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O
Espiritismo, como Doutrina Codificada e como Movimento, lançou-se
em toda parte, firmando-se positivamente aqui e ali, lá e acolá,
adentrando-se no tempo continuamente.
Por isso, já nos são dadas alegrias de variada ordem e
oportunidades excelentes para a aferição de métodos e avaliação
de tarefas começadas em datas que vão completando períodos de
século, três quartos, meio quarto de século, pois o calendário
nos mostra que a Doutrina baseada nos ensinos dos Espíritos
Reveladores, sob a orientação do Espírito de Verdade(O
Consolador prometido por Jesus Cristo, Nosso Senhor),
magistralmente sistematizada por Allan Kardec no século XIX,
com resultados efetivos para o orbe terráqueo a partir de 1857,
está no seu século II, no 122o. ano de “O Livro
dos Espíritos”.
Os
sucessos principais têm recebido de “Reformador”, em todas
as ocasiões, o acolhimento
cabível e as honras espirituais festivas condizentes com
os fatos e as normas a que se cingem a Casa de Ismael e sua
revista de Espiritismo Cristão.
Neste
ano de 1979, outro tanto do espaço de que dispõem suas páginas
restaria insuficiente ao “Reformador”, para tudo assinalar e
comentar como seria de desejar-se, tão rica é a messe de
frutuosas realizações e tais são as suas implicações.
No
entanto, um acontecimento, dentre muitos, mereceu-nos
excepcional enfoque e está integralmente documentado no número
de 1o. de Novembro de 1904 da revista Febiana, pp.
337 á 340, e no “Livro do Centenário” (Resenha das festas
e trabalhos realizados em 1904, por iniciativa da Federação
Espírita Brasileira, para comemorar o Centenário de Allan
Kardec), edição da FEB, 1906(esgotada).
Integra, portanto, os Anais do Espiritismo.
Queremos
referir-nos ao importante documento que consubstanciou os
anseios do Movimento Espírita no Brasil, pouco depois do
alvorecer do século XX, na data do centenário natalício do
missionário-chefe da Terceira Revelação: “Bases de Organização
Espírita”, de 1904.
Depois
do trabalho pioneiro, sacrificado, árduo mas eminentemente
fraternal, de Bezerra de Menezes – de união e unificação -,
a Federação Espírita Brasileira, a par de outras efetivas e
proveitosas medidas “ad initio” da administração seguinte,
do ilustre Leopoldo Cirne, sucessor do “Kardec Brasileiro”
nas graves responsabilidades da presidência, reunia os
espiritistas do pais para mais uma grande jornada sem
precedentes nos fastos do Espiritismo, na Pátria do Evangelho.
Era para examinar, como ponto alto da histórica pauta de
trabalhos e sessões solenes do grande conclave, o projeto de:
“Bases de Organização Espírita” elaborado e apresentado
pela Casa-Máter do Espiritismo, traduzindo com muita sensatez e
oportunidade a vontade unânime dos inesquecíveis seareiros
daqueles anos difíceis do movimento.
Com efeito – rezam os apontamentos da época –
“depois de discussão e de ligeira retificação em alguns
pontos do projeto original”, foram as “Bases” aprovadas,
quatro anos e meio após a desencarnação daquele que,
em 1895, “assumia a sua posição de diretor de todos os
trabalhos de Ismael no Brasil”, segundo a expressiva exposição
do Espírito Humberto de Campos.
Interrompamos,
agora, estas rápidas apreciações e avancemos quarenta e cinco
anos no tempo – sem nos deter nos anos de 1926 e 1933, quando
se encontraram, também no Rio de Janeiro, os componentes do
primeiro Conselho Federativo da Federação Espírita
Brasileira, pois, de suas memoráveis sessões, “Reformador”
de 1976 deu amplas notícias – e dessa maneira retornemos à
época do Pacto Áureo, a trinta anos dos nossos dias.
