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A influência dos Espíritos
sobre nossos pensamentos e atos é tão grande que, de ordinário,
são eles que nos dirigem. Esta influência pode ser boa ou má,
oculta ou ostensiva, fugaz ou duradoura. Em qualquer situação,
fica claro que a influenciação se concretiza através da sintonia
que se estabelece.
É conveniente recordar que
“pensar é vibrar, é entrar em relação como universo espiritual
que nos envolve, e, conforme a espécie das emissões mentais de
cada ser, elementos similares se lhe imantarão, acentuando-lhes
as disposições e cooperando com ele em seus esforços
ascensionistas ou em suas quedas e deslizes”.
Não podemos descuidar da nossa
casa mental e seguir, vida a fora, arrastados pela ação maléfica
dos Espíritos atrasados. “Os Espíritos infelizes, de mente
ultrajada, vivem mais com os companheiros encarnados do que se
supõe. Misturam-se nas atividades comuns, perambulam no ninho
doméstico, participam das conversações, seguem com os comensais,
de quem dependem, em processo legítimo de vampirização...”.
Perturbam-se e perturbam.
Sofrem e fazem sofrer.
Odeiam e geram ódios.
Amesquinhados em si mesmos,
amesquinham os outros.
Infelicitados, infelicitam.
Já a ação dos Espíritos
Superiores é outra. “Os bons Espíritos só para o bem
aconselham. Suscitam bons pensamentos, desviam os homens da
senda do mal, protegem na vida os que se lhes mostram dignos de
proteção e neutralizam a influência dos Espíritos imperfeitos
sobre aqueles a quem não é grato sofrê-la.”
Tomando consciência de que o
pensamento exterioriza-se e projeta-se, formando imagens e
sugestões que arremessa sobre os objetivos que se propõe
atingir, nada mais natural que se consiga harmonia e felicidade,
quando a emissão mental for equilibrada e edificante; ou,
aflição e quedas morais, se o pensamento for desequilibrado e
doentio. A química mental vive na base de todas as
transformações, porque realmente evoluímos em profunda comunhão
telepática com todos aqueles encarnados ou desencarnados que se
afinam conosco.
Podemos neutralizar a
influência dos maus Espíritos praticando o bem e pondo em Deus
toda a confiança, procurando repelir sugestões inferiores e não
atender aos maus pensamentos que geram a discórdia, as lutas
antifraternas, o ciúme, a inveja e a exaltação do orgulho.
À medida que se perseverar no
propósito firme de melhoria, através do desligamento do mal, a
influência provocada pelas entidades inferiores dará lugar aos
conselhos e sugestões edificantes dos benfeitores espirituais.
Pelo que foi dito, ficou
patenteada a ação que os Espíritos exercem uns sobre os outros,
sobretudo entre desencarnados e encarnados, estabelecendo-se,
assim, uma reciprocidade constante de intercâmbio. Daí, ser
difícil, senão impossível, em determinadas ocasiões, distinguir
um pensamento próprio de um que nos é sugerido. Geralmente, os
pensamentos próprios são os que acodem em primeiro lugar. É o
que consta da pergunta 461 de “O Livro dos Espíritos”; porém,
nesta mesma pergunta, os Espíritos dizem não ser de grande
interesse estabelecer a distinção entre um pensamento próprio e
um sugerido, acrescentando até, que em muitas ocasiões, é útil
que não saibamos distinguir.
Foi,
evidentemente, compreendendo o valor desta questão que Kardec
concluiu: se fora útil que pudéssemos distinguir claramente os
nossos pensamentos próprios dos que nos são sugeridos, Deus nos
houvera proporcionado os meios de o conseguirmos, como nos
concedeu o de diferenciarmos o dia da noite. Quando uma coisa
se conserva imprecisa, é que convém, assim aconteça.
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