O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
O Pacto Áureo

Autor:
FEB

Fonte:
Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita - FEB

Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita
Baseado em Publicação da FEB

   

Há quem insinue nos meios espiritistas que a Casa de Ismael, orientadora do movimento espírita em terras brasileiras desde 1884, foi forçada a aderir, em 1949, ao Pacto Áureo. A fim de que os historiadores futuros tomem conhecimento da verdade dos fatos, aqui deixamos registradas as principais fases dos sucessos de 1949, tais como se desenrolaram.

Em princípios de 1948, conforme se vê à pagina 30 de "Reformador" de Fevereiro desse ano, o Dr. Lins de Vasconcelos e o Sr. Leopoldo Machado fizeram uma sugestão à Federação Espírita Brasileira, para que convocasse um congresso nacional de mocidades e juventudes espíritas do país, o que ela não acolheu no intuito de evitar o separatismo entre as juventudes e, talvez mesmo, o separatismo entre "velhos" e moços.

Tempos depois, a Federação Espírita do Estado de São Paulo, que não era adesa à Federação Espírita Brasileira, anunciou que iria convocar um congresso em São Paulo. A União Federativa Espírita de São Paulo, que era adesa a FEB, não concordou com a realização do referido congresso, e esta última igualmente se recusou a nele tomar parte.

A esse congresso aderiu a Federação Espírita do Estado do Rio Grande do Sul, que, por isso mesmo, teve sustada a sua adesão à FEB.

A Federação Paulista, apoiada pela Federação Gaúcha e por mais algumas poucas sociedades que não se achavam ligadas à Federação Espírita Brasileira, realizou o congresso projetado.

Ao fim de seus trabalhos, esse congresso delegou poderes aos representantes da Federação Gaúcha para um entendimento com a diretoria da FEB, delegados esses (Cel. Michelena, Dr. Pompílio e Spinelli) que comparecem à sede da Federação Espírita Brasileira com a gravação dos principais discursos que em São Paulo foram proferidos.

Wantuil de Freitas, presidente da FEB, após ouvir os discursos gravados e a palavra dos delegados, argumenta, relembra os princípios da FEB e nega-se a apoiar a proposta por eles apresentada, ou seja, a da criação de uma Confederação ou de um Conselho Superior, ao qual a FEB ficaria subordinada.

A Delegação, tentando ainda alcançar seu objetivo, pediu a intervenção do Dr. Lins de Vasconcelos, amigo pessoal e íntimo do presidente da FEB. Este, porém, se recusou a tratar do assunto.

Em Outubro de 1949, realiza-se o Segundo Congresso da Confederação Espírita Pan-Americana, no Rio de Janeiro, sem a participação da Federação Espírita Brasileira, que nele não desejou tomar parte. Nessa ocasião, Lins de Vasconcelos volta a falar com o presidente da FEB, pedindo-lhe, novamente, que recebesse a Delegação do Congresso Paulista. O presidente da FEB recusa-se; todavia, informou que teria muito prazer em ouvi-la, se com ela viessem todos os representantes de sociedades de âmbito estadual que então se encontrassem no Rio, para assistirem ao congresso da CEPA.

E no dia 5 de Outubro de 1949, com a presença de inúmeros confrades de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, além de outros do Distrito Federal, realiza-se na sede da FEB uma reunião, presidida por seu presidente.

O Coronel Roberto Michelena, Chefe da Delegação do Congresso Paulista, propôs então que se criasse um Conselho Superior do Espiritismo, formado por três membros. O presidente da FEB, após argumentar contra a proposta, põe-na em discussão e votação, sendo recusada por unanimidade.

E como ninguém mais quisesse usar da palavra, o presidente da FEB, após ligeira exposição sobre todos os acontecimentos, tirou do bolso uma folha de papel datilografada e apresentou uma proposta em nome da diretoria da Federação Espírita Brasileira. Lida a proposta, todos os seus dezoito itens foram unanimemente aprovados e com eles foi lavrada a Ata de Unificação, posteriormente cognominada de Ata do Pacto Áureo, cujo inteiro teor pode ser lido a pagina 243 de "Reformador" de 1949.

Em 1o. de Janeiro de 1950, o presidente da FEB empossa os onze primeiros membros do Conselho Federativo Nacional, criado em virtude do "Pacto Áureo", o qual lança a sua "Proclamação aos Espíritas", em 8 de Março de 1950 ("Reformador" de 1950, página 73).

Aí tem os nossos amigos a síntese histórica das ocorrências. A FEB não aderiu, ninguém a forçou a coisa alguma, e tais afirmativas só podem partir daqueles que não têm conhecimento dos fatos verdadeiros.

E desde então a harmonia se estabeleceu em todo o meio espiritista brasileiro, malgrado as raras e inevitáveis vozes discordantes.