O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
A Intervenção dos Espíritos no Mundo Corporal

Autor:
FEB

Fonte:
Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita - FEB

Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita
Baseado em Publicação da FEB

   

A influência dos Espíritos sobre nossos pensamentos e atos é tão grande que, de ordinário, são eles que nos dirigem.  Esta influência pode ser boa ou má, oculta ou ostensiva, fugaz ou duradoura.  Em qualquer situação, fica claro que a influenciação se concretiza através da sintonia que se estabelece.

É conveniente recordar que “pensar é vibrar, é entrar em relação como universo espiritual que nos envolve, e, conforme a espécie das emissões mentais de cada ser, elementos similares se lhe imantarão, acentuando-lhes as disposições e cooperando com ele em seus esforços ascensionistas ou em suas quedas e deslizes”.

Não podemos descuidar da nossa casa mental e seguir, vida a fora, arrastados pela ação maléfica dos Espíritos atrasados.  “Os Espíritos infelizes, de mente ultrajada, vivem mais com os companheiros encarnados do que se supõe.  Misturam-se nas atividades comuns, perambulam no ninho doméstico, participam das conversações, seguem com os comensais, de quem dependem, em processo legítimo de vampirização...”.

Perturbam-se e perturbam.

Sofrem e fazem sofrer.

Odeiam e geram ódios.

Amesquinhados em si mesmos, amesquinham os outros.

Infelicitados, infelicitam.

Já a ação dos Espíritos Superiores é outra.  “Os bons Espíritos só para o bem aconselham.  Suscitam bons pensamentos, desviam os homens da senda do mal, protegem na vida os que se lhes mostram dignos de proteção e neutralizam a influência dos Espíritos imperfeitos sobre aqueles a quem não é grato sofrê-la.”

Tomando consciência de que o pensamento exterioriza-se e projeta-se, formando imagens e sugestões que arremessa sobre os objetivos que se propõe atingir, nada mais natural que se consiga harmonia e felicidade, quando a emissão mental for equilibrada e edificante; ou, aflição e quedas morais, se o pensamento for desequilibrado e doentio.  A química mental vive na base de todas as transformações, porque realmente evoluímos em profunda comunhão telepática com todos aqueles encarnados ou desencarnados que se afinam conosco.

Podemos neutralizar a influência dos maus Espíritos praticando o bem e pondo em Deus toda a confiança, procurando repelir sugestões inferiores e não atender aos maus pensamentos que geram a discórdia, as lutas antifraternas, o ciúme, a inveja e a exaltação do orgulho.

À medida que se perseverar no propósito firme de melhoria, através do desligamento do mal, a influência provocada pelas entidades inferiores dará lugar aos conselhos e sugestões edificantes dos benfeitores espirituais.

Pelo que foi dito, ficou patenteada a ação que os Espíritos exercem uns sobre os outros, sobretudo entre desencarnados e encarnados, estabelecendo-se, assim, uma reciprocidade constante de intercâmbio.  Daí, ser difícil, senão impossível, em determinadas ocasiões, distinguir um pensamento próprio de um que nos é sugerido.  Geralmente, os pensamentos próprios são os que acodem em primeiro lugar.  É o que consta da pergunta 461 de “O Livro dos Espíritos”; porém, nesta mesma pergunta, os Espíritos dizem não ser de grande interesse estabelecer a distinção entre um pensamento próprio e um sugerido, acrescentando até, que em muitas ocasiões, é útil que não saibamos distinguir.

Foi, evidentemente, compreendendo o valor desta questão que Kardec concluiu:  se fora útil que pudéssemos distinguir claramente os nossos pensamentos próprios dos que nos são sugeridos, Deus nos houvera proporcionado os meios de o conseguirmos, como nos concedeu o de diferenciarmos o dia da noite.  Quando uma coisa se conserva imprecisa, é que convém, assim aconteça.