenteiam opiniões muito restritas,
conhecimentos muito imperfeitos acerca de todas as coisas.
Outros se mostram ainda imbuídos dos preconceitos terrestres,
suas concepções apresentam o reflexo dos meios em que viveram
aqui na Terra.
A
morte não nos muda em quase nada; não se opera, em nossa
infinita trajetória, transformação alguma brusca. É
lentamente, na seqüência de numerosas existências, que o Espírito
se liberta de suas paixões, de seus erros e fraquezas, e
ascende para a sabedoria e para a luz.
Desse
estado de coisas resulta, necessariamente, uma grande variedade,
uma extrema diversidade de situações entre os invisíveis. As
comunicações dos habitantes do espaço, como os seus autores,
são de valor muito desigual e sujeitas à verificação. Devem
ser joeiradas pela razão e pelo bom senso.
Por
isso, o moderno espiritualismo não dogmatiza nem se imobiliza.
Não alimenta pretensão alguma à infalibilidade. Posto que
superior aos que o precederam, o ensino espírita é progressivo
como os próprios Espíritos. Ele se desenvolve e completa à
medida que, com a experiência, se efetua o progresso nas duas
humanidades, a da Terra e a do espaço – humanidades que se
penetram mutuamente e das quais cada um de vós deve,
alternativamente, fazer parte.
Os
princípios do moderno espiritualismo foram expostos,
estabelecidos, fixados por numerosos documentos, que emanavam
das mais diversas fontes mediúnicas e apresentavam entre si
perfeita concordância. Allan Kardec e, depois dele, todos os
escritores espíritas, aplicaram-se a um longo e minucioso exame
das comunicações de além-túmulo. Foi reunindo, coordenando o
que estes tinham de comum, que eles acumularam os elementos de
um ensino racional, que fornece satisfatória explicação de
todos os problemas insolúveis antes dele. Esse ensino, além de
tudo, é sempre verificável, pois que a fonte
donde emana é inesgotável. A comunicação estabelecida
entre os homens e os Espíritos é permanente e universal; ela
se acentuará cada vez mais com os progressos da Humanidade.
Se
é verdade que são numerosos, em torno de nós, os Espíritos
tenebrosos e atrasados, é preciso não esquecer que as almas
elevadas, descidas das esferas de luz, também vêm trazer à
Terra esses sublimes ensinamentos, que, uma vez ouvidos, nunca
mais esquecemos.
Ninguém
se poderia eximir à sua influência. Todos que têm tido a
fortuna de ouvir as suas instruções, conservam por muito tempo
a sua lembrança e impressão. É fácil compreender que a sua
linguagem não é deste mundo, vem de regiões mais altas.
A
esses radiantes Espíritos se associam, às vezes, as almas dos
nossos parentes, dos que amamos neste mundo e a cuja sorte não
podemos ficar indiferentes. Desde que aos nossos olhos se
evidenciam a identidade desses seres, tão caros para nós;
desde que a sua personalidade se afirma por mil modos, não se
nos desperta uma necessidade imperiosa de conhecer as condições
de sua nova vida?
Como
permanecer indiferentes, insensíveis à voz dos que nos
embalaram, dos que, em seus braços nos acalentaram, foram a
nossa carne e o nosso sangue?
Esse afeto que nos une aos nossos mortos,
esse sentimento que nos eleva acima da poeira terrestre e
nos distingue do animal, não nos impõe o dever de piedosamente
recolher, examinar e propagar tudo o que eles nos revelam
relativamente a esses graves problemas do destino, suspensos há
tantos séculos por sobre o pensamento humano?
Os
que não querem ver no moderno espiritualismo senão o lado
experimental, o fato físico, que desdenham as suas conseqüências,
não preferem a casca à polpa da noz, a encadernação ao conteúdo
do livro? Não desprezam o sábio conselho de Rabelais: “Parti
o osso e sugai a medula”? É realmente uma substância
fortificante esse ensino; cura-nos do terror da morte,
apercebe-nos para as lutas fecundas, para a conquista das
elevadas culminâncias intelectuais.
O
Espiritismo tem um lado inteiramente científico; repousa sobre
provas palpáveis, sobre fatos incontestáveis, mas são
principalmente as suas conseqüências morais que interessam à
grande maioria dos homens. A experimentação, a minuciosa análise
dos fatos, não está ao alcance de todos. Quando mesmo não
faltasse o tempo, seriam precisos os agentes, os meios de ação
e de verificação. Os pequeninos, os humildes, os que
constituem a massa popular, nem sempre dispõem do necessário
para o estudo dos fenômenos, e são precisamente esses os que têm
maior necessidade de conhecer todos os seus resultados, todo o
seu alcance.
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