Neste último documento, cuja importância o tempo
encarregar-se-ia de ratificar, consagrado que foi, na pratica,
pela própria evolução da filosofia do Movimento Espírita,
que avança a passos firmes à luz do ideal confraternativo da
Unificação, sob o estandarte de Ismael – Deus, Cristo e
Caridade -, foi acordado o seguinte nos três itens iniciais ( são
dezoito ao todo ):
1o.)
Cabe aos espíritas do Brasil porem e pratica a exposição
contida no livro”Brasil, Coração do Mundo, Pátria do
Evangelho”, de maneira a acelerar a marcha evolutiva do
Espiritismo.
2o.)
A Federação Espírita Brasileira criará um Conselho
Federativo Nacional, permanente, com a finalidade de executar,
desenvolver e ampliar os planos da sua atual Organização
Federativa.
3o.)
Cada Sociedade de âmbito estadual indicará um membro de sua
Diretoria para fazer parte desse Conselho.
No
que concerne à Organização Federativa acima citada, os
Estatutos da Federação Espírita Brasileira, em seu Art. 109,
feitas as emendas decorrentes do pactuado, determinam:
“A
execução do programa da Federação, quanto ao que prescreve o
Art. 1o., n. III, destes Estatutos (A união solidária
das Sociedades Espíritas do Brasil, segundo o plano exposto nos
Capítulos XVI e XVII destes Estatutos), consistirá na integração
das Sociedades Espíritas dos Estados, Territórios e do
Distrito Federal no seu organismo, por ato federativo ou de adesão,
de modo a constituírem com ela um todo homogêneo, em o qual,
com o único objetivo de confraternização, concórdia e
solidariedade, se verifique completa harmonia de vistas e
unidade de programa, moldado este pelas “Bases de Organização
Espírita” aprovadas no Rio de Janeiro, em 1904, ao
celebrar-se o Centenário de Allan Kardec(...) e de acordo com o
deliberado na Conferência Espírita, realizada no Rio de
Janeiro em 5 de Outubro de 1949”.
As
“Bases” que moldam o programa, o seu fundamento e alicerce,
remontam, portanto, ao principio do século atual.
Inspiraram e orientaram a comunidade espiritista, em
seguimento natural à obra notável de Bezerra de Menezes,
conduzindo-a à marcha segura, ascensional e
construtiva ao longo dos anos, levando-a, no plano
nacional, ao primeiro e atual Conselho Federativo Nacional,
previsto no Pacto Áureo e instalado em 1950.
O Capitulo XVII dos Estatutos da Federação Espírita
Brasileira, todo ele dedicado ao Conselho Federativo Nacional,
em função do pacto supramencionado, assim o define no Art.
117:
“Como
complemento da organização federativa instituída no Capitulo
XVI e meio de se estreitarem
as relações entre a Federação e as Sociedades
federadas, o Conselho Federativo Nacional é o órgão
permanente, com a finalidade de executar, desenvolver e ampliar
os planos da Organização Federativa da Federação Espírita
Brasileira”.
Voltemos,
uma vez concluído ligeiro esboço sobre o magno evento de 1949,
ao documento básico que está completando 75 anos, mas para
transcrevê-lo, desde logo, na íntegra:
Bases
de Organização Espírita
Os
espíritas do Brasil, tendo em vista a conveniência e
oportunidade de uma organização geral de propaganda, sobre
bases homogêneas, e:
Considerando
que o Espiritismo, sendo uma doutrina integral sob o tríplice
aspecto científico, moral e filosófico, não deve ser
desmembrado por exclusivismos e em qualquer sentido, e assim:
convém para o primeiro, observar sempre os seus fenômenos e
deduzir as suas leis, ou confirmar as já estabelecidas como
verdadeiras; para o segundo, isto é, quanto à moral, que é a
própria moral instituída pelo Cristo nos Evangelhos e
desenvolvida pela Revelação moderna, deve ser objeto de
especial cultivo, por ser esse o seu objetivo capital; e quanto
ao último, convém sempre freqüentar o terreno das induções
e deduções filosóficas como um meio de evolução permanente
da doutrina;
Considerando
ainda que já é tempo de fazerem os espíritas a demonstração
prática da doutrina que professam, não somente pelos círculos
de investigação e propaganda existentes, dando-lhes uma
organização metódica, mas também pela criação de
institutos didáticos, em que, a par da instrução geral, sejam
ministradas, da criança ao adulto, as noções da doutrina espírita,
obtendo-se por essa forma a sua divulgação mais rápida e
extensa;
Resolvem:
Empregar
desde já todos os esforços para a criação, na capital de
cada Estado da União Brasileira, de um Centro calcado nos
moldes da Federação do Rio de Janeiro, tendo [por fim promover
a organização e filiação de associações de estudo e
propaganda em todo o Estado.
