O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
Unificação

Autor:
FEB

Fonte:
Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita - FEB

Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita
Baseado em Publicação da FEB

   

A mensagem de Bezerra de Menezes, publicada no número de fevereiro desta revistas, sob o título: “Unificação paulatina, união imediata, trabalho incessante...”, deve ser objeto de muita meditação da parte de todos quanto se encontram, direta ou indiretamente, compromissados com a grande obra sintetizada pelo “Pacto Áureo”. Nós, espíritas, devemos analisar e re-analisar profundamente os termos desse memorável ajuste fraterno, considerando a sua elevada significação para o futuro do Espiritismo no Brasil, buscando, indivíduos e sociedade, consolidar cada vez mais suas posições em torno desse Pacto, cuja assinatura mereceu de Ismael, entre outras, as seguintes palavras:

“Avante caravaneiros da Pátria do Evangelho!  Não permitais que o homem velho sufoque o novo que surge das páginas do Livro Santo!  Que a humildade seja a vossa primordial arma, a exemplo de Jesus.  Que a renúncia, amigos, vos secunde em todos os atos para buscardes e terdes em vós o reino dos Céus”. Jamais impere o personalismo em vossos corações”. Todas as vezes que a luta pela conquista do bem se vos tornar áspera, e encontrardes dificuldades em vencê-las, orai, amigos da Caravana que se não extingue.  Orai!  Orai!  Elevai-vos acima de vós mesmos nas asas da prece e, na volta, certamente trareis um Anjo do Senhor convosco”.  Testemunhos, nós os teremos que dar. Decepções, vós a encontrareis ainda. Mas, que dizermos do Sermão da Montanha, se não houvera decepções?  Benditos os que padecem perseguições e injúrias!  Benditos os aflitos!  Benditos os que sofrem carência de justiça!  As lutas terão que nos atingir incessantemente. Todavia, se tivermos Jesus no coração, a fé que remove montanhas e a consciência tranqüila do dever bem cumprido – diante da dor nada deveremos temer.  Caminharemos sempre.  Que jamais irmãos movidos pelo mesmo ideal se entrechoquem, por não haver tolerância, por não haver renúncia, por não haver humildade.” 

Todos carreamos grande responsabilidade no esforço pela preservação do princípio de fraternidade maior estabelecido no “Pacto Áureo”, expressando a unificação das sociedades espíritas e, mutatis mutandi, a unidade, a comunhão de pensamento de todos os espíritas, reunidos sob a bandeira de Ismael.  “Comunhão de pensamento comum, unidade de intenção, de vontade, de desejo, de aspiração” – disse Kardec, no discurso de abertura da sessão anual comemorativa dos mortos, na Sociedade Parisiense, em 1o. de Novembro de 1868(Publicado na íntegra no “O Mensageiro” de Fevereiro/2001).

Acompanhamos todos, com doce emoção, os frutos já colhidos nos primeiros vinte e seis anos de vigência do “Pacto Áureo”. Essa auspiciosa verificação de agora deve constituir, de hoje para o futuro, um estimulo para que – sob pretexto algum – possa haver solução de continuidade na colheita de paz e amor propiciada pelo notável acontecimento de 5 de outubro de 1949.  E tudo indica que os espíritas, desde os mais antigos profitentes aos mais novos colaboradores, todos, graças a Deus, têm compreendido o alcance da providência sugerida por Bezerra de Menezes, e consumada, naquela data, graças à superior compreensão de companheiros tocados pelos sentimentos de amor que Jesus generosamente deposita no coração de todas as criaturas de boa-vontade. Teremos sempre vivas na nossa memória as palavras deste trecho de Ismael, na mensagem referida: 

“Se minhas palavras vos merecerem fé, guardai-as em vossos corações;  cheguem elas, se possível, a todos quantos se interessam pela paz e pela harmonia universais”.

Mas, voltemos à mensagem de Bezerra, a que já aludimos no início deste artigo.  Ratificando o que afirmou Kardec, diz Bezerra de Menezes:  “No instante em que os valores externos perdem a sua significação, impulsionando-nos a buscar Deus no coração, somos, através de nossos irmãos, convidados à responsabilidade maior de amar, de servir e de passar”.  E aduz, mais adiante:  “Unificação, sim.  União, também.” 

Detenhamo-nos um pouco nessa asserção do Kardec brasileiro.  Sem a união dos homens, a unificação perderia a substância indispensável à sua expansão e progressiva consolidação.  “Imprescindível que nos unifiquemos no ideal espírita, mas que, acima de tudo, unamo-nos como irmãos”, prossegue Bezerra.  Isso constitui verdade inconcussa.  O espírita não o é apenas nas horas calmas e nos momentos amenos. É preciso que o demonstremos  na  adversidade, na tribulação no tumulto, no desentendimento que porventura possa emergir de qualquer debate; e que, ciosos da nossa responsabilidade perante Jesus, perante Ismael, perante nós mesmos, reajamos espiriticamente, evangelicamente, permitindo à Doutrina sobrepor-se aos nossos melindres pessoais, aos nossos pontos de vista egoísticos, às nossas atitudes de intransigência.

A União é a chave mestra da Unificação, tanto assim que Bezerra assevera, com a autoridade moral, intelectual e espiritual que possui:  “A tarefa da unificação é paulatina; a tarefa da união é imediata, enquanto a tarefa do trabalho é incessante, porque jamais terminaremos o serviço, desde que somos servos imperfeitos, e fazemos apenas a parte que nos está confiada”.  Ora, sejamos francos: por mais difícil que seja a nossa parte, nunca se igualará à que vêm realizando os Espíritos superiores que nos honraram com a sua confiança, nesse e em outros cometimentos de natureza terrena.  Compreendamos isso, de uma vez por todas.  Não há cá em baixo interesses mais respeitáveis do que os que defendem os nobres irmãos mais respeitáveis.

Na mensagem que vimos comentando, por sinal recebida pelo médium Divaldo Pereira Franco, na FEB – Brasília, em abril de 1975, há ainda muita coisa útil a considerar.  Lembremo-nos de que não somos insubstituíveis no pouco que possamos realizar em favor da unificação.  Sendo assim, não nos cabe direito algum de criar, por imprevidência ou excesso de zelo, ou por outra qualquer razão que a nossa vaidade venha a exagerar, embaraços ao desenvolvimento natural da unificação, até agora em processo normal e tranqüilo de progressão.

Reportemo-nos uma vez mais a Bezerra: “Unamo-nos, amemo-nos, realmente, e dirimamos as nossas dúvidas, retificando as nossas opiniões, as nossas dificuldades e os nossos pontos de vista, diante da mensagem clara e sublime da Doutrina com que Allan Kardec enriquece a nova era, compreendendo que lhe somos simples discípulos; como discípulos não podemos ultrapassar o Mestre”.

“Demo-nos as mãos e ajudemo-nos; esqueçamos as opiniões contraditórias para nos recordarmos dos conceitos de identificação, confiando no tempo, o grande enxugador de lágrimas, que a tudo corrige”.

Meditemos sobre o enorme peso que atrairemos sobre nós, se, destoando daqueles que guardam fidelidade ao Mestre, deixarmos de ser humildes, dedicados colaboradores da Sua obra, para nos transformarmos em pedra de tropeço aos seus altos desígnios na Terra de Santa Cruz.

“É por isto, Espíritas, meus irmãos, - torna Bezerra – que a Unificação deve prosseguir, mas a União deve viger em nossos corações”.   

Fonte: Reformador No 1756 - abril/1976