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Apenas
muito imperfeita idéia pode fazer o homem dos atributos da
Divindade. Atributos
são qualidades que caracterizam o ser e, estão, evidentemente,
em relação com a sua intima natureza.
Para que tivéssemos, portanto, idéia completa dos
atributos divinos, deveríamos conhecer integralmente a sua pura
essência. Pode o
homem compreender Deus através da razão, bem como o sentimento
inato que lhe dá a intuição da Sua existência, mas não pode
percebê-lo como se percebem as coisas materiais.
Argüidos por Allan Kardec a respeito da possibilidade de
compreender o homem a natureza intima de Deus, os Espíritos
responderam categoricamente: “Não, falta-lhe para isso o
sentido”.
Não
podendo o homem abarcar, na sua carência perceptiva, todos os
atributos divinos de absoluta perfeição, pode, entretanto,
fazer idéia de alguns, exatamente aqueles de que Deus não pode
prescindir. Nesses
atributos, que vamos a seguir enumerar, Ele tem de ser perfeito,
possuir em grau supremo todas as perfeições e ser
em todas infinito.
A
razão, com efeito, vos diz que Deus deve possuir em grau
supremo essas perfeições, porquanto, se uma Lhe faltasse, ou não
fosse infinita, já Ele não seria
superior a tudo, não seria, por conseguinte, Deus.
Deus
é Espírito – o Supremo Espírito!
Absolutamente perfeito, não é comparável a quaisquer
outros seres, estando infinitamente acima de todos: possuindo
sabedoria e poder infinitos, paira, onipresente, sobre todo o
Universo, e a tudo comunica, onipotente, o seu influxo e a sua
vontade.
1-
Deus é eterno, não tendo principio, existe e existiu
sempre.
Afigurasse-nos
difícil conceber algo que não tenha tido principio.
Mas isso é em se tratando das criaturas.
Deus é o Criador de tudo, independente e absoluto.
A criatura é finita; Deus é infinito.
Se Deus tivesse tido principio, teria saído do nada, o
que é absurdo, pois do nada não pode sair coisa alguma -, ou,
então, teria sido criado por um ser anterior.
Deus já não seria, então, o Absoluto.
É assim – diz Kardec – que, de degrau em degrau,
remontamos ao infinito e à eternidade.
2
– Deus é imutável.
Não
fosse assim, nenhuma estabilidade teria o Universo, porque
estariam sujeitas à variações as leis que o regem.
O contrário, porém, é o que se verifica por toda parte
e em tudo, a estabilidade e a harmonia.
3
– Deus é imaterial.
Sua
natureza difere de tudo o que conhecemos como matéria.
Por isso é absolutamente invisível, intangível, enfim,
inacessível a qualquer percepção sensória.
De outro modo, Ele não seria imutável, porque estaria
sujeito às transformações da matéria.
4
– Deus é único.
Não
há deuses, mas um Deus somente, Soberano do Universo, Criador
Absoluto e Incriado, Infinito e Eterno.
Se muitos deuses houvesse, não haveria unidade de
vistas, nem unidade de poder na ordenação do Universo.
5
– Deus é onipotente.
Sua
vontade é soberana e prevalecem sempre seus desígnios sábios
e justos. Ele o é,
porque é único. Se
não dispusesse do soberano poder, algo haveria mais poderoso ou
tão poderoso quanto Ele, que então não teria feito todas as
coisas. As que não houvesse feito, seriam obra de outro Deus.
6
– Deus é soberanamente justo e bom.
Em
tudo e em toda parte aparecem a bondade e a justiça de Deus na
providência com que, através de leis perfeitas, assiste as
suas criaturas, desde que estas se submetam aos seus desígnios
sábios e não se insurjam contra essas leis reguladoras do
ritmo do Universo, tanto quanto do funcionamento da vida do
homem. A sabedoria providencial das leis divinas se revela, assim,
nas mais pequeninas coisas, como nas maiores, e essa sabedoria não
permite se duvide nem da justiça nem da bondade de Deus.
Entre
os atributos acima ressalta a imaterialidade.
Por considerar Deus como absolutamente imaterial é que o
Espiritismo repele in totum
o Panteísmo, doutrina que – em vez de um ser distinto e
onipresente no Universo, pelo seu infinito poder de irradiação
– considera-o como a resultante de todas as forças e de todas
as inteligências do Universo reunidas.
Segundo a mesma doutrina, “todos os corpos da Natureza,
todos os seres, todos os globos do Universo seriam partes da
Divindade e constituiriam, em conjunto, a própria Divindade”.
A razão repele tal absurdidade e Kardec argumenta a
respeito dela com grande lucidez.
Esta doutrina faz de Deus um ser material que, embora
dotado de suprema inteligência, seria em ponto grande o que
somos em ponto pequeno. Ora,
transformando-se a matéria incessantemente, Deus, se fosse
assim, nenhuma estabilidade teria; achar-se-ia sujeito a todas
as vicissitudes, mesmo a todas as necessidades da Humanidade;
faltar-lhe-ia um dos atributos essenciais da Divindade: a
imutabilidade.
A
inteligência de Deus se revela em suas obras como a de um
pintor no seu quadro; mas, as obras de Deus não são o próprio
Deus, como o quadro não é o pintor que o concebeu e executou.
Deu
é Espírito, repitamos. Afirmou-o
Jesus em seu colóquio com a Samaritana, quando acrescentou também
que em Espírito e Verdade é que O devem os homens adorar.
Sua essência íntima não pode o homem perceber, porque
lhe falta o sentido para isso, conforme a resposta dos Espíritos
à argüição de Kardec. Entretanto, o Codificador, mostrando uma alta inspiração que
em si vibrava e uma lúcida esperança, redargüiu ainda:
“Será
dado um dia ao homem compreender o mistério da Divindade?”
A
que os Espíritos, solícitos, responderam:
“Quando
não mais tiver o Espírito obscurecido pela matéria.
Quando, pela sua perfeição, se houver aproximado de
Deus, ele o verá e compreenderá”.
Então,
na própria idéia de Deus, como essência puramente espiritual,
e na possibilidade de um dia chegar a vê-Lo e compreendê-Lo
– quando se tornar Espírito puro e perfeito – está
delineada, para o homem, toda uma perspectiva de trabalho e de
esperança: de degrau em degrau ele progredirá e, evoluindo
espiritualmente, adquirirá novos e mais aperfeiçoados sentidos
até conquistar um puro sentido espiritual que lhe permitirá
por-se em relação com Deus, vendo-O, ouvindo-O e
compreendendo-Lhe a Divina Vontade.
Jesus,
em cujo testemunho devemos crer, quando Ele afirmou que tudo o
que fazia, ou dizia, não o era de Si mesmo, mas refletia a
vontade do Pai, Espírito puro e de delicadíssimo sentido
espiritual, que Lhe outorgam a Sua pureza e a Sua perfeição.
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