Tais instituições, aderindo ao programa da Federação
Espírita Brasileira, a ela se filiarão com as respectivas
associações subsidiárias, sem nenhuma relação de dependência
disciplinar, mas unicamente com intuitos de confraternização e
unidade de vistas.
Em
todas essas agremiações o programa consistirá:
A)
Para a parte experimental na observação e análise dos
fenômenos espíritas e conexos, criando-se para isso “Escola
de Médiuns”, em que, antes do ensaio das faculdades, receberão
eles a instrução doutrinária completa, para uso e segurança
do seu exercício, adotando-se, para isso, o “Livro dos Médiuns”
com vade-mécum indispensável;
B)
Para a parte filosófica, no estudo analítico e
comentado, por ordem seguida, de “O Livro dos Espíritos”,
podendo ser completado com o de “O Céu e o Inferno”, do
mesmo modo;
C)
Para a parte moral, no estudo dos Evangelhos, adotando
“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, os que assim o
entenderem, ou “Os Quatro Evangelhos” ou “Revelação da
Revelação”, dada a J.B.Roustaing, os que o preferirem em
todos esses estudos permitindo-se sempre a permuta de opiniões,
para perfeito entendimento das questões tratadas.
Além
disso, como complemento demonstrativo da moral que professam os
seus filiados, as associações espíritas se esforçarão por
criar e manter caixas de socorros de natureza da Assistência
aos Necessitados, ou semelhantes, criando igualmente gabinetes
mediúnicos receitistas nos moldes da Federação, para cura
gratuita de enfermos e distribuição de medicamentos homeopáticos.
Serão
também criadas aulas gratuitas de instrução elementar, ou
secundária, com uma parte dedicada ao estudo da filosofia ou da
moral espírita.
O
presente programa será remetido por cópia a todas as
sociedades espíritas do Brasil e aos espíritas militantes,
onde não as haja, a fim de ser tentada a sua aprovação e
consecutiva realização.
Sala
de Sessões da Federação Espírita Brasileira, no Rio de
Janeiro, em 1o. de Outubro de 1904.
Subscreveram
a Ata, em que foi transcrito este programa, os diretores da
Federação e os seguintes delegados vindos expressamente de
fora, bem como os representantes residentes nesta Capital, aos
quais foi confiado encargo idêntico:
Leopoldo
Cirne, Dr. Aristides Spinola, Albino G. Teixeira, Nilo
Fortes(como secretário ad hoc), Ulysses de Mendonça, Pedro
Richard, José A.
Pedreira Guimarães, Francisco Paim Pamplona, Francisco de Paula
Teixeira, Anselmo Duarte Moreira, Antonio Gonçalves da Silva
Batuíra, Diniz Moreira Lopes, Henrique Baptista, José Pinto
Magalhães de Siqueira, Thomaz Henrique Verran, Henrique
Maximiano Dames, Carlos Honório Berbet, João Martins D’Avila,
Augusto Duarte Ribeiro, Martiniano Francisco d’Andrade,
Eduardo Magnin, José Francisco Bandeira, Antônio Lima, Joaquim
Gouveia Franco, A Pinheiro Guedes, Ignácio Rivera Cardoso,
Antonio da Silva Couto, José Guerner de Almeida, João L. de
Souza, Francisco Garcia de Andrade, Raymundo de Lima Bacellar,
Manuel Quintão e Antonio Costa.
Fonte:
Reformador No 1798 - janeiro/1979
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