O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
O Consolador Prometido por Jesus

Autor:
FEB

Fonte:
Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita - FEB

Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita
Baseado em Publicação da FEB

  

Se me amais, guardai os meus mandamentos;  e eu rogarei a meu Pai e ele vos enviará outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco: - O Espírito de Verdade que o mundo não pode receber, porque o não vê e absolutamente o não conhece.  Mas, quanto a vós, conhecê-lo-eis, porque ficará convosco e estará em vós. – Porém, o Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito. (S.João, cap. XIV,vv. 15 a 17 e 26). 

O Consolador Prometido Por Jesus, também designado pelo apóstolo João como o Santo Espírito, seria enviado à Terra com a missão de consolar e lidar com a verdade.  Sob o nome de Consolador e de Espírito de Verdade, Jesus anunciou a vinda daquele que havia de ensinar todas as coisas e de lembrar o que ele dissera.

O Consolador, como o Espírito de Verdade, dará aos encarnados o conhecimento de sua origem, da necessidade de sua estada na Terra e do seu destino, bem como espalhará a consolação pela fé e pela esperança.

Disse o Cristo: “Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados.”  Mas, como há de alguém sentir-se ditoso por sofrer, se não sabe por que sofre?  O Espiritismo mostra a causa dos sofrimentos nas existências anteriores e na destinação da Terra, onde o homem expia o seu passado.  Mostra o objetivo dos sofrimentos, apontando-os como crises salutares que produzem a cura e como meio de depuração que garante a felicidade nas existências futuras.  O homem compreende que mereceu sofrer e acha justo o sofrimento.  Sabe que este lhe auxilia o adiantamento e o aceita sem murmurar, como o obreiro aceita o trabalho que lhe assegurará o salário.  O Espiritismo lhe dá a fé inabalável no futuro e a dúvida pungente não mais se lhe apossa da alma.  Dando-lhe a ver do alto as coisas, a importância das vicissitudes terrenas some-se no vasto e esplêndido horizonte que ele o faz descortinar, e a perspectiva da felicidade que o espera lhe dá a paciência, a resignação e a coragem de ir até o termo do caminho. Assim, o Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido: conhecimento das coisas. Fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da Lei de Deus e consola pela fé e pela esperança.

Constitui o Espírito Consolador, portanto, a Terceira Revelação de Deus aos povos do ocidente, e procede de Espíritos sábios e bondosos, que, do Além, enviaram os seus ensinamentos através dos instrumentos mediúnicos, num verdadeiro derramamento da mediunidade na carne.

A revelação Cristã sucedeu a revelação Mosaica; a revelação dos Espíritos veio completá-la.  Várias são as razões que justificam a promessa do Cristo, do aparecimento do Espírito de Verdade, como o Consolador.  Uma delas seria a inoportunidade de uma revelação total e completa pelo Cristo, numa época em que o homem não estaria amadurecido para compreendê-la. Outra razão é a do esquecimento pelos homens das verdades apregoadas no seu Evangelho. Mais do que isto, destacam-se, como outra razão ainda as distorções premeditadas que a mensagem evangélica sofreu ao longo dos tempos.  Foram dois mil anos de fermentação, de criminosas deformações da mensagem cristã.

A relação entre o Espiritismo e o Consolador está no fato de a Doutrina Espírita conter todas as condições do Consolador que Jesus prometeu; ou seja, o Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos, porquanto fala sem figuras, nem alegorias, levantando o véu intencionalmente lançado sobre certos mistérios.  Vem, finalmente, trazer a consolação suprema aos deserdados da terra e a todos os que sofrem.

Finalmente, se de um lado o Espírito de Verdade se apresentava aos homens, à frente de elevadas entidades espirituais, que voltaram à Terra para completar a Obra do Cristo, de outro lado Kardec se coloca a postos, à frente de criaturas espiritualizadas, dispostas a colaborarem na imensa tarefa. O que então se cumpria era uma promessa do Cristo, através de todo um imenso processo de amadurecimento espiritual do homem.

Kardec foi o instrumento de que se serviu o Alto para completar a mensagem do Cristo; que Ele mesmo havia prometido.

Fonte: Obras Básicas
Allan Kardec.