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Com
a República, atingiu o Brasil a sua maioridade coletiva e as
falanges do Infinito, naturalmente, concentraram as suas
possibilidades e esforços no desenvolvimento da obra de Ismael
no país do Cruzeiro.
Seus
maiores eventos puramente políticos não deixaram, no entanto,
de ser acompanhados pelos mensageiros do Bem, objetivando a
tranqüilidade comum e a evolução geral.
Todavia,
com o grande feito de 15 de novembro de 1889, terminamos este
esforço, à guisa de história.
Outros,
por certo, consultando as razões dos fatos relacionados no
tempo, poderão apresentar trabalhos mais pormenorizados e
melhor, no domínio dos estudos transcendentes do psicólogo e
do historiador, onde se emaranharam as causas profundas dos
menores acontecimentos, englobando as atividades de quantos,
ainda encarnados, se encontram em evidência no país e são
suscetíveis de apresentar, de futuro, mais amplos
esclarecimentos.
O
maior problema é o da educação nacional, para que os filhos
das outras terras, necessários e indispensáveis ao progresso
econômico da nação, não se sintam dispostos a reviver, no
Brasil, as taras de suas antigas organizações e, sim,
absorvidos no círculo espiritual do país do Evangelho, possam
integrar-se as suas fileiras de fraternidade e evolução.
Apesar da recente filosofia do "bastar-se a si mesmo",
nenhum país do mundo pode viver independente da comunidade
internacional. Toda a grandeza material de um povo repousa na
regularidade dos fenômenos da troca e todas as guerras, quase
sempre, têm origem na desarmonia do comércio entra as
nações. No Brasil, a chamada contribuição estrangeira é
indispensável; e o único recurso contra a incursão do
elemento nocivo ou ameaçador da estabilidade das instituições
brasileiras, é a educação ampla do povo, em cujos labores
sagrados deveriam viver todos os progressos do bom nacionalismo.
Se
muitas escolas existem no sul, onde somente se ensina o idioma
alemão, em muitos casos é porque os professores do Brasil não
se decidiram a enfrentar as surpresas da região, a fim de
zelarem pelo patrimônio intelectual dos novos operários da
pátria. Se algumas dezenas de agrônomos vieram diretamente de
Tóquio para os riquíssimos vales do Amazonas, é que os
agrônomos brasileiros não se animaram a trabalhar no sertão
hostil, receosos do sacrifício. Entretanto, não faltariam
espíritos abnegados e corajosos, no seio do povo fraterno, que
floresce no coração geográfico do mundo, ansiosos por
participarem da grande obra construtiva em que se desenvolvem
numa grande tarefa de amor, se os ambientes universitários, com
as suas habilitações oficiais, não estivessem abertos somente
à aristocracia do ouro. A palavra de um mestre custa uma
fortuna, apenas suscetível de ser remunerada pelas famílias
mais abastadas e mais favorecidas, e nem sempre nesses ambientes
confortáveis se encontram as almas apaixonadas pela luta em
prol do progresso comum.
Nesta
época de confusão e amargura, quando, com as mais justas
razões, se tem, por toda parte, a artista organização do
homem econômico da filosofia marxista, que vem destruir todo o
patrimônio de tradições dos que lutaram e sofreram no
pretérito da humanidade, as medidas de repressão e de
segurança devem ser tomadas a bem das coletividades e das
instituições, a fim de que uma onda inconsciente de
destruição e morticínio não elimine o altar de esperanças
da pátria. Que o capitalismo, visando a própria tranqüilidade
coletiva, seja chamado pelas administrações ao debate, a
incentivar com os seus largos recursos a campanha do livro, do
saneamento e do trabalho, em favor da concórdia universal.
Não
nos deteremos a falar, depois da República, de quantos se
encontram ainda no cenáculo das atividades e dos feitos do
país, porquanto semelhante ação de nossa parte constituiria
uma intervenção indébita nas iniciativas e empreendimentos
dos "vivos".
Jesus,
que é a suprema personificação de toda a misericórdia e de
toda a justiça, auxiliará a cada qual, no desdobramento dos
seus esforços para a glória da nacionalidade.
O
Brasil está cheio de ideologias novas, refletindo a paisagem do
século; cabe aos bons operários do Evangelho concentrar suas
atividades no esclarecimento das almas e na educação dos
espíritos.
Todas
as fórmulas humanas, dentro das concepções que exprimam, por
mais alevantadas que se afigurem, são perecíveis e
transitórias. A política sofrerá, no curso dos séculos, as
alternativas do direito da força e da força do direito, até
que o planeta possa atingir relativa perfeição social, com a
cultura generalizada. A ciência, como a filosofia e as escolas
sectárias, viverá entre dúvidas e vacilações, assentando
seus feitos na areia instável das convenções humanas. Só o
legítimo ideal cristão, reconhecendo que o reino de Deus ainda
não é deste mundo, poderá com a sua esperança e seu exemplo,
espiritualizar o ser humano, espalhando com os seus labores e
sacrifícios as sementes produtivas na construção da
sociedade.
Conhecedores
dessa grande verdade, supliquemos a Jesus se digne derramar do
orvalho de seu amor sobre os vermes da Terra.
Que
as falanges de Ismael possam, aliadas a quantas se desvelam pela
sua obra divina, reunir o material disperso e que a Pátria do
Evangelho mais ascenda e avulte no concerto dos povos,
irradiando a paz e a fraternidade que alicerçam,
indestrutivelmente, todas as tradições e todas as glorias do
Brasil.
Fonte:
Brasil, Coração do
Mundo, Pátria do Evangelho
Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito de Humberto de
Campos